Contos e Lendas: 05/2004

31.5.04

JOSHU E O GRANDE CAMINHO
DESCONHEÇO O AUTOR
CONTOS E LENDAS
 
 
Certa vez, um homem encontrou Joshu, que estava atarefado em limpar o pátio do mosteiro. Feliz com a oportunidade de falar com um grande Mestre, o homem, imaginando conseguir de Joshu respostas para a questão metafísica que lhe estava atormentando, lhe perguntou:
 
"Oh, Mestre! Diga-me: onde está o Caminho?"
 
Joshu, sem parar de varrer, respondeu solícito:
 
"O caminho passa ali fora, depois da cerca."
 
"Mas," replicou o homem meio confuso, "eu não me refiro a esse caminho."
 
Parando seu trabalho, o Mestre olhou-o e disse:
 
"Então de que caminho se trata?"
 
O outro disse, em tom místico:
 
"Falo, mestre, do Grande Caminho!"
 
"Ahhh, esse!" sorriu Joshu. "O grande caminho segue por ali até a Capital."
 
E continuou a sua tarefa.






31.5.04

DESCOHEÇO O AUTOR
CONTOS E LENDAS
 
 
Um garoto pobre, com cerca de doze anos de idade, vestido e calçado de forma humilde, entra na loja, escolhe um sabonete comum e pede ao proprietário que embrulhe para presente. 
 
- É para minha mãe!, diz com orgulho. 
 
O dono da loja ficou comovido diante da singeleza daquele presente. Olhou com piedade para o seu freguês e, sentindo uma grande compaixão, teve vontade de ajudá-lo. 
 
Pensou que poderia embrulhar, junto com o sabonete comum, algum artigo mais significativo. Entretanto, ficou indeciso: ora olhava para o garoto, ora para os artigos que tinha em sua loja. 
 
Devia ou não fazer? O coração dizia sim, a mente dizia não. 
 
O garoto, notando a indecisão do homem, pensou que ele estivesse duvidando de sua capacidade de pagar. 
 
Colocou a mão no bolso, retirou as moedinhas que dispunha e as colocou sobre o balcão. 
 
O homem ficou ainda mais comovido quando viu as moedas, de valor tão insignificante. Continuava seu conflito mental. Em sua intimidade concluíra que, se o garoto pudesse, ele compraria algo bem melhor para sua mãe. 
 
Lembrou de sua própria mãe. Fora pobre e muitas vezes, em sua infância e adolescência, também desejara presentear sua mãe. Quando conseguiu emprego, ela já havia partido para o mundo espiritual. O garoto, com aquele gesto, estava mexendo nas profundezas dos seus sentimentos. 
 
Do outro lado do balcão, o menino começou a ficar ansioso. Alguma coisa parecia estar errada. Por que o homem não embrulhava logo o sabonete? 
 
Ele já escolhera, pedira para embrulhar e até tinha mostrado as moedas para o pagamento. Por que a demora? Qual o problema? 
 
No campo da emoção, dois sentimentos se entreolhavam: a compaixão do lado do homem, a desconfiança por parte do garoto. 
 
Impaciente, ele perguntou: 
 
- Moço, está faltando alguma coisa? 
 
- Não, - respondeu o proprietário da loja. - é que de repente me lembrei de minha mãe. Ela morreu quando eu ainda era muito jovem. Sempre quis dar um presente para ela, mas, desempregado, nunca consegui comprar nada. 
 
Na espontaneidade de seus doze anos, perguntou o menino: 
 
- Nem um sabonete? 
 
O homem se calou. Refletiu um pouco e desistiu da idéia de melhorar o presente do garoto. Embrulhou o sabonete com o melhor papel que tinha na loja, colocou uma fita e despachou o freguês sem responder mais nada. 
 
A sós, pôs-se a pensar. Como é que nunca pensara em dar algo pequeno e simples para sua mãe? Sempre entendera que presente tinha que ser alguma coisa significativa, tanto assim que, minutos antes, sentira piedade da singela compra e pensara em melhorar o presente adquirido. 
 
Comovido, entendeu que naquele dia tinha recebido uma grande lição. Junto com o sabonete do menino, seguia algo muito mais importante e grandioso, o melhor de todos os presentes: o gesto de amor! 






31.5.04

TODOS COMEM INSETOS
TEORIA DA CONSPIRAÇÃO
 
 
É verdade! Praticamente nós todos já comemos insetos pelo menos uma vez na vida. E provavelmente a maioria continua a comer insetos até hoje.
 
- Mas como? Que estória é essa?
 
Você come biscoito? Toma iogurte e sorvete? Toma leite sabor morango? Então já comeu inseto!
 
- O que uma coisa tem a ver com a outra?
 
Biscoitos e sorvetes costumam conter corantes. Esses corantes, se você procurar no rótulo das embalagens, vai encontrar com os nomes de "Vermelho 4", "Vermelho 3", "Carmim", "Cochineal", "Corante natural carmim de Cochonilha", "Corante C.I", "Corante ou Colorizante E120" e todos esses são sinônimos de Corante de Cochonilha.
 
- E o que é esse Corante de Cochonilha?
 
O Corante de Cochonilha é um material vermelho vivo feito dos corpos secos e esmagados de um inseto originário do México, a Cochonilha ou Dactylopius coccus. A Cochonilha é uma praga que dá em plantas e tem preferência pelo cacto Opuntia coccinellifera e formam uma espécie de farinha nas folhas contaminadas. São besouros diminutos (2 a 5 milímetros de comprimento) que formam colônias nas folhas (parecendo farinha), raízes e frutos das plantas, sugando a seiva, inoculando toxinas e provocando manchas, definhamento e morte da planta.
 
- Ah! Isso é lá no México!
 
A Cochonilha hoje é criada em todo o mundo, inclusive no Brasil, para a produção de corantes. Bilhões desses insetos são criados e esmagados para fazer corante vermelho para colocar em sobremesas, bebidas, roupas, chás, etc ... Setenta mil insetos são esmagados e fervidos para fazer meio quilo de corante aproximadamente. E ao mesmo tempo as cochonilhas são combatidas nas plantações comerciais pois são pragas, especialmente das frutas cítricas. O Grupo de Apoio às Crianças Hiperativas (Hyperactive Children's Support Group) recomenda eliminar os produtos que contêm esse corante da dieta das crianças com esse problema. O uso de cochonilha vem desde o descobrimento das Américas (era usada pelos Astecas) e aumentou recentemente depois que se descobriu que os corantes artificiais mais baratos causavam câncer. Agora estão experimentando besouro esmagado nos consumidores-cobaias porque o besouro é "natural" ...
 
- ARGH !!! Eu não quero comer CORPOS DE INSETOS ESMAGADOS! Isso é NOJENTO !!!
 
Então aprenda a ler os rótulos do que você come e diga adeus aos produtos das marcas Nestle (sorvetes), Kibon, Aymoré, São Luiz, Piraquê (biscoitos), Parmalat, Vigor (iogurtes), e ainda muitos outros. Procure os produtos coloridos com extratos de beterraba e páprica.
 
E mais importante: CONHEÇA O QUE VOCÊ COME! Procure saber que EDULCORANTES, EMULSIFICANTES, FLAVORIZANTES e outros códigos são esses nos alimentos que você come.
 
E uma coisa é bem óbvia: empresa nenhuma vai lhe dizer explicitamente o que ela põe nos seus produtos se houver a menor possibilidade de que isso faça você rejeitar o produto. Experimente escrever para estas empresas e veja se eles vão mesmo lhe dizer, sem enrolação, que estão colorindo seus alimentos com besouros esmagados.
 
Colorizante E120 é uma pinóia ! Isso é BESOURO mesmo, INSETOOOOO!
 
*Textos com o Tag TEORIA DA CONSPIRAÇÃO e HOAX são publicados a titulo de curiosidade. Não confirmo e nem acredito na veracidade, etc. 






31.5.04

TEMPO CERTO
PAULO COELHO
CONTOS E LENDAS
 
 
De uma coisa podemos ter certeza: de nada adianta querer apressar as coisas; tudo vem ao seu tempo, dentro do prazo que lhe foi previsto. 
 
Mas a natureza humana não é muito paciente. 
 
Temos pressa em tudo e aí acontecem os atropelos do destino, aquela situação que você mesmo provoca, por pura ansiedade de não aguardar o tempo certo. Mas alguém poderia dizer:
 
Qual é esse tempo certo? 
 
Bom, basta observar os sinais. 
 
Quando alguma coisa está para acontecer ou chegar até sua vida, pequenas manifestações do cotidiano enviarão sinais indicando o caminho certo. 
 
Pode ser a palavra de um amigo, um texto lido, uma observação qualquer. 
 
Mas, com certeza, o sincronismo se encarregará de colocar você no lugar certo, na hora certa, no momento certo, diante da situação ou da pessoa certa. 
 
Basta você acreditar que nada acontece por acaso. Talvez seja por isso que você esteja agora lendo estas linhas. 
 
Tente observar melhor o que está a sua volta. 
 
Com certeza alguns desses sinais já estão por perto e você nem os notou ainda. 
 
Lembre-se, que o universo sempre conspira a seu favor quando você possui um objectivo claro e uma disponibilidade de crescimento.






31.5.04

GRATIDÃO
DESCONHEÇO O AUTOR
CONTOS E LENDAS
 
 
O homem por detrás do balcão olhava a rua de forma distraída. Uma garotinha se aproximou da loja e amassou o narizinho contra o vidro da vitrine. Os olhos da cor do céu, brilhavam quando viu um determinado objeto. Entrou na loja e pediu para ver o colar de turqueza azul.
 
- É para minha irmã. Pode fazer um pacote bem bonito?, diz ela.
 
O dono da loja olhou desconfiado para a garotinha e lhe perguntou:
 
- Quanto de dinheiro você tem?
 
Sem hesitar, ela tirou do bolso da saia um lenço todo amarradinho e foi desfazendo os nós. Colocou-o sobre o balcão e feliz, disse:
 
- Isso dá?
 
Eram apenas algumas moedas que ela exibia orgulhosa.
 
- Sabe, quero dar este presente para minha irmã mais velha. Desde que morreu nossa mãe ela cuida da gente e não tem tempo para ela. É aniversário dela e tenho certeza que ficará feliz com o colar que é da cor de seus olhos.
 
O homem foi para o interior da loja, colocou o colar em um estojo, embrulhou com um vistoso papel vermelho e fez um laço caprichado com uma fita verde.
 
- Tome!, disse para a garota. Leve com cuidado.
 
Ela saiu feliz saltitando pela rua abaixo. Ainda não acabara o dia quando uma linda jovem de cabelos loiros e maravilhosos olhos azuis adentrou a loja. Colocou sobre o balcão o já conhecido embrulho desfeito e indagou:
 
- Este colar foi comprado aqui?
 
- Sim senhora.
 
- E quanto custou?
 
- Ah!, falou o dono da loja. O preço de qualquer produto da minha loja é sempre um assunto confidencial entre o vendedor e o cliente.
 
A moça continuou: "Mas minha irma tinha somente algumas moedas! O colar é verdadeiro, nao é? Ela nao teria dinheiro para pagá-lo!"
 
O homem tomou o estojo, refez o embrulho com extremo carinho, colocou a fita e o devolveu à jovem.
 
- Ela pagou o preço mais alto que qualquer pessoa pode pagar. ELA DEU TUDO O QUE TINHA.
 
O silêncio encheu a pequena loja e duas lágrimas rolaram pela face emocionada da jovem enquanto suas mãos tomavam o pequeno embrulho.
 
"Verdadeira doação é dar-se por inteiro, sem restrições. Gratidão de quem ama não coloca limites para os gestos de ternura. Seja sempre grato, mas não espere pelo reconhecimento de ninguém. Gratidão com amor não apenas aquece quem recebe, como reconforta quem oferece."






28.5.04

AS APARÊNCIAS ENGANAM
MAISA
CONTOS E LENDAS
 
 
Num orfanato, igual a tantos outros, havia uma pobre órfã, de oito anos de idade.
 
Era uma criança lamentavelmente sem encantos, de maneiras desagradáveis, evitada pelas outras, e francamente malquista pelos professores.
 
Por essa razão, a pobrezinha vivia no maior isolamento. Ninguém para brincar, ninguém para conversar...
 
Sem carinho, sem afeto, sem esperança... Sua única companheira era a solidão.
 
O diretor do orfanato aguardava ansioso uma desculpa legítima para livrar-se dela.
 
E um dia apresentou-se, aparentemente, uma boa desculpa. A companheira de quarto da menina informou que ela estava mantendo correspondência com alguém de fora do orfanato, o que era terminantemente proibido.
 
- Agora mesmo, disse a informante, ela escondeu um papel numa árvore.
 
O diretor e seu assistente mal puderam esconder a satisfação que a denúncia lhes causara.
 
Vamos tirar isso a limpo agora mesmo, disse o superior.
 
E, somando-se ao assistente, pediu para que a testemunha do delito os acompanhasse a fim de lhes mostrar a prova do crime.
 
Dirigiram-se os três, a passos rápidos, em direção à árvore na qual estava colocada a mensagem.
 
De fato, lá estava um papel delicadamente colocado entre os ramos.
 
O diretor desdobrou, ansioso, o bilhete, esperando encontrar ali a prova de que necessitava para livrar-se daquela criança tão desagradável aos seus olhos.
 
Todavia, para seu desapontamento e remorso, no pedaço de papel um tanto amassado, pôde ler a seguinte mensagem:
 
"A qualquer pessoa que encontrar este papel: eu gosto de você."
 
Os três investigadores ficaram tão decepcionados quanto surpresos com o que leram.
 
Decepcionados porque perderam a oportunidade de livrar-se da menina indesejável, e surpresos porque perceberam que ela era menos má do que eles próprios.
 
......................................
 
Quantos de nós costumamos julgar as pessoas pelas aparências, embora saibamos que estas são enganadoras.
E o pior é que, se as aparências não nos agradam, marcamos a pessoa e nos prevenimos contra ela e suas atitudes.
Uma antiga e sábia oração dos índios Siuox, roga a Deus o auxílio para nunca julgar o próximo antes de ter andado sete dias com as suas sandálias.
 
Isto quer dizer que, antes de criticar, julgar e condenar uma pessoa, devemos nos colocar no seu lugar e entender os seus sentimentos mais profundos. Aqueles que talvez ela queira esconder de si mesma, para proteger-se dos sofrimentos que a sua lembrança lhe causaria.






28.5.04

CHICO XAVIER
CONTOS E LENDAS
 
 
É provável que os outros te guerreiem gratuitamente, hostilizando-te a maneira de viver; entretanto, podes avançar em teu roteiro, sem guerrear a ninguém.
 
Para isso, contudo - para que a tranqüilidade te banhe o pensamento - é necessário que a compaixão e a bondade te sigam todos os passos.
 
Assume contigo mesmo o compromisso de evitar a exasperação.
 
Repara, carinhosamente, os que te procuram no caminho...
 
Todos os que surgem, aflitos ou desesperados, coléricos ou desabridos, trazem chagas ou ilusões. Prisioneiros da vaidade ou da ignorância, não souberam tolerar a luz da verdade e clamam irritadiços...
 
Unge-te de piedade e penetra-lhes os recessos do ser, e identificarás em todos eles crianças espirituais que se sentem ultrajadas ou contundidas.
 
Uns acusam, outros choram.
 
Ajuda-os, enquanto podes.
 
Pacificando-lhes a alma, harmonizarás, ainda mais, a tua vida.
 
Aprendamos a compreender cada mente em seu problema.
 
Recorda-te de que ainda mesmo quando os homens se mostram desvairados, nos conflitos abertos, a Terra é sempre firme e o Sol fulgura sempre.
 
Viver de qualquer modo é de todos, mas viver em Paz consigo mesmo é serviço de poucos.






28.5.04

MEU BOM JOSÉ
G. MOUSTAKI
CONTOS E LENDAS
 
 
Olhe o que foi meu bom José
Se apaixonar pela donzela
Dentre todas a mais bela
De toda sua Galiléia
 
Casar com Débora ou com Sara
Meu bom José, você podia
E nada disso acontecia
Mas você foi amar Maria
 
Você podia simplesmente
Ser carpinteiro e trabalhar
Sem nunca ter que se exilar
De se esconder com Maria
 
Meu Bom José  você podia
Ter muitos filhos com Maria
E teu ofício ensinar
Como teu pai sempre fazia
 
Por que será, meu bom José
Que este teu pobre filho um dia
Andou com estranhas idéias
Que fizeram chorar Maria
 
Me lembro às vezes de você
Meu bom José, meu pobre amigo
Que dessa vida só queria
Ser feliz com sua Maria...






28.5.04

QUAL DOS DOIS VOCE CONHECE?
DESCONHEÇO O AUTOR
CONTOS E LENDAS
 
 
Numa reunião festiva apresentou-se um jovem declamador, o qual enlevou todos os presentes declamando com muita beleza e muito entusiasmo o Salmo 23.
 
Ao terminar foi longamente aplaudido por todos,o que demonstrava que ele havia feito uma bela apresentação.
 
Outras partes se seguiram e, no final do programa, um idoso pastor que se encontrava presente,solicitou ao dirigente que lhe permitisse dizer algo,no que foi prontamente atendido.
 
Chegando à frente contemplou o grande auditório com olhar sereno, houve um completo silêncio e ele,com voz pausada e firme, declamou com muita emoção o salmo 23.
 
Ao terminar ninguém o aplaudiu, pois todos estavam emocionados e muitos choravam.
 
Terminada a reunião aquele jovem foi procurar o pastor e perguntou-lhe:
 
- Por que me aplaudiram tanto quando eu declamei o Salmo 23 e choraram e se emocionaram  quando o senhor declamou o mesmo salmo?
 
Onde está a diferença?
 
O pastor com a mesma serenidade, respondeu-lhe:
 
- A diferença é muito simples, meu caro jovem.
 
Você conhece o Salmo do Bom Pastor  e eu conheço o Bom Pastor do Salmo.
 
Talvez seja essa a dificuldade na vida de muitas pessoas hoje em dia.
 
Conhecem a Palavra do Senhor, mas não conhecem o Senhor da Palavra.
 
Falta-lhes intimidade e comunhão com o Senhor.
 
Vivem uma vida cristã superficial e pobre de experiências com Cristo.
 
Cultivemos de tal maneira a nossa comunhão com Ele, de modo que possamos afirmar, como resultado de uma profunda e real experiência:
 
"O SENHOR É MEU PASTOR"






27.5.04

CONFLITO - AMOR OU PAIXÃO
DESCONHEÇO O AUTOR
CONTOS E LENDAS
 
 
Havia uma monja chamada Eshun, que era uma mulher muito bonita. Um jovem monge apaixonou-se por ela.
 
Sem poder resistir ao sentimento, escreveu-lhe uma carta propondo um encontro às escondidas.
 
No dia seguinte ao fato, tão logo o Mestre terminar a palestra, Eshun levantou-se e disse para o monge, em frente a todos:
 
"Vós me enviastes uma carta se dizendo enamorado. Entretanto, o Amor não é algo para ser realizado às Escondidas, pois ele é pleno e sincero. Se vós realmente me amais e não simplesmente me desejais, venha aqui e abrace-me em frente a todos. O que há para esconder?"
 
Mas o monge abaixou a cabeça envergonhado. Na verdade, o que sentia não passava de luxúria...






27.5.04

A HISTÓRIA DO HOMEM
DESCONHEÇO O AUTOR
CONTOS E LENDAS
 
 
Conta-se que na Pérsia antiga vivia um rei chamado Zemir. Coroado muito jovem, julgou-se na obrigação de instruir-se: reuniu em torno de si numerosos eruditos provenientes de todos os Países e pediu-lhes que editassem para ele a história da humanidade. Todos os eruditos se concentraram, portanto, nesse estudo.
 
Vinte anos se escoaram no preparo da edição. Finalmente, dirigiram-se a palácio, carregados de quinhentos volumes acomodados no dorso de doze camelos.
 
O rei Zemir havia, então, passado dos quarenta anos.
 
"Já estou velho, "disse ele. "Não terei tempo de ler tudo isso antes da minha morte. Nessas condições, por favor, preparai-me uma edição resumida."
 
Por mais vinte anos trabalharam os eruditos na feitura dos livros e voltaram ao palácio com três camelos apenas.
Mas o rei envelhecera muito. Com quase sessenta anos, sentia-se enfraquecido:
 
"Não me é possível ler todos esses livros. Por favor, fazei-me deles uma versão ainda mais sucinta."
 
Os eruditos labutaram mais dez anos e depois voltaram com um elefante carregado das suas obras.
 
Mas a essa altura, com mais de setenta anos, quase cego, o rei não podia mesmo ler. Pediu, então, uma edição ainda mais abreviada. Os eruditos também tinham envelhecido. Concentraram-se por mais cinco anos e, momentos antes da morte do monarca, voltaram com um volume só.
 
"Morrerei, portanto, sem nado conhecer da historia do Homem - disse ele."
 
À sua cabeceira, o mais idoso dos eruditos respondeu:
 
"Vou explicar-vos em três palavras a história do Homem: o homem nasce, sofre e, finalmente, morre."
 
Nesse instante o rei expirou.






27.5.04

SADDAM PREPAROU MAGICAS PARA OS INVASORES
TEORIA DA CONSPIRAÇÃO
 
 
JERUSALÉM - Chegou a hora de contar. Há uns três dias informei que os americanos tinham fotografia de satélite mostrando iraquianos limpando lugares que seriam visitados pelos inspetores da ONU. Fui agressivamente criticado em inúmeros e-mails daí. Foi confirmado. Há uma boba preferência de acreditar o pior sobre Bush. Torcer sempre pelo outro lado. Mas deixa para lá. Hoje o troco que receberei será mais forte. Talvez o meu nome contribua. Chegam do Brasil expressões anti-semitas que não conhecia. Que criatividade! Chego a rir. Mas, comecemos pelo começo. Há semanas informei que tropas especiais americanas acompanhadas de forças especiais israelenses e turcas, talvez jordanianas, estão no Norte do Iraque, preparando o caminho do ataque.
 
Hoje, esta informação foi confirmada pelo Pentágono, o Departamento da Defesa. Quanto às fotos de satélite, provando que os iraquianos vão à frente dos inspetores da ONU e limpam tudo, é que se suspeita de que tenham penetrado no grupo. Colin Powell deve usar tais flagrantes quando voltar ao Conselho de Segurança na próxima semana e aos últimos dias para Saddam se esclarecer de uma vez e comprovadamente. E, talvez, se afastar do poder. Serão fotos para demonstrar que Saddam mente.
 
Dias, poucas semanas, e a força estará em posição de ofensiva e pronta para atacar. Os dias atuais são muito perigosos para americanos, ingleses, israelenses e judeus no exterior e em seus países. A preocupação manifesta de Bush com um mega-ataque dentro dos Estados Unidos é verdadeira.
 
Os extremistas islâmicos tiveram tempo e possibilidade de transferirem armas para dentro do país. Até das piores bombas. O Hezbollah não ameaçou de brinquedo. Deve ter meios para atacar como prometeu. A Al-Qaeda se reorganizou. Ela voltou à luta no Afeganistão. Tem tentado ataques na Inglaterra, França, Alemanha, Espanha. É absoluta a vigilância em Israel.
 
Os iraquianos insistem que estão desarmados. Mas, de outro lado, os filhos de Saddam não se cansam de prometer a derrota dos americanos.Nesta região existem duas linguagens sempre: o que se diz para o mundo, em inglês, e o que se diz ao próprio povo na língua dele.
 
Ainda não se conscientizaram que tudo se ouve, tudo se traduz. Saddam deve ter mais do que se teme. Bagdá parece confiante demais. No dia 6 passado, por exemplo, dia do Exército iraquiano, enquanto aumentavam as afirmações de que os pais se desarmaram, Saddam fazia inflamado discurso, conclamando iraquianos a lutarem até o fim e aos árabes em geral a se prepararem para lutar em defesa do Islã, a fé, o arabismo e sua honra.
 
Já sabia que seu jogo de esconde-esconde acabaria denunciado. De Bagdá se repetem os desafios e promessa de derrotar decisivamente aos americanos. O homem de Bagdá deve ter uma carta na manga. Nos meios informados sabe-se de novas táticas para enfrentar a invasão. E se suspeita que tenha surpresa em armas. Meus informantes não estão localizados em Israel. Em 55 anos de jornalismo se fazem amigos pelo mundo, alguns, os mesmos que me contaram as outras histórias, passaram muita coisa. E devo confiar no que me contaram.
 
O Iraque usou técnica de cinema para criar alvos. Cidades falsas.Tanques de madeira, redes falsas de comunicação. E etc. Este cenário foi construído próximos a cidades. Até falsos soldados. Eles incluem instrumentos que emitiriam todos os sinais, como calor, sons e etc., que podem atrair as bombas inteligentes que não sabem distinguir entre o falso e o verdadeiro.
 
Eles deverão causar o desperdício de um número incontável de bombas e de aviões não pilotados, transportadores de bombas de baixo custo, uma das novas armas que serão usadas por ambos os lados. Esta mágica de falsas cidades já foi usada em guerras anteriores Sempre se aprende no estudo do que se passo. Aliás, corre que palestinos compraram centenas de aviõezinhos com motor, brinquedo de criança, que estão sendo adaptados para carregarem pequenas quantidades de bombas, inclusive químicas, a pequenas distâncias. Aqui é tudo pertíssimo. Seria um arma terrível, de morte e pânico,se verdadeiras.
 
Saddam se preparou partindo da certeza de que, como no Afeganistão, os atacantes começarão com bombardeio em tapete, cobrindo o país e arrasando o que for possível.Novas armas e tecnologias ainda não vistas em combates tendem a ser usadas pelos americanos. Será a primeira guerra de alta tecnologia da historia. Mas não se ganha guerra pelo ar. Vai chegar a hora das tropas terrestres na qual também tecnologias inéditas aos olhos do mundo serão aplicadas. Os americanos querem uma vitória tão rápida quanto possível. E minimizar suas perdas humanas. Saddam conta com isto.
 
Quando os japoneses invadiram a China, os chineses recorreram a táticas de se esconder em túneis. O mesmo fizeram os vietnamitas. Todas as guerras são sempre estudadas para se aproveitar lições de fracassos e sucessos. A tropa de elite de Saddam está aquartelada em túneis de até 25 metros de profundidade. Nada de novo no caso, pois em túneis profundos é que se escondem os centros de comando político e militar de paises que correm perigo de ataques nucleares.
 
Assim é que se sabe que às primeiras notícias do atentado contra as Torres em Nova Iorque, o presidente Bush foi escondido enquanto o governo ficou com o seu vice, Cheney. Assim se garante a continuidade de comando. Os palestinos fazem o mesmo.
 
Fontes da Europa oriental me garantem que os túneis foram construídos por engenheiros de origem russa, desempregados na queda da União Soviética. Saddam é dono do orçamento. Pagou à vista equipamentos contrabandeados. E gente. As bocas de túneis ficam, por tática, em centros urbanos populosos para dificultar ao máximo sua observação. Eles são amplos o suficiente para passagem de equipamentos. Teriam de tudo, alimentos, água, entretenimento, armas.
 
Os iraquianos usaram o mesmo truque na guerra de 8 anos com o Irã. Até os satélites não percebem as entradas com facilidade a profundidade torna impossível captá-los por meio de emissões de calor e outros, os meios de observação a distancia modernos..Estas tropas vão aparecer na hora da luta pelas cidades cujas populações estariam sendo preparadas para resistirem por todos os meios.
 
Os chineses sempre contam com a hipótese de destruição de seus meios de comunicação. Dispondo de ilimitados recursos humanos, eles treinam mensageiros capazes de correr longas distâncias. Na Grécia antiga se fazia o mesmo, daí a Maratona. E Pheiddipides, que correu para informar os gregos sobre a vitória sobre os persas 400 anos antes de Cristo. O Iraque é bem mais antigo. Foi de Ur, na Caldeia, que Abrão foi o primeiro homem a ouvir Deus. Ur fica no Iraque, que é a antiga Mesopotâmia. Saddam teria treinado um corpo de mensageiros para substituir os instrumentos modernos de comunicação.
 
Tudo está preparado com a hipótese de Saddam resistir ao primeiro ímpeto dos atacantes.E mostrar grande numero de vitimas ao mundo para tentar virar a opinião publica. Mas não é por modismo que as tropas invasoras terão um traje a custos de milhares de dólares cada e a prova de armas químicas e biológicas, Bush , o americano, já avisou que se Saddam usar armas de destruição maciça, as biológicas, químicas e talvez nucleares se as tiver, se sentirá livre a usar de tudo de que dispõem.
 
A frota no litoral carrega armas nucleares de todos os tipos.A guerra não será suspensa se começar.Ainda parece haver uma chance de não acontecer. Ainda se movimentam doidamente os diplomatas. Mas a chance de solução pacifica se reduzem a cada hora.
 
Oito países europeus, Espanha à frente, deram seu apoio a Bush num manifesto publicado nos jornais. A Rússia já balança mais para lá do que para ser contra. No fim, a França e a Alemanha também acabarão entrando no barco da guerra se ela acontecer.Ninguém se pode dar ao prejuízo e ficar de fora.
 
Talvez Israel não entre se Saddam não atacar. Talvez.Mas tudo vem sendo preparado para o pior.Inclusive para a hipótese de ataques de forças palestinas extremistas.
 
Em poucas semanas será dobrado o numero de porta-aviões e suas respectivas frotas.As forcas aéreas, pilotadas ou não, serão as mais poderosas agregadas na historia das guerras devido ao seu incrível poder de fogo. Os americanos apenas terão 150 mil tropas em meados de fevereiro que deverão crescer até 250 mil. NA primeira guerra do Golfo os americanos usaram de 500 mil tropas. Ele vem para ganhar.
 
E pode ser que esta força leve Saddam a sair do poder com sua gente e se exilar.Pode ser. Mas não seria o fim. O americano tem objetivo abrangente.O petróleo não é o principal. Eles querem cortar as fontes de financiamento dos grupos terroristas concentradas na região. Já perceberam que não acabarão com essa nova forma de militância caçando um a um não teria fim nunca a guerra declarada por Bush..Eles querem ficar na região o tempo suficiente para tentarem implantar a democracia como fizeram com o Japão e a parte da Alemanha que ocuparam na Segunda Guerra Mundial.
 
Querem mesmo mudar o mundo para que seja mais controlável. E isto tem de ser feito ou pela ONU ou um grupo de nações, por alguém.Multiplicam-se paises com armas nucleares, biológicas e químicas.São os pequenos sem responsabilidades mundiais. Sem um efetivo controle da proliferação d armas de destruição maciça e do terrorismo este nosso mundo não vai durar muito.
 
*Textos com o Tag TEORIA DA CONSPIRAÇÃO e HOAX são publicados a titulo de curiosidade. Não confirmo e nem acredito na veracidade, etc.






27.5.04

NÃO MORRI AINDA
DESCONHEÇO O AUTOR
CONTOS E LENDAS
 
 
O Imperador perguntou ao Mestre Gudo:
 
"O que acontece com um homem iluminado após a morte?"
 
"Como eu poderia saber?", replicou Gudo.
 
"Porque o senhor é um mestre... não é?" respondeu o Imperador, um pouco surpreso.
 
"Sim Majestade," disse Gudo suavemente, "mas ainda não sou um mestre morto."






26.5.04

CASSANDRA LINDELL
BASEADA EM UMA HISTÓRIA REAL REGISTRADA EM NOCTES ATTICA, VOL XV, DE AUTUS GELLIUS
CONTOS E LENDAS
 
 
Com o coração acelerado e as pernas doendo, ele chegou à floresta; Ândrocles sabia que não existia nenhum outro lugar seguro. Ele poderia sobreviver ali — encontrar raízes e frutos, livrar-se de animais ferozes. Ândrocles tinha poucas opções — se fosse preso, seria executado como escravo fugitivo.
 
Ele imaginava como seria a angústia de viver se fosse descoberto. Cada pinha que caía mansamente na relva verde e macia sob seus pés era o suficiente para sobressaltá-lo. Sua cabeça movimentava-se de um lado a outro para que os olhos arregalados pudessem enxergar os soldados.
 
Ele necessitava de um abrigo. A chuva pairava no ar, e em breve anoiteceria. Através das árvores, ele avistou uma abertura nas rochas. Imaginando que pudesse dormir ali apenas por uma noite, Ândrocles rumou naquela direção.
 
De repente, ele parou. Deitado à direita da abertura, havia um leão. Movido pelo instinto, Ândrocles correu, orando para que o animal estivesse de estômago cheio.
 
Ao perceber que não estava sendo perseguido, ele diminuiu o ritmo dos passos e parou. Quando olhou para trás, ele viu que o leão não saíra em sua perseguição. O único movimento do animal foi girar a cabeça para olhar para o homem — com ar de tristeza —, assim Ândrocles pensou.
 
Lentamente, ele começou a retornar ao local. O leão estava machucado. Ândrodes dirigiu-se a ele carinhosamente, acariciando­-lhe a juba e as costas à procura do ferimento. Finalmente, o encontrou — um corte profundo na perna traseira do leão, que estava sangrando por algum tempo sem nenhum sinal de que o sangue estancaria, O homem rasgou um pedaço de sua túnica e limpou a ferida, O leão estremeceu e deu um gemido. Finalmente, adormeceu. Naquele instante, a chuva começou a cair. Ândrocles entrou na caverna e caiu no sono imediatamente. A longa corrida para fugir da cidade o deixara exausto. Minutos depois, ele despertou, no exato momento em que o leão entrou na caverna e aproximou-se dele, arrastando a perna e desabando no chão com a respiração ofegante.
 
A caverna era grande, e o homem e o animal moraram juntos ali, durante várias semanas. Ândrocles encontrou uma fonte de água fresca nas proximidades. Os dois caçavam e ajuntavam o alimento de que cada um necessitava.
 
Um dia, enquanto pegava água na fonte, Ândrocles sentiu um objeto afiado pressionando o seu pescoço.
 
— Não se mexa — uma voz impiedosa ordenou. — Existe uma boa recompensa pela vida de um escravo fugitivo, você sabe. Levante-se bem devagar.
 
Forçado a voltar para a cidade, Ândrocles pensou em seu amigo leão, sabendo que nunca mais o veria. Ele foi conduzido à presença do imperador para ser julgado e recebeu a sentença de morte. Os soldados o levaram a uma cela de pedra construída debaixo da arena, onde deveria permanecer até o dia da execução.
 
Finalmente, ele foi levado à arena. O povo lançou-lhe todo o seu ódio e começou a aplaudir com entusiasmo quando foi solto um leão que não havia recebido alimento por vários dias. Os soldados o cutucavam e o instigavam, para provocar a ira do animal, que rugiu ao ver o homem e correu em direção à sua presa. Ândrocles sabia que não teria nenhuma chance. Mesmo assim, ele retesou os músculos para lutar, pronto para ser ferido. Como a situação foi diferente quando ele cuidou de um leão machucado, em vez de cutucá-lo e instigá-lo! Ândrocles fechou os olhos, à espera de sentir o peso do animal sobre seu corpo e receber o primeiro golpe mortal.
 
Em vez de dor lancinante, ele sentiu a língua do leão lambendo-lhe o rosto, no momento em que o animal o atirou no chão. Ândrocles abriu os olhos — estava frente a frente com seu amigo da floresta.
 
Mesmo após dias de fome e tortura, em vez de investir para matá-lo, o leão começou a balançar a cauda como se fosse um cão amigo.
 
O povo mergulhou em silêncio, O imperador estava atônito. Mandou chamar Ândrocles, e o homem contou a sua história.
 
— Ândrocles e seu amigo leão estão livres — declarou o imperador.
 
— Uma amizade e uma gratidão tão surpreendentes entre inimigos ferrenhos devem ser grandemente recompensadas.






26.5.04

PAULO COELHO
CONTOS E LENDAS
 
 
Um dos grandes monumentos da cidade de Kyoto é um jardim zen, uma superfície de areia com quinze rochas.
 
O jardim original tinha dezesseis rochas. Conta a lenda que, assim que o jardineiro terminou sua obra, chamou o imperador para contemplá-la.
 
- Magnífico, disse o imperador. É o mais lindo do Japão. E esta é a mais bela rocha do jardim.
 
Imediatamente o jardineiro tirou do jardim a pedra que o imperador tanto apreciara e jogou-a fora.
 
- Agora o jardim está perfeito, disse para o imperador. Não existe nada que se sobressaia, e ele pode ser visto em toda a sua harmonia. Um jardim, como a vida, precisa ser visto na sua totalidade. Se nos detivermos na beleza de um detalhe, todo o resto parecerá feio.






26.5.04

PAULO COELHO
CONTOS E LENDAS
 
 
Um mestre zen dizia: 
 
- Buda disse aos seus discípulos: quem se esforça pode alcançar a iluminação em sete dias. Se não conseguir, com certeza alcançará em sete meses ou em sete anos. 
 
Entusiasmado, o jovem perguntou como conseguiria chegar à sabedoria em sete dias. 
 
- Concentração, foi a resposta. 
 
O jovem começou a praticar - mas em dez minutos já havia se distraído. Recomeçou e de novo perdeu a concentração. 
 
Depois de uma semana, não havia conseguido nada de concreto, mas estava mais atento a sua ansiedade e suas fantasias. Aos poucos, foi se acostumando com a idéia de que o tempo não é tão importante no caminho espiritual. 
 
Um belo dia, o rapaz decidiu que não era preciso chegar tão rápido a sua meta, já que o caminho estava lhe ensinando muitas coisas. 
 
E foi neste momento que se tornou um iluminado.






26.5.04

JOAN SPARKS
CONTOS E LENDAS
 
 
Certo dia, um sábio chegou a uma pequena cidade. Precisando de um lugar para ficar, dirigiu-se à primeira igreja que avistou.
 
Dentro daquela igreja, um grupo de pessoas discutia sobre qual era a melhor maneira de agradar a Deus.
 
—Eu vou ajudá-los — disse o sábio —, mas vocês precisam prometer que usarão aquilo que eu lhes der para glorificar a Deus.
 
—Nós prometemos — asseguraram as pessoas. — Nós prometemos.
 
O sábio distribuiu os dons — um seria pianista, outro flautista. A um ele deu um violoncelo, a outro, um violino e, a outro mais, atribuiu a função de marcador de compasso.
 
O povo esforçou-se muito para preparar uma canção de louvor para a igreja. A música foi-se tornando cada vez mais bela.
 
Certa tarde, durante o ensaio, o violonista disse ao pianista:
 
—Estou muito feliz por ter recebido a incumbência de tocar violino. Eu detestaria ser apenas um marcador de compasso.
 
O marcador de compasso ficou muito magoado e foi embora. No dia seguinte, quando as pessoas se reuniram para um novo ensaio, nada deu certo. Finalmente o flautista disse:
 
—Sem a presença do marcador de compasso, eu não sei quando iniciar a minha parte.
 
O grupo ensaiou várias vezes, mas a música saiu horrível. Foi, então, que o violinista disse, com muita tristeza na voz:
 
—Sinto muito. A culpa é minha. Eu me julguei tão importante que cheguei a pensar que não necessitava da ajuda do marcador –de compasso. Eu estava errado!
 
O violinista dirigiu-se à casa do marcador de compasso e pediu-lhe que voltasse a fazer parte do grupo. O marcador de compasso concordou, e a música foi tocada lindamente.
 
No domingo, eles tocaram a musica na igreja, imagino Deus olhando para baixo e sorrindo.
 
Penso que Ele chegou até a dar uma piscada para o marcador de compasso.
 
Todos somos iguais perante a Deus não existe ninguém mais ou menos importante no mundo todos somos iguais do mais rico ao mais pobre do bispo ao membro mais pobrezinho, porem existem as autoridades e todas foram criadas por Deus e que devemos respeitar, isso também é importante.






26.5.04

A SERPENTE E O VAGALUME
DESCONHECO O AUTOR
CONTOS E LENDAS
 
 
Conta a lenda que uma vez uma serpente começou a perseguir um vagalume.
 
Este fugia rápido, com medo da feroz predadora e a serpente nem pensava em desistir.
 
Fugiu um dia e ela não desistia, dois dias e nada... 
 
No terceiro dia, ja sem forças o vagalume parou e perguntou à cobra:
 
- Posso lhe fazer três perguntas?
 
- Não costumo abrir esse precedente para ninguém, mas já que vou te devorar mesmo, pode perguntar...
 
- Pertenço a sua cadeia alimentar ?
 
- Não.
 
- Eu te fiz algum mal?
 
- Não.
 
- Então, por que você quer acabar comigo?
 
- Porque não suporto ver você brilhar... 






26.5.04

O VERÃO ZEN
DESCONHEÇO O AUTOR
CONTOS E LENDAS
 
 
Ao terminar o Verão, Yang-shan fez uma visita a Kuei-shan, que lhe perguntou:
 
"Não vos vi por aqui todo o Verão, o que fizestes?"
 
Yang-shan replicou:
 
"Estive cultivando um pedaço de terra e terminei de plantar umas sementes."
 
"Então," comentou Kuei-shan, "não desperdiçastes o vosso Verão."
 
Por sua vez, Yang-shan disse:
 
"E vós, como passastes o Verão?"
 
"Uma refeição por dia e um bom sono à noite," argumentou o outro.
 
"Então," foi a vez de Yang-shan comentar, "não desperdiçastes o vosso Verão."






25.5.04

O MEDICO E O ZEN
DESCONHEÇO O AUTOR
CONTOS E LENDAS
 
 
Kenso Kusuda, diretor de um hospital em Nihonbashi, Tóquio, recebeu um dia a visita de um velho amigo, também médico,  que não via há sete anos.
 
"Como vai?", perguntou Kusuda.
 
"Deixei a medicina", respondeu o amigo.
 
"Ah, sim?"
 
"Na verdade, agora eu pratico o Zen."
 
"E o que é o Zen?"-- quis saber Kusuda.
 
"É difícil explicar..." -- hesitou o amigo.
 
"E como é possível entendê-lo, então?"
 
"Bem, deve-se praticá-lo."
 
"E como faço isso?"
 
"Em Koishikawa, há uma sala de meditação dirigida pelo Mestre Nan-In. Se quiser experimentar, vá até lá."
 
No dia seguinte Kusuda dirigiu-se à sala de meditação do Mestre Nan-In. Ao chegar, gritou:
 
"Com licença!"
 
"Quem é?" responderam lá de dentro.
 
Um velho de aspecto miserável, que se aquecia junto a um fogareiro próximo ao vestíbulo, dirigiu-se a ele.
 
Kusuda entregou-lhe seu cartão e o velho, após dar uma olhada, disse sorrindo:
 
"Olá!!! Faz tempo que o senhor não aparece!"
 
"Mas... é a primeira vez que venho aqui!" - disse Kusuda, surpreso.
 
"Ah, sim? É a primeira vez? Como está escrito 'Diretor de hospita1', pensei que fosse o Sasaki. O que o senhor deseja?"
 
"Quero falar com o Mestre Nan-in."
 
"Já está falando com ele!" disse o velho, abrindo um largo sorriso.
 
"Então o Mestre Nan-in é o senhor?", disse Kusuda meio desconfiado. Esperava alguém mais "venerável".
 
"Eu mesmo", respondeu o velho, sem dar mostras de resolver a mandar seu visitante entrar. Já meio desanimado e um tanto desdenhoso, Kusuda decidiu falar ali mesmo, de pé, no vestíbulo:
 
"Eu gostaria que o senhor me ensinasse a praticar o Zen."
 
O velho olhou para ele e disse:
 
"Praticar o Zen? O senhor é um médico não? Deve então tratar bem de seus doentes e se esforçar para o bem de sua família, o Zen é isso. Agora, pode ir embora."
 
Kusuda voltou para casa, sem entender nada. Intrigado com as palavras de Nan-In, três dias depois resolveu visitar novamente o velho Mestre. Nan-In atendeu-o novamente no Vestíbulo.
 
"Novamente o senhor aqui? O que deseja?"
 
"Insisto para que o senhor me ensine a praticar o Zen!" - disse Kusuda petulantemente.
 
"Ora, nada tenho a acrescentar ao que já disse outro dia. Vá embora e seja um bom médico". E fechou a porta.
 
Dois ou três dias depois, Kusuda novamente voltou a ver o Mestre, pois absolutamente não conseguira entender suas palavras.
 
"Outra vez aqui?"
 
"Eu vim porque não consegui entender suas palavras, por mais que pensasse sobre elas."
 
"Pensando nas palavras é que o senhor não vai entender coisa nenhuma mesmo!" - disse o velho monge.
 
"Então o que eu devo fazer?" - disse Kusuda, já quase desesperado.
 
"Procure perceber por si, ora essa! Agora, vá embora."
 
Mas Kusuda desta vez zangou-se muito e respondeu:
 
"Por três vezes, embora tenha muitos afazeres, larguei tudo e vim até aqui pedir-lhe para me ensinar o Zen e sempre o senhor me manda embora sem me dar o mínimo esclarecimento! Que espécie de mestre é o senhor, afinal!?!"
 
"Ah! Finalmente ele zangou-se!", exclamou o Mestre.
 
"Mas é EVIDENTE!", desabafou o médico.
 
"Então agora chega de palavreado e seja educado! Faça-me uma saudação."
 
Encarando fixamente o velho monge, Kusuda reprimiu sua vontade de dar-lhe um soco na cara e inclinou-se em reverência. O Mestre então conduziu-o à sala de meditação e o ensinou a praticar zazen.
 
Anos depois, Kusuda finalmente entendeu porque o Zen também é cuidar bem dos doentes e esforçar-se para o bem de sua família.






25.5.04

AS PEROLAS SÃO UMA FERIDA CURADA
DESCONHEÇO O AUTOR
CONTOS E LENDAS
 
 
Pérolas são produto da dor, resultado da entrada de uma substância estranha ou indesejável no interior da ostra, como um parasita ou um grão de areia. A parte interna da concha de uma ostra é uma substância lustrosa chamada nácar.
 
Quando um grão de areia penetra, as células do nácar começam a trabalhar e cobrem o grão de areia com camadas e mais camadas para proteger o corpo indefeso da ostra.
 
Como resultado, uma linda pérola é formada.
 
Uma ostra que não foi ferida, de algum modo, não produz pérolas, pois a pérola é uma ferida cicatrizada:
 
a.. Você já se sentiu ferido pelas palavras rudes de um amigo?
 
b.. Já foi acusado de ter dito coisas que não disse?
 
c.. Suas idéias já foram rejeitadas?
 
d. Se sentiu rejeitado ou discriminado?
 
e. Foi traído por quem confiava?
 
Então produza uma pérola... cubra suas mágoas e as rejeições sofridas com camadas e camadas de amor.
 
Lembre-se apenas de que uma ostra que não foi ferida, não produz pérolas - pois uma pérola é uma ferida cicatrizada.






25.5.04

TEORIA DA CONSPIRAÇÃO
 
 
Desceram pelo ralo os planos da Coca-Cola de conquistar o mercado britânico de água engarrafada. A empresa acabara de introduzir a marca de água que é a segunda no mercado norte-americano, a Dasani. Mas foi obrigada, na semana passada, a recolher mais de 500 mil garrafas dos mercados da Grã Bretanha, depois da identificação da presença de brometo, um sal potencialmente cancerígeno, em níveis superiores aos permitidos pela lei.
 
Na semana anterior, a empresa já havia sofrido outro golpe, sendo obrigada a admitir que a água contida nas garrafas de Dasani tem como origem a torneira, e não vem diretamente de fontes naturais. Foi descoberto, Também, que o sistema descrito pela empresa como um "processo altamente sofisticado de purificação", baseado na tecnologia espacial da Nasa, era apenas a osmose reversa usada em muitos modelos de modestos purificadores de água residenciais.
 
O bromato foi parar nas garrafas de Dasani britânicas para que fosse cumprida uma lei que obriga as empresas de água a adicionarem cálcio em seus produtos. Para fazer isso, a Coca-Cola adicionou cloreto de cálcio. Esse cloreto, que costuma carregar consigo traços de brometo, transformou-se em bromato após o processo de ozonização, uma técnica de purificação da água.
 
Depois da denúncia, a Coca-Cola decidiu abortar a entrada no mercado britânico da marca Dasani. A empresa já está presente no mercado de água engarrafada da região com a água mineral Malvern. Os prejuízos devem ser grandes, já que a Coca-Cola gastou quase US$ 13 milhões na promoção do produto e pretendia vender US$ 65 milhões apenas neste primeiro ano. O mercado de água na Grã Bretanha tem crescido em uma taxa de 20% ao
ano.
 
Os planos de entrar ainda este ano com a marca na França, um dos maiores mercados de água engarrafada do mundo, e na Alemanha, estão mantidos, segundo a empresa. Os grandes vendedores de água engarrafada na Europa hoje são a Nestlé e a Danone.
 
Ao que parece, o processo de "purificação" de água da Coca-Cola traz mais prejuízos do que benefícios. A torneira a partir da qual a Coca-Cola enche os vidros de Dasani, localizada em uma das plantas de produção da empresa na Grã-Bretanha, oferece uma água aprovada em 99,9% dos testes de qualidade. Foi o processo industrial que adicionou a substância cancerígena. Além disso, a água dessa torneira é substancialmente mais barata: dentro da garrafa, ela custa três mil vezes mais do que ao sair da torneira.
 
Uma avaliação da companhia independente de pesquisa Canadean mostrou que, de cinco garrafas de água presentes nas prateleiras em todo o mundo, duas não passam de água de torneira submetida a processos de filtragem.
 
Marcas como a Pure Life, da Nestlé, e Aquafina, da Pepsi, são, no mercado europeu, rótulos para água de torneira filtrada.
 
No Terceiro Mundo, refrigerantes com pesticida
 
Como sempre, uma sorte pior têm tido os países subdesenvolvidos com a qualidade de suas bebidas. Denúncia feita por ONGs indianas - e confirmadas por testes governamentais - mostram que as duas principais marca de refrigerante tipo cola operando no país, a Coca e a Pepsi, estão contaminadas por pesticidas, incluindo DDT.
 
Na Coca-Cola vendida na Índia foram encontrados pesticidas em níveis trinta vezes maiores do que os permitidos na União Européia. Os testes foram realizados por institutos independentes e pelo próprio governo indiano. Noestado do Kerala, o pesticida pode ter vindo da própria companhia, que doou resíduos de produção aos Agricultores. Assim, o solo e os lençóis subterrâneos - também utilizados pela empresa para a produção de refrigerante - acabaram contaminados.
 
Nessa mesma região, a Coca-Cola está proibida legalmente de continuar fazendo uso da água até junho, quando começa o período de chuvas. A produção de refrigerante estava secando as reservas de água locais. A empresa utilizava, diariamente, 1,5 milhão de litros de água para a produção de refrigerante.
 
*Textos com o Tag TEORIA DA CONSPIRAÇÃO e HOAX são publicados a titulo de curiosidade. Não confirmo e nem acredito na veracidade, etc.






24.5.04

A GARGALHADA ZEN
DESCONHEÇO O AUTOR
CONTOS E LENDAS
 
 
Uma bela noite, o mestre Yao-shan foi passear pelas montanhas. Era uma linda noite de verão, e quando o sábio estava na beira de uma escarpa, as nuvens descobriram a lua e a névoa dissipou-se subitamente. Yao-shan pôde então ver o vale iluminado pela lua, numa visão de sonho...
 
Olhando tanta beleza, Yao-shan repentinamente começou a dar gostosas gargalhadas. Seu riso foi tão alto que os ecos reverberaram por quilômetros de distância.
 
No dia seguinte, os habitantes da pequena aldeia próxima das montanhas comentavam entre si:
 
"Ontem à noite ouvi risos! Misteriosos risos, e não sei de onde vinham." - disse um aldeão.
 
"Sim, eu também ouvi! Isso é realmente misterioso!" - replicou outro. Dois monges do templo ouviram os comentários e um deles simplesmente disse:
 
"Não há mistérios no Zen. O som que ouvistes foram de Yao-shan, rindo nas colinas. O Som da alegria zen é como a vida: não encontra fronteiras, e é ouvida por todos."






24.5.04

UM CERTO ESCRITURÁRIO
DESCONHEÇO O AUTOR
CONTOS E LENDAS
 
 
Numa repartição, um certo escriturário era evitado por todos.
 
Não que o quisessem mal, mas ninguém suportava suas perguntas, comentários e opiniões.
 
Achava sempre estar com a razão, e que os demais tinham de concordar consigo.
 
Na dúvida, ele tinha a solução; quando precisavam de alguma idéia ele sempre expunha a sua com convicção; e se todos estavam calados era ele o falastrão.
 
Sua verve apenas não superava a presunção do seu ego, o que aos poucos foram-no deixando falar sozinho.
 
Quando surgia no corredor, rapidamente via o caminho limpar-se de pessoas - "certamente por respeito", era o que pensava.
 
Os anos passavam-se, a idade crescia, mas seu temperamento permanecia o mesmo.
 
E, para ele, por que mudar se os outros é que se enganavam?
 
Assim, foram-se findando os anos.
 
E ele, sempre incansável, a querer se expressar.
 
Não que estivesse completamente errado, mas agora isso é difícil checar.
 
É um escriturário aposentado, falando o tempo todo consigo mesmo, no manicômio do estado.






24.5.04

BUSCANDO POR BUDDHA
DESCONHEÇO O AUTOR
CONTOS E LENDAS
 
 
Um monge pôs-se a caminho de uma longa peregrinação para encontrar Buddha. Ele levou muitos anos em sua busca até alcançar a terra onde dizia-se que vivia Buddha.
 
Ao cruzar o sagrado rio que cortava este país, o monge olhava em torno enquanto o barqueiro conduzia o bote. Ele percebeu algo flutuando em sua direção. Quando o objeto chegou mais perto, ele viu que era um cadáver - e que o morto era ele mesmo!
 
O monge perdeu todo o controle e deu um grito de dor à visão de si mesmo, rígido e sem vida, flutuando suavemente na corrente do grande rio.
 
Neste instante percebeu que ali estava começando sua busca pela liberação...
 
E então ele soube definitivamente que sua procura por Buddha havia terminado.






24.5.04

O MESTRE CERTO
DESCONHEÇO O AUTOR
CONTOS E LENDAS
 
 
Os mestres Da-yu e Yu-tang aceitaram o convite para ensinar um alto oficial imperial sobre o Zen. Ao chegar Yu-tang apressou-se em dizer, politicamente:
 
"Vós pareceis um homem inteligente e receptivo, e isso é muito bom! Creio que serias um bom aprendiz Zen."
 
Mas Da-yu replicou, sem preocupar-se com suavidades:
 
"O que dizeis?! Este tolo pode ter uma alta posição, mas não perceberia o Zen nem se este lhe caísse na cabeça!"
 
O oficial, após ouvir os comentários, disse:
 
"Ouvindo o que ouvi, agora sei o que fazer para entender o Zen."
 
A partir de então, tornou-se estudante sob a orientação de Da-yu...






24.5.04

O PROBLEMA DOS CAMELOS
EXTRAÍDO DE: "O HOMEM QUE CALCULAVA"
MALBA TAHAN
CONTOS E LENDAS
 
 
Poucas horas havia que viajávamos sem interrupção, quando nos ocorreu uma aventura digna de registro, na qual meu companheiro Beremiz, com grande talento, pôs em prática as suas habilidades de exímio algebrista.
 
Encontramos três homens que discutiam acaloradamente ao pé de um lote de camelos.  
 
Por entre pragas e impropérios gritavam possessos, furiosos:
 
- Não pode ser!
 
- Isto é um roubo!
 
-  Não aceito!
 
O inteligente Beremiz procurou informar-se do que se tratava.
 
- Somos irmãos - esclareceu o mais velho. - E recebemos, como herança, esses 35 camelos. Segundo a vontade expressa de meu pai, devo receber a metade, o meu irmão Hamed Namir uma terça parte e ao Harim, o mais moço, deve tocar apenas a nona parte. Não sabemos, porém, como dividir dessa forma 35 camelos e a cada partilha proposta segue-se a recusa dos outros dois, pois a metade de 35 é 17 e meio. Como fazer a partilha se a terça parte e a nona parte de 35 também não são exatas?
 
- É muito simples - atalhou o Homem que Calculava.
 
- Encarrego-me de fazer, com justiça, essa divisão, se permitirem que eu junte aos 35 camelos da herança este belo animal que, em boa hora, aqui nos trouxe!
 
Neste ponto, procurei intervir na questão:
 
- Não posso consentir em semelhante loucura! Como poderíamos concluir a viagem, se ficássemos sem o camelo?
 
-  Não te preocupes com o resultado, ó Bagdali! - replicou-me em voz baixa Beremiz.  - Sei muito bem o que estou fazendo. Cede-me o teu camelo e verás no fim a que conclusão quero chegar.
 
Tal foi o tom de segurança com que ele falou, que não tive dúvida em entregar-lhe o meu belo jamal, que, imediatamente, foi reunido aos 35 ali presentes, para serem repartidos pelos três herdeiros.
 
 - Vou, meus amigos - disse ele, dirigindo-se aos três irmãos -  fazer a divisão justa e exata dos camelos que são agora, como vêem, em número de 36.
 
E, voltando-se ao mais velho dos irmãos, assim falou:
 
- Deverias receber, meu amigo, a metade de 35, isto é, 17 e meio. Receberás a metade de 36 e, portanto, 18. Nada tens a reclamar, pois é claro que saíste lucrando com esta divisão!
 
E, dirigindo-se ao segundo herdeiro, continuou:
 
- E tu, Hamed Namir, deverias receber um terço de 35, isto é, 11 e pouco. Vais receber um terço de 36, isto é 12. Não poderás protestar, pois tu também saíste com visível lucro na transação.
 
E disse, por fim, ao mais moço:
 
-  E tu, jovem Harim Namir, segundo a vontade de teu pai, deverias receber uma nona parte de 35, isto é, 3 e tanto. Vais receber uma nona parte de 36, isto é, 4. O teu lucro foi igualmente notável. Só tens a agradecer-me pelo resultado!
 
E concluiu com a maior segurança e serenidade:
 
- Pela vantajosa divisão feita entre os irmãos Namir - partilha em que todos três saíram lucrando - couberam 18 camelos ao primeiro, 12 ao segundo e 4 ao terceiro, o que dá um resultado (18+12+4) de 34 camelos. Dos 36 camelos, sobram, portanto, dois. Um pertence, como sabem, ao bagdali, meu amigo e companheiro, outro toca por direito a mim, por ter resolvido, a contento de todos, o complicado problema da herança!
 
 Sois inteligente, ó Estrangeiro! -  exclamou o mais velho dos três irmãos.  Aceitamos a vossa partilha na certeza de que foi feita com justiça e eqüidade!
 
E o astucioso Beremiz -  o Homem que Calculava  - tomou logo posse de um dos mais belos "jamales" do grupo e disse-me, entregando-me pela rédea o animal que me pertencia:
 
- Poderás agora, meu amigo, continuar a viagem no teu camelo manso e seguro! Tenho outro, especialmente para mim!
 
E continuamos a nossa viagem para Bagdá.






21.5.04

A VERDADEIRA ALQUIMIA
DESCONHEÇO O AUTOR
CONTOS E LENDAS
 
 
Certa vez um andarilho apareceu numa aldeia da Idade Média. Dirigiu-se à praça central da cidade, anunciou-se como alquimista e disse que ensinaria como transformar qualquer tipo de metal em ouro. Algumas pessoas pararam para ouví-lo e começaram a proferir gracejos e ridicularizá-lo. O estranho não se abalou com as chacotas, pediu um pedaço de metal e alguém entregou-lhe uma ferradura, um outro ofereceu-lhe um prego. O alquimista então pegou ambas as peças, e ainda sob as risadas dos incrédulos, colocou-as numa pequena vasilha e derramou sobre elas o conteúdo de um frasco que havia retirado de sua sacola. Permaneceu alguns segundos em silêncio e o fenômeno aconteceu: a ferradura e o prego tornaram-se dourados.
 
Uma sensação de espanto percorreu a multidão que se avolumava cada vez mais na praça. O alquimista levantou as peças de ouro para que todos pudessem admirar a transmutação.
 
Um ourives presente no local pediu para examinar os objetos e foi atendido.
 
Em pouco tempo, revelou serem as peças de ouro puríssimo como nunca tinha visto. As pessoas agitaram-se e agora queriam ouvir. O alquimista então pegou um grosso livro de sua sacola e disse estar nele o segredo da transmutação dos metais em ouro. Em seguida, entregou o livro a uma criança próxima e partiu tranqüilo. Ninguém o viu ir embora, pois todos os olhos mantiveram-se fixos no objeto nas mãos da criança. Poucos dias depois, a maioria das pessoas possuía uma cópia do valioso manuscrito, assim a receita para produzir ouro passou a ser conhecida por todos. Contudo, a fórmula era complexa. Exigia água destilada mil vezes no silêncio da madrugada e ingredientes que deveriam ser colhidos em noites especiais e em praias distantes.
 
No início todos puseram as mãos à obra, mas com o passar do tempo, as pessoas foram desistindo do trabalho. Era muito penoso ficar mil noites em silêncio esperando a água destilar. Além disso, procurar os outros ingredientes era muito cansativo.
 
As pessoas foram desistindo. E, à medida que desistiam, tentavam convencer os outros a fazerem o mesmo. Diziam que a forma era apenas uma galhofa deixada pelo alquimista para mostrar como eram tolos. Assim, muitos e muitos outros, influenciados pelos primeiros, também desistiram. Mas, um pequeno grupo prosseguiu com o trabalho. Apesar de ridicularizados pelo resto da aldeia, continuaram destilando a água e fizeram várias viagens juntos à procura dos ingredientes da fórmula.
 
O tempo correu, e a quantidade de histórias divertidas, e de situações que eles passaram juntos, desde que começaram a seguir a fórmula, cresceu. E o grupo dos aprendizes de alquimia tornou-se cada vez mais unido. Converteram-se em grandes amigos. Até que em um mesmo dia, todos que tinham começado juntos, viraram a última página das instruções do livro, e lá estava escrito:
 
"Se todas as instruções foram seguidas, você tem agora o líquido que, derramado sobre qualquer metal, transforma-o em ouro. Entretanto, agora você já percebeu que a maior riqueza não está no produto final obtido, mas sim no caminho percorrido. O que nos torna infinitamente ricos não é a quantidade de ouro que conseguimos produzir, mas os momentos que compartilhamos com os verdadeiros amigos".






21.5.04

FONTE: SAT SAMUDAYA
EXTRAÍDO DE:  THE SWORD AND THE LOTUS
OSHO
CONTOS E LENDAS
 
 
A psicologia da raiva é que você queria algo e alguém lhe impediu de conseguir isso. Alguém veio como um bloqueio, como um obstáculo. Toda sua energia estava indo conseguir algo e alguém bloqueou a energia. Você não conseguiu o que queria.
 
Agora essa energia frustrada transforma-se em raiva. raiva contra a pessoa que destruiu a possibilidade de realizar seu desejo.
 
Você não pode impedir que a raiva aconteça porque a ela é um subproduto, mas você pode fazer algo para que o subproduto não aconteça de jeito nenhum.
 
Na vida, lembre-se de uma coisa: nunca deseje coisa alguma tão intensamente como se isso fosse uma questão de vida ou morte. Seja um pouco brincalhão.
 
Não estou dizendo, não deseje - porque isso se tornará uma repressão em você. Estou dizendo, deseje, mas deixe seu desejo ser brincalhão. Se você puder realizá-lo, ótimo. Se você não realizá-lo, talvez não fosse o tempo certo; veremos da próxima vez. Aprenda algo da arte de brincar.
 
Ficamos tão identificados com o desejo que quando este é bloqueado ou impedido nossa energia pega fogo; ela lhe queima. E nesse estado de quase insanidade você pode fazer alguma coisa da qual você irá se arrepender. Isso pode gerar uma série de eventos que toda sua vida pode ficar enrolada nisso. Devido a isso, por milhares de anos, eles ficaram dizendo, "Sejam sem desejos". Agora isso está pedindo por algo desumano. Mesmo as pessoas que disseram, "Sejam sem desejos" também deram a vocês um motivo, um desejo: se você ficar sem desejos você irá alcançar a suprema liberdade da moksha, nirvana. Isso também é um desejo.
 
Você pode reprimir um desejo por algum outro desejo maior, e você pode até esquecer que você ainda é a mesma pessoa. Você só mudou o alvo. Certamente, que não há muitas pessoas que estejam tentando conseguir moksha, assim você não terá muita competição. De fato, as pessoas ficarão muito felizes porque você partiu em direção a moksha - um competidor a menos na vida. Contudo, no que se refere a você nada mudou. E se alguma coisa pode ser criada que possa perturbar seu desejo por moksha, de novo a raiva pegará fogo. E dessa vez será bem maior, porque agora o desejo é muito maior. A raiva é sempre proporcional ao desejo.
 
Ouvi dizer.
 
Havia três monastérios Cristãos, próximos um do outro na floresta. Um dia três monges encontraram-se na encruzilhada. Eles estavam retornando das vilas para seus monastérios; cada um pertencia a um monastério diferente. Eles estavam cansados. Sentaram-se sob as árvores e começaram a conversar sobre algo para passar o tempo.
 
Um deles disse, "Uma coisa que vocês terão que aceitar é que no que diz respeito ao ensino, ao aprendizado, nosso monastério é o melhor.
 
O outro monge disse, "Concordo, é verdade. Seu pessoal é muito mais culto, mas no que se refere às austeridades, a disciplina, ao treinamento espiritual, vocês não chegam nem perto do nosso monastério. E lembrem-se, a cultura não será capaz de lhes ajudar a realizar a verdade. Só a disciplina espiritual, e somos os melhores nessa disciplina.
 
O terceiro monge falou, "Ambos estão certos. O primeiro monastério é o melhor no aprendizado, na cultura. O segundo monastério é o melhor na disciplina espiritual, austeridades, jejuns. Porém, com relação à humildade, ao desapego, somos os maiores".
 
Humildade, desapego... Mas o homem parecia estar absolutamente desatento ao que estava dizendo: "Com relação à humildade, ao desapego, somos os maiores".
 
Mesmo a humildade pode se tornar uma viagem do ego. Desapego pode se tornar uma viagem do ego. Precisamos estar alerta. Você não deve tentar deter a raiva. Você não deve, de maneira nenhuma, manter a raiva sob controle, do contrário ela lhe queimará, ela lhe destruirá. O que estou dizendo é: você precisa ir até as raízes. A raiz é sempre algum desejo que foi bloqueado, e a frustração criou a raiva. Não leve desejos muito a sério. Não leve coisa alguma a sério.
 
È uma infelicidade que nenhuma religião no mundo tenha aceitado o senso de humor como uma das qualidades básicas para o homem religioso. Quero que vocês entendam que o senso de humor, a brincadeira, devem ser as qualidades fundamentais. Vocês não devem levar as coisas tão seriamente, assim a raiva não surgirá. Vocês podem simplesmente rir da coisa toda. Vocês podem começar a rir para vocês mesmos. Vocês podem começar a rir de situações nas quais vocês estariam raivosos e loucos.
 
Usem a brincadeira, o senso de humor, a risada. È um mundo grande, e existem milhões de pessoas. Todo mundo está tentando conseguir algo. É muito natural que às vezes pessoas se intrometam nos caminhos um dos outros - não que eles queiram isso, é apenas a situação, é acidental.
 
Ouvi contar sobre um místico Sufi, Junnaid, que todos os dias na oração da noite costumava agradecer a existência por sua compaixão, por seu amor, por seu cuidado. Uma vez aconteceu que por três dias eles estavam viajando e chegaram nas vilas onde as pessoas eram muito contra Junnaid, porque eles pensavam que seus ensinamentos não eram exatamente os ensinamentos de Maomé. O ensinamento dele parecia ser dele mesmo, e "Ele está corrompendo as pessoas".
 
Assim, em três vilas eles não conseguiram nenhuma comida, nem mesmo água. No terceiro dia eles estavam realmente em má forma. Seus discípulos estavam pensando, "Agora vamos ver o que acontece na oração. O que ele agora vai dizer a existência, 'Você é compassiva conosco; seu amor está presente. Você cuida de nós e estamos gratos a você'?"
 
Mas quando chegou a hora da oração, Junnaid orou da mesma maneira. Após a oração os seguidores disseram, "Isso é demais. Por três dias passamos fome, sede. Estamos cansados, não temos dormido, e mesmo assim você está dizendo para a existência, 'Você é compassiva, seu amor para conosco é grande, e você tem tanto cuidado com a gente que estamos agradecidos por isso'"
 
Junnaid disse, "Minha oração não depende de alguma condição; essas coisas são ordinárias. Se consigo comida ou não, eu não vou aborrecer a existência com isso - uma coisa tão pequena num universo tão grande. Se não consigo água... mesmo se eu morrer, isso não importa, minha oração permanecerá a mesma. Porque esse vasto universo... não faz nenhuma diferença se Junnaid está vivo ou morto".
 
Isso é o que quero dizer quando falo para não levar coisa alguma a sério... nem mesmo você mesmo. E assim você verá que a raiva simplesmente não aconteceu. Não há nenhuma possibilidade de raiva. E a raiva certamente é um dos maiores vazamentos da sua energia espiritual. Seja brincalhão com seus desejos, e assim permaneça o mesmo no sucesso ou no fracasso.
 
Apenas comece a pensar sobre si mesmo à vontade. nada especial; não que você precisa ser vitorioso, não que você tenha que ser bem sucedido em cada situação. Esse é um mundo grande e somos pessoas pequenas.
 
Uma vez que isso se estabelece em seu ser, então tudo é aceitável. A raiva desaparece e o desaparecimento dela lhe trará uma nova surpresa, porque quando a raiva desaparece deixa para trás uma tremenda energia de compaixão, de amor, de amizade.