Contos e Lendas: 04/2004

30.4.04

AGUA E COCA-COLA
HOAX
 
 
Nós todos sabemos que água é importante, porém nunca foi dito dessa forma antes:
 
ÁGUA
 
75% dos americanos são cronicamente desidratados (provavelmente isso se aplica à metade da população mundial).
 
Em 37% dos americanos, o sentimento de sede é tão fraco que é freqüentemente confundido com fome.
 
Mesmo uma desidratação média diminui o metabolismo de uma pessoa em 3%.
 
Um copo de água corta a sensação de fome durante a noite para quase 100% das pessoas em regime. É o que mostra um estudo na Universidade de Washington.
 
Falta de água é o fator nº 1 da causa de fadiga durante o dia.
 
Estudos preliminares indicam que de 8 a 10 copos de água por dia poderia aliviar significativamente as dores nas costas e nas juntas em 8% das pessoas que sofrem desses males
 
Uma mera redução de 2% da água no corpo humano pode provocar incoerência na memória de curto prazo, problemas com matemática e dificuldade em focalizar uma tela de computador ou uma página impressa.
 
Beber 5 copos de água por dia diminui o risco de câncer no cólon em 45%, pode diminuir o risco de câncer de mama em 79% e em 50% a probabilidade de se desenvolver câncer na bexiga. Você está tomando a quantidade de água que você deveria todos os dias?
 
COCA-COLA
 
Em muitos estados nos EUA os patrulheiros rodoviários carregam dois galões de coca-cola no porta - malas para ser usado na remoção de sangue da pista depois de um acidente.
 
Se você por um osso em uma tigela com coca-cola ele se dissolverá em dois dias
 
Para limpar privadas: despeje uma lata de coca-cola dentro do vaso e deixe a "coisa" decantar por uma hora e então dê descarga. O ácido cítrico na coca-cola remove manchas na louça do vaso.
 
Para remover pontos de ferrugem dos pára-choques cromados de automóveis: esfregue o pára- choque com um chumaço de papel de alumínio (usado para embrulhar alimentos) molhado com coca- cola.
 
Para limpar corrosão dos terminais de baterias de automóveis: despeje uma lata de coca-cola sobre os terminais e deixe efervescer sobre a corrosão.
 
Para soltar um parafuso emperrado por corrosão: aplique um pano encharcado com coca-cola sobre o parafuso enferrujado por vários minutos
 
Para remover manchas de graxa das roupas: despeje uma lata de coca-cola dentro do tanque com as roupas com graxa, adicione detergente e bata em ritmo regular.. A coca-cola ajudará a remover as manchas de graxa.
 
A coca-cola também ajuda a limpar o embaçamento do pára-brisa do seu carro.
 
Para sua informação:
 
O ingrediente ativo na Coca-cola é o ácido fosfórico. Seu PH é 2.8.
 
Ele dissolve uma unha em cerca de 4 dias. Ácido fosfórico também rouba cálcio dos ossos e é o maior contribuidor para o aumento da osteoporose.
 
Há alguns anos, fizeram uma pesquisa na Alemanha para detectar o porquê do aparecimento de osteoporose em crianças a partir de 10 anos (pré-adolescentes). Resultado: excesso de Coca-cola, por falta de orientação dos pais.
 
Para transportar o xarope de coca-cola, os caminhões comerciais devem ser identificados com a placa de Material Perigoso que é reservado para o transporte de materiais altamente corrosivos.
 
Os distribuidores de coca-cola têm usado a coca para limpar os motores de seus caminhões há pelo menos 20 anos.
 
Mais um detalhe:
 
A Coca Light tem sido considerada cada vez mais pelos médicos e pesquisadores como uma bomba de efeito retardado, por causa da combinação Coca + Aspartame, suspeito de causar lupus e doenças degenerativas do sistema nervoso.
 
A pergunta é: "Você gostaria de um copo de água ou um copo de Coca-Cola?"
 
*Textos com o Tag TEORIA DA CONSPIRAÇÃO, LENDAS URBANAS  e HOAX são publicados a titulo de curiosidade. Não confirmo e nem acredito na veracidade, etc.

 






30.4.04

O CEGO E O PUBLICITÁRIO
DESCONHECO O AUTOR
CONTOS E LENDAS
 
 
Dizem que havia um cego sentado na calçada em Paris, com um boné a seus pés e um pedaço de madeira que, escrito com giz branco, dizia: "Por favor, ajude-me, sou  cego".
Um publicitário, da área de criação, que passava em frente a ele,  parou e viu umas poucas moedas no boné.
Sem pedir licença, pegou o cartaz, virou-o,pegou o giz e escreveu outro anúncio.
Voltou a colocar o pedaço de madeira aos pés do cego e foi embora.
Pela tarde o publicitário voltou a passar em frente ao cego que pedia esmola.
Agora, o seu boné estava cheio de notas e moedas.
O cego reconheceu as pisadas e lhe perguntou se havia sido ele quem reescreveu o seu cartaz, sobretudo querendo saber o que havia escrito ali.
O publicitário respondeu: "Nada que não esteja de acordo com o seu anúncio,mas  com outras palavras".
Sorriu e continuou seu caminho.
'O cego nunca soube, mas seu novo cartaz dizia: "Hoje é Primavera em Paris, e eu não posso vê-la".
Mudar a estratégia quando nada nos acontece... pode trazer novas perspectivas.






30.4.04

A TARTARUGA
DESCONHECO O AUTOR
CONTOS E LENDAS

 
Eu percebia que aquilo aborrecia muito os meus pais, porém pouco me importava com isso.
Desde que obtivesse o que queria, dava-me por satisfeito.
 
Mas, está claro, se eu importunava e agredia as pessoas, estas passaram a tratar-me de igual maneira.
 
Cresci um pouco e de certa feita me apercebi de que a situação era desconfortante e me preocupei sem, entretanto, saber como me modificar.
 
O aprendizado me foi dado em um domingo em que fui, com meus pais e meus irmãos, passar o dia no campo.
 
Corremos e brincamos muito até que, para descansar um pouco, dirigi-me para a margem do riacho que coleava entre um pequeno bosque e os campos. Ali encontrei uma coisa que parecia uma pedra capaz de andar.
 
Era uma tartaruga.
 
Examinei-a com cuidado e quando me aproximei mais o estranho animal encolheu-se e fechou-se dentro de sua casca.
 
Foi o que bastou.
 
Imediatamente pretendi que ela devia sair para fora e, tomando um pedaço de galho, comecei a cotucar os orifícios que haviam na carapaça.
 
Mas os meus esforços resultavam vãos e eu estava ficando, como sempre, impaciente e irritado.
 
Foi quando meu pai se aproximou de mim.
 
Olhou por um instante o que eu estava fazendo e, em seguida, pondo-se de cócoras junto a mim, disse calmamente:
 
- Meu filho, você está perdendo o seu tempo.
 
Não vai conseguir nada, mesmo que fique um mês cotucando a tartaruga.
 
Não é assim que se faz.
 
Venha comigo e traga o bichinho.
 
Acompanhei-o e ele se deteve perto na fogueira que havia aceso com gravetos do bosque. E me disse:
 
- Coloque a tartaruga aqui, não muito perto do fogo.
 
Escolha um lugar morno e agradável.
 
Eu obedeci.
 
Dentro de alguns minutos, sob a ação do leve calor, a tartaruga pôs a cabeça de fora e caminhou tranqüilamente em direção a mim.
 
Fiquei muito satisfeito e meu pai tornou a se dirigir a mim, observando:
 
- Filho, as pessoas podem ser comparadas às tartarugas.
 
 Ao lidar com elas procure nunca empregar a força.
 
0 calor de um coração generoso pode, às vezes, levá-las a fazer exatamente o que queremos, sem que se aborreçam conosco e até, pelo contrário, com satisfação e espontaneidade.






30.4.04

YOU'VE GOT A FRIEND
JAMES TAYLOR
CONTOS E LENDAS
 
 
 
When you're down and troubled
and you need a helping hand
and nothing, whoa nothing is going right.
Close your eyes and think of me
and soon I will be there
to brighten up even your darkest nights.
 
You just call out my name,
and you know wherever I am
I'll come running, oh yeah baby
Ato see you again.
Winter, spring, summer, or fall,
all you've got to do is call
and I'll be there, yeah, yeah, yeah.
You've got a friend.
 
If the sky above you
should turn dark and full of clouds
and that old north wind should begin to blow
Keep your head together and call my name out loud
and soon I will be knocking upon your door.
You just call out my name
and you know where ever I am
I'll come running to see you again.
Winter, spring, summer or fall
all you got to do is call
and I'll be there, yeah, yeah, yeah.
 
Hey, ain't it good to know that you've got a friend?
People can be so cold.
They'll hurt you and desert you.
Well they'll take your soul if you let them.
Oh yeah, but don't you let them.
 
You just call out my name
and you know wherever I am
I'll come running to see you again.
Oh babe, don't you know that,
Winter spring summer or fall,
Hey now, all you've got to do is call.
Lord, I'll be there, yes I will.
You've got a friend.
You've got a friend.
Ain't it good to know you've got a friend.
Ain't it good to know you've got a friend.
You've got a friend.
 

Quando você estiver triste e com problemas
e precisar de uma mão amiga
e nada, nada, parece estar indo bem
Feche os olhos e pense em mim
que logo estarei lá
para clarear até mesmo a sua noite mais escura.
 
Apenas chame o meu nome,
e você sabe que, onde quer que eu esteja
eu virei correndo, oh sim baby,
para te ver novamente.
Inverno, primavera, verão, ou outono,
tudo o que você tem que fazer é me chamar
E eu estarei lá, sim, sim, sim.
Você tem um amigo.
 
Quando o céu acima de você
se tornar escuro e cheio de nuvens
e aquele velho vento da noite começar a soprar
Deixe sua mente unida a mim e chame meu nome bem alto
e logo estarei batendo em sua porta.
Apenas chame o meu nome,
e você sabe que, onde quer que eu esteja
eu virei correndo para te ver novamente.
Inverno, primavera, verão, ou outono
tudo o que você tem que fazer é me chamar
E eu estarei lá, sim, sim, sim.
 
Ei, não é bom saber que você tem um amigo?
As pessoas podem ser muito frias.
Elas vão te machucar e vão te abandonar
E elas vão tomar sua alma se você deixar.
Oh, sim, mas não deixe.
 
Apenas chame o meu nome,
e você sabe que, onde quer que eu esteja
eu virei correndo para te ver novamente.
Oh babe, você não sabe que no
inverno, primavera, verão, ou outono,
tudo o que você tem que fazer é me chamar?
Deus, eu estarei lá, sim, eu estarei
Você tem um amigo.
Você tem um amigo.
Não é bom saber que você tem um amigo?
Não é bom saber que você tem um amigo?
Você tem um amigo.






29.4.04

O RESTAURADOR DE QUADROS
DESCONHECO O AUTOR
CONTOS E LENDAS
 
 
Em uma cidadezinha, havia uma pequena oficina de restauração de quadros.
 
Nela havia todos os tipos de quadros para serem consertados. Quadros com vidros quebrados, molduras arranhadas, telas com pinturas manchadas.
 
O restaurador trabalhava noite e dia consertando os quadros que apresentavam os mais variados problemas.
 
Depois colocava-os na sala de exposição e as pessoas que passavam por ali, viam, compravam e levavam para casa.
 
No meio daquele amontoado de quadros encontrava-se um pequeno quadro, todo estragado, todo empoeirado.
 
Sua moldura estava toda rachada com a pintura arranhada. Seu vidro estava trincado, sua tela toda manchada e quase rota.
 
O pequeno quadro sempre estava olhando para o restaurador, na esperança de que ELE o pegasse e o consertasse.
 
O tempo passava, mas nada do restaurador pegá-lo para consertar.
 
O pequeno quadro pensava consigo mesmo:
 
- O meu destino é ir para o lixo!...O restaurador sequer olha para mim...
 
Talvez eu não tenha mesmo mais conserto. Há tantos outros quadros menos deteriorados do que eu e que depois de arrumados terão um valor maior para a venda...
 
E, assim, foi passando o tempo.
 
O pequeno quadro cada vez mais desanimado com seu destino.
 
Numa manhã o Restaurador pegou-o, olhou demoradamente para ele, fez um longo silêncio, e perguntou:
 
- O que são essas rachaduras e ranhuras na sua moldura?
 
Desculpe-me, Senhor, mas quando o Senhor me fêz, também fizestes outros quadros que ficaram comigo. Alguns deles eram maiores, muito orgulhosos e prepotentes. Eu tentei conviver com eles, mas eram fortes, derrubaram-me, arranharam e racharam a minha moldura.
 
- Por que seu vidro está todo trincado?
 
- Ah, Senhor, na ansia de me safar com minhas próprias forças das adversidades eu caí e ele quebrou.
 
- Por que sua pintura está toda manchada?
 
- Ah, Senhor, foram as lágrimas que derramei nas horas de sufoco desolação.
 
- Por que sua tela está rota?
 
- Ah, Senhor, esta foi a pior parte que aconteceu comigo durante a minha vida. Neste lugar, estava um coração cheio de amor, esperança, entusiasmo, alegria. Um certo dia ele foi esmagado pela desilusão, incerteza, ingratidão, desamor. Acho que não tenho mais recuperação. O meu destino é inevitavelmente o LIXO.
 
O Restaurador olhou profundamente para aquele pequeno quadro e disse:
 
- Eu o criei conforme a minha vontade e eu o restaurarei conforme a minha vontade!
 
O Restaurador passou dias e dias no seu trabalho de restauração do pequeno quadro.
 
Quando terminou disse:
 
- Pronto. Você está novinho em folha. Agora você irá para o lugar de honra da sala de exposições. Lugar que sempre foi seu, desde que eu o criei.
 
O pequeno quadro quase não acreditou.
 
Que maravilha o restaurador tinha feito com ele.
 
A moldura estava tão brilhante, mais bonita que a anterior. Seu vidro tinha sido trocado. A pintura de sua tela estava com as cores vivas. Procurou pelo lugar que estava roto e não encontrou mais. Estava com a sua tela em perfeito estado.
 
As pessoas que visitavam a exposição ficaram maravilhadas com aquele pequeno quadro. Comentavam entre si:
 
- Que beleza de quadro!
 
Pequeno, é verdade, mas a sua pintura tem uma luz suave e penetrante, nele reside uma beleza inexplicável. É uma verdadeira "Obra prima".
 
Um deles perguntou:
 
- Quem teria sido o autor de tal obra?
 
Uma voz ecoou bem clara:
 
- DEUS!






29.4.04

ANJO DA SOLIDÃO
ANGELA
CONTOS E LENDAS
 
 
Conta-se que uma mulher vivia sozinha e muito se lamentava de solidão e nenhuma companhia.
 
Ninguém jamais aparecia em sua casa.
 
Certa manhã, chovia muito, e alguém bateu à sua porta: era um pequeno homem, tremendo de frio, molhado da cabeça aos pés.
 
Vendo o visitante tão inesperado, imediatamente mandou que ele entrasse.
 
Ali, com as vestes pingando, ele ouviu a mulher que por mais de uma hora lamentou sua solidão e falta de companhia.
 
Ela não lhe ofereceu roupas secas ou algo quente para se aquecer, tão envolvida que estava em suas próprias queixas.
 
Ele não tirava os olhos dos seus lábios em movimento ansioso, contínuo e disparado.
 
Cessada a chuva, ele fez menção de sair da casa, no que a mulher se inquietou:
 
"Espere! Nem sei seu nome! Você voltará? "
 
Ao que o homem reagiu, estendendo-lhe um papel totalmente seco, onde se lia:
 
Sou o Anjo Surdo. Só posso ouvir corações. Trago o remédio que cura a solidão, fazendo nascer amizades. Seu efeito não se manifesta naqueles que só falam de si e pensam apenas em si próprios.
 
Isto dito, desapareceu...e nunca mais alguém bateu naquela porta.






29.4.04

CIDADANIA - SOLUÇÃO A MEDIO PRAZO
DESCONHECO O AUTOR
CONTOS E LENDAS
 
 
A chave para a solução dos problemas atuais do Brasil pode ser a mesma que o prefeito de New York usou há uma década atrás:
 
Veja os 11 mandamentos:
 
01. Você acha um absurdo a corrupção da polícia?
Solução: NUNCA suborne nem aceite suborno!
 
02. Você acha um absurdo o roubo de carga, até mesmo com assassinatos dos motoristas?
Solução: PEÇA a nota fiscal em suas compras!
 
03. Você acha um absurdo a desordem causada pelos camelôs?
Solução: NÃO compre nada com eles! A maior parte de suas mercadorias são produtos roubados.
 
04. Você acha um absurdo o poder dos marginais das favelas?
Solução: NÃO compre nem consuma drogas!
 
05. Você acha um absurdo o enriquecimento ilícito?
Solução: denuncie à Receita Federal aquele vizinho que enriquece repentinamente. Não o admire, repudie-o.
 
06. Você acha um absurdo a quantidade de pedintes no sinal ou de flanelinhas nas ruas?
Solução: NUNCA dê nada. Ajude o próximo de outra maneira.
 
07. Você acha um absurdo que qualquer chuva alague a cidade?
Solução: Só jogue o LIXO no LIXO.
 
08. Você acha um absurdo haver cambistas para shows e espetáculos?
Solução: NÃO compre deles, nem que não assista ao evento.
 
09. Você acha um absurdo o trânsito da sua cidade?
Solução: NUNCA feche o cruzamento.
 
10. Você acha um absurdo o poder econômico e militar dos Estados Unidos da América?
Solução: Prestigie a indústria brasileira !
 
11. Você está indignado com o desempenho de seus representantes na política?
Solução: Nunca mais vote neles e espalhe aos seus amigos seu desalento e o nome dos eleitos que o decepcionam.
 
Pratique os pontos com os quais você concordou e tente analisar os que você não concordou para ver se procedem.






29.4.04

DAS ARMADILHAS DA BUSCA
PAULO COELHO
CONTOS E LENDAS
 
Ao mesmo tempo que as pessoas passam a prestar mais atenção às coisas do espírito, um outro fenômeno ocorre: a intolerância com a busca espiritual dos outros.
 
Todos os dias recebo revistas, mensagens eletrônicas, cartas, panfletos tentando provar que tal caminho é melhor que o outro, e contendo uma série de regras para atingir ¿a iluminação¿.
 
Em virtude do volume crescente deste tipo de correspondência, decidi escrever um pouco sobre aquilo que considero perigoso nesta busca. 
 
Mito 1: a mente pode curar tudo.
 
Isso não é verdade, e prefiro ilustrar este mito com uma história.
 
Há alguns anos, uma amiga minha ¿ profundamente envolvida com a busca espiritual ¿ começou a ter febre, passar muito mal, e durante toda a noite procurou mentalizar o seu corpo, usando todas as técnicas que conhecia, de modo a curar-se apenas com o poder do pensamento.
 
No dia seguinte, seus filhos, preocupados, pediram que fosse a um médico ¿ mas ela se recusava, alegando que estava ¿purificando¿ seu espírito.
 
Só quando a situação ficou insustentável foi que aceitou ir a um hospital, e ali teve que ser operada imediatamente ¿ diagnosticaram apendicite.
 
Portanto, muito cuidado: melhor às vezes pedir que Deus guie as mãos de um médico, que tentar curar-se sozinho. 
Mito 2: a carne vermelha afasta a luz divina.
 
É evidente que, se você pertence a determinada religião, terá que respeitar as regras estabelecidas ¿ judeus e muçulmanos, por exemplo, não comem carne de porco, e neste caso trata-se de uma prática que faz parte da fé.
 
Entretanto, o mundo está sendo inundado por uma onda de ¿purificação¿ através da comida: os vegetarianos radicais olham as pessoas que comem carne como se fossem responsáveis pelo assassinato de animais.
 
Ora, as plantas também não são seres vivos?
 
A natureza é um constante ciclo de vida e morte, e algum dia seremos nós quem iremos alimentar a terra ¿ portanto, se você não pertence a uma religião que proíba determinado alimento, coma aquilo que seu organismo pedir.
 
Quero lembrar aqui a história do mago russo Gudjeff: quando jovem, foi visitar um grande mestre, e para impressioná-lo comia apenas vegetais.
 
Certa noite, o mestre quis saber por que tinha uma dieta tão rígida, e Gurdjeff comentou: ¿para manter limpo o meu corpo¿.
 
O mestre riu, aconselhando-o imediatamente a parar com essa prática: se continuasse assim, ia terminar como uma flor na estufa ¿ muito pura, mas incapaz de resistir aos desafios das viagens e da vida.
 
Como dizia Jesus: ¿o mal não é o que entra, mas o que sai da boca do homem.¿ 
 
Mito 3: Deus é sacrifício.
 
Muita gente busca o caminho do sacrifício e da auto-imolação, afirmando que devemos sofrer neste mundo, para ter felicidade no próximo.
 
Ora, se este mundo é uma bênção de Deus, por que não saber aproveitar ao máximo as alegrias que a vida dá?
 
Estamos muito acostumados com a imagem de Cristo pregado na cruz, mas nos esquecemos que sua paixão durou apenas três dias: o resto do tempo passou viajando, encontrando as pessoas, pregando o Amor, comendo, bebendo, levando sua mensagem de tolerância.
 
E tanto foi assim que seu primeiro milagre foi ¿politicamente incorreto¿: como faltou bebida nas bodas de Canaã, ele transformou água em vinho.
 
Fez isso, no meu entender, para mostrar a todos nós que não existe nenhum mal em seu feliz, alegrar-se, participar de uma festa ¿ porque Deus está muito mais presente quando estamos junto aos outros.
 
Maomé dizia que ¿se estamos infelizes, trazemos também infelicidade aos nossos amigos.¿ Buda, depois de um longo período de provação e renúncia, estava tão fraco que quase se afogou; quando foi salvo por um pastor, entendeu que o isolamento e o sacrifício nos afastam do milagre da vida.
 
Mito 4: existe um único caminho até Deus.
 
Este é o mais perigoso de todos os mitos: a partir daí começam as explicações do Grande Mistério, as lutas religiosas, o julgamento do nosso próximo.
 
Podemos escolher uma religião (eu, por exemplo, sou católico), mas devemos entender que se o nosso irmão escolheu uma religião diferente, irá chegar no mesmo ponto de luz que nós buscamos com nossas práticas espirituais.
 
Finalmente, vale a pena lembrar que não é possível transferir de maneira nenhuma para o padre, o rabino, o imã, as responsabilidades de nossas decisões.
 
Somos nós que construímos, através de cada um de nossos atos, a estrada até o Paraíso.






29.4.04

NAMOROFOBIA 
DANUZA LEAO
CONTOS E LENDAS
 
 
A praga da década são os namorofóbicos.
 
Homens (e mulheres) estão cada vez mais arredios ao título de namorado, mesmo que, na prática, namorem.
 
Uma coisa muito estranha.
 
Saem, fazem sexo, vão ao cinema, freqüentam as respectivas casas, tudo numa freqüência de namorados, mas não admitem.
 
Têm alguns que até têm o cuidado de quebrar a constânciasó para não criar jurisprudência,como se diria em juridiquês
 
Podem sair várias vezes numa semana,mas aí tem que dar uns intervalos regulamentares,que é para não parecer namoro. -
 
É tua namorada? -
 
Não, a gente tá ficando.
 
Ficando aonde, cara pálida?
 
Negam o namoro até a morte, como se namoro fosse casamento, como se o título fizesse o monge,  como se namorar fosse outorgar um título de propriedade.
 
Devem temer que ao chamar de namorada (o) a criatura se transforme  numa dominadora sádica,  que vai arrastar
a presa para o covil, fazer enxoval, comprar alianças, apresentar para a parentada toda e falar de casamento - não vai.
 
Não a menos que seja um (a) psicopata. Mais pata que psico.
 
Namorar é leve, é bom, é gostoso.
 
Se interessar pelo outro e ligar pra ver se está tudo bem, pode não ser cobrança, pode ser saudade, vontade de estar junto, de dividir.
 
A coisa é tão grave e levada a extremos  que pode tudo, menos chamar de namorado.
 
Pode viajar junto, dormir junto, até ir ao supermercado junto (há meses!), mas não se pode pronunciar a palavra macabra: NAMORO.
 
Antes, o problema era outro: CASAMENTO.
 
Ui. Vá de retro! Cruz credo! Desafasta.
 
Agora é o namoro, que deveria ser o test drive, a experiência, com toda a leveza do mundo.
 
Daqui a pouco, o problema vai ser qualquer tipo de relacionamento  que possa durar mais que
uma noite e significar um envolvimento maior  que saber o nome.
 
Do que o medo?
 
Da responsabilidade?
 
Da cobrança?
 
De gostar?
 
Sempre que a gente se envolve com alguém tem que ter cuidado.
 
Não é porque "a gente tá ficando" que não se deve respeito, carinho e cuidado.
 
Não é porque "a gente tá ficando" que voce vai para cama num dia e no outro finge que não conhece e isso
não dói ou que não é filhadaputice.
 
Não é porque "a gente tá ficando" que o outro passa a ser mais um número no rol das experiências sexuais - e só.
 
Ou é? Tô ficando velha?
 
Se estiver, paciência.
 
Comigo,só namorando.................

 






28.4.04

ALIMENTANDO O AMOR
DESCONHECO O AUTOR
CONTOS E LENDAS
 
 
Uma amiga, balconista da seção de cosméticos de uma grande loja de departamentos me conta que um dia notou um rapaz a observar umas caixas de sabonetes expostas e ela se ofereceu para ajudá-lo. 
 
Ele aceitou a ajuda dizendo que desejava comprar uns sabonetes finos para presentear a esposa. 
 
Por fim, ele escolheu uma caixa bem vistosa e pediu para que ela fizesse um embrulho bem bonito. 
 
Uma semana depois, a balconista notou que o mesmo rapaz estava em outra seção da loja olhando artigos para senhoras. Curiosa, dirigiu-se a ele e lhe perguntou se a sua esposa havia gostado dos sabonetes que ele comprara outro dia. 
 
- Bem, ela ainda não os achou.
 
Foi essa a resposta seguida de uma explicação e de um sorriso.
 
- Veja senhorita:  Eu tenho um plano... Sempre escondo algo para que minha mulher encontre sem esperar... 
 
Creio que ela encontrará os sabonetes na próxima semana, quando for limpar a despensa... É uma surpresa para quebrar a monotonia do serviço caseiro... concluiu o jovem esposo. 
 
 
***
 
Não há dúvidas de que são cuidados e atenções desse tipo que alimentam a chama do amor e do afeto verdadeiro. 
 
Não são necessários grandes feitos para cultivar a ternura, mas é preciso que sejam constantes e que o respeito seja parte integrante do relacionamento. 
 
Um mimo inesperado, uma palavra de incentivo, uma flor singela, um bilhete, um beijo no espelho, um abraço, um gesto de carinho, dentre outras ações são ingredientes seguros para a manutenção de qualquer relação. 
 
E o que é melhor: Não têm contra-indicação. 
 
Quando somos surpreendidos por um presentinho, uma flor, um bilhetinho, um perfume, um gesto de carinho, um e-mail, um telefonema, temos a nítida impressão de que estamos sempre sendo lembrados pela pessoa que nos preparou tais surpresas, inesperadamente esperadas.
 
Mas o aspecto mais importante da surpresa é que ela não será somente de quem for seu alvo.
 
A surpresa será também de quem pretende surpreender, pois ele está atento, vigilante, pensando "direto", muito ansioso até a descoberta, imaginando, às vezes por dias, semanas, de como vai ser a reação da pessoa para quem ele preparou essa surpresa tão programada.
 
Ah! Como o surpreendedor espera por esse momento, pois a reação por ele esperada e obtida é como um troféu para o seu plano quando bem sucedido.
 
Não vamos falar de surpresas mal sucedidas, de gente que não sabe surpreender e que quando resolve surpreender alguém, faz sem planejamento, sem o menor cuidado. 
 
Toda surpresa, para ser surpresa na melhor definição da palavra e do ato, tem que ser algo novo, algo desconhecido até para quem a idealiza e por isso, requer cuidados especiais, muito planejamento. Requer, às vezes, conhecer muito a pessoa que vamos, que pretendemos surpreender. 
 
Surpreender positivamente significa cometermos atos jamais esperados por alguém.
 
Surpreender com atitudes boas é um ato de amor, de carinho, de amizade!
 
E por falar em surpresas: 
 
- Você já se surpreendeu hoje? 
 
Seu marido, sua esposa, sua namorada, seu filho, seu vizinho, seu amigo, seu ou sua colega de trabalho, qualquer pessoa, alguém que você cativou ou te cativou um dia? 
 
Lembremos-nos sempre: 
 
"Somos responsáveis por quem cativamos." 






28.4.04

 

COMPORTE-SE COMO OS OUTROS
GUERREIRO DA LUZ ONLINE, PUBLICAÇÃO DE www.paulocoelho.com.br
CONTOS E LENDAS
 
 
O Abade Pastor caminhava com um monge de Sceta, quando foram convidados para comer. O dono da casa, honrado pela presença dos padres, mandou servir o que havia de melhor.
 
Entretanto, o monge estava no periodo de jejum; assim que a comida chegou, pegou uma ervilha, e mastigou-a lentamente.  Só comeu esta ervilha, durante todo o jantar.
 
Na saída, o abade Pastor chamou-o:
 
- Irmão, quando for visitar alguém, não torne a sua santidade uma ofensa. Da próxima vez que estiver em jejum, não aceite convites para jantar.
 
O monge entendeu o que o abade Pastor dizia. A partir daí, sempre que estava com outras pessoas, se comportava como el






28.4.04

O VÍCIO DE FALAR MAL DOS OUTROS
LUIZ ALMEIDA MARINS FILHO, PH. D.
CONTOS E LENDAS
 
 
É incrível!! Ninguém mais agüenta gente que fala mal dos outros o tempo todo. Gente que parece não ter outro assunto a não ser falar das outras pessoas. Será que essa gente não percebe o que todos estão enxergando? Falar mal do chefe, do patrão, do subordinado, do colega, do vizinho, do concorrente, do fornecedor, acaba sendo um vício que precisa ser combatido por aqueles que fizeram do falar mal seu verdadeiro "emprego" .
 
Você já foi no lugar do cafezinho? O que estão falando? Mal dos outros!
 
Você já viu o que conversam na hora do almoço? Mal dos outros! e quando chegam em casa essas pessoas falam o que? Mal dos outros!
 
Se você também adquiriu esse "vício", acabe com ele!
 
Uma pessoa que fala mal dos outros perde a própria credibilidade.
 
Outro dia recebi uma pessoa com excelente currículo que queria um emprego. Eu estava disposto a empregá-lo. Na entrevista ele começou a falar mal de todos os seus ex-patrões, de seus ex-colegas, das empresa em que trabalhou. Imediatamente desisti de contratá-lo.
 
Contando esse caso para outras pessoas que estão empregando novos funcionários, todos disseram ter a mesma reação.
 
Ninguém tem coragem de contratar um falastrão, a verdade é essa.
 
Nesta semana, gostaria que você fizesse um exame de consciência e visse se você também não é tipo "viciado" em falar mal dos outros.
 
Lembre-se que pessoas de sucesso não precisam falar mal de ninguém para vencer.
 
Uma pessoa segura de si própria, quando não pode falar bem de alguém, não fala mal.
 
Pense nisso...






28.4.04

A CIDADE DO OUTRO LADO
GUERREIRO DA LUZ ONLINE, PUBLICAÇÃO DE www.paulocoelho.com.br
CONTOS E LENDAS
 
 
Um eremita do mosteiro de Sceta se aproximou do Abade Teodoro:
- Sei exatamente qual o objetivo da vida. Sei o que Deus pede ao homem, e conheço a melhor maneira de servi-Lo. E, mesmo assim, sou incapaz de fazer aquilo tudo que devia estar fazendo para servir ao Senhor.
O abade Teodoro ficou um longo tempo em silencio. Finalmente disse:
- Você sabe que existe uma cidade do outro lado do oceano. Mas ainda não encontrou o navio, não colocou sua bagagem a bordo, e não cruzou o mar. Por que ficar comentando como ela é, ou como devemos caminhar por suas ruas?
"Saber o objetivo da vida, ou conhecer a melhor maneira de servir ao Senhor, não basta. Coloque em prática o que você está pensando, e o caminho se mostrará por si mesmo".






28.4.04

A LIÇÃO DO FOGO
DESCONHECO O AUTOR
CONTOS E LENDAS
 
Um membro de um determinado grupo, ao qual prestava serviços regularmente, sem nenhum aviso deixou de participar de suas atividades. e após algumas semanas, o líder daquele grupo decidiu visitá-lo.
 
Era uma noite muito fria.
 
O líder encontrou o homem em casa sozinho, sentado diante da lareira, onde ardia um fogo brilhante e colhedor.
 
Adivinhando a razão da visita, o homem deu as boas-vindas ao líder, conduziu-o a uma grande cadeira perto da lareira e ficou quieto, esperando.
 
O líder acomodou-se confortavelmente no local indicado, mas não disse nada.
 
No silêncio sério que se formara, apenas contemplava a dança das chamas em torno das tochas de lenha, que ardiam.
 
Ao cabo de alguns minutos, o líder examinou as brasas que se formaram. Cuidadosamente selecionou uma delas, a mais incandescente de todas, empurrando-a para o lado.
 
Voltou então a sentar-se, permanecendo silencioso e imóvel. O anfitrião prestava atenção a tudo, fascinado e quieto.
 
Aos poucos a chama da brasa solitária diminuía, até que houve um brilho momentâneo e seu fogo apagou-se de vez.
 
Em pouco tempo o que antes era uma festa de calor e luz, agora não passava de um negro, frio e morto pedaço de carvão recoberto de uma espessa camada de fuligem acinzentada.
 
Nenhuma palavra tinha sido dita desde o protocolar cumprimento inicial entre os dois amigos.
 
O líder, antes de se preparar para sair, manipulou novamente o carvão frio e inútil, colocando-o de volta no meio do fogo. Quase que imediatamente ele tornou a incandescer, alimentado pela luz e calor dos carvões ardentes em torno dele.
 
Quando o líder alcançou a porta para partir, seu anfitrião disse: -Obrigado. Por sua visita e pelo belíssimo sermão.
 
Estou voltando ao convívio do grupo.
 
Deus te abençoe!
 
Reflexão :
 
Aos membros vale lembrar que eles fazem parte da chama e que longe do grupo eles perdem todo o brilho.
 
Aos lideres vale lembrar que eles são responsáveis por manter acesa a chama de cada um e por promover a união entre todos os membros, para que o fogo seja realmente forte, eficaz e duradouro.






28.4.04

O CAMINHO DO MEIO
GUERREIRO DA LUZ ONLINE, PUBLICAÇÃO DE www.paulocoelho.com.br
CONTOS E LENDAS
 
 
O monge Lucas, acompanhado de um discípulo, atravessava uma aldeia. Um velho perguntou ao asceta:
- Santo homem, como me aproximo de Deus?
 
- Divirta-se. Louve o Criador com sua alegria - foi a resposta.
Os dois continuaram a caminhar. Neste momento, um jovem aproximou-se.
 
- O que faço para me aproximar de Deus?
- Não se divirta tanto - disse Lucas.
 
Quando o jovem partiu, o discípulo comentou:
- Parece que o senhor não sabe direito se devemos ou não devemos nos divertir.
 
- A busca espiritual e' uma ponte sem corrimão atravessando um abismo - respondeu Lucas. -
 
Se alguém esta' muito perto do lado direito, eu digo 'para a esquerda!' Se aproximam-se do lado esquerdo, eu digo 'para a direita!'. Os extremos nos afastam do Caminho.






27.4.04

QUAL DESSES VOCÊ É
DESCONHECO O AUTOR
CONTOS E LENDAS
 
 
Uma filha se queixou a seu pai sobre sua vida e de como as coisas estavam tão difíceis para ela.
 
Ela já não sabia mais o que fazer e queria desistir.
 
Estava cansada de lutar e combater.
 
Parecia que assim que um problema estava resolvido um outro surgia.
 
Seu pai, um chef, levou-a até a cozinha dele.
 
Encheu três panelas com água e colocou cada uma delas em fogo alto.
 
Em uma ele colocou cenouras, em outra colocou ovos e, na última, pó de café.
 
Deixou que tudo fervesse, sem dizer uma palavra.
 
A filha deu um suspiro e esperou impacientemente, imaginando o que ele estaria fazendo.
 
Cerca de vinte minutos depois, ele apagou as bocas de gás. Pescou as cenouras e as colocou em uma tigela. Retirou os ovos e os colocou em uma tigela. Então pegou o café com uma concha e o colocou em uma tigela.
 
Virando-se para ela, perguntou:
 
- Querida, o que você está vendo?
 
- Cenouras, ovos e café, ela respondeu.
 
Ele a trouxe para mais perto e pediu-lhe para experimentar as cenouras. Ela obedeceu e notou que as cenouras estavam macias.
 
Ele, então, pediu-lhe que pegasse um ovo e o quebrasse. Ela obedeceu e depois de retirar a casca verificou que o ovo endurecera com a fervura. Finalmente, ele lhe pediu que tomasse um gole do café.
 
Ela sorriu ao provar seu aroma delicioso.
 
- O que isto significa, pai?
 
Ele explicou que cada um deles havia enfrentado a mesma adversidade, a água fervendo, mas que cada um reagira de maneira diferente.
 
A cenoura entrara forte, firme e inflexível, mas depois de ter sido submetida à água fervendo, ela amolecera e se tornara frágil.
 
Os ovos eram frágeis sua casca fina havia protegido o líquido interior, mas depois de terem sido fervidos na água, seu interior se tornara mais rijo.
 
O pó de café, contudo, era incomparável; depois que fora colocado na água fervente, ele havia mudado a água.
 
Ele perguntou à filha:
 
- Qual deles é você, minha querida?
 
Quando a adversidade bate à sua porta, como você responde?
 
Você é como a cenoura que parece forte, mas com a dor e a adversidade você murcha, torna-se frágil e perde sua força? Ou será você como o ovo, que começa com um coração maleável, mas que depois de alguma perda ou decepção se torna mais duro, apesar de a casca parecer a mesma? Ou será que você é como o pó de café, capaz de transformar a adversidade em algo melhor ainda do que ele próprio?"
 
Somos nós os responsáveis pelas próprias decisões. Cabe a nós - somente a nós - decidir se a suposta crise irá ou não afetar nosso rendimento profissional, nossos relacionamentos pessoais, nossa vida enfim.
 
Ao ouvir outras pessoas reclamando da situação, ofereça uma palavra positiva. Mas você precisa acreditar nisso. Confiar que você tem capacidade e tenacidade suficientes para superar mais este desafio.
 
"Uma vida não tem importância se não for capaz de impactar positivamente outras vidas".






27.4.04

A LENDA DAS CINCO PEROLAS 
ANTOLOGIA DA MATEMATICA - II VOLUME
MALBA TAHAN
CONTOS E LENDAS

 
Em nome de Allah, Clemente e Misericordioso... Afirmam ou asseguram os pacientes calculistas que a soma cinco mais cinco é sempre constante e igual a dez. Por Allah, o Exaltado! Que deplorável ingenuidade! Muitos casos há, posso garantir, em que a conta cinco mais cinco oferece resultados que vão muito além do total previsto pelos crédulos e fantasiosos algebristas. Como pode ser isso?
 
Perguntará, certamente, o leitor sempre alerta para cooperar com a Verdade. Como pode ser isso? Cabe-nos esclarecer a dúvida e restabelecer o prestígio da aritmética, narrando um singular episódio ocorrido no reinado do famoso Califa Al-Mutawakil, que a história, sempre em seus julgamentos, inclui entre os mais gloriosos soberanos do pais dos árabes.
 
Al-Mutawakil (que Allah o tenha em sua paz!) chamou um dia o seu digno vizir Calil Sadek e disse-lhe:
 
- Minha esposa Djohar completa amanhã o seu 23º aniversario. Quero surpreendê-la e encantá-la com um presente original e valioso. Iallah! Pretendo mimosear Djohar com um adereço feito de pérolas. Irás, agora mesmo, ao "suk" dos mercadores e procurarás, entre os joalheiros, aquele que tiver as gemas mais raras para vender.
 
O honrado e prestimoso Sadek, inclinando-se diante do seu poderoso amo, respondeu:
 
- Escuto e obedeço ó Príncipe dos Príncipes! E, sem perda de tempo, partiu para o grande bazar de Bagdad (também chamado "suk"), onde se reuniam, a partir da primeira prece, os mercadores mais ricos e opulentos da cidade. A sorte favoreceu o bom vizir do Rei. Seguindo as informacões de um escriba, conseguiu descobrir um peroleiro damasceno que se dispunha a vender, por preço bastante razoável, pérolas belíssimas (dizia ele) colhidas entre as ondas revoltas de mar de Oman.
 
Uma hora depois o prestativo Sadek, seguido do "peroleiro", ingressava no divan real, isto é, na sala de audiência do califa. Imensa foi a satisfação com que Al-Mutawakil recebeu o seu insigne ministro:
 
- E esse, ó Sadek, o mercador que vende pérolas?
 
E, enquanto fazia essa pergunta, o califa observava, com discreta curiosidade, o peroleiro correndo-o com o olhar da cabeça aos pés. O sírio era um homem alto, de meia idade, ombros largos, rosto redondo e pequenos olhos vivos. Usava barba bem cuidada e vestia-se com a sobriedade de uma pessoa fina e de bom gosto. Além de larga faixa, característica dos cheiques, ostentava um turbante de seda cor de tâmara com frisos brancos. Mantinha sob o braço esquerdo pesada bolsa de couro.
 
- Emir dos crentes - informou o vizir Sadek, com voz pausada - Este damasceno, segundo informações que colhi, é pessoa de bem e goza de bom conceito no suk dos mercadores. Traz da velha Damasco, seu berço, uma coleção de pérolas, e deseja vender as preciosidades por preço bem razoável. E possível que a mercadoria desse rico peroleiro possa agradar ao Vigário de Allah, Nosso amor e Senhor!
 
Al-Mutawakil (assim dizem os seus biógrafos) não era homem que levasse indecisões na garupa de seu camelo; voltou-se, pois, para o cheique do turbante cor de tâmara e assim falou:
 
- Dize-me o teu nome, ó irmão dos árabes! Mostra-me as tuas pérolas e faze-me conhecer o preço que pretendes auferir de tua mercadoria. Interpelado desse modo pelo Rei, o mercador sírio ergueu o rosto e proferiu bem alto, placidamente, o saiam dos caravaneiros:
 
- Que Allah, o Exaltado, coloque sob os pés do Príncipe o tapete da paz e a areia da felicidade e da glória! Melil olbilad el Kabir! (Salve o grande Rei do país!). Chamo-me Elias Daud Batah, mas os homens da minha terra apelidaram-me o 'Cheique dos Imprevistos' pois eu sei resolver de maneira diferente e com imprevisível recurso os pequenos e grandes problemas da vida. Aqui estão, ó Sucessor do Profeta!, as pérolas que desejo vender. Descerrou o mercador a larga bolsa e retirou duas pequenas caixas de madeira.
 
Abertas as caixas, o Rei não ocultou o seu deslumbramento, Cada uma delas, sobre um fundo de veludo roxo, continha cinco pérolas enormes de impecável beleza.
 
- As cinco pérolas - informou o sírio, apontando para uma das caixas que se acham nesta caixa amarela, são verdadeiras. Valem um tesouro e são dignas da virtuosa esposa de nosso generoso e querido califa. As outras cinco - que se acham na caixa escura - tão lindas, corno as outras, são falsas! Inteiramente falsas Nesta original coleção de dez pérolas é difícil, quase impossível talvez, ao mais experimentado perito, distinguir uma pérola falsa de uma verdadeira, pois as ilegítimas apresentam requintes de perfeição, ao passo que nas autênticas percebemos, depois de acurado exame, pequenínas manchas e ligeiros senões. E isso acontece, ó Rei do Tempo, porque a Verdade, em sua singeleza, tem muitas vezes a aparência da impostura e da fraude, ao passo que a mentira, para ilaquear a boa fé, reveste-se com toda as cores da autenticidade e de exatidão.
 
- E quanto queres, ó Cheique dos Imprevistos, pelas tuas pérolas falsas e verdadeiras? - indagou com impaciência o califa. O mercador, depois de refletir durante alguns instantes, assim falou:
 
- Cada pérola verdadeira custa apenas dez dinares; cada pérola falsa custará quinhentos dinares. Mas eu só venderei as cinco legítimas àquele que adquirir, também, as cinco imitações.
 
Al-Mutawakil, ao ouvir aquela disparatada proposta, cruzou um sorriso.
 
- Pela memória do nosso Profeta, ó Mercador de Damasco! Ouallahu! É bem estranho que procures vender o falso cinqüenta vezes mais caro que o verdadeiro. O certo, o justo, o conveniente, seria que as pérolas autênticas custassem quinhentos ou mil dinares cada uma e que as ilegítimas fossem vendidas, em conjunto, por meia dúzia de moedas!
 
- Peço perdão, ó Rei dos Árabes - volveu em tom de cerimônia o mercador - vejo-me forçado a discordar de vosso respeitável parecer. A longa experiência da vida ensinou-me que, na realidade, o homem paga sempre pelo que é enganoso, e falso, muito mais do que despende por aquilo que é verdadeiro e sincero. Um amigo falso, por exemplo, custa-nos caro, ao passo que um amigo leal e dedicado não nos custa dissabores nem prejuízos. O jovem que faz um casamento falso arrepende-se; paga com intermináveis amarguras da existência o passo errado que a ilusão de um momento o levou a praticar; aquele que escolhe uma boa esposa e realiza um matrimônio acertado e feliz prospera e enriquece. Ainda desta vez o falso custou caro; o verdadeiro deixou a impressão de não ter custado meio sequim em relação ao lucro que proporcionou. Baseado em tais argumentos, deliberei fixar para as minhas pérolas preços bem diversos, e esses preços, ao espírito menos avisado, podem parecer desconexos; as falsas custam cinqüenta vezes mais caro do que as verdadeiras! Faço, nas minhas transações, a imitação exata da vida!
 
Al-Mutawakil, arguto e inteligente, percebeu que a intenção do mercador era fazer-se diferente e original. Queria justificar o apelido de 'Cheique dos Imprevistos'. E resolveu mostrar ao damasceno que ele também, embora califa, prestigioso e rico, não seria facilmente vencido no largo terreno da bizartice e da extravagância.
 
Disse, pois, com voz grave ao peroleiro:
 
- Aceito a tua proposta. Receberás do meu tesoureiro o preço que acabas de exigir.
 
Uma nova personagem vai ingressar nesta história. Trata-se do intrigante Ali Fares Neman, tesoureiro de Al-Mutawakil. Chamado pelo califa, o novo vizir do Tesouro compareceu ao divan fez as contas e declarou que o mercador devia receber dois mil e quinhentos e cinqüenta dinares. As moedas foram contadas e entregues ao vendedor de pérolas.
 
Ali Pares Neman, avarento e mau, trazia sempre na alma uma pequena dose de veneno.
 
Aproximou-se solerte do califa e disse-lhe muito em segredo qualquer coisa ao ouvido. Duas rugas tortuosas, nascidas da suspeita e da intriga, riscaram no mesmo instante a testa morena do Rei. Sim, sim - resmungou Al-Mutawakil - é possível que tenhas razão. Apuremos já a verdade. E, num gesto rápido, e quase impulsivo, o califa tomou as duas caixas e, juntou, num só grupo, as dez pérolas que acabara de adquirir. Isto feito, voltou-se para o vizir Sadek e disse com voz trêmula:
 
- Determino que tragas, imediatamente, a este divan, Sabaga e Maluf, os dois joalheiros mais hábeis da cidade. Quero que eles avaliem estas pérolas e indiquem quais as falsas e quais as verdadeiras. E desejo saber até que ponto este mercador dos imprevistos foi leal e honesto.
 
Com a máxima presteza atendeu o bom vizir ao novo capricho do Rei. Os ricos e prestigiosos joalheiros, entre os mais conceituados de Bagdad - Sabaga e Maluf - foram levados ao palácio. O tesoureiro Neman achava que os peritos deviam ser ouvidos separadamente, e que o segundo, ao avaliar as pérolas, não devia ter conhecimento da opinião do primeiro.
 
- Ouçamos o competente Sabaga - declarou o Rei com decisão flamejante. Sabaga, o joalheiro, era homem moço ainda. Tinha os olhos claros e usava uma espécie de gorro que lhe cobria a calvície prematura. Informado de que havia, entre as pérolas que o Rei acabara de adquirir, algumas verdadeiras e outras falsas, examinou uma por uma com meticuloso cuidado. Voltou-se depois para o califa e assim falou:
 
- Do exame que acabo de proceder nestas pérolas, ó Rei magnânimo, pude concluir que não existe, nesta coleção, uma só que seja verdadeira. São todas falsas! Falsíssimas esta coleção pouco vale, ou melhor, nada vale. E, apontando para o sírio, que a tudo assistia tranqüilo e sério, juntou com iracudo sorriso:
 
- Este vendedor, a meu ver, não passa de um intrujão que pretende ilaquear a vossa boa fé e explorar a vossa generosidade.
 
- Só o castigarei - declarou o califa - depois de ouvir a opinião de Maluf, o mais antigo dos nossos joalheiros. Só então ingressou o velho Maluf no divan do Rei e foi convidado a apreciar as 10 pérolas pelas quais o tesoureiro havia pago dois mil e quinhentos dinares de ouro. Depois de observar as gemas, uma a uma, revirando-as entre os dedos trêmulos, riscando-as de leve com a ponta de uma espátula dourada, o judicioso joalheiro assim falou:
 
- Estas pérolas, ó Emir dos Crentes, são as mais lindas e as mais verdadeiras que pude, até hoje, observar. Não encontro nesta dezena de preciosas gemas uma só que não seja perfeita na cor, na forma e no brilho. Felicito-vos, portanto, pela compra que acabais de fazer. Essas pérolas, posso assegurar, valem muito mais de dois mil e quinhentos dinares!
 
Surpreso ficou AI-Mutawaki ao notar que o segundo joalheiro divergia por completo do primeiro. Para Sabaga as dez pérolas eram falsas e sem valor; Maluf ao contrário, considerava-as todas verdadeiras e de alto preço. que fazer agora?", pensou o califa. E como não lhe ocorresse, no momento, uma decisão que lhe parecesse prudente e conciliadora, resolveu interpelar o damasceno:
 
- Infelizmente, meu amigo, depois de ouvidos os dois peritos em pérolas, a tua situação é delicada. Se eu aceitar, como certo, o parecer do hábil Sabaga cairá sobre ti grave acusação. Ingrata será a tua sorte. Jamais deixei impune, sob o céu de Bagdad, os impostores e intrujões. Admitido o voto do venerando Maluf, homem sensato e judicioso, ficará ainda assim pairando sobre o teu nome a triste sombra da mentira e da leviandade. Ofereces ao califa dos Crentes dez pérolas verdadeiras e procuras, na verdade, deslustrar esta corte, zombar da nossa magnanimidade, fazendo crer que cinco eram falsas! Exijo, pois, que sejas leal e sincero. Que há de certo e positivo em toda esta confusão?
 
Ao ouvir as palavras do califa e pensando bem na gravidade da situação, o mercador sírio assim falou:
 
- Acabais, o Príncipe do lslã, de apelar para a minha sinceridade. Faço da sinceridade ponto de honra da minha vida. A sinceridade é sempre louvável, mas cumpre que seja delicada e prudente. Falar com sinceridade sobre coisas que devemos calar é ser brutal e descaridoso.
 
Logo que a sinceridade ofende e magoa muda de nome e vira grosseria e estupidez. A sinceridade é a maneira suave de dizer as verdades que devem ser ditas sem ofender, sem melindrar. Tem a perfeita sinceridade limites que a boa educação torna intransponível. Para atender, pois, ao vosso justo desejo vou expor, com a maior sinceridade, o que penso sobre este caso sem afastar uma linha da lealdade e da lisura.
 
Vejo, agora, diante de mim, ó Emir dos Árabes, três homens notáveis; o vosso tesoureiro Ali Fares Neman e os dois joalheiros de maior renome nesse país: Sabaga, o cauteloso, e Maluf, o sem rival. Cada um desses muçulmanos agiu, neste particular episódio das pérolas, inspirado pela maneira pessoal com que procura encarar a própria vida. Não os acuso: sobre eles não atiro as flechas da culpa. Julgo-os, apenas. O tesoureiro Neman é homem desconfiado.
 
Suspeita de tudo e de todos. Tem o coração cortado e recortado pelos espinhos do receio e da desconfiança. Lamento-o. Será sempre infeliz. A vida para ele será a eterna ternura entre o medo dos homens e a descrença de Deus. Por não confiar jamais nos outros é incapaz de confiar em si próprio. O honrado Ali Fares Neman, a meu ver, tomou um roteiro errado pelos caminhos da vida. Só aqueles que confiam podem ser felizes. Precisamos confiar nos amigos, nos homens de bem, em nossos chefes e superiores, naqueles, enfim, que agem com lisura e retidão. Cumpre-nos confiar nas pessoas dignas que não deram jamais motivos para suspeitas e desconfianças. E ainda mais: confiar no Amor; confiar na Bondade; confiar em Deus.
 
Neste ponto o peroleiro fez uma pequena pausa e logo, retomando a palavra, disse:
 
- Ali está o rico joalheiro Sabaga. Conheço-o muito bem, embora seja eu para ele um desconhecido. É um pessimista. Em tudo, em todos só vê defeitos, imperfeições, vícios e deformidades. Para Sabaga, a perfeição, a pureza e o requinte não existem. E cego para as qualidades que adornam as criaturas, mas tem olhos de lince para descobrir manchas e senões. Se lê um trecho de prosa, ou um verso, não é para admirar a idéia, mas para sublinhar negligências. Não louvo a maneira de agir daqueles que procedem como Sabaga. A vida é curta; apreciemos com alegria o que há de belo e esqueçamos as máculas e deformidades.
 
- Já bem diverso de Sabaga - prosseguiu o daamasceno é o velho Maluf. Tem um bom coração; é um simples. Encara a vida com benignidade e otimismo. Para Maluf tudo é lindo, gracioso e puro. O bondoso joalheiro só vê qualidades. A indulgência de seu espírito não permite que ele perceba os tristes defeitos e as deploráveis mazelas. Para ele tudo é excelente e nobre. O homem equilibrado será incapaz de agir como Sabaga, que só vê falhas e labéus, mas evita proceder como Maluf, que só reconhece os bons e nobres predicados. Sejamos justos, procedendo com nobreza, exaltando também as qualidades e os legítimos valores.
 
- Basta! - exclamou Al-Mutawakil interrompendo o mercador.
 
- Por Allah! Basta! Aceito, por completo, a tua explicação. Acredito na sinceridade dos teus propósitos e na lisura de tuas palavras. Confio em ti, pois não vejo motivos para alimentar receios e desconfianças. Estou convencido de que adquiri de ti, ó honrado e talentoso damasceno, 10 pérolas belíssimas, sendo 5 verdadeiras e cinco falsas! E ao obter de ti as dez gemas fulgurantes recebi um número, para mim, incontável de belos e preciosos ensinamentos que serão como luzeiros eternos pelos longos e tortuosos caminhos de Allah!
 
Como vê, meu amigo, da soma de cinco mais cinco (diz a lenda) resultou um número que o imaginoso Al-Mutawakil, Emir dos Crentes, com toda a sinceridade, não conseguiu avaliar.
 
Uassalam !






27.4.04

PAZ INTERIOR
EMA ELY
CONTOS E LENDAS
 
 
Conta a lenda que um velho sábio, tido como mestre da paciência, era capaz de derrotar qualquer adversário ...
 
Certa tarde, um homem conhecido por sua total falta de escrúpulos, apareceu com a intenção de desafiar o mestre da paciência.
 
O velho aceitou o desafio... e o homem começou a insultá-lo.
 
Chegou a jogar algumas pedras em sua direção, cuspiu em sua direção, E gritou todos os tipos de insultos...
 
Durante horas fez o máximo para provocá-lo, mas o velho permaneceu impassível!
 
No final da tarde, sentindo-se exausto e humilhado, o homem se deu por vencido e retirou-se ...
 
Impressionados os alunos perguntaram ao mestre como ele pudera suportar tanta indignidade.
 
O mestre perguntou:
 
Se alguém chega aé você com um presente, e você não o aceita, a quem pertence o presente?
 
A quem tentou entregá-lo, respondeu um dos discípulos.






27.4.04

A RESPOSTA
EMMANUEL - CHICO XAVIER
CONTOS E LENDAS
 
 
O homem desesperado alcançou, um dia, a presença do Cristo e clamou:
 
Senhor, que fazer para sair do labirinto da Terra?
 
Tudo sombra... Maldade e indiferença, angústia e aflição dominam as criaturas que, ao meu ver, se debatem num mar de trevas...
 
Senhor, onde o caminho que me assegure a libertação?
 
Jesus afagou o infeliz e respondeu
 
- Filho, ninguém te impede de acender a própria luz.






27.4.04

EU CREIO
GANDHI
CONTOS E LENDAS
 
 
Creio em mim mesmo.
Creio nos que trabalham comigo,
creio nos meus amigos e creio na minha família.
 
Creio que Deus me emprestará
tudo que necessito para triunfar,
contanto que eu me esforce para alcançar
com meios lícitos e honestos.
 
Creio nas orações e nunca fecharei
meus olhos para dormir,
sem pedir antes a devida orientação
a fim de ser paciente com os outros
e tolerante com os que
não acreditam no que eu acredito.
 
Creio que o triunfo é resultado de esforço inteligente,
que não depende da sorte, da magia,
de amigos, companheiros duvidosos ou de meu chefe.
 
Creio que tirarei da vida exatamente o que nela colocar.
Serei cauteloso quando tratar os outros,
como quero que eles sejam comigo.
Não caluniarei aqueles que não gosto.
 
Não diminuirei meu trabalho por ver
que os outros o fazem.
Prestarei o melhor serviço de que sou capaz,
porque jurei a mim mesmo triunfar na vida,
e sei que o triunfo é sempre resultado
do esforço consciente e eficaz.
 
Finalmente, perdoarei os que me ofendem,
porque compreendo que às vezes
ofendo os outros e necessito de perdão.






27.4.04

A SOGRA
DESCONHECO O AUTOR
CONTOS E LENDAS

A muito tempo atrás, uma moça chamada Lili se casou e foi viver com o marido e a sogra.
 
Em um tempo muito curto, Lili descobriu que não ia se dar bem com a sua sogra.
 
As personalidades delas eram muito diferentes e Lili foi se enfurecendo com os hábitos de sua sogra. Além disto, ela criticava Lili constantemente.
 
Dias e meses se passaram e elas nunca deixaram de discutir e brigar.
 
Mas o que fez a situação até piorar era que, de acordo com antiga tradição chinesa, Lili tinha que se curvar à sogra e a obedecer em tudo desejo.
 
Toda a raiva e infelicidade dentro da casa estavam causando ao pobre marido um grande stress.
 
Finalmente, Lili não aguentando mais decidiu tomar uma atitude: foi ver o bom amigo de seu pai, o Sr. Huang que vendia ervas.
 
Ela lhe contou sobre a situação e pediu que ele lhe desse algum veneno de forma que ela poderia resolver o problema de uma vez por todas.
 
Sr. Huang pensou por algum tempo e finalmente disse:
 
- Lili, eu te ajudarei a resolver seu problema, mas você tem que me escutar e obedecer todas as instruções que lhe der.
 
Lili respondeu:
 
- Sim, Sr. Huang, eu farei tudo o que me pedir que faça.
 
Sr. Huang entrou no quarto dos fundos e voltou em alguns minutos com um pacote de ervas e falou:
 
- Você não pode usar de uma só vez para se libertar de seu sogra, porque isso causaria suspeitas. Então, eu lhe dou várias ervas que vão lentamente envenenar sua sogra. 
 
A cada dois dias prepare alguma carne, de porco ou galinha e ponha um pouco destas ervas no prato dela. Agora, para ter certeza que ninguém suspeita de você quando ela morrer, você deve ter muito cuidado e agir de forma muito amigável com ela. 
 
Não discuta com ela, a obedeça em tudo e a trate como se uma rainha fosse. Lili ficou muito contente.
 
Agradeceu ao Sr. Huang e voltou apressada para casa para começar o projeto de assassinar a sua sogra.
 
Semanas passaram, e meses passaram, e a cada dois dias, Lili servia a comida especialmente tratada à sua sogra e lembrava do que Sr. Huang tinha dito sobre evitar suspeita, assim ela controlou o seu temperamento, obedeceu a sogra, e a tratou como se fosse sua própria mãe.
 
Depois que seis meses tinham passado, a casa inteira tinha mudado. Lili tinha controlado tanto o seu temperamento que ela quase nunca se aborreceu.
 
Nestes seis meses, não tinha tido uma discussão com a sogra, que parecia agora muito mais amável e mais fácil se lidar.
 
As atitudes da sogra com Lili mudaram, e ela começou a amar Lili tanto quanto da própria filha.
 
Ela revelava aos amigos e parentes que Lili era a melhor nora que alguém poderia achar.
 
Lili e a sogra estavam tratando uma à outra como verdadeiras mãe e filha.
 
O marido de Lili estava muito contente em ver o que estava acontecendo.
 
Um dia, Lili foi ver o Sr. Huang e pediu a ajuda dele novamente:
 
- Querido Sr. Huang, por favor me ajude a evitar que o veneno mate minha sogra! Ela se transformou em uma mulher agradável e eu a amo como minha própria mãe.
 
Não quero que ela morra por causa do veneno eu a dei.
 
Sr. Huang sorriu e acenou com a cabeça dizendo:
 
- Lili, não há nada com que se preocupar.
 
Eu nunca lhe dei qualquer veneno.
 
As ervas que eu dei à você eram vitaminas para melhorar a saúde dela.
 
O único veneno estava em sua mente e sua atitude para com ela, mas isso tudo foi jogado fora pelo amor que você deu a ela.






27.4.04

O CHACAL QUE SALVOU O LEÃO
DESCONHECO O AUTOR
CONTOS E LENDAS
 
 
Certa vez, viveu um leão em uma floresta, um dia ele foi tomar água no córrego e sua pata ficou presa no fundo muito lamacento do córrego e ele não conseguiu se desprender. Ele teve de esperar dias sem comida já que não havia ninguém por perto para ajudá-lo. Certo dia porém, um bondoso chacal estava passando e cavou uma passagem na areia e com a força extra do leão ajudou-o a se libertar da lama do córrego. O leão ficou muito feliz por isto e agradeceu ao chacal por ter salvado sua vida. Ele ofereceu ao chacal uma moradia perto da sua e prometeu alimenta-lo sempre que tivesse conseguido comida. Então o chacal começou a viver com o leão e eles dividiam a caça. Mas logo suas famílias cresceram e os filhotes vieram.
 
Depois de passado muito tempo, a leoa, senhora do lar leonino, começou a se cansar desta amizade entre o chacal e seu companheiro. Ela passou esta mensagem a seus filhotes, que repassaram aos filhotes do chacal, que reclamaram com a fêmea chacal. A fêmea chacal contou tudo ao companheiro. O chacal foi até o leão, e disse a ele que se ele não queria sua presença ali, já deveria ter dito isto a muito tempo.
 
O leão ficou surpreso com tal afirmação e assegurou ao chacal que não existiam tais sentimentos doentios entre eles e assegurou que iria falar com a leoa sobre isto. Mas o sábio chacal disse então, "Amigo, eu sei que você é sincero. Mas nossas famílias podem não compartilhar o mesmo grau de sentimento que temos um pelo outro. Então, seria melhor se minha família ficasse separada da sua." O leão concordou e as duas famílias se separaram, mas o chacal e o leão continuaram sua amizade e costumavam sair juntos para as caçadas.
 
Moral da história: Não espere que todos os afins, partilhem do mesmo sentimento que você nutre por alguém






27.4.04

A SUSPEITA
DESCONHECO O AUTOR
CONTOS E LENDAS
 
 
O folclore alemão conta a história de um homem que, ao acordar, reparou que seu machado desaparecera.
 
Furioso, acreditando que seu vizinho o tivesse roubado, passou o resto do dia observando-o.
 
Viu que tinha jeito de ladrão,andava furtivamente como ladrão,sussurrava como um ladrão que deseja esconder seu roubo.
 
Estava tão certo de sua suspeita que resolveu entrar em casa, trocar de roupa e ir até a delegacia dar queixa.
 
Assim que entrou, porém, encontrou o machado que sua mulher havia colocado em outro lugar.
 
O homem tornou a sair, examinou de novo o vizinho, e viu que ele andava, falava e se comportava como qualquer pessoa honesta.






27.4.04

MUDE 
EDSON MARQUES
CONTOS E LENDAS
 
 
Mas comece devagar,
porque a direção é mais importante que a velocidade.
Sente-se em outra cadeira,
no outro lado da mesa.
Mais tarde,
mude de mesa.
Quando sair,
procure andar pelo outro lado da rua.
Depois,
mude de caminho,
ande por outras ruas,
calmamente,
observando com atenção
os lugares por onde você passa.
Tome outros ônibus.
Mude por uns tempos o estilo das roupas.
Dê os seus sapatos velhos.
Procure andar descalço alguns dias.
Tire uma tarde inteira para passear livremente na praia,
ou no parque,
e ouvir o canto dos passarinhos.
Veja o mundo de outras perspectivas.
Abra e feche as gavetas e portas com a mão esquerda.
Durma no outro lado da cama...
depois, procure dormir em outras camas.
Assista a outros programas de tv,
compre outros jornais...
leia outros livros,
viva outros romances.
Não faça do hábito um estilo de vida.
Ame a novidade.
Durma mais tarde.
Durma mais cedo.
Aprenda uma palavra nova por dia numa outra língua.
Corrija a postura.
Coma um pouco menos,
escolha comidas diferentes,
novos temperos,
novas cores,
novas delícias.
Tente o novo todo dia.
o novo lado,
o novo método,
o novo sabor,
o novo jeito,
o novo prazer,
o novo amor.
a nova vida.
Tente.
Busque novos amigos.
Tente novos amores.
Faça novas relações.
Almoce em outros locais,
vá a outros restaurantes,
tome outro tipo de bebida,
compre pão em outra padaria.
Almoce mais cedo,
jante mais tarde ou vice-versa.
Escolha outro mercado...
outra marca de sabonete,
outro creme dental...
tome banho em novos horários.
Use canetas de outras cores.
Vá passear em outros lugares.
Ame muito,
cada vez mais,
de modos diferentes.
Troque de bolsa,
de carteira,
de malas,
troque de carro,
compre novos óculos,
escreva outras poesias.
Jogue os velhos relógios,
quebre delicadamente
esses horrorosos despertadores.
Abra conta em outro banco.
Vá a outros cinemas,
outros cabeleireiros,
outros teatros,
visite novos museus.
Mude.
Lembre-se de que a Vida é uma só.
E pense seriamente em arrumar um outro emprego,
uma nova ocupação,
um trabalho mais light,
mais prazeroso,
mais digno,
mais humano.
Se você não encontrar razões para ser livre,
invente-as.
Seja criativo.
E aproveite para fazer uma viagem despretensiosa,
longa, se possível sem destino.
Experimente coisas novas.
Troque novamente.
Mude, de novo.
Experimente outra vez.
Você certamente conhecerá coisas melhores
e coisas piores do que as já conhecidas,
mas não é isso o que importa.
O mais importante é a mudança,
o movimento,
o dinamismo,
a energia.
Só o que está morto não muda !
Repito por pura alegria de viver:
a salvação é pelo risco,
sem o qual a vida não vale a pena !!!