Contos e Lendas: 07/2004

30.7.04

DESCONHEÇO O AUTOR
CONTOS E LENDAS
 
 
Não goste de mim, tão somente por aquilo que os outros comentam.
Não me queira bem, simplesmente como os outros falam.
Procure saber como eu sou...
Procure saber como eu vivo...
O que faço...  como penso... o que penso.
Queira algo mais profundo que um simples olhar.
Entenda que quero algo diferente.
Que não sou simplesmente aquilo que os outros chamam de gente.
Sou uma pessoa comum, sim...
que erra, que acorda, que chora,
que tem sentimentos, que ama,
e sente a ausência de alguém...
Que sente que ninguém faz um carinho sozinho,
sem esperar um retorno...
Procure saber como eu sou...
Segure em minhas mãos firmes e
entirás o calor ardente de meu corpo.
Me olhe nos olhos e encontre aquele ar de encanto.
E se abrir os lábios saberá que sei sorrir.
E numa caminhada, passo a passo uma emoção nos envolverá
fazendo brotar uma sensação gostosa.
Um conhecimento mais concreto;
Observe o meu rosto radiante de alegria,
por satisfação de você estar me conhecendo.
Me dê um beijinho, faça-me um carinho...
E enfim o amor surgirá quando aprendemos a admirar
as qualidades de uma pessoa, sem esperarmos nada em troca...
"Por pura e simples vontade de amá-la ..."






30.7.04

NÃO PRECISA MUDAR O MUNDO
MÁRIO CAMPELLO
CONTOS E LENDAS
 
 
Era uma vez um rei que governava um próspero país.
 
Um dia ele resolveu conhecer algumas áreas distantes de seu país.
 
Por vários dias ele percorreu grande extensão de estradas.
 
Mas quando retornou ao seu palácio, chamou seus súditos e reclamou que seus pés estavam feridos e doíam muito.
 
Afinal, era a primeira vez que ele fazia uma viagem tão longa por estradas tão ásperas e cheias de pedregulhos.
 
Pensou numa maneira de resolver o problema e logo teve uma idéia. Ordenou que seus servos recobrissem todas as estradas do seu país com couro.
 
Seria uma obra muito cara, pois custaria a vida de milhares de vacas e bois.
 
Então, um dos mais sábios entre os servos ousou fazer uma sugestão ao rei dizendo-lhe:
 
Por que o rei tem que gastar essa enorme quantia de dinheiro?
 
Não seria mais prático e mais barato mandar cortar um pequeno pedaço de couro para cobrir seus pés?
 
O rei ficou surpreso, mas aceitou a sugestão.
 
Mandou cortar um pedaço de couro e fazer uma proteção para seus pés, a fim de evitar os ferimentos nas próximas viagens.
 
Às vezes nós também costumamos ter idéias semelhantes à do rei, tentando resolver os problemas da maneira mais difícil.
 
Insatisfeitos com o mundo, desejamos mudá-lo, em vez de efetuar as mudanças necessárias em nós mesmos.
 
Movidos pelo desejo de pavimentar estradas sem espinhos nem obstáculos, esquecemos das proteções que devemos construir na intimidade da própria alma, e queremos mudar a situação ao redor a todo custo.
 
Se não desejamos sofrer os ferimentos da vaidade, é preciso recobrir a alma com a proteção da modéstia.
 
Se queremos evitar os pedregulhos do orgulho, é necessário proteger a alma com o algodão da humildade.
 
Se não desejamos sofrer a dor provocada pelos espinhos do egoísmo, busquemos desenvolver a couraça da fraternidade.
 
Se a situação ao redor nos desagrada e nos fere com freqüência, o melhor a fazer é buscar a reformulação dos próprios atos, na certeza de que não precisamos mudar o mundo, mas efetuar as reformas necessárias em nosso comportamento, em nossa forma de ser.
 
A melhor maneira de nos proteger dos pedregulhos da caminhada, evitando os ferimentos, é revestir a alma com o couro da verdadeira caridade, entendendo que o mais infeliz é sempre aquele que fere, aquele que ofende.
 
Jesus, o Sublime Galileu, experimentou todo tipo de agressão e, no entanto, nunca perdeu a serenidade e foi sempre o vitorioso.
 
Que importava se o mundo exterior era cheio de pedregulhos e espinhos se Sua alma estava revestida de paz e confiança em Deus?
 
Jesus, mesmo sendo o Espírito mais sábio de que se teve notícias, jamais desejou mudar o mundo, mas deixou sempre o convite para todos aqueles que querem seguir a Sua trilha.
 
A trilha que conduz à felicidade plena, acima das imperfeições deste mundo.
 
Assim, se você está indignado com a situação a sua volta e deseja mudar o mundo, lembre-se que isso só será possível começando por mudar-se a si mesmo.
 
Toda mudança exige esforços e uma grande dose de coragem.
 
A maioria de nós prefere criticar os outros e responsabilizá-los pelo que não está certo.
 
No entanto, às vezes é preciso um auto-enfrentamento com toda sinceridade a fim de repensar atitudes e tomar decisões importantes para o próprio crescimento.
 
O que não devemos esquecer jamais, é que somos espíritos milenares e que trazemos uma grande soma de experiências e hábitos adquiridos ao longo da caminhada evolutiva.
 
E precisamos admitir a hipótese de que somos os construtores da própria infelicidade de hoje, graças aos hábitos dos quais não queremos abrir mão.
 
E se assim é, se desejamos alcançar a felicidade almejada, é preciso despojar-nos do manto escuro das imperfeições que nos pesa nos ombros, a fim de alçar o vôo definitivo em direção à luz.






30.7.04

AINDA QUE SEJA POUCO
FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER
CONTOS E LENDAS
 
 
Dá sempre do que tenhas, ainda que seja pouco, de vez que muito pior que dar pouco é deteriorar o que se tem nas garras da sovinice.
 
Serve sempre, ainda que seja pouco, porquanto, muito pior que servir pouco é não ter utilidade para ninguém.
 
Trabalha sempre, ainda que seja pouco, de vez que muito pior que trabalhar pouco é afundar-se no poço da inércia.
 
Auxilia sempre para o bem de todos, ainda que seja pouco, porquanto muito pior que auxiliar pouco, é não auxiliar em favor de alguém, de modo algum.
 
Espera o melhor sempre, ainda que seja pouco, de vez que muito pior que esperar pouco é naufragar nas sombras do pessimismo.
 
Estuda sempre, ainda que seja pouco, porquanto muito pior que estudar pouco é acomodar-se nas trevas da ignorância.
 
Pratica a humildade sempre, ainda que seja pouco, de vez que muito pior que pouca humildade é petrificar-se na frieza do orgulho.
 
Exercita a paciência sempre, ainda que seja pouco, porquanto muito pior que pouca paciência é residir a pessoa no espinheiro da irritação.
 
De tudo o que seja bom e útil, belo e nobre, é conveniente realizar sempre mais, porque, quanto mais fizermos nas áreas do bem, mais amplamente receberemos os bens da vida.
 
Entretanto, se não pudermos realizar o máximo, atendamos pelo menos ao mínimo do que possamos fazer, de vez que todo o muito depende do pouco a fim de começar.






30.7.04

A SABEDORIA É O EQUILÍBRIO
DESCONHEÇO O AUTOR
CONTOS E LENDAS
 
 
Um paciente de 32 anos procurou um terapeuta para que ele pudesse ajudá-lo com o seu problema.
 
No dia marcado o paciente falou:
 
- Preciso de ajuda, não consigo parar de chupar o dedo.
 
O Terapeuta, com a tranquilidade de quem sabe respondeu:
 
- Não ligue para isto, mas chupe um dedo diferente a cada dia da semana.
 
A partir deste momento, o paciente, toda vez que levava a mão a boca , era instintivamente obrigado a escolher o dedo que devia ser objeto de sua atenção naquele dia.
 
Antes que a semana terminasse ele já estava curado.






30.7.04

ILUMINAÇÃO EM 7 DIAS
SWAMI PREM ANUGRAH.
CONTOS E LENDAS
 
 
Um mestre zen dizia:
 
- Buda afirmou aos seus discipulos:quem se esforça pode alcançar a iluminação em sete dias.Se não conseguir,com certeza alcançara em sete meses ou sete anos.
 
Entusiasmado,o jovem perguntou como conseguiria chegar à sabedoria em sete dias.
 
- Concentração - foi a resposta.
 
O jovem começou a praticar - mas em dez minutos já havia distraído.
 
Recomeçou e de novo perdeu a concentração.
 
Depois de uma semana,não havia conseguido nada de concreto,mas estava mais atento à sua ansiedade e suas fantasias.Aos poucos,foi prestando atenção em tudo que o distraía e achou que não estava perdendo tempo,mas se acostumando consigo mesmo.
 
Um belo dia,o rapaz decidiu que não era preciso chegar rápido à sua meta,já que o caminho estava ensinando muitas coisas.
 
E foi nesse momento que se tornou iluminado.






30.7.04

L. R. SILVADO
CONTOS E LENDAS
 
 
Um escritor inglês do século passado conta em uma de suas obras que na praia perto de sua casa, uma coisa muito interessante podia ser vista com freqüência: um navio lançando a sua âncora no mar enfurecido.
 
Dificilmente existe uma coisa mais interessante ou sugestiva do que essa.
 
O navio dança sobre as ondas; parece estar sob o poder e à mercê delas.
 
O vento e a água se combinam para fazer do navio o seu brinquedo.
 
Parece que vai haver destruição; pois se o casco do navio for lançado pelas ondas sobre as rochas das águas, será despedaçado.
 
Mas, quando paramos para observar, o navio mantém a sua posição.
 
Embora à primeira vista parecesse um brinquedinho desamparado à mercê dos elementos, aquele navio não era vencido.
 
Qual é o segredo da segurança deste navio?
 
Como pode resistir às forças da natureza com tanta tranquilidade?
 
Existe segurança para o navio no meio da tempestade porque ele está ancorado!
 
A corda à qual ele está amarrado não depende das águas, nem de qualquer outra coisa que flutue dentro delas.
 
Ela as atravessa e está fixada no fundo sólido do mar.
 
Não importa quão forte o vento sopre ou quão altas sejam as ondas do mar - a sua segurança depende da ancora que está imóvel no fundo do oceano.
 
Muitas vezes nos sentimos no meio de uma tormenta sendo jogados pelas ondas da vida para cima e para baixo e açoitados pelo vento da adversidade todo o tempo.
 
Parece-nos às vezes que jamais conseguiremos sobreviver a determinados períodos em nossas vidas.
 
A sua vida está assim?
 
Você está vivendo em permanente tumulto?
 
Você está sendo esmurrado por ventos tempestuosos?
 
Sem Deus, a nossa vida é como um navio sacudido pelo mar enraivecido das circunstâncias incontroláveis da vida.
 
Mas confiando nele experimentamos a presença e o amor de Deus como âncora da nossa existência.
 
E assim, "nós que encontramos segurança n'Ele, nos sentimos muito encorajados a nos mantermos firmes na esperança que nos foi dada.
 
Essa esperança mantém segura e firme a nossa vida, assim como a âncora mantém seguro o barco."
 
Você pode enfrentar qualquer vendaval com segurança e tranquilidade quando o faz sabendo que "O Senhor é o meu pastor; nada me faltará. (...) Ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte, não temerei mal nenhum, porque tu estás comigo."
 
Mesmo no meio da adversidade continue vivendo a vida com a certeza do amor e do cuidado de Deus.






29.7.04

PARA QUEM DEIXAREI MEU REINO
DONALD E. WILDMON
CONTOS E LENDAS
 
 
Conta-se que um rei muito poderoso estava ficando velho. E concluiu que era chegada a hora de escolher, entre seus quatro filhos, um herdeiro do trono. Então, chamou-os, um de cada vez, para discutir a sucessão de seu reinado.
 
Quando o primeiro filho entrou na sala do trono e se sentou, o rei dirigiu-se a ele:
 
—      Meu filho, estou muito velho e não vou viver por muito tempo. Quero entregar meu reino ao filho que estiver mais capacitado, recebê-lo. Responda-me: Se eu o nomeasse meu sucessor, o que você daria para o reino?
 
Aquele filho era muito rico. Assim que foi feita a pergunta; ele respondeu:
 
—      Sou um homem muito abastado. Se o senhor me nomear seu sucessor, darei toda a minha riqueza; e este será o reino mais rico mundo.
 
—      Obrigado filho — disse o rei, dispensando o rapaz.
 
Quando o segundo filho entrou, o rei se dirigiu a ele:
 
—      Meu filho, estou muito velho e não vou viver por muito tempo. Quero entregar meu reino ao filho que estiver mais capacitado recebê-lo. Responda-me: Se eu o nomeasse meu sucessor, o que você daria para o reino?
 
Aquele filho era muito inteligente. Assim que a pergunta foi feita, ele respondeu:
 
—      Sou um homem de grande inteligência. Se o senhor me nomear seu sucessor, darei toda a minha inteligência; e este será o reino mais inteligente do mundo.
 
—      Obrigado, filho — disse o rei, dispensando o rapaz.
 
Quando o terceiro filho entrou, o rei se dirigiu a ele:
 
—      Meu filho, estou muito velho e não vou viver por muito tempo. Quero entregar meu reino ao filho que estiver mais capacitado recebê-lo. Responda-me: Se eu o nomeasse meu sucessor, o que você daria para o reino?
 
Aquele filho era muito forte. E, assim que a pergunta foi feita, ele respondeu:
 
—      Sou um homem de grande força. Se o senhor me nomear seu sucessor, darei toda a minha força; e este será o reino mais forte do mundo.
 
—      Obrigado, filho — disse o rei, dispensando o rapaz.
 
O quarto filho entrou e foi cumprimentado pelo rei, da mesma maneira que os outros três.
 
—      Meu filho, estou muito velho e não vou viver por muito tempo. Quero entregar meu reino ao filho que estiver mais capacitado a recebê-lo. Responda-me: Se eu o nomeasse meu sucessor, o que você daria para o reino?
 
Aquele filho não era rico, nem inteligente, nem forte. Então, ele respondeu:
 
—      Meu pai, o senhor sabe que meus irmãos são muito mais ricos, mais inteligentes e mais fortes do que eu. Enquanto eles passaram anos cultivando esses atributos, eu tenho vivido no meio do povo deste reino. Fui solidário com as pessoas, na doença e na tristeza. E aprendi a amá-las. Receio que a única coisa que eu tenha para dar ao seu reino seja o meu amor pelo povo. Sei que meus irmãos têm muito mais a oferecer. Portanto, não ficarei desapontado se não for nomeado seu sucessor. Simplesmente continuarei a fazer o que sempre tenho feito.
 
Quando o rei morreu, o povo aguardou com ansiedade a notícia de quem seria o novo rei. E uma grande alegria, como nunca foi vista, tomou conta do reino quando o povo soube que o quarto filho do rei havia sido nomeado como seu sucessor.






29.7.04

DEIXE ME COME-LO EM PAZ
DESCONHEÇO O AUTOR
CONTOS E LENDAS
 
 
"Um mestre Zen descansava com seu discípulo. A certa altura, tirou um melão de sua sacola, dividiu-o ao meio e entregou a metade para o aprendiz.
 
No meio da refeição o discípulo comentou:
 
- Meu sábio mestre, sei que tudo que o senhor faz tem um sentido. Dividir este melão comigo talvez seja mais um ensinamento.
 
O mestre continuou a comer em silêncio.
 
- Pelo seu silêncio, entendo a pergunta oculta - insistiu o discípulo - e deve ser a seguinte: "o gosto que experimento ao comer esta fruta está em que lugar, no melão ou na minha língua"?
 
O mestre não disse nada. O aprendiz, entusiasmado, prosseguiu:
 
- E como tudo na vida tem um sentido, penso que estou perto da resposta: "o gosto é um ato de amor e interdependência entre os dois, porque sem o melão não haveria um objeto de prazer e sem a língua..."
 
- BASTA! - disse o mestre. O melão é gostoso, isto é o suficiente, e deixe-me comê-lo em paz!"






29.7.04

EGOÍSMO
DESCONHEÇO O AUTOR
CONTOS E LENDAS
 
 
O Primeiro Ministro da Dinastia Tang era um herói nacional pelo seu sucesso tanto como homem de estado quanto como líder militar. Mas a despeito de sua fama, poder e riqueza, ele se considerava um humilde e devoto Buddhista.
 
Freqüentemente ele visitava seu mestre Zen favorito para estudar com ele, e eles pareciam se dar muito bem. O fato de que ele era primeiro ministro aparentemente não tinha efeito em sua relação, que parecia ser simplesmente a de um reverendo mestre e seu respeitoso estudante.
 
Um dia, durante sua visita usual, o Primeiro Ministro perguntou ao mestre, "Mestre, o que é o egoísmo de acordo com o Buddhismo?"
 
O rosto do mestre ficou vermelho, e num tom de voz extremamente desdenhoso e insultuoso ele gritou em resposta:
 
"Que tipo de pergunta estúpida é esta?!?"
 
Tal resposta tão inesperada chocou tanto o Primeiro Ministro que este tornou-se imediatamente arrogante e com raiva:
 
"Como ousa me tratar assim?"
 
Neste momento o mestre Zen sorriu e disse:
 
"ISTO, Sua Excelência, é egoísmo..."






29.7.04

LIÇÕES
DESCONHEÇO O AUTOR
CONTOS E LENDAS
 
 
Durante meu segundo mês na escola de enfermagem, nosso professor nos deu um questionário. Eu era bom aluno e respondi rápido todas as questões até chegar a última que era:
 
"Qual o primeiro nome da mulher que faz a limpeza da escola?"
 
Sinceramente, isso parecia uma piada.
 
Eu já tinha visto a tal mulher várias vezes. Ela era alta, cabelo escuro, lá pelos seus 50 anos, mas como eu ia saber o primeiro nome dela?
 
Eu entreguei meu teste deixando essa questão em branco e um pouco antes da aula terminar, um aluno perguntou se a última pergunta do teste ia contar na nota."É claro!", respondeu o professor. "Na sua carreira, você encontrará muitas pessoas. Todas têm seu grau de importância. Elas  merecem sua atenção mesmo que seja com um simples sorriso ou um simples "alô".
 
Eu nunca mais esqueci essa lição e também acabei aprendendo que o primeiro nome dela era Dorothy.
 
Na chuva, numa noite, estava uma senhora negra, americana, do lado de uma estrada no estado do Alabama enfrentando um tremendo temporal. O carro dela tinha enguiçado e ela precisava, desesperadamente, de uma carona.
 
Completamente molhada, ela começou a acenar para os carros que passavam.
 
Um jovem branco, parecendo que não tinha conhecimento dos acontecimentos e conflitos dos anos 60, parou para ajudá-la. O rapaz a colocou em um lugar protegido, procurou ajuda mecânica e chamou um táxi para ela.
 
Ela parecia estar realmente com muita pressa mas conseguiu anotar o endereço dele e agradecê-lo. Sete dias se passaram quando bateram à porta da casa do rapaz.
 
Para a surpresa dele, uma enorme TV colorida estava sendo entregue na casa dele com um bilhete junto que dizia:
 
"Muito obrigada por me ajudar na estrada naquela noite. A chuva não só tinha encharcado minhas roupas como também meu espírito. Aí, você apareceu. Por sua causa eu consegui chegar ao leito de morte do meu marido antes que ele falecesse. Deus o abençoe por ter me ajudado. Sinceramente, Mrs. Nat King Cole"
 
Sempre se lembre daqueles que te serviram. Numa época em que um sorvete custava muito menos do que hoje, um menino de 10 anos entrou na lanchonete de um hotel e sentou-se a uma mesa.
 
Uma garçonete colocou um copo de água na frente dele.
 
- "Quanto custa um sundae?" ele perguntou.
 
- "50 centavos" - respondeu a garçonete.
 
O menino puxou as moedas do bolso e começou a contá-las.
 
- "Bem, quanto custa o sorvete simples?" ele perguntou.
 
A essa altura, mais pessoas estavam esperando por uma mesa e a garçonete perdendo a paciência.
 
- "35 centavos" - respondeu ela, de maneira brusca.
 
O menino, mais uma vez, contou as moedas e disse:
 
- "Eu vou querer, então, o sorvete simples".
 
A garçonete trouxe o sorvete simples, a conta, colocou na mesa e saiu.
 
O menino acabou o sorvete, pagou a conta no caixa e saiu.
 
Quando a garçonete voltou, ela começou a chorar a medida que ia limpando a mesa pois ali, do lado do prato, tinham 15 centavos em moedas - ou seja, o menino não pediu o sundae porque ele queria que sobrasse a gorjeta da garçonete.
 
O obstáculo no nosso caminho. Em tempos bem antigos, um rei colocou uma pedra enorme no meio de uma estrada.
 
Então, ele se escondeu e ficou observando para ver se alguém tiraria a imensa rocha do caminho.
 
Alguns mercadores e homens muito ricos do reino passaram por ali e simplesmente deram a volta pela pedra.
 
Alguns até esbravejaram contra o rei dizendo que ele não mantinha as estradas limpas mas nenhum deles tentou sequer mover a pedra dali.
 
De repente, passa um camponês com uma boa carga de vegetais. Ao se aproximar da imensa rocha, ele pôs de lado a sua carga e tentou remover a rocha dali.
 
Após muita força e suor, ele finalmente conseguiu mover a pedra para o lado da estrada.
 
Ele, então, voltou a pegar a sua carga de vegetais mas notou que havia uma bolsa no local onde estava a pedra.
 
A bolsa continha muitas moedas de ouro e uma nota escrita pelo rei que dizia que o ouro era para a pessoa que tivesse removido a pedra do caminho.
 
O camponês aprendeu o que muitos de nós nunca entendeu:
 
"Todo obstáculo contém uma oportunidade para melhorarmos nossa condição". 
 
Dando quando se conta.
 
Há muitos anos atrás, quando eu trabalhava como voluntário em um hospital, eu vim a conhecer uma menininha chamada Liz que sofria de uma terrível e rara doença.
 
A única chance de recuperação para ela parecia ser através de uma transfusão de sangue do irmão mais velho dela de apenas 5 anos que, milagrosamente, tinha sobrevivido à mesma doença e parecia ter, então, desenvolvido anticorpos necessários para combatê-la. 
 
O médico explicou toda a situação para o menino e  perguntou, então, se ele aceitava doar o sangue dele para a irmã.
 
Eu vi ele hesitar um pouco mas depois de uma profunda respiração ele disse:
 
- "Tá certo, eu topo já que é para salvá-la...".
 
À medida que a transfusão foi progredindo, ele estava deitado na cama ao lado da cama da irmã e sorria, assim como nós também, ao ver as bochechas dela voltarem a ter cor.
 
De repente, o sorriso dele desapareceu e ele empalideceu. Ele olhou para o médico e perguntou com a voz trêmula:
 
- "Eu vou começar a morrer logo?"
 
Por ser tão pequeno e novo, o menino tinha interpretado mal as palavras do médico, pois ele pensou que teria que dar todo o sangue dele para salvar a irmã!






29.7.04

PASTOR ELIAS TEODORO DA SILVA
CONTOS E LENDAS
 
 
Se você deseja melhorar o seu casamento, diariamente precisa tomar atitudes nesse sentido. Veja algumas atitudes que você poderia tomar a partir de hoje no seu casamento. Se cada cônjuge fizer a sua parte, ambos experimentarão uma relação conjugal bem melhor.
 
1.TRATE O SEU CASAMENTO DE FORMA SINGULAR.
Não existe nenhum outro igual ao seu. É preciso, porém, determinar o que é o casamento e o que queremos do casamento.
 
2.JOGUE FORA, DE VEZ EM QUANDO, O RESTO DE LIXO DO SEU CASAMENTO.
Nosso problema nesse sentido consiste em juntar até não caber mais, queixas, mágoas, até se tornar insuportável. Viva o seu presente.
 
3.AJUSTE AS FINANÇAS COMO UM BEM COMUM.
Aprenda a manusear o dinheiro como sendo da família, e não de um em particular. Cuidado com as ambições e o secularismo. Ponha Deus em primeiro lugar nas suas finanças.
 
4.REVIGORE A COMUNICAÇÃO FAMILIAR.
Desenvolva o senso de humor como uma necessidade diária. Relembre o seu estilo galanteador, e renove a alegria da sua casa todas as manhãs. Cuidado com o 'nunca' e 'sempre'.
 
5.DESCUBRA A ALEGRIA DO LAZER FAMILIAR.
Trabalhar é importante, mas não se esqueça do lazer. Passeio com o seu cônjuge ou com sua família. Faça aquele passeio que há muito tempo estão planejando. Descubra formas criativas de lazer na sua própria casa ou na sua cidade.
 
6.EXERCITE O DIÁLOGO CONJUGAL ATÉ O FIM.
Evite o desabafo com vizinhos e colegas. Faça tudo que puder porque o divórcio é muito 'caro'.
 
7.REALIZEM NOVAS LUAS DE MEL SEM OS FILHOS
Use a sua imaginação indo a um lugar próximo ou a um hotel mais barato ou por poucos dias. Desvencilhe-se do excesso de apego aos filhos.  Mantenha sempre a diferença entre a relação paterno-filial.
 
8.APRESENTE A SUA VOLUNTARIEDADE NOS SERVIÇOS DOMÉSTICOS
Antes de pensar que é o homem ou a mulher, lembre-se que são uma só carne. Descubra o prazer da ajuda mútua. Isto equilibra as forças de poder e mando e as relações afetivas.
 
9.CONTINUE INCENTIVANDO SUA RELAÇÃO AFETIVO-SEXUAL.
A relação sexual está para o casamento como a calda de ameixa está para o pudim. Em muitos lares é como se o fogo da paixão afetiva já estivesse apagado. Lembre-se dos dias do fogão a lenha, um abano mantinha o fogo aceso e portanto a chama mais duradoura. Contudo a relação sexual depende da felicidade da relação afetiva e permanente.
 
10.PARTILHE COM O CÔNJUGE E SEUS FILHOS TODA EXPERIÊNCIA DO SEU CRESCIMENTO ESPIRITUAL BÍBLICO.
Relembre a decisão de Josué e o testemunho de Noé e ponha Deus em primeiro lugar na sua família. Seja um sacerdote como Jó que apresentava seus filhos em oração a Deus porque podiam ter pecado (Jó 1:5). Relembre Deuteronômio 6 e ensine e pratique a vontade de Deus na sua palavra, sem materialismo, farisaismo, hipocrisia ou fanatismo, mas a palavra pura e simples, de Deus.






29.7.04

DESCONHEÇO O AUTOR
FONTE: ANGELA MARIA CRESPO
CONTOS E LENDAS
 
 
Certo dia, um rapaz desiludido resolveu seguir o exemplo dos "contos da infância".
 
Colocou-se frente ao seu espelho e perguntou:
 
- Querido espelho, olhe para mim e me diga:
 
Existe alguém mais infeliz do que eu? 
 
- Com certeza, respondeu o espelho, existe alguém mais triste que tu neste momento. 
 
E este alguém sou eu.
 
O rapaz olhou espantado. 
 
Não esperava que um espelho falasse, e ainda contra ele. 
 
Mas o espelho prosseguiu: 
 
- Tu não imaginas a dor que eu sinto ao ver, no meu reflexo, uma pessoa que deixou seus problemas tomarem conta de sua vida, que não tem mais vontade de lutar e principalmente que não consegue ver dentro de si as suas qualidades suas capacidades, seu talento. 
 
Queria que estivesse no meu lugar pra ver. 
 
- Tu és uma pessoa tão inteligente, que fala para todos que tem um Deus, e tantas vezes falou do amor de Deus, agora se mostra tão derrotado. Deus é tão pequeno assim em tua vida para que tu te sintas tão inferior? 
 
- É pena que tu não vejas através de mim toda a tua facilidade em lidar com as pessoas, o quanto é expressiva a tua voz e tua palavra, quanto teu coração é forte, e o quanto as pessoas te amam. 
 
Olhe para ti!
 
Levanta essa cabeça, pois dificuldades todos temos, assim como todos guardam dentro de si algo especial para dar, a capacidade de tornar a própria vida prazerosa. 
 
- Quantas são as pessoas que gostariam de ser como tu és: saudável, inteligente e com toda a vida pela frente! e no entanto, muitas delas são felizes e agradecem à Deus pelas suas vidas! 
 
Use a tua sensibilidade - ela é essencial para a vida. 
 
Motive-se: ao acordar pela manhã, pense algo do tipo: "hoje meu dia será produtivo, alegre e cheio de vida, pois tenho Deus comigo." . 
 
Faça isso com amor no coração e concentre em teus objetivos.
De hoje em diante, quero ver outra imagem refletida em mim.
 
Uma imagem de alegria interior. 
 
A vida é tão curta. 
 
Não percas tempo com os momentos ruins. 
 
Faça deles experiências positivas para continuar tua vida. 
 
Ser feliz depende de uma vida em comunhão com Deus e em harmonia contigo mesmo. 
 
O que vem depois disso, são apenas resultados.






28.7.04

RON MEHL
CONTOS E LENDAS
 
 
Ele era um homem forte que estava enfrentando um inimigo muito mais forte.
 
Sua jovem esposa ficou gravemente enferma e faleceu, deixando o homenzarrão sozinho e uma filha loirinha, de olhos grandes, que ainda não havia completado cinco anos.
 
A cerimônia fúnebre na pequena capela da cidade foi simples e carregada de dor. Após o sepultamento no pequeno cemitério, os vizinhos do homem reuniram-se ao redor dele.
 
— Por favor, venha com sua filha passar alguns dias conosco —disse alguém. — Vocês não devem voltar para casa ainda.
 
Mesmo diante de tanto sofrimento, o homem disse:
 
— Obrigado, meus amigos, pela oferta generosa. Mas nós precisamos voltar para casa. Minha filhinha e eu precisamos enfrentar esta dor.
 
Assim, o homenzarrão e a menina voltaram para casa, que agora parecia vazia e sem vida. O pai colocou a cama da filha em seu quarto, para que eles pudessem passar juntos a escuridão da primeira noite.
 
Os minutos passavam lentamente, e a menina estava tendo grande dificuldade para dormir... a mesma de seu pai. O que pode afligir mais o coração de um pai do que ver uma criança soluçando de saudades da mãe que nunca mais vai voltar?
 
A menina continuou a chorar noite adentro. O homem esticou o braço para tentar consolá-la da melhor maneira possível. Após alguns instantes, a menina conseguiu parar de chorar, mas apenas por dó do pai. Pensando que a filha já estava dormindo, o pai olhou para cima e orou, com voz entrecortada: Eu confio em ti, ó Pai, mas... a noite está escura demais!
 
Ao ouvir a oração do pai, a menina começou a chorar novamente.
 
— Eu pensei que você estivesse dormindo, querida — ele disse.
 
— Eu tentei, papai. Estava triste por você. Eu tentei de verdade. Mas não consegui dormir. Papai, você já viu uma noite tão escura assim? Por que, papai? Eu não posso ver você. Está escuro demais.
 
Em seguida, por entre as lágrimas a menina disse baixinho:
 
— Mas você me ama mesmo quando está escuro, não é verdade, papai? Você me ama mesmo quando eu não posso enxergar você, não é verdade, papai?
 
Como resposta, o homem pegou a filha da cama com suas mãos enormes, colocou-a de encontro ao peito e segurou-a carinhosamente até ela dormir.
 
Quando ela se aquietou, o homem voltou a orar. Assumiu para si todo o choro da filha e o transferiu para Deus.
 
“Pai, a noite está escura demais. Não posso te enxergar. Mas tu me amas, mesmo quando está escuro e eu não posso te enxergar, não é verdade, Pai?”.
 
Naquelas horas tão tenebrosas, o Senhor o tocou dando-lhe novas forças para prosseguir. Ele sabia que Deus continuaria a amá-lo, mesmo no escuro.






28.7.04

NOSSO DEUS SABE
DESCONHEÇO O AUTOR
CONTOS E LENDAS
 
 
Quando você esta cansado e desencorajado por esforços que não deram frutos, nosso Deus sabe o quanto você tentou...
 
Quando você chorou por longo tempo com o coração cheio de angustia, Ele contou suas lagrimas... 
 
Se você sente que sua vida esta perdida e que há muito tempo se perdeu,  Ele esta confortando você... 
 
Quando você esta solitário e seus amigos estão muito ocupados para um simples telefonema, Ele acompanha você... 
 
Quando você sente que já tentou de tudo e não sabe por onde recomeçar, Ele tem a solução... 
 
Quando nada mais faz sentido e você se sente frustrado e deprimido, Ele tenta lhe mostrar respostas...
 
Se de repente tudo lhe parece mais brilhante e você percebe uma luz de esperança, nesse momento, Ele soprou nos seus ouvidos... 
 
Quando as coisas vão bem e você tem muito para agradecer, Ele esta festejando com você... 
 
Quando algo lhe traz muita alegria e você se sente re-fortalecido, Ele esta sorrindo para você...
 
Quando você tem um propósito a cumprir e um sonho para seguir, Ele abre seus olhos e o chama pelo nome...
 
Lembre-se que onde você estiver, seja na tristeza ou na felicidade, mesmo que ninguém mais saiba, nosso Deus sabe...






28.7.04

GENERAL DOUGLAS A. MACARTHUR
CONTOS E LENDAS
      
      
Concede-me um filho, ó Senhor, que seja forte o suficiente para entender quando está fraco, que seja corajoso o suficiente para admitir que está com medo; um filho que tenha orgulho e que não se curve diante de uma derrota honesta, e que seja humilde e cavalheiro diante da vitória.
 
Concede-me um filho cuja espinha dorsal não se dobre; um filho que te conheça — e que saiba que a pedra fundamental do conhecimento é conhecer a si mesmo.
 
Conduze-o, eu oro, não no caminho da facilidade e do conforto, mas sob a força e o aguilhão das dificuldades e desafios. Permite que ele aprenda a permanecer firme na tempestade; permite que ele aprenda a ter compaixão pelos que caem.
 
Concede-me um filho cujo coração seja límpido, cujos objetivos sejam altos; um filho que saiba dominar-se e não que tente dominar outros homens; um filho que aprenda a rir, mas que também nunca desaprenda a chorar; um filho que pense no futuro, sem nunca esquecer o passado.
 
E depois que meu filho for tudo isto, eu oro, acrescenta-lhe um pouco de senso de humor, de modo que ele possa ser sempre sério, mas que nunca se comporte de maneira muito séria. Dá-lhe humildade para que ele possa sempre se lembrar da simplicidade da verdadeira grandeza, da mente aberta para a verdadeira sabedoria, da humildade da verdadeira força. E, depois, permite que eu, seu pai, me atreva a dizer: “Minha vida não foi em vão”.






28.7.04

O DOCE SABOR DO MEL
REVERENDO RICARDO MÁRIO GONÇALVES E REVERENDA YVONETTE SILVA GONÇALVES
CONTOS E LENDAS
 
 
Há muito tempo atrás, um condenado a morte estava na prisão, aguardando o dia de sua execução. Um dia, ele resolveu fugir e, com muita dificuldade, conseguiu realizar seu objetivo. O rei do país, então, mandou um grande elefante em sua perseguição. A lei daquele país determinava que os fugitivos da cadeia fossem esmagados por um elefante. O fugitivo, sabendo que o elefante vinha em sua perseguição, corria com todas as suas forças.
 
Entretanto, o passo do animal era muito rápido e o fugitivo percebeu que não conseguiria escapar. Foi então que ele viu um grande poço. O fugitivo ficou aliviado: percebeu que se tratava de um excelente esconderijo e tratou de se esconder no interior do mesmo. Por um breve instante sentiu-se salvo, mas ao dirigir seu olhar para o fundo do poço, percebeu que lá se encontrava uma enorme serpente com a goela aberta, pronta para engoli-lo se ele caísse lá embaixo. Assustado, o fugitivo olhou em torno de si e viu que quatro serpentes venenosas estavam enrodilhadas nos cantos do poço, prontas para desferir um bote fatal sobre ele. O fugitivo percebeu, então, que aquele poço estava longe de proporcionar a sonhada segurança.
 
Entretanto, não podia ele sair do mesmo, pois lá em cima permanecia o elefante alerta, pronto para esmagá-lo. O fugitivo sentiu que não tinha escapatória, mas, apostando na sorte pela última vez, agarrou-se a um cipó que crescia na parede do poço. Apavorado, segurava firmemente no cipó, seu último e frágil apoio. Foi então que ele percebeu a presença de dois ratinhos, um branco e um preto, que alternadamente iam roendo o cipó.
 
A cada roída o cipó ia ficando cada vez mais fino, a qualquer momento poderia rebentar e o homem cairia bem dentro da goela da serpente que o esperava lá embaixo.
 
O fugitivo sentiu que já estava morto. O pavor não o deixava um segundo sequer. Sentia ele que já estava no fim, que sua vida não valia mais nada. Foi então que, ao erguer os olhos para o alto, se deu conta de que uma frondosa árvore se erguia à beira do poço. Em um dos galhos da mesma havia uma colméia, da qual, a cada golpe de vento, caiam cinco gotas de mel bem dentro da boca aberta do homem. Aquele mel era realmente delicioso, sua doçura era comparável à do néctar, a sublime bebida dos deuses imortais. À medida que aquele mel delicioso refrescava sua garganta e aplacava sua sede, o fugitivo foi se esquecendo de sua situação. Chegou o momento em que ele perdeu totalmente a vontade de escapar daquele poço...
 






28.7.04

AS MÃOS
DESCONHEÇO O AUTOR
CONTOS E LENDAS
 
 
Naquela manhã o jovem professor chegou à escola um tanto cabisbaixo.
 
Problemas se somavam e pesavam sobre sua sensibilidade de jovem idealista.
 
Estava difícil suportar.
 
Foi então que, durante uma reunião de trabalho ele não pode controlar as lágrimas que lhe escorreram pelo rosto, em abundância.
 
Uma amiga, que o observava, em silêncio, estendeu as mãos e segurou as dele, num gesto de ternura.
 
Foi uma atitude simples, mas significou muito para aquele jovem, pois ele sabia que a amiga tinha uma vida super atarefada; muitas atividades e preocupações, filhos, marido, empresa, mas, mesmo assim, tinha tempo para dedicar ao amigo, para estender-lhe as mãos.
 
Aquele gesto simples levou o jovem a escrever sobre a importância das mãos.
 
O texto diz mais ou menos assim:
 
As mãos podem muitas coisas: oferecer apoio no momento certo, estender-se para consolar, segurar firme para amparar.
 
Mas o que mais podem as mãos?
 
As mãos saúdam, as mãos sinalizam.
 
As mãos envolvem, dão carinho.
 
As mãos estabelecem limites.
 
Escrevem.
 
Abençoam.
 
As mãos desenham no ar o "adeus", o "até logo".
 
As mãos agasalham.
 
Curam feridas.
 
Para o mudo a mão é o verbo.
 
Para o idoso é a segurança.
 
Para o irascível a mão erguida é ameaça.
 
Para o pedinte a mão estendida é súplica.
 
Para quem ama, a mão silenciosa, que acolhe a do ser amado, é felicidade.
 
Para quem chora, a mão alheia é conforto.
 
Há mãos que agarram, perturbadas.
 
Há mãos que tocam, suaves.
 
Há mãos que ferem.
 
Há mãos que acariciam.
 
Há mãos que amaldiçoam.
 
Há mãos que abençoam.
 
Há mãos que destroem.
 
Há mãos que edificam, trabalham, realizam.
 
Há pessoas que transmitem energias, através da imposição de mãos, entregando-se a essa tarefa tão bela de amor.
 
Nossas mãos podem exteriorizar o amor, construindo templos, hospitais e escolas; fabricando vacinas e equipamentos médicos; alimentando famintos, medicando enfermos...
 
Podem concretizar a paz social assinando tratados de armistício, escrevendo livros, guiando carros, pilotando aviões, varrendo ruas, tocando instrumentos musicais, pintando telas, esculpindo, construindo móveis, prestando serviços...
 
Podem manifestar fraternidade, ao lembrarmos da essencialidade do humano, da sensibilidade, da empatia, estendendo-as a um irmão que, num dia difícil, põe-se a chorar.






28.7.04

COMO CAPTURAR O VAZIO
DESCONHEÇO O AUTOR
CONTOS E LENDAS
 
 
Shin-kung perguntou a um dos seus mais inteligentes monges:
 
"Podeis capturar o Vazio?"
 
"Sim, senhor", replicou ele.
 
"Mostrai-me como fazes," pediu o mestre.
 
O monge abriu os braços e açambarcou o espaço vazio. Shin-kung disse:
 
"É essa a maneira? Apesar de tudo, não capturou coisa alguma."
 
"Então," replicou o monge um tanto ofendido, "qual é o método que usas?"
 
O mestre segurou o nariz do aluno e deu um forte puxão. O rapaz gritou:
 
"Aaiii! Estás puxando com muita força! Está me machucando!"
 
O mestre replicou:
 
"Perfeito! Essa é a maneira de realmente capturar o Vazio!"






28.7.04

O VIAJANTE
ALFREDO LYRIO DO VALLE
CONTOS E LENDAS
 
 
Um homem, tendo que fazer uma longa viagem, se preparou como melhor lhe convinha.
 
Teria um longo caminho pela frente, e neste tempo, enfrentaria muito sol, muita chuva, muito frio, enfim, inúmeros obstáculos. Achava que nada poderia detê-lo.
 
Para a sua caminhada, tomou calçados, roupas, chapéu, enfim, tudo o que achava necessário. E tudo era novo.
 
Pensou em seu destino e em tudo de valor que achava possuir.
 
Abriu sua mochila, e nela colocou tudo, calçado, roupa, chapéu, achando que se não os usasse no seu dia a dia, ao final, teria tudo ao seu dispor, quando quisesse. E novo.
 
Colocou tudo às costas, e partiu.
 
Ao longo de sua vida, após varias trilhas, viu-se cansado e não pode mais continuar. Estava exausto.
 
O peso as suas costas, com o seu tesouro, já lhe era insuportável.
 
Seus pés, rachados e sangrando, seu corpo surrado, machucado e frágil, sua cabeça ferida e seu pensamento, sem direção.
 
Olhou para os seus pés e para seu calçado. O sapato continuava novo, e seus pés, acabados.
 
Tomou a sua roupa nova e tocou o seu corpo velho e dolorido.
 
Levantou o seu chapéu, novo, e tentou colocá-lo em sua cabeça inchada.
 
Faltava muito para chegar, e tudo que possuía, novo, tal como preservou, de nada lhe servia agora.
 
Pensou em abandonar tudo.
 
Em silêncio, e pela primeira vez, concluiu que se tivesse utilizado o seu calçado, ele estaria velho, mas seus pés, doloridos, apenas. Se tivesse se vestido, sua roupa estaria rota, mas, seu corpo não estaria machucado, cansado e sujo. Se tivesse usado o seu chapéu, ele estaria com sua abas caídas, mas sua cabeça não estaria por estourar de dor.
 
Refletiu, e reconheceu que ali estavam os seus verdadeiros amigos. Para servi-lo, a todo instante, porém tentando somente preservá-los, não permitiu que eles participassem de sua vida.
 
Lembre-se.
 
Os seus amigos não querem estar somente em uma mochila, como o calçado, a roupa, o chapéu, como um fardo.
 
Querem é estar contigo, em toda a sua jornada, mesmo que cheguem desgastados, sujos, cansados, porém, certos de que, de algum modo, aliviaram a sua dor, seu sacrifício e participaram de sua alegria, e chegaram ao fim.
 
Todos...
 
Juntos....






26.7.04

DESCONHEÇO O AUTOR
CONTOS E LENDAS
 
 
Diz uma prece indígena:
 
"Deixem-me seguir as pegadas do meu inimigo por três semanas, carregar o mesmo fardo e passar pelas mesmas provações que ele, antes de dizer uma só palavra de desaprovação à sua conduta".
 
São palavras que encerram uma profunda sabedoria. Julgar o procedimento alheio, sem antes procurarmos entender os motivos que o levaram a agir assim, é o caminho mais fácil, porém é também o que mais nos leva a cometer injustiças.
 
Sempre esperamos que os outros entendam nossas motivações e quando não o fazem nos sentimos injustiçados.
 
Mas será que nós procuramos sempre entender as razões alheias?
 
Será que, ao menos por um instante, seríamos capazes de tentar imaginar como agiríamos se estivéssemos no lugar da outra pessoa?
 
Poucos de nós ao menos tentam.
 
Mas, a maioria de nós não hesita em desaprovar tudo que esteja contrariando aquilo que considera "certo".
 
Experimente, ao menos uma vez, carregar o fardo de seu inimigo!    






26.7.04

ESTOU AQUI
DESCONHEÇO O AUTOR
CONTOS E LENDAS
 
 
Um velho monge estava secando vegetais sob o inclemente sol do meio-dia. Um homem aproximou-se solícito e disse:
 
"Quantos anos tens?"
 
"Sessenta e Oito," disse o ancião.
 
"Por que trabalhas tanto aqui no templo?"
 
"Porque aqui no tempo tem tanto trabalho a fazer," replicou o monge.
 
"Mas porque trabalha sob este sol tão quente?"
 
"Porque o sol quente está lá, e meu trabalho é aqui."






26.7.04

O BUSCADOR
DESCONHEÇO O AUTOR
CONTOS  E LENDAS
 
 
Esta é a história de um homem a quem eu definiria como um buscador...
 
Um buscador é alguém que busca, não necessariamente alguém que encontra. Também não é necessariamente alguém que sabe o que está buscando; é simplesmente alguém para quem sua vida é uma busca permanente.
 
Um dia o buscador sentiu que devia ir à cidade de Kammir.
 
Ele tinha aprendido a obedecer rigorosamente a estas sensações que surgiam de algum lugar desconhecido de si mesmo, de maneira que abandonou tudo e partiu.
 
Após dois dias de marcha em empoeirados caminhos, lá longe divisou Kammir. Um pouco antes de chegar à cidade, chamou-lhe poderosamente a atenção uma colina que se encontrava à direita do caminho. Ela estava coberta de um verde maravilhoso, com numerosas árvores,pássaros e flores encantadoras; tudo estava rodeado por uma pequena cerca envernizada.
 
Uma pequena porta de bronze o convidava a entrar. De repente sentiu que esquecia da cidade e não resistiu à tentação de descansar um momento naquele lugar. O buscador atravessou o portal e começou a caminhar lentamente entre as brancas pedras distribuídas como que aleatoriamente entre as árvores.
 
Permitiu que seus olhos pousassem como borboletas em cada detalhe desse paraíso multicolor. Seus olhos eram olhos de um buscador e, talvez por isso, descobriu sobre uma daquelas pedras aquela inscrição:
 
"Abdul Tareg viveu 8 anos, 6meses, 2 semanas e 3 dias."
 
Sentiu-se um pouco angustiado ao perceber que essa pedra não era simplesmente uma pedra, era uma lápide. Sentiu pena ao pensar em uma criança tão nova enterrada naquele lugar.
 
Olhando ao redor, o homem se deu conta de que a pedra seguinte também tinha uma inscrição. Aproximou-se e viu que estava escrito: "Yamir Kalib, viveu 5 anos, 8 meses e 3 semanas."
 
O buscador sentiu-se terrivelmente transtornado.
 
Esse belo lugar era um cemitério e cada pedra era uma tumba.
 
Uma por uma começou a ler as lápides. Todas tinham inscrições similares: um nome e o exato tempo de vida do morto. Porém, o que lhe causou maior espanto foi comprovar que quem mais tinha vivido, apenas ultrapassava os 11 anos...
 
Invadido por uma dor muito grande, sentou-se e começou a chorar.
 
A pessoa que tomava conta do cemitério, que nesse momento por ali passava, aproximou-se. Permaneceu em silêncio enquanto olhava o homem chorar e, após algum tempo, perguntou-lhe se chorava por alguma pessoa da família.
 
Não, ninguém da família. - respondeu o buscador - O que se passa nessa cidade? Que coisa tão terrível acontece aqui? Por que tantas crianças mortas enterradas neste lugar? Qual a horrível maldição que pesa sobre essas pessoas que as obrigou a construir um cemitério de crianças?
 
O velho sorriu e falou:
 
- Pode acalmar-se. Não existe nenhuma maldição. O que acontece é que aqui temos um antigo costume que lhe contarei... Quando  um jovem completa seus quinze anos, ganha de seus pais uma caderneta, como esta que eu mesmo levo aqui, pendurada no pescoço. É uma tradição entre a gente, que a partir desse momento, cada vez que você desfruta intensamente de alguma coisa, abre sua caderneta e escreve nela: À esquerda o que foi desfrutado... À direita, o tempo que durou o prazer.
 
Conheceu uma moça e se apaixonou por ela. Quanto tempo durou essa enorme paixão e o prazer de conhecê-la? Uma semana? Duas? Três semanas e meia?... E depois..., a emoção do primeiro  beijo, quanto durou? O minuto e meio do beijo? Dois dias? Uma semana?... E a gravidez ou o nascimento do seu primeiro filho...? E o casamento dos amigos? E a tão desejada viagem? E o encontro com o irmão que retorna de um longínquo país? Quanto tempo desfrutou dessas situações...?Horas? dias...?
 
Assim, vamos anotando na caderneta cada momento que desfrutamos.
 
Quando alguém morre, é nosso costume abrir a caderneta e somar o tempo desfrutado para gravá-lo sobre a pedra, porque este é, para nós, o único tempo VIVIDO.






26.7.04

NADA SANTO
DESCONHEÇO O AUTOR
CONTOS E LENDAS
 
 
Certa vez Bodhidharma foi levado à presença do Imperador Wu, um devoto benfeitor buddhista, que ansiava receber a aprovação de sua generosidade pelo sábio. Ele perguntou ao mestre:
 
"Nós construímos templos, copiamos os sutras sagrados, ordenamos monges e monjas. Qual o mérito, reverenciado Senhor, da nossa conduta?"
 
"Nenhum mérito, em absoluto", disse o sábio.
 
O Imperador, chocado e algo ofendido, pensou que tal resposta com certeza estava subvertendo todo o dogma buddhista, e tornou a perguntar:
 
"Então qual é o Santo Dharma, o Primeiro Princípio?"
 
"Um vasto Vazio, sem nada santo dentro dele", afirmou Bodhidharma, para a surpresa do Imperador. Este ficou furioso, levantou-se e fez sua última pergunta:
 
"Quem és então, para ficares diante de mim como se fosse um sábio?"
 
"Eu não sei, Majestade", replicou o sábio, que assim tendo dito virou-se e foi embora.






26.7.04

HOWARD HENDRICKS
CONTOS E LENDAS
 
 
Quando cheguei à quinta série, eu carregava comigo todos os problemas de um garoto que se sentia inseguro, carente de amor e de mal com a vida. Em outras palavras, eu era um furacão destruidor. Porém, a Srta. Simon, minha professora, aparentemente imaginava que eu desconhecesse o meu problema, porque costumava dizer-me:
 
— Howard, você é o aluno mais mal comportado desta escola!
 
Eu gostaria que você me dissesse alguma coisa que eu ainda não saiba! - pensava comigo mesmo, enquanto continuava a melhorar (ou piorar) opinião dela a meu respeito...
 
É desnecessário dizer que a quinta série foi, provavelmente, o pior ano de minha vida escolar. Finalmente, recebi o diploma — por motivos óbvios. Mas as palavras da Srta. Simon continuavam a soar em meus ouvidos: “Howard, você é o aluno mais mal comportado desta escola!”
 
Você pode imaginar quais eram as minhas expectativas quando entrei na sexta série. No primeiro dia de aula, minha professora, a Srta. Noe começou a fazer a chamada, e não demorou muito para dizer meu nome.
 
— Howard Hendricks — ela disse bem alto, desviando os olhos da lista para o lugar em que eu estava sentado com os braços cruzados, apenas aguardando o momento de entrar em ação. Ela olhou para mim por alguns instantes e prosseguiu: — Tenho ouvido falar muito de você. — Em seguida, sorriu e complementou: — Mas eu não acredito em uma só palavra!
 
Vou contar-lhe uma coisa. Aquele momento foi o ponto decisivo, não apenas em minha educação, mas também em minha vida. De repente, inesperadamente, alguém acreditou em mim. Pela primeira vez na vida, alguém enxergou potencial em mim. A Srta. Noe incumbiu-me de tarefas especiais. Ela me solicitava pequenos serviços.
 
Convidava-me para ir a sua casa depois da escola para me dar aulas de reforço sobre leitura e aritmética. Ela me desafiava a alcançar padrões cada vez mais altos.
 
Eu não queria desapontá-la por nada deste mundo. Certa vez, envolvi-me tanto com um dever de casa que fiquei acordado até 1h30 da madrugada para terminá-lo! Meu pai apareceu no hall e perguntou:
 
O que houve, filho? Você está doente?
 
— Não, estou fazendo meu dever de casa — respondi. Ele piscou e coçou os olhos para ter certeza de que estava acordado. Ele nunca me ouvira dizer tal coisa antes...
 
O que fez a diferença entre a quinta e a sexta séries?
 
O fato de alguém estar disposto a dar-me uma chance. Alguém se dispôs a acreditar em mim e me desafiou a ter expectativas mais amplas.
 
Aquilo foi um risco, porque não havia garantias de que eu mereceria a confiança da Srta. Noe.
 
Todos apreciam o bom trabalho de um mentor, principalmente quando seus esforços resultam em sucesso — um atleta famoso, um empresário próspero, um advogado brilhante, um comunicador de grande talento. Mas quantos de nós desejamos dar início a esse trabalho?






23.7.04

LÚCIFER
J. J. BENÍTEZ
CONTOS E LENDAS
 
 
Movido pela curiosidade, pus-me a caminho. E tentei encontrar Lúcifer.
 
Ao chegar no deserto, deparei com um eremita consumido pela fome e a sede.
 
- Conheces Lúcifer?
 
O eremita, assustado, exclamou:
 
- O Maligno tem forma de fonte. Suas águas são desejáveis, mas cuidado, peregrino, são somente uma miragem venenosíssima.
 
Depois entrei no templo das virgens sagradas.
 
- Conheceis Lúcifer?
 
E as sacerdotisas, muito espantadas, bradaram:
 
- O Maligno tem a forma de um bode e nos possui todas as noites.
 
Ao interrogar os doutores da Igreja, me responderam persignando-se:
 
- O Maligno é uma hidra de sete cabeças que devora os que se afastam de nossa santíssima proteção.
 
Fiz a mesma pergunta entre os negros que, espantados, responderam:
 
- Sem dúvida, o Maligno é o homem branco...
 
Mais adiante, encontrei um sábio.
 
- Conheces Lúcifer?
 
- O Maligno - exclamou com espanto o ancião - é um monstro de língua partida. Leva consigo a contradição.
 
Ao entardecer, já a ponto de abandonar tão inútil empreendimento, dei com um jovem de grande beleza.
 
- Conheces Lúcifer? - interroguei-o com desânimo.
 
- Sim, sou eu mesmo.
 
Desconcertado, não soube o que responder-lhe. E Lúcifer, percebendo minha confusão, advertiu-me:
 
- Por que te assombras? Só consultaste meus inimigos!






23.7.04

SEM MAIS QUESTÕES
DESCONHEÇO O AUTOR
CONTOS E LENDAS
 
 
Ao encontrar um mestre Zen em um evento social, um psiquiatra decidiu colocar-lhe uma questão que sempre esteve em sua mente:
 
"Exatamente como você ajuda as pessoas?" ele perguntou.
 
"Eu as alcanço naquele momento mais difícil, quando elas não tem mais nenhuma questão para perguntar," o mestre respondeu.






23.7.04

A CONVERSÃO DE UPALI
DESCONHEÇO O AUTOR
CONTOS E LENDAS
 
 
Upali era um dos principais seguidores leigos do mestre Jaina Mahavira, contemporâneo de Buddha. Devido a sua inteligência, Upali frequentemente aparecia em público para debater em prol do Jainismo.
 
Certa vez Upali, buscando esclarecer os princípios do pensamento Jaina, envolveu-se em um debate com o Buddha. Ao fim do debate, Upali ficou tão impressionado com os ensinamentos de Buddha que acabou por solicitar se tornar um seguidor do Iluminado: "Venerável Senhor, por favor aceitai-me como um vosso seguidor!" ele pediu.
 
Mas Buddha ponderou: "Upali, vós estais sob a influência de suas emoções. Voltai para o seio de seu mestre, e reconsidere cuidadosamente sua decisão antes de me solicitar vossa inclusão no Sangha novamente."
 
Upali ficou então ainda mais impressionado e disse,"Se fosse qualquer outro guru, terias com certeza convocado uma parada para anunciar: 'O maior dos discípulos leigos de Mahavira tornou-se o MEU seguidor!'. Mas vós, Venerável Senhor, me falastes sobre ponderação e cautela reflexiva, para que eu reconsidere o meu ato. Agora eu desejo ainda mais ser seu seguidor. Não me erguerei daqui até vós me aceitares."
 
Finalmente, Buddha concordou em aceitar Upali, sob uma condição: "Upali, como um Jaina, vós sempre destes proventos aos monges Jainistas. Quando vos tornares meu seguidor, vós irás continuar a dar-lhes apoio e proventos. Esta é minha condição."
 
Upali aceitou tal condição. Mais tarde ele tornou-se um dos principais discípulos de Buddha. Upali é considerado aquele que compilou os Vinaya, ou as regras para os monges.






23.7.04

DESCONHEÇO O AUTOR
TRADUÇÃO DE SERGIO BARROS
CONTOS E LENDAS
 
 
Alguns anos atrás, um pregador mudou-se para Houston, Texas.
 
Poucos dias depois que chegou, teve que ir de ônibus de sua casa até o centro da cidade.
 
Quando se sentou, descobriu ter recebido 25 centavos a mais no troco pelo que pagara pela passagem.
 
Considerando o que deveria fazer, ele pensou,
 
- É melhor devolver os 25 centavos. Seria errado mantê-lo.
 
Então ele pensou,
 
- Oh, esquece. Apenas 25 centavos.
 
Quem se preocuparia por quantia tão pequena?
 
Além do mais, a empresa de ônibus já tem bastante; nunca sentirão falta.
 
Aceite-o como um presente e fique quieto.
 
Quando chegou ao ponto onde desceria do ônibus, parou momentaneamente na porta, então entregou a moeda ao motorista e disse,
 
- Tome, você me deu troco a mais.
 
O motorista, com um sorriso, respondeu,
 
- Você não é o novo pregador?
 
Eu tenho pensado sobre ir lhe ouvir.
 
Eu queria apenas ver o que você faria se eu lhe desse troco a mais.
 
Quando nosso amigo saiu do ônibus, ele agarrou literalmente o poste mais próximo, e disse,
 
- Oh Deus, me perdoe!
 
Eu quase vendi seu filho por vinte e cinco centavos.






23.7.04

SEM DIFERENÇAS
DESCONHEÇO O AUTOR
CONTOS E LENDAS
 
 
Certo dia, um discípulo perguntou ao monge Pa-ling:
 
"Há alguma diferença entre o que disseram os patriarcas e o que está escrito nos Sutras sagrados?"
 
O sábio respondeu:
 
"Quando fica frio, os faisões empoleram-se nos galhos das árvores, e os patos mergulham sob a água..."






22.7.04

DESCONHEÇO O AUTOR
CONTOS E LENDAS
 
 
Há mais de dois mil e quinhentos anos, um rico mercador grego tinha um escravo chamado Esopo. Ele era corcunda, feio mas com uma sabedoria única no mundo.
 
Certa vez, para provar as qualidades de seu escravo, o mercador ordenou: 
 
-Toma, Esopo. Aqui está uma sacola cheia de moedas de ouro, corre ao mercado e compra o que há de melhor no mundo para um banquete.
 
Pouco tempo depois, Esopo voltou do mercado e colocou sobre a mesa um prato coberto por um fino pano de linho. O mercador levantou o paninho e ficou surpreso: - Ah, língua!
 
Mas por que escolheste exatamente a língua como a melhor comida do mundo? - O escravo de olhos baixos, explicou a sua escolha: - O que há de melhor do que a língua senhor?
 
A língua é que nos une a todos, quando falamos. Sem a língua não poderíamos nos entender. A língua é a chave da ciência, o órgão da verdade e da razão, graças a língua podemos dizer o nosso amor. A língua é o órgão do carinho, da ternura e da compreensão. Com a língua se ensina, com a língua dizemos "sim", com a língua dizemos " eu te amo!".
 
O que pode haver melhor do que a língua senhor?
 
O mercador levantou-se entusiasmado: - Muito bem, Esopo! - Realmente me trouxeste o que há de melhor. Toma agora esta outra sacola de moedas e traga o que há de pior, pois quero testar a sua sabedoria.
 
Depois de algum tempo, Esopo voltou do mercado trazendo um prato coberto pôr um pano. O mercador descobriu o prato e ficou indignado: - O quê? - Língua? Outra vez? Não disseste que a língua era o que havia de melhor?
 
E Esopo respondeu ao mercador: - A língua senhor é o que há de pior no mundo, é a fonte de todas as intrigas, o início de todos os processos, a mãe de todas as discussões... É a língua que separa a humanidade, que divide os povos, a língua é o órgão da mentira, da discórdia, da guerra. É a língua que insulta, que corrompe. Com a língua dizemos "não" e " eu te odeio!".
 
Aí está senhor por que ela é a pior e a melhor de todas as coisaS do mundo...
 
Como sempre, cabe decidirmos se usaremos ela para o bem ou para o mal.






22.7.04

UMA LENDA
DESCONHEÇO O AUTOR
CONTOS E LENDAS
 
 
Muito tempo atrás... depois do mundo ser criado e da vida completá-lo, houve num dia, numa tarde de céu azul e calor ameno, um encontro entre Deus e um de seus incontáveis anjos.
 
Deus estava sentado, calado, sob a sombra de um pé de jabuticaba. Lentamente, sem pecado, Deus erguia suas mãos, e então colhia uma ou outra fruta. Saboreava sua criação negra e adocicada. Fechava os olhos e pensava. Permitia-se um sorriso piedoso. Mantinha seu olhar complacente.
 
Foi então que das nuvens um de seus muitos arcanjos desceu e veio em sua direção. Já ouviu a voz de um anjo? É como o canto de mil baleias. É como o pranto de todas as crianças do mundo. É como o sussurro da brisa. Ele tinha asas lindas.... brancas, imaculadas. Ajoelhou-se aos pés de Deus e falou:
 
"Senhor... visitei sua criação como pediu. Fui a todos os cantos. Estive no sul, no norte. No leste e oeste. Vi e fiz parte de todas as coisas. Observei cada uma de suas crianças humanas. E por ter visto vim até o Senhor... para tentar entender. Por que? Por que cada uma das pessoas sobre a terra tem apenas uma asa? Nós anjos temos duas... podemos ir até o amor que o Senhor representa sempre que desejarmos. Podemos voar para a liberdade sempre que quisermos. Mas os humanos com sua única asa não podem voar. Não podem voar com apenas uma asa..."
 
Deus na brandura dos gestos, respondeu pacientemente ao seu anjo.
 
"Sim... eu sei disso. Sei que fiz os humanos com apenas uma asa..."
 
Intrigado, com a consciência absoluta de seu Senhor o anjo queria entender e perguntou:
 
"Mas por que o Senhor deu aos homens apenas uma asa quando são necessárias duas asas para poder-se voar... para poder-se ser livre?"
 
Conhecedor que era de todas as respostas, Deus não teve pressa para falar. Comeu outra jabuticaba, obscura e suave. E então respondeu...
 
"Eles podem voar sim meu anjo. Dei aos humanos apenas uma asa para que eles pudessem voar mais e melhor que Eu ou vocês, meus arcanjos... Para voar, meu amigo, você precisa de suas duas asas... Embora livre, sempre estará sozinho. Talvez da mesma maneira que Eu... Mas os humanos... os humanos com sua única asa precisarão sempre dar as mãos para alguém a fim de terem suas duas asas. Cada um deles tem na verdade um par de asas... uma outra asa em algum lugar do mundo que completa o par. Assim eles aprenderão a respeitarem-se pois ao quebrar a única asa de outra pessoa podem estar acabando com as suas próprias chances de voar. Assim meu anjo, eles aprenderão a amar verdadeiramente outra pessoa... aprenderão que somente permitindo-se amar eles poderão voar. Tocando a mão de outra pessoa em um abraço correto e afetuoso eles poderão encontrar a asa que lhes falta... e poderão finalmente voar. Somente através do amor irão chegar até onde estou... assim como você meu anjo. E eles nunca... nunca estarão sozinhos quando forem voar."
 
Deus silenciou em seu sorriso.
 
O anjo compreendeu o que não precisava ser dito.
 
E assim sendo, no fim desse conto, espero que um dia você encontre a sua outra asa, para finalmente poder voar.