Contos e Lendas: O DOCE SABOR DO MEL

28.7.04

O DOCE SABOR DO MEL
REVERENDO RICARDO MÁRIO GONÇALVES E REVERENDA YVONETTE SILVA GONÇALVES
CONTOS E LENDAS
 
 
Há muito tempo atrás, um condenado a morte estava na prisão, aguardando o dia de sua execução. Um dia, ele resolveu fugir e, com muita dificuldade, conseguiu realizar seu objetivo. O rei do país, então, mandou um grande elefante em sua perseguição. A lei daquele país determinava que os fugitivos da cadeia fossem esmagados por um elefante. O fugitivo, sabendo que o elefante vinha em sua perseguição, corria com todas as suas forças.
 
Entretanto, o passo do animal era muito rápido e o fugitivo percebeu que não conseguiria escapar. Foi então que ele viu um grande poço. O fugitivo ficou aliviado: percebeu que se tratava de um excelente esconderijo e tratou de se esconder no interior do mesmo. Por um breve instante sentiu-se salvo, mas ao dirigir seu olhar para o fundo do poço, percebeu que lá se encontrava uma enorme serpente com a goela aberta, pronta para engoli-lo se ele caísse lá embaixo. Assustado, o fugitivo olhou em torno de si e viu que quatro serpentes venenosas estavam enrodilhadas nos cantos do poço, prontas para desferir um bote fatal sobre ele. O fugitivo percebeu, então, que aquele poço estava longe de proporcionar a sonhada segurança.
 
Entretanto, não podia ele sair do mesmo, pois lá em cima permanecia o elefante alerta, pronto para esmagá-lo. O fugitivo sentiu que não tinha escapatória, mas, apostando na sorte pela última vez, agarrou-se a um cipó que crescia na parede do poço. Apavorado, segurava firmemente no cipó, seu último e frágil apoio. Foi então que ele percebeu a presença de dois ratinhos, um branco e um preto, que alternadamente iam roendo o cipó.
 
A cada roída o cipó ia ficando cada vez mais fino, a qualquer momento poderia rebentar e o homem cairia bem dentro da goela da serpente que o esperava lá embaixo.
 
O fugitivo sentiu que já estava morto. O pavor não o deixava um segundo sequer. Sentia ele que já estava no fim, que sua vida não valia mais nada. Foi então que, ao erguer os olhos para o alto, se deu conta de que uma frondosa árvore se erguia à beira do poço. Em um dos galhos da mesma havia uma colméia, da qual, a cada golpe de vento, caiam cinco gotas de mel bem dentro da boca aberta do homem. Aquele mel era realmente delicioso, sua doçura era comparável à do néctar, a sublime bebida dos deuses imortais. À medida que aquele mel delicioso refrescava sua garganta e aplacava sua sede, o fugitivo foi se esquecendo de sua situação. Chegou o momento em que ele perdeu totalmente a vontade de escapar daquele poço...