Contos e Lendas: 09/2004

30.9.04

ATENA
DESCONHEÇO O AUTOR
MITOLOGIA GRECO-ROMANA
MITOS E FOLCLORE
 
 
Deusa da Sabedoria, também chamada de Palas Atena. Filha de Zeus e de sua primeira mulher, Métis, deusa da Prudência.
 
Segundo a tradição, quando Métis estava grávida, Zeus a engoliu, por temer que seu filho viesse a destroná-lo. Mais tarde, atormentado por uma dor de cabeça, pediu a Hefaístos que lhe abrisse o crânio com uma machadada. De sua cabeça saiu Atena, armada e coberta com o elmo do Saber.
 
Uma deusa virgem, era chamada Parthenos ("a virgem"). Seu templo mais importante, o Partenon, estava em Atenas, que, de acordo com a lenda, tornou-se seu por ter dado de presente aos atenienses a árvore da oliveira. Atena era principalmente a deusa das cidades gregas, da indústria e das artes, e mais tarde, tornou-se a deusa da sabedoria. Era também deusa da guerra.
 
Atena foi forte defensora dos gregos na Guerra de Tróia. Depois da queda de Tróia, entretanto, os gregos não conseguiram respeitar a santidade de um templo de Atena em que a profetisa Cassandra procurou abrigo. Como castigo, tempestades enviadas pelo deus do mar, Posêidon, a pedido de Atena, destruiu a maioria dos navios gregos que retornavam de Tróia. Atena era também uma patrona das artes agrícolas e do artesanato feminino, especialmente a arte de tecer e fiar.
 
Entre seus presentes ao homem estavam a invenção do arado, a arte de domesticar animais, construção de navios e a confecção de sapatos. Ela freqüentemente era associada com pássaros, especialmente a coruja.






30.9.04

LAURO TREVISAN
CONTOS E LENDAS
 
 
Você acorda, pela manhã, escolhe a roupa, arruma os cabelos, verifica o calçado que vai melhor, talvez ponha a gravata combinando com o terno, ou a bolsa alinhando com o sapato e sai de casa dando atenção especial ao seu visual.
 
Tudo bem. Afinal, seu corpo é você e seu traje e aparência são seu cartão de visita.
 
Mas, não acha que seria também importante caprichar no visual do coração?
 
Não me refiro ao coração físico, mas no coração afetivo, o órgão do amor, da felicidade, da paz, da alegria, do entusiasmo e da fé.
 
Corpo bem apresentado e coração feio - destoa.
 
Corpo bem alimentado, com saboroso café matinal, e coração com fome de felicidade -  descompensação complicada.
 
Roupa elegante, bem combinada, e coração roto, em frangalhos -  contradição visível.
 
Arrume o coração, assim como arruma o visual -  e o mundo baterá palmas para você.
 
A roupa do coração é o astral positivo, o penteado é o sorriso, o calçado é a fé, a gravata é a auto-estima, a bolsa é a calma.
 
Não deixe de vestir a rigor o coração, pois, se este estiver desleixado, você não se sentirá bem e as pessoas não vão perceber o brilho dos seus cabelos e a beleza do seu rosto.
 
Prometa-se cuidar para que também seu coração esteja bem quando sai de casa.
 
Se tem o hábito de acordar irritado e sair de casa com mau humor, levará junto um coração depredado e dará má impressão às pessoas.
 
Se você é daqueles que fazem questão de ostentar grifes famosas, lembre-se que a felicidade é a grife de Deus e este é o ser mais famoso do universo.
 
Seja inteligente e coerente: dedique ao coração pelo menos o mesmo tempo que usa para ajeitar o visual externo.
 
Assim como o exterior revela o interior, o contrário também é verdadeiro.
 
Preste bem atenção aos efeitos da depressão: o rosto se torna lavado e endurecido; o corpo não reage bem; o caminhar é contido; os olhos não brilham; os lábios murcham.
 
Faz bem em caprichar para melhorar a aparência, afinal você não vive numa ilha.
 
Mas reflita, antes de tudo, sobre a estratégia mental, emocional e espiritual que usará para que o rosto se torna atraente, os olhos voltem a brilhar, o corpo mostre vigor e o caminhar tenha a  leveza das flores.
 
A palavra-pensamento é uma ordem  não questionada pelo cérebro e pelo corpo.
 
Faça a oração da alegria,  do amor e da felicidade.
 
Diga para si mesmo que este é seu melhor dia, porque está de bem com a vida, esbanjando alegria, irradiando energias positivas, acreditando que tudo dará certo.
 
Visualize as pessoas gostando de ver você e conclua dizendo que a bênção divina  iluminará seus passos.
 
Então, abra a porta da sua casa e saia para a vida.
 
A humanidade e o universo estarão sintonizados em você.
 






30.9.04

OSHO FALA SOBRE A VIDA
OSHO
CONTOS E LENDAS
 
 
1.- A vida é viver - Não é uma coisa, é um processo. Não existe forma de conhecer de conhecer o que é a vida, a não ser vivendo, estando vivo, fluindo, discorrendo com ela. Se buscas o significado da vida em algum dogma, numa determinada filosofia, numa teologia, fique certo de que perderás o que é a vida e seu significado. A vida não está te esperando em nenhum lugar, em nenhuma parte, está sucedendo-te. Não se encontra no futuro como uma meta a ser alcançada, está aqui e agora, neste mesmo momento, em teu respirar, na circulação do teu sangue, e nas batidas de teu coração. Qualquer coisa que sejas é tua vida e se te colocas a buscar significado em outra parte, tu a perderás.
 
2.-A vida é insegurança. A cada momento te diriges para uma insegurança maior. É um apostar. Nunca se sabe o que vai acontecer. E é belo que nunca se saiba. Se fosse prescindível, não valeria a pena viver a vida. Se tudo fosse como se gostaria que fosse e se tudo fosse uma certeza, não serias um homem, serias uma máquina. Só existem certezas e seguranças para as máquinas.
 
3.- A vida é um mistério; quanto mais a conheces, mais bela se torna. Chega um momento quando, de repente, começas a vivê-la, começas a fluir com ela.
 
4.- A vida não é uma tecnologia, nem uma ciência. A vida é uma arte,... tens que senti-la. É como caminhar numa corda bamba.
 
5.- A melhor forma de perder a vida é ter um certo controle sobre ela.
 
6.- Depende de ti. A vida em si mesma é um tela em branco, se converte em qualquer coisa que tu pintes nela. Podes pintar infelicidade, podes pintar felicidade. A escolha é tua. Esta liberdade é tua glória.
 
7.- Minha mensagem é muito simples: viva a vida tão perigosamente como te seja possível. Viva a vida totalmente, intensamente, apaixonadamente, porque a vida é o único Deus.
 
8.- Primeiro te converte num Zorba, numa flor desta terra e através dela chegue a capacidade de ser um Buddha, a flor de outro mundo. O outro mundo não está separado deste; o outro mundo não está contra este. O outro mundo está escondido neste. Este é somente uma manifestação do outro e o outro é a parte que se manifesta neste.
 
9.- Para mim, o primeiro fundamento da vida é a meditação. Todo o demais é secundário.
 
10.- A vida deve ser uma busca. Não um desejo, mas sim, uma busca; não uma ambição de converter-se nisto ou em outro, no presidente de um país ou num primeiro ministro, mas sim, uma busca para descobrir-se: "Quem sou eu?"
 
11.- A vida deverá ser uma celebração, um festival de luzes durante todo o ano. Somente então podes crescer, podes florescer. Transforma as coisas pequenas numa celebração.
 
12.- A vida não é um cárcere, não é um castigo. É uma recompensa que é dada somente àqueles que a tenham ganhado, aqueles que a merecem. Agora tens o direito de desfrutá-la. Seria um erro se não a desfrutasse-a. Irias contra a existência senão a embelezasse, se a deixares simplesmente como a encontrastes. Não deixá-la um pouco mais feliz, mais bela, mais flagrante.
 
13.- A vida consiste em explorar, em ir em direção ao desconhecido, em alcançar as estrelas! Seja corajoso e sacrifica tudo pela vida; nada vale mais que ela. Não sacrifiques tua vida por causa de pequenas coisas: dinheiro, segurança, estabilidade. Nada disso tem valor. Tens que viver tua própria vida tão intensamente como te seja possível, então, a alegria chega. Somente então, é possível uma desbordante felicidade. Aqueles que querem realmente viver tem que se defrontar com muitos riscos. Tem que adentrar-se mais e mais no desconhecido. Tem que aprender uma das lições mais fundamentais: que não existe casa, que a vida é um peregrinar sem princípio nem fim. Sim, existem lugares onde podes descansar, porém são simplesmente para passar a noite e a manhã seguinte tens que ir de novo. A vida é um contínuo movimento, nunca chega a nenhum final.
 
14.- Quanto mais profunda uma pessoa é em si mesma, mais madura. Quando alcança o centro de si mesma, de seu ser, alcança a maturidade perfeita. Para mim, "maturidade" é outro nome para "realização". Culminou-se o pleno desenvolvimento de seu potencial. O tens atualizado. A semente, traz consigo uma árdua viagem, até florescer. A maturidade carrega uma certa fragrância, acrescenta uma tremenda beleza para o individuo. Acrescenta-lhe inteligência, a inteligência mais aguda possível. Converte-lhe em puro amor. Sua atividade é amor, sua inatividade é amor. Sua vida é amor, sua morte é amor. És tão somente uma flor de amor.
 
15.- A vida em sua totalidade é uma grande piada cósmica. Não é um fenômeno sério; tomá-la seriamente seria perdê-la. É preciso compreendê-la através do riso. Não vou dar-te uma meta. Somente posso proporcionar-lhe uma direção, aberta - transbordando vida - e desconhecida - sempre surpreendente, imprescindível. Não vou te dar mapa algum. Somente vou te proporcionar uma grande paixão por descobrir as coisas. Sim, não necessitas de nenhum mapa; requer-se uma grande paixão. Logo te deixarei só. Então, te moverás por ti mesmo. Adentra-te no imenso, no infinito e, pouco a pouco, aprende a confiar nele. Abandona-te nas mãos da Vida.
 
16.- O conceito antigo do homem religioso é que ele está contra a vida. Ele condena esta vida, esta vida corrente; chama-a de mundana, profana, uma ilusão. Há censura. Eu estou tão profundamente enamorado da Vida que não posso censurá-la. Estou aqui para incrementar a possibilidade de senti-la.






30.9.04

ZEUS - JUPITER
AUTOR DESCONHECIDO
MITOLOGIA GREGA-ROMANA
MITOS E FOLCLORE
 
 
Zeus, como se sabe, foi o terceiro dos filhos de Cronos e Rea e o mais importante de todos. Já o seu nascimento foi crucial,por estar marcado pela luta entre a decisão da sua mãe de salvar-lhe a vida a todo custo, e a obsessão do pai por devorá-lo, para evitar, inuti mente, a profecia dos seus pais, os deuses Urano e Gêia, de que seria um dos seus próprios filhos quem terminaria por arrebatar- lhe o trono. A sucessão no reino dos céus já tinha conhecido episódios de luta e morte entre pais e filhos, apesar de estar nos seus inícios, no princípio mesmo da mitologia. Na segunda geração, o mesmo Cronos tinha-se levantado em armas, utilizando a ajuda dos seus irmãos rebeldes, os Ciclopes, para derrotar o seu pai. 
 
Uma vez lançado ao combate parricida, chegou a hora do confronto entre pai e filho e Cronos não tinha duvidado em humilhar o vencido, castrando implacavelmente o seu pai de um golpe certeiro com uma foice de pedernal. Naturalmente, o conselho do pai não foi em vão e Cronos decidiu terminar com os filhos que Rea lhe fosse dando, comendo os seus corpos para estar seguro de que eram eles os que desapareciam do divino horizonte.
 
Deglutidos por Cronos Héstia, Deméter e Hera, os três primeiros filhos do celestial casal, Rea pôs o recém-nascido Zeus nas mãos da sua mãe Gêia e esta levou o menino até um lugar seguro. Para despistar o acosso do marido, tomou uma pedra, que embrulhou como se se tratasse de um bebe, entregando o fardo a Cronos. Sem pensar duas vezes, este engoliu a pretendida criatura, mas o ardil não resultou, dado que Cronos continuou, após ter descoberto armadilha, procurando o filho que devia devorar pela sua segurança, para evitar ser derrotado no futuro por ele.
 

Depois de passar por Creta e pelo monte Egeu, o menino foi entregue a três ninfas, Adrasteia, Amalteia e Io, que se encarregaram dele e por elas foi criado. Amalteia encarregou-se de amamentá-lo, pessoalmente ou com a ajuda duma cabra, fato que não está muito claro, dado que o mito varia com os tempos e com os autores, mas é seguro que essa maternidade por delegação foi exemplar, e a prova está em que o seu filho de leite Zeus sempre recordou e honrou especialmente Amalteia.
 
O menino Zeus estava protegido pelas três ninfas, que o situaram num berço pendurado nos ramos de uma árvore; tal localização servia às mil maravilhas para ocultar a sua presença dado que, não estando nem na terra, nem no céu e nem nas águas do mar, dificilmente o seu obcecado pai poderia encontrá-lo, que tinha necessariamente que achá-lo nalgum desses três planos, de acordo com a tradição.
 
Mas as ninfas não estavam sozinhas; acompanhavam-nas outros filhos de Rea, os Curetes, que protegiam a vida do menino como guerreiros e, com o estrondo das suas armas e escudos, evitavam que se filtrasse o pranto da criatura, marcando a sua presença na cova de Dicte, o que teria estragado todo o complicado plano de segurança montado por Rea.
 
Cresceu o filho escondido até chegar a ser todo um gentil rapaz; mas o seu plano não era fazer-se um homem por sua conta, pois antes tinha que realizar a sua parte na tragédia, esse papel tão de deuses e heróis da lenda: o de vingador dos seus devorados irmãos. Com a ajuda de Rea, o bom moço entrou a serviço do pai, como empregado de confiança; no seu copo pôs a beberragem preparada para o deus déspota e infanticida e este vomitou a pedra que fingiu ser o seu corpo, e, atrás dela, os seus três irmãos.
 
Estavam todos os irmãos ressuscitados e reunidos e esse era o momento de fazer uma aliança para terminar com o poder de Cronos, Zeus devia chefiar a luta e, dado que tinha livrado tão bem a sua batalha, ele os conduziria contra o velho e odiado Cronos, que nomeou o gigante Atlas como chefe das suas forças. Dez anos teria de durar tão singular guerra; dez anos em que a vitória não parecia inclinar-se para nenhum dos bandos enfrentados.
 
Gêia, a Mãe-Terra, que já tinha sido essencial na operação de salvamento do menino Zeus, foi quem decidiu a sorte final. Comunicou a Zeus a chave estratégica: libertar Ciclopes e os gigantes da sua prisão do Tártaro. Os Ciclopes tinham sido prisioneiros no Tártaro, por rebeldia perante Urano e depois foram libertados por Cronos para lutarem ao seu lado na nova e definitiva batalha contra Urano. Após ganhar o combate, Cronos decidiu tirar da frente tão poderosos e tenazes aliados e voltou a arrojá-los à prisão sem esperança do Tártaro. Zeus, matando a carcereira Campe, apoderou-se das chaves e pôs em liberdade os três Ciclopes e os três gigantes dos cem braços, mas, além disso, recebeu de presente o raio, ao passo que o seu irmão Hades recolhia o elmo da invisibilida de e Possêidon o seu tridente. Com o elmo posto, o invisível Hades pôde chegar até Cronos, tirar-lhe as armas e esperar que se aproximasse Possêidon, ameaçador com o seu tridente. Quando Crono tratava de defender-se do fingido ataque de Possêidon, Zeus atacou com o raio e jogou Cronos ao chão. Por sua vez, os três gigantes dos cem braços lançaram-se contra os Titãs e o exército inimigo deu-se à fuga e o único resistente, Atlas, salvou a vida, mas ficou condenado a carregar todo o Universo sobre os seus ombros pelo resto da eternidade.
 
Finalmente, com o máximo Titã abandonando o cetro nas mãos dos seus filhos, terminada a cruel batalha, como qualquer luta sem tréguas entre pais e filhos, tinha-se cumprido a vingança contra o pai cruel, que era o fim procurado inevitavelmente pelos conjurados irmãos , e Zeus repartiu sem vacilar a glória e o poder com os seus irmãos, de maneira que ele ficou com o amplo campo dos céus, enquanto que o mar e o mundo subterrâneo passavam a ser os feudos indiscutíveis de Possêidon e Hades.
 
O deus dos céus não queria ter o poder total, senão a felicidade máxima, e agora que um triunvirato harmonioso e fraternal governava o mundo, tinha chegado o momento das outras páginas da vida legendária de Zeus, nas suas andanças de homem atraente e de deus tão alegre como incansável nas suas paixões.
 
Mas ainda é cedo para falar dos amores de Zeus. É um capítulo mais extenso, ao qual chegaremos depois de explicar a sua figura, com o aspecto que nos chegou trazido por escritores ou por representantes da pessoa humanizada do deus. Sabia-se forte e os escritores que lhe deram a palavra faziam-no gabar-se da sua força, mas não se preocupava tanto por ser o primeiro como manter a sua liberdade acima de outras considerações. Às vezes apresentava-se como a suprema lei , outras convertia-se em animal de aspecto pacífico para passar inadvertido e rematar a sua façanha. É o deus contraditório, grandioso e humanamente débil, por isso é o primeiro e indiscutível rei do Olimpo, a quem se perdoam as suas velhacarias perante os seus maiores ou as suas múltiplas consortes e parentes , ascendentes ou descendentes , para além das suas correrias com todas as donzelas que se queriam ocultar da sua divina paixão de amante.
 
Zeus sempre foi retratado de um modo favorável, não por casualidade, mas por próprios méritos. É um deus simpático, a quem resulta fácil adorar , e é muito mais fácil compreender que seja querido pelos artistas : é um deus encantador, forte, mas cheio de fraquezas em contraposição como muitos outros da sua categoria, mas do grupo que está situado no lado escuro do relato, no eterno papel de personagens temíveis, que representavam a ira, o castigo, a morte ou a dor. Zeus, pelo contrário, apesar de ser um deus do raio e o trovão, é grande pelo seu poder, mas adorável pela sua inclinação ao amor carnal, à paixão irregular na duração mas não na intensidade. É um ser poderoso e magnífico, mas que gosta de jogar limpo e em igualdade de condições (por assim dizer) com as mais belas mortais ou com as soberbas companheiras do Olimpo. Quando cai na tentação, Zeus trata de fugir da situação com certa dignidade e com muito mais humor, e tem que fazer isso repetidamente, à medida em que as suas egrégias esposas descobrem a infidelidade e percorrem os céus para tentar repreendê-lo ou jogar-lhe na cara o seu comportamento desleal e até grosseiro quando têm que enfurecer-se com ele pelos seus gostos tão terrenos.
 
Deus no céu e amante infatigável, desavergonhado e jogador na terra, Zeus é uma personalidade desejável. Com o pincel ou o cinzel, não cabe a menor dúvida de que o artista quis pôr na sua figura tudo o que de apetecível tem o seu grau e a sua lenda. Troando nas alturas ou amando em Creta , o deus é uma admirável forma de poder , a perfeita combinação de rei e amante , algo que os homens desejaram alcançar , ainda que só fosse em parte, ao longo dos séculos e dos milênios, sem conseguí-lo, porque é tarefa que pintaram especialmente para os deuses, e os deuses têm que ficar (por força) longe do alcance das consecuções humanas.
 
Com os romanos no leme da história, Zeus instalou-se no Império com o nome de Júpiter. Para estar à altura da imagem hegemônica do latino guerreiro vitorioso , Zeus subiu a uma carruagem , transformado num Júpiter condutor de quatro cavalos brancos, os mais airosos, poderosos e perfeitos do estábulo celestial. Era já o filho do devorador Saturno, o irmão vitorioso da guerra contra o malvado pai e os seus cúmplices, os Titãs, junto com o Netuno dos mares e o Plutão dos abismos. Como os romanos eram , sobretudo, práticos e utilitários , puseram este deus do raio e o trovão como patrão dos elementos e a ele se recorria para assegurar-se de que os meteoros não se chocassem contra os campos imperiais, de modo que a chuva chegasse a tempo e com a moderação necessária para o crescimento justo do grão, da fruta e da uva, e que o raio, a neve ou o granizo não saíssem do seu calendário sem pôr em perigo o trabalho dos piedosos e laboriosos agricultores romanos.
 
Como Zeus na Acrópole, Júpiter era o centro da vida na sua terra de adoção, presidindo no Foro romano a vida civil e religiosa do maior império que jamais existiu. A sua popularidade era incontestável, pois tinha todas as notas precisas para ser o primeiro, por ser galante e pela sua trajetória na Hélade natal. Com os avanços de Roma em novas terras, Júpiter foi abraçado para a sua causa -em legal casamento de Estado- com as deusas de primeira linha dos países conquistados ou aliados e ganhando de passagem as características mais destacadas e todas as melhores virtudes dos deuses assimilados pelo crescente poder da eclética máquina política e militar latina. Pouco a pouco, Júpiter reuniu os maiores tesouros físicos e as melhores qualidades de todos os panteões locais, rápida e inteligentemente assimilados pelos vencedores que queriam, mais do que vencer, convencer os novos súditos imperiais, demonstrando o seu apreço pelas religiões do lugar, que ficavam situadas à altura do seu primeiro deus. Com cada uma dessas uniões se incrementa o dote do deus, mas também a sua figura se ia tornando mais complexa, dado que devia assimilar os costumes e os laços familiares dos deuses absorvidos; talvez por isso, Júpiter redobre a sua fama de amante, convertendo-se no esposo legal ou ilegal de tantas deusas, ninfas ou semi-divindades, uniões que são simplesmente verdadeiros casamentos de Estado para contentar as freguesias locais de cada deus e melhorar a governabilidade do Império. Os romanos, práticos antes que outra coisa, tomam Júpiter como deus e como embaixador, e a combinação resulta muito eficaz..
 
Zeus, aborrecido no seu Olimpo eterno, deixa-se cair sobre donzelas apetecíveis, e fá-lo com imaginação e alegria, aparecendo como um cisne apaixonado e terno, como uma chuva de fino ouro ou como um brioso touro, para não nos estendermos demasiado. Os filhos havidos de tão raras uniões devem ficar classificados de maneira específica , para separá-los dos legítimos havidos dentro do quadro olímpico e legal. Para conhecer melhor Zeus / Júpiter , temos que estabelecer com ordem as suas múltiplas relações : teremos que ver o seu casamento com Leto ou Letona; outro com Deméter; mais outro com Hera, que era também, à parte de esposa, irmã do deus do céu; mais os celebrados com Maia e Dione. Mas não poderíamos esquecer os contatos havidos com Io, com Dânae, com Alcmena, com Egina, com Leda, com Europa, com Sêmele, com Antíope, com Calisto (que era bela ninfa, apesar do equívoco que possa despertar o seu nome entre nós), com Clímena, com Menalipa, com a sua filha Afrodite, com Juno, com Eurinome, com Nemosina, com Ceres, com a sua outra irmã Temis, etc. Em muitas ocasiões, como acabamos de comentar, estas uniões não nasciam do desejo do deus, mas da conveniência do Estado romano e o deus Júpiter tinha que dobrar-se a elas para congratular-se com os novos súditos incorporados ao Império, embora agora nos referiremos só aos amores clássicos, para dizê-lo de alguma forma. E, dado que falamos de casamentos ou outras românticas uniões, devemos dar uma mínima relação de filhos havidos, numerosos, e o emaranhado por complicações genealógicas. Zeus / Júpiter era um deus, por sobre todas as coisas, que teve muito poder e todo o tempo da eternidade para apaixonar-se repetidamente, mas também era homem desarmado quando as suas esposas legais o surpreendiam numa aventura e tinha que inventar desculpas e tentar sair do problema com a máxima dignidade, se isso era possível, ou escapar do sarilho familiar, sem que isso se possa classificar de jogo sujo, dado que não se escudava na sua divindade no momento (não por habitual menos complicada) de tentar sair airoso do transe doméstico.






30.9.04

AHÓ AHÓ
MITOLOGIA BRASILEIRA
MITOS E FOLCLORE
 
 
Era um grande animal de pêlo farto e veludoso.
 
Algumas vezes como uma ovelha, outras como um urso.
 
Persegue e devora indivíduos que se perdiam nas florestas.
 
Escapavam apenas os que subiam a uma palmeira, por ser esta a árvore sagrada do Calvário.
 
Se, entretanto, subisse em qualquer outra árvore o Ahó Ahó cavava junto às raízes até derrubar o vegetal; quando esta batia ao chão ele devorava a vítima.






29.9.04

PAULO COELHO
CONTOS E LENDAS
 
 
É muito fácil julgar os outros, quando não nos colocamos na mesma situação deles.
 
Um exemplo disto ocorreu no Congresso do Partido Comunista, quando Nikita Khruschev - para espanto do mundo - denunciou os crimes de Stalin.
 
Durante o discurso, alguém gritou:
 
-Onde estavas, camarada Khrushchev, enquanto os inocentes eram massacrados?
 
- Levante-se quem disse isto - pediu Khruschev.
 
Ninguém se mexeu.
 
-Seja você quem for, já respondeu à sua pergunta - continuou Khruschev. - Naquele momento, eu estava na mesma posição em que você está agora.






29.9.04

MITOS E FOLCLORE
 
 
O Curupira é o Deus protetor das matas. A floresta e todos que nela habitam estão sob sua vigilância. Por isso, antes das grandes tempestades, ouve-se bater nos troncos das árvores. É o Curupira verificando se elas podem resistir ao furacão, que se avizinha, para, em caso contrário, avisar os moradores da mata do perigo.
 
Descrevem o Curupira como um menino de cabelos vermelhos, corpo coberto de pelos e pés voltados para trás. O caçador deve Ter a prudência de matar apenas o indispensável às suas necessidades. Ai de quem mata por gosto, fazendo estragos inúteis; de quem atira em animais que estão para Ter crias; de quem despedaça cruelmente os filhotes! Para todos eles o Curupira é um inimigo terrível! Esses caçadores malvados são perseguidos, ludribiados e martirizados pelo pequenino deus.
 
Quando não morrem, ficam abobalhados para sempre. Nunca mais podem caçar!...
 
Os índios contam muitas histórias a respeito do Curupira. Eis uma delas:
 
Um dia o Curupira encontrou um caçador, que dormia, cansado, sob uma árvore. Acordou-o e pediu um pedaço do seu coração para matar sua fome. O índio, que havia morto um macaco, deu-lhe um pedaço do coração do animal. O Curupira comeu, gostou e pediu o resto. O caçador atendeu ao seu pedido, mas disse: - Deves, em paga, me dar um pedaço do teu coração.
 
O Curupira, certo de que o índio lhe havia dado o seu coração, sem nada sofrer, abriu com uma faca o próprio peito e caiu logo morto. O caçador, então, fugiu, correndo para sua maloca.
 
Um ano mais tarde, lembrou-se o índio de que o Curupira tinha os dentes verdes. E teve a idéia de fazer com os mesmos um belo colar. Por isso, voltou à mata, procurou e achou o esqueleto do Curupira. E começou a bater o crânio do mesmo de encontro a uma árvore, para ver se os dentes caíam.
 
Nesse momento o Curupira ressucitou. Agradeceu ao caçador de o ter desencantado e, para recompensá-lo, deu-lhe uma flecha mágica, com a qual ele seria o chefe de sua tribo. Mas o índio cometeu o erro de contar o segredo à sua mulher e, por isso, caiu morto no chão.






29.9.04

PAULO COELHO
CONTOS E LENDAS
 
 
Em praticamente todas as religiões e culturas, a tradição da hospitalidade está presente. Nos evangelhos, Jesus divide seus dons com homens e mulheres que o acolhem. Na tradição judaica, Lot é salvo ao acolher estrangeiros que depois se revelam anjos. No Islã, Mohammed (Maomé) diz: "maldita a sociedade que não aceita hóspedes".
 
Todos somos hóspedes deste mundo. Estamos aqui de passagem entre uma vida e outra - e não podemos carregar nada além de nossos bons gestos. A tradição da hospitalidade não pode morrer em nossas vidas, mesmo que exista - de vez em quando - gente que abusa de nosso teto e carinho. Sempre que acolhemos alguém, nos abrimos para a aventura e o mistério.






29.9.04

A PEDRA DE TOQUE
OSHO
CONTOS E LENDAS
 
 
Existe uma lenda que conta que, quando a grande biblioteca de Alexandria foi queimada, um livro foi salvo. Mas não era um livro de muito valor, por isso um homem pobre, que pouco sabia ler, comprou-o por uns tostões. O livro não era realmente muito bom, mas nele havia algo interessantíssimo. Era um tipo de pergaminho, no qual estava escrito o segredo da "pedra de toque".
 
A pedra de toque era uma pedrinha comum, que podia transformar qualquer metal em ouro puro. No pergaminho estava escrito que era encontrada nas praias do Mar Negro, misturada a outras milhares e milhares de pedras exatamente iguais a ela. Mas o segredo era este: a pedra real era quente, enquanto as outras eram frias. Então, o homem vendeu os seus poucos pertences, comprou alguns mantimentos e foi acampar na praia, onde começou a testar as pedras.
 
Esse era seu plano: ele sabia que se pegasse as pedras comuns e as jogasse de volta ao chão, poderia pegar a mesma pedra centenas de vezes. Então, quando pegava uma fria, ele a jogava ao mar.
 
Assim, passou uma semana, um mês, um ano, três anos... e o homem não encontrava a pedra de toque.
 
Mas, mesmo assim, ele continuava: pegava uma pedra, era fria, jogava-a no mar... e assim por diante. Imagine o homem fazendo isso por anos e anos: pegar uma pedra, senti-la fria, jogá-la no mar... de manhã até a noite, por anos e anos.
 
Mas, uma manhã, ele pegou uma pedra que estava quente, e jogou-a no mar. Ele criara o hábito de jogar as pedras no mar, vocês compreendem, e o hábito fez com que ele jogasse a pedra quente também, quando finalmente a encontrara.Pobre homem!
 
É assim que a mente funciona. A confiança é uma pedra de toque. Muito raramente você encontra alguém em quem você pode confiar. Muito raramente você encontra um coração quente, amoroso, no qual pode confiar. Normalmente, você encontra pedras que parecem a pedra de toque, quase iguais, mas São frias. Por anos, desde a infância, você pega uma pedra, sente-a fria, e a joga no mar.
 
Um dia é um fenômeno muito raro - , você encontra a verdadeira pedra de toque. Você a pega, sente que é quente, mas, mesmo assim, você a joga. Então, você irá chorar, sem saber como isso pôde acontecer. É um simples mecanismo. Desde a infância, você aprende a desconfiar. Você é educado de tal maneira que não pode confiar. A dúvida foi colocada bem fundo no seu ser. Na verdade, é uma medida de segurança: se não duvidar, não sobreviverá. Você tem que olhar o mundo com olhos hostis, como se todos fossem seus inimigos. Ninguém é quente, ninguém é uma pedra de toque. Você não pode confiar nem em seus pais. Aos poucos, a criança percebe que não existe ninguém em quem pode confiar. Os pais são muito contraditórios: dizem uma coisa e fazem outra. A criança sente-se confusa; é difícil para ela entender o que realmente a mãe quer. Na verdade, nem a própria mãe sabe. E, cada vez mais, a criança sente que é impossível confiar em alguém.






29.9.04

SALVANDO OS PEDAÇOS QUEBRADOS
ROBERT SCHULLER
TRADUÇÃO DE SERGIO BARROS
CONTOS E LENDAS
 
 
No palácio real de Teerã, no Irã, você pode ver um dos mais bonitos trabalhos em mosaico do mundo.
 
Os tetos e as paredes cintilam como diamantes com reflexos multi-facetados. Originalmente, quando o palácio foi projetado, o arquiteto especificou enormes folhas de espelhos para as paredes.
 
Quando o primeiro carregamento chegou de Paris, descobriram que os espelhos estavam todos quebrados. O empreiteiro mandou jogar tudo ao lixo e levou a triste notícia ao arquiteto.
 
Surpreendentemente, o arquiteto ordenou que todas as peças quebradas fossem recolhidas, quebradas em pedaços ainda menores e, então, coladas às paredes, transformando-se em um mosaico prateado e cintilante.
 
Quebrado para tornar-se belo!
 
É possível transformar cicatrizes em estrelas.
 
É possível ser melhor exatamente por ter se quebrado.
 
É extremamente raro encontrar nos grandes museus do mundo, objetos de antigüidade que estejam inteiros. Certamente, algumas das peças mais preciosas do mundo são apenas fragmentos que remanescem como um lembrete consagrado de um passado glorioso.
 
Jamais subestime o poder que Deus tem para reparar e restaurar.






28.9.04

DESCONHEÇO O AUTOR
CONTOS E LENDAS
 
 
Esta é a historia de um alpinista que sempre buscava superar mais e mais desafios. Ele resolveu, depois de muitos anos de preparação, escalar o Aconcágua.
 
Ele queria a glória somente para si. Resolveu então escalar sozinho sem nenhum companheiro, o que seria natural no caso de uma escalada dessa dificuldade.
 
Ele começou a subir e foi ficando cada vez mais tarde.
 
Porém ele não havia se preparado para acampar e resolveu seguir a escalada, decidido a atingir o topo. Escureceu, e a noite caiu como um breu nas alturas da montanha, e não era possível mais enxergar um palmo à frente do nariz, não se via absolutamente nada.
 
Tudo era escuridão, zero de visibilidade, não havia Lua e as estrelas estavam cobertas pelas nuvens.
 
Subindo por uma "parede", a apenas 100 metros do topo, ele escorregou e caiu... Caía a uma velocidade vertiginosa, somente conseguia ver as manchas que passavam cada vez mais rápidas na escuridão.
 
Sentia apenas uma terrível sensação de estar sendo sugado pela força da gravidade.
 
Ele continuava caindo e, nesses angustiantes momentos, passaram por sua mente todos os momentos felizes e tristes que ele já havia vivido em sua vida. De repente ele sentiu um puxão forte que quase o partiu pela metade ... shack! Como todo alpinista experimentado, havia cravado estacas de segurança com grampos a uma corda comprida que fixou em sua cintura.
 
Nesses momentos de silêncio, suspenso pelos ares na completa escuridão, não sobrou para ele nada além do que gritar:
 
- Oh, meu Deus! Me ajude! De repente uma voz grave e profunda respondeu: - O que você quer de Mim, meu filho? - Me salve, meu Deus, por favor! - Você realmente acredita que Eu possa te salvar?
 
- Eu tenho certeza, meu Deus.
 
- Então corte a corda que mantém você pendurado...Houve um momento de silêncio e reflexão.
 
O alpinista se agarrou mais ainda a corda e pensou que se largasse a corda morreria...Conta o pessoal de resgate que no dia seguinte encontraram um alpinista congelado, morto, agarrado com as duas mãos a uma corda ... ...a não mais de dois metros do chão.
 
E você...? Está segurando a corda...???
 
Morre lentamente quem não troca de idéias, não troca de discurso,  evita as próprias contradições.
 
Morre lentamente quem vira escravo do habito, repetindo todos os  dias o mesmo trajeto e as mesmas compras no supermercado.
 
Quem não  troca  de marca, não arrisca vestir uma cor nova, não da papo para quem não conhece.
 
Morre lentamente quem faz da TV o seu guru e seu parceiro diário. (Como pode 14 polegadas ocupar tanto espaço em uma vida?). ]
 
Morre lentamente quem evita uma paixão, quem prefere o "preto no  branco" e os "pingos nos is"a um turbilhão de emoções indomáveis, justamente as que resgatam brilho nos olhos, sorrisos e soluços, coração aos tropeços, sentimentos.
 
Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz no  trabalho, quem não arrisca o certo pelo incerto atrás de um sonho, quem  não  se permite, uma vez na vida, fugir dos conselhos sensatos.
 
Morre lentamente quem não viaja, quem não lê, quem não ouve musica,  quem não acha graça de si mesmo.
 
Morre lentamente quem destrói seu amor próprio,quem não se deixa  ajudar.
 
Morre lentamente quem passa os dias queixando-se a má sorte ou da  chuva incessante,  desistindo de um projeto antes de inicia-lo,não  perguntando sobre um assunto que  desconhece e não respondendo  quando lhe  indagam o que sabe.
 
Evitemos a morte em suaves prestações, lembrando sempre que estar vivo exige um esforço bem maior do que  simplesmente respirar !!!!






28.9.04

PAULO COELHO
DESCONHEÇO O AUTOR
 

A vida pede-nos constantemente: "participe!". A participação é necessária para a nossa alegria, mas também para a nossa protecção. Quem se omite diante das barbaridades que vê, está prestando serviço a força das trevas, e isto lhe será cobrado um dia.
 
Há momentos em que evitamos a luta, sob os mais diversos pretextos: serenidade, maturidade, senso de ridículo. Vemos a injustiça sendo feita a nosso próximo, e ficamos calados. "Não vou me meter à toa em brigas", é a explicação.
 
Isto não existe. Quem percorre um caminho espiritual, carrega consigo um código de honra a ser cumprido. A voz que clama contra o que está errado é sempre ouvida por Deus.
 
Se o nosso irmão não tem mais forças para reclamar, é nossa vez de fazê-lo por ele.






28.9.04

AMY TOOHILL
TRADUÇÃO: SERGIO BARROS
CONTOS E LENDAS
 
 
Ganhei de um amigo, há dois meses, um quebra-cabeças de 1.500 peças. Eu não montava um quebra-cabeça desde que era criança. É engraçado como nós deixamos de fazer certas coisas quando crescemos: quebra-cabeças, colorir, brincar com bonecas, pular corda, pique de esconder... Coisas que nos trouxeram tanta alegria quando criança, nós paramos de fazer quando alcançamos uma certa idade - é uma vergonha, não é?
 
Devo admitir, eu realmente aproveitei o quebra-cabeças. Embora muito frustrante às vezes, era um bom desafio. Cada vez que eu achava uma peça que se encaixava, era extremamente recompensador.
 
Bom, e daí?
 
Você já percebeu quantas semelhanças existem entre um quebra-cabeças e a vida?
 
Num quebra-cabeças, cada peça é parte muito importante no grande quadro. Na vida, são as pessoas e os acontecimentos as partes importantes. Como peças de um quebra-cabeças, cada um de nós é único, especial em seu próprio jeito. Embora semelhantes, não há dois iguais. Ironicamente, são nossas diferenças que nos fazem "encaixar".
 
Enquanto eu trabalhava no quebra-cabeças, havia uma peça que eu estava certa de pertencer à um ponto em particular. Mas não encaixava. Acabava voltando a ela tentando encaixa-la, me esquecendo que já havia tentado. Eu tinha meu pensamento focado no fato de que eu sentia que a peça era daquele espaço.
 
Penso em quantas vezes eu fiz a mesma coisa em minha vida. Tentando fazer acontecer coisas que simplesmente não era pra ser. Tentava várias vezes, chegava ao ponto de forçar, mas não era pra ser... e nada do que eu fiz mudou isso.
 
Se você já montou quebra-cabeças, sabe como é perder tempo procurando um pedaço específico. De repente parece tão obvio... mas eu não conseguia achar. Consegui foi embaralhar ainda mais as peças. Fiquei frustrada e decidi deixar pra lá e ficar longe dele. Quando voltei mais tarde, eu achei a peça imediatamente. Estava bem na minha frente desde o começo.
 
Minha vida foi assim muitas vezes. Tentava entender por que certas coisas aconteciam e do jeito que aconteciam. Procurava as respostas por todos os lados e às vezes as respostas estavam bem na minha frente. Era só dar uma paradinha, um pequeno passo atrás, respirar e acalmar que as respostas me encontravam.
 
Olhando as peças deste quebra-cabeças, eu penso nas "peças" de minha vida: minha família, meus amigos, acontecimentos, marcos e celebrações. Uma mistura de bom e ruim, alegria e lágrima, felicidade e tristeza.
 
Penso em todas as peças que imaginei sem importância e sem propósito. Reflito em todos as peças que em minha vida me fizeram perguntar... "Por que, meu Deus?"... "Por que isto?"
 
E repentinamente percebi que por causa dessas peças, outras peças se encaixaram tão bem.
 
Tudo em nosso vida acontece por uma razão. Cada acontecimento, bom ou mau, como uma peça do quebra-cabeças. Deixe uma peça de fora e se quebra a harmonia inteira do produto final.
 
Talvez ainda não possamos entender o papel importante de cada peça em nossa vida, ainda existem muitos buracos e o quadro ainda não está claro. Mas sei que quando minha viagem nesta vida estiver concluída, e a peça final estiver em seu lugar, eu entenderei. E serei capaz de ver o quadro completo e a beleza de cada peça.
 
Até lá, eu continuarei a viver com fé. Sabendo e confiando que todas as peças que eu preciso estão aí e que é só uma questão de tempo até que se encaixem bem. Lembrarei de que há um grande quadro, um plano para mim, e que sou incapaz de ver agora.
 
Acreditarei que cada peça em minha vida, mesmo as dolorosas, têm propósito e cumprem papel importante. E quando estiver fraca, procurarei força pela oração.
 
Farei isto até que a obra-prima de Deus em mim estiver finalmente completa, e Ele então cochichará...
 
"Muito bom! Está feito!".






28.9.04

PAULO COELHO
DESCONHEÇO O AUTOR
 
 
Colin Wilson, hoje um escritor consagrado, descreve sua tentativa de suicídio aos 16 anos: "Entrei no laboratório de química da escola, e peguei o vidro de veneno. Coloquei num copo diante de mim, olhei bastante, reparei na cor, e imaginei o possível gosto que teria. Então, aproximei o ácido de meu rosto, e senti seu cheiro; neste momento, minha mente deu um salto até o futuro - e eu podia senti-lo queimando a minha garganta, abrindo um buraco no meu estômago. A sensação dos danos causados pelo ácido era tão real, que parecia já tê-lo bebido. Foi então que tive certeza que não queria aquilo. Fiquei alguns momentos segurando o copo em minhas mãos, saboreando a possibilidade da morte, até pensar comigo mesmo: se sou valente para me matar, também sou valente para continuar vivendo".






28.9.04

PAULO COELHO
DESCONHEÇO O AUTOR
 
 
Estava com meu mestre, assistindo uma partida de xadrez num parque em San Diego, Califórnia. -"Seria mais fácil se a busca espiritual pudesse ter fórmulas como este jogo", eu comentei.
 
- "Sabe de onde vem a palavra fórmula?", perguntou ele rindo. "Vem do latim forma - o recipiente onde colocamos a massa para fazer um bolo. Já imaginou aprisionar Deus, o Universo, os anjos, a eternidade - tudo numa forma? Podemos inspirar-nos em exemplos. Mas seguir adiante imitando os passos , a fórmula, a forma dos outros é empobrecer a vida e matar o entusiasmo da Busca. O desafio é individual; pode ser mais difícil, mas é muito mais animado, rico e interessante."






27.9.04

PARÁBOLAS DOS TALENTOS E DAS MINAS
SÃO LUCAS (XIX, 11-27.)
CONTOS E LENDAS
 
 
"Ouvindo eles isto, prosseguiu Jesus e propôs uma parábola, visto estar ele perto de Jerusalém e pensaram eles que o Reino de Deus havia de manifestar-se imediatamente.
 
Disse, pois: Certo homem ilustre foi para um país longínquo, a fim de obter para si o governo e voltar.
 
Chamou dez servos seus, deu-lhes dez minas e disse-lhes: Negociai até eu voltar.
 
Mas os seus concidadãos o odiavam, e enviaram após ele uma embaixada, dizendo: Não queremos que este homem nos governe.
 
Quando ele voltou, depois de haver tomado posse do governo, mandou chamar os servos, a quem dera o dinheiro, a fim de saber como cada um havia negociado.
 
Apresentou-se o primeiro e disse: Senhor, a tua mina rendeu dez.
 
Respondeu-lhe o senhor: Muito bem servo bom, porque foste fiel no mínimo, terás autoridade sobre dez cidades.
 
Veio o segundo, dizendo: Senhor, a tua mina rendeu cinco. A este respondeu: Sê tu também sobre cinco cidades.
 
E veio outro dizendo: Senhor, eis a tua mina que tive guardada em um lenço; pois eu tinha medo de ti, porque és homem severo, tiras o que não puseste e ceifas o que não semeaste.
 
Respondeu-lhe: Servo mau, pela tua boca te julgarei. Sabias que sou homem severo, que tiro o que não pus e ceifo o que não semeei; por que, pois, não puseste meu dinheiro no banco? e então na minha vinda o teria exigido com juros.
 
E disse aos que estavam presentes: Tirai-lhe a mina e dai-a ao que tem as dez.
 
Responderam-lhe; Senhor, este já tem as dez.
 
Declaro-vos que a todo o que tem, dar-se-lhe-á; mas o que não tem, até aquilo que tem lhe será tirado.
 
Quanto, porém, a esses meus inimigos, que não quiseram que eu os governasse, trazei-os aqui e matai-os diante de mim".






27.9.04

GATO RITUAL - COMPLICANDO O QUE É SIMPLES
DESCONHEÇO O AUTOR
CONTOS E LENDAS
 
 
Quando um mestre espiritual e seus discípulos começavam sua meditação do anoitecer, o gato que vivia no Monastério fazia tanto barulho que os distraía.
 
Então o professor ordenou que o gato fosse amordaçado durante a prática noturna.
 
Anos depois, quando o mestre morreu, o gato continuou a ser amarrado durante a meditação.
 
E quando o gato eventualmente morreu, outro gato foi trazido para o Monastério e amarrado.
 
Séculos depois, quando todos os fatos do evento estavam perdidos no passado, praticantes intelectuais que estudavam os ensinamentos daquele mestre espiritual escreveram longos tratados escolásticos sobre a significância de se amordaçar um gato durante a prática da meditação...






27.9.04

PAULO COELHO
CONTOS E LENDAS
 
 
Dois ex-presos políticos argentinos se encontraram, depois de muitos anos sem qualquer contacto. Sentaram-se num bar na Av. de Maio e começaram a lembrar os anos negros da repressão, quando as pessoas sumiam sem deixar vestígio. A certa altura, um perguntou ao outro: - Quanto tempo você ficou preso? - Dois anos - foi a resposta. - Sofri torturas que nunca imaginei. Vi minha mulher sendo violentada na minha frente. Mas os responsáveis já foram presos e condenados. - Óptimo. E sua alma já os perdoou? - Claro que não! - Então, você ainda continua prisioneiro deles.






27.9.04

DESCONHEÇO O AUTOR
CONTOS E LENDAS
 
 
01. coma somente se tiver fome; durma somente se  tiver sono  e, em caso de dúvida, fique na sua e siga seu próprio nariz.
 
02. Abrace muito, beije mais ainda e ria , já que a vida é de graça.
 
03. Peça - sempre haverá alguém que lhe dará o que você está precisando.
 
04. Despeça-se do que já passou - quem vive de passado é museu.
 
05. Pare de se preocupar.
 
06. Perdoe-se por suas burrices e fracassos.
 
07. Reze para agradecer , nunca para pedir. Você já recebeu mais do que suficiente para crescer e ser feliz
 
08. Não perca tempo em discussões inúteis. Ao invés de brigar, cante uma canção do Legião Urbana, tome um banho frio ou vá dar uma volta de bicicleta no parque.
 
09. Desista de fazer a cabeça dos outros. Adote a filosofia do CAVALO  NA PARADA DE 7 DE SETEMBRO "andando e sendo aplaudido".
 
10. Cuide de si mesmo como se estivesse cuidando do seu melhor amigo.
 
 11. Expresse a sua individualidade. Tente parar de fumar, e faça ginástica três vezes/semana. Mude algo em si mesmo todos os dias. Abra-se com alguém.
 
12. Faça alguma coisa que sempre desejou fazer, que pode fazer, mas  que tinha vergonha.
 
13. Cometa erros novos.
 
14. Simplifique sua vida.
 
15. Deixe bagunçado.
 
16. Pare de frescura!!!
 
17. Acredite no AMOR
 
18. Nunca pense que o AMOR é uma "água morna"
 
19. Grandes amizades não se perdem em pequenas disputas. Se se perderem,  é porque não eram nem amizades, muito menos grande...
 
20. Leia o que está escrito, SEJA SEMPRE MUITO FELIZ !!!
 
Sabe que muitas vezes a felicidade de quem está do seu lado depende da sua felicidade.






27.9.04

PRESENTE DE INSULTOS
DESCONHEÇO O AUTOR
CONTOS E LENDAS
 
 
Certa vez existiu um grande guerreiro. Ainda que muito velho, ele ainda era capaz de derrotar qualquer desafiante. Sua reputação estendeu-se longe e amplamente através do país e muitos estudantes reuniam-se para estudar sob sua orientação.
 
Um dia um infame jovem guerreiro chegou à vila. Ele estava determinado a ser o primeiro homem a derrotar o grande mestre. Junto à sua força, ele possuía uma habilidade fantástica em perceber e explorar qualquer fraqueza em seu oponente, ofendendo-o até que a este perdesse a concentração. Ele esperaria então que seu oponente fizesse o primeiro movimento, e assim revelando sua fraqueza, e então atacaria com uma força impiedosa e velocidade de um raio. Ninguém jamais havia resistido em um duelo contra ele além do primeiro movimento.
 
Contra todas as advertências de seus preocupados estudantes, o velho mestre alegremente aceitou o desafio do jovem guerreiro. Quando os dois se posicionaram para a luta, o jovem guerreiro começou a lançar insultos ao velho mestre. Ele jogava terra e cuspia em sua face. Por horas ele verbalmente ofendeu o mestre com todo o tipo de insulto e maldição conhecidos pela humanidade. Mas o velho guerreiro meramente ficou parado ali, calmamente. Finalmente, o jovem guerreiro finalmente ficou exausto. Percebendo que tinha sido derrotado, ele fugiu vergonhosamente.
 
Um tanto desapontados por não terem visto seu mestre lutar contra o insolente, os estudantes aproximaram-se e lhe perguntaram:  "Como o senhor pôde suportar tantos insultos e indignidades? Como conseguiu derrotá-lo sem ao menos se mover?"
 
"Se alguém vem para lhe dar um presente e você não o aceita," o mestre replicou, "para quem retorna este presente?"






24.9.04

O CIUME
OSHO
CONTOS E LENDAS
 
 
Sempre que você fala de nossos defeitos e fraquezas, geralmente menciona a raiva, o sexo, o ciúme. 
 
A raiva e o sexo parecem bastante claros e diretos, mas há alguma confusão sobre o que é exatamente o ciúme, e é mais dificil chegar à raiz disso. 
 
Poderia nos falar sobre o ciúme ? 
 
Sim, falo mais sobre raiva e sexo, e menos sobre o ciúme, pois este não é uma coisa primária. é secundário.
 
O ciúme é uma parte secundária do sexo. 
 
Sempre que você tem um desejo sexual em sua mente, uma manifestação sexual em seu ser, ou se sente sexualmente atraído por alguém, o ciúme entra em cena porque você não está amando. 
 
Se você ama, o ciúme não aparece. 
 
Tente entender a coisa toda. Sempre que você está ligado sexualmente, fica com medo, pois, na verdade, o sexo não é um relacionamento, e, sim, uma exploração, uma utilização. 
 
Se você está apegado a uma mulher ou a um homem sexualmente, fica sempre com medo de que essa pessoa possa ir embora com outra. Não há um relacionamento real. 
 
É apenas uma exploração mútua. Vocês estão explorando um ao outro, mas não amam, e vocês sabem disso, por isso têm medo. 
 
Esse medo torna-se ciúme, e você começa a não permitir certas coisas.
 
Começa a vigiar. 
 
Toma todas as medidas de segurança para que o homem não possa olhar para outra mulher.
 
Só o olhar já é um sinal de perigo.
 
O homem não deve falar com outra mulher, pois falar...
 
E você sente medo de que ele possa ir embora. 
 
Então, você fecha todos os caminhos, todas as possibilidades de o homem ir com outra mulher, ou de a mulher ir com outro homem. Você fecha todos os caminhos, todas as portas. 
 
Mas aí surge um problema. 
 
Quando todas as portas são fechadas, o homem torna- se morto, a mulher torna- se morta, ambos tornam- se prisioneiros, escravos, e não se pode amar algo morto. 
 
Você não pode amar alguém que não é livre,  pois o amor só é belo quando é dado livremente, voluntariamente,  quando não é tomado, pedido, forçado. 
 
Primeiro você toma medidas de segurança.
 
Então a pessoa toma-se morta, como um objeto. 
 
Um amado ou amada podem ser pessoas, mas a esposa ou o marido tomam-se objetos para serem vigiados, possuídos, controlados. 
 
E quanto mais você controla, mais está matando, pois a liberdade é perdida. 
 
E a outra pessoa pode ficar ali por outras razões, mas não por amor , pois como você pode amar alguém que o possui?
 
Você sente que essa pessoa é um inimigo. 
 
O sexo cria o ciúme, que é secundário.
 
Portanto, a questão não é como eliminar o ciúme.
 
Você não pode eliminá-lo, pois não pode eliminar o sexo. 
 
A questão é como transformar o sexo em amor.
 
Então, o ciúme desaparece. 
 
Se você ama uma pessoa, o próprio amor é garantia e segurança suficiente.
 
Se você ama uma pessoa, sabe que ela não pode ir com ninguém. 
 
E se ela for, foi.
 
Nada pode ser feito.
 
O que você pode fazer? Pode matar a pessoa... mas uma pessoa morta não serve para muita coisa. 
 
Quando você ama alguém, confia que ele não vai embora com ninguém. 
 
Se ele vai, é porque não há mais amor, e nada pode ser feito. 
 
O amor traz essa compreensão. Não há ciúme. 
 
Portanto, se há ciúme, saiba que não há amor. 
 
Você está fazendo um jogo; está escondendo o sexo atrás do amor.
 
O amor é apenas uma fachada; a realidade é o sexo. 
 
Na Índia, como o amor não é permitido absolutamente, os casamentos são arranjados e existe um tremendo ciúme.
 
O marido e a esposa nunca se amaram, estão sempre com medo, e sabem que tudo é um acordo, um arranjo.
 
Eles foram arranjados pelos pais, pelos astrólogos, eles foram arranjados pela sociedade. A esposa e o marido nunca foram consultados.
 
Em muitos casos, eles nem se conhecem, nunca se viram.
 
Então existe medo.
 
A esposa tem medo, o marido tem medo, e ambos ficam se espionando. Qualquer possibilidade de amor é perdida. 
 
Como o amor pode crescer no medo? O casal pode viver junto, mas isso não é realmente viver junto. Os dois apenas se toleram juntos, tentam levar a vida juntos, de alguma forma. 
 
É algo utilitário.
 
E, a partir daí, pode-se dar um jeito nas coisas, mas o êxtase não é possível.
 
Você não pode celebrar e festejar.
 
O casamento torna-se um peso a ser carregado. 
 
Assim, o marido está morto antes de morrer, e a mulher está morta antes de morrer . 
 
São duas pessoas mortas, vingando-se uma da outra, pois cada uma pensa que a outra a matou. 
 
Vingança, ódio, ciúme - e tudo torna-se muito feio. 
 
No Ocidente, um tipo diferente de fenômeno está acontecendo, mas que, no fundo, é o mesmo que no Oriente, só que no outro extremo. 
 
O casamento arranjado foi eliminado, e isso é bom.
 
Não é uma instituição que valha a pena conservar. 
 
Mas ao eliminá-la, o amor não surgiu. Apenas o sexo tomou-se livre.
 
E quando o sexo é livre, você está sempre com mêdo, pois é um arranjo temporário.
 
Você está com uma mulher hoje. Amanhã ela pode estar com outra pessoa, e ontem estava com outra, ainda. Apenas esta noite ela está com você. 
 
Como esse relacionamento pode ser íntimo e profundo?
 
Pode ser apenas um encontro de superfícies. 
 
Não se pode penetrar um no outro, pois isso requer amadurecimento, requer tempo. 
 
Requer profundidade, intimidade, um viver junto, um estar junto. Um longo tempo é necessário. 
 
Então as profundezas de cada um se abrem, e podem dialogar... 
 
Mas o que acontece normalmente é apenas um conhecimento superficial. 
 
No Ocidente, você pode encontrar uma mulher no trem, fazer amor, e deixá-la em qualquer estação. Ela não se importa, pode não vê-lo nunca mais, pode nem saber o seu nome. 
 
Se o sexo torna-se uma coisa tão trivial, apenas um assunto do corpo, onde superfícies se encontram e se separam, sua profundeza permanece intocada. 
 
E você está perdendo algo - algo importante e muito misterioso - pois você toma consciência de sua Própria profundeza apenas quando alguém o toca. 
 
Somente através do outro você se toma consciente do seu ser interior. 
 
Apenas num relacionamento profundo o amor de alguém ressoa em você, e dá vida à sua profundeza. 
 
Somente através do outro você descobre a si mesmo. 
 
Existem dois meios de se descobrir: um é a meditação - sem ninguém, você busca suas profundezas. 
 
O outro é o amor - com alguém, você busca suas profundezas. 
 
A outra pessoa se toma a raiz, a causa para você penetrar em si mesmo.
 
O outro cria um círculo.
 
E os dois amantes ajudam um ao outro.
 
Quanto mais profundo o amor, mais os amantes se sentem profundos. Seus seres interiores se revelam. 
 
Mas então não há ciúme. 
 
O amor não pode ser ciumento.
 
É impossível. 
 
O amor é sempre confiante. 
 
E se algo acontece que vem quebrar sua confiança, você tem de aceitar. 
 
Nada pode ser feito a esse respeito, pois qualquer coisa que você faça irá destruir o outro. E alguém que realmente ama o outro, é incapaz de destruí-lo.
 
A confiança não pode ser forçada. O ciúme tenta forçá-la. 
 
O ciúme tenta obrigar você a fazer todo o esforço para que a confiança seja mantida. 
 
Mas a confiança não é algo para ser mantido.
 
Ela existe ou não existe. 
 
E eu digo que nada pode ser feito a esse respeito.
 
Se existe, você pode ir adiante; se não existe, é melhor separar-se da outra pessoa. 
 
Não lute,  pois estará perdendo o seu tempo, a sua vida. 
 
Se você ama alguém, e há um encontro profundo dos dois seres, isso é bom e belo. 
 
Mas se esse encontro não está acontecendo, separem- se. 
 
E não crie nenhum conflito ou luta por causa disso, pois nada será conseguido através de luta, e seu tempo será perdido, e sua capacidade de amar prejudicada. 
 
Você poderá repetir tudo de novo com outra pessoa. 
 
Se não há confiança, separem-se. E quanto mais cedo, melhor. Para que você não se destrua, não se prejudique.
 
E sua capacidade de amar permaneça viva e fresca, e você possa amar outra pessoa. 
 
Se esse não é o momento, se esse homem ou essa mulher não servem para você, separem-se, mas não se destruam mutuamente. 
 
A vida é muito curta e as possibilidades são muito precárias.
 
Podem ser destruídas.
 
E, uma vez danificadas, não há como repará-las. 
 
No que diz respeito ao amor , tanto ainda tem de ser feito por todos e tão pouco tempo resta para fazê-lo.
 
Não desperdice sua energia com lutas, ciúmes, conflitos.
 
Separe-se, e faça isso de uma forma amigável. 
 
Procure em outro lugar, procure uma pessoa que irá amar você.
 
Não fique preso à pessoa errada, que não lhe serve.
 
Não fique com raiva.
 
Isso não adianta nada. 
 
E não tente forçar uma confiança. 
 
Ninguém pode forçá-la; isso nunca acontece.
 
Você perderá tempo e energia e talvez acorde quando nada mais puder ser feito. Separe-se. 
 
Ou confie, ou vá embora. 
 
O amor sempre confia.
 
E se ele acha que a confiança não é mais possível, ele simplesmente vai embora de uma forma amigável.
 
Não há conflito nem luta. O sexo cria o ciúme.
 
Encontre, descubra o amor.
 
Não faça do sexo a coisa básica. Ele não é a coisa básica. 
 
A Índia perdeu muito com os casamentos arranjados.
 
O Ocidente está perdendo com o amor livre. 
 
A Índia perdeu o amor, porque os pais eram muito calculistas e interesseiros. 
 
Não permitiam que seus filhos se apaixonassem.
 
Isso é perigoso; ninguém sabe aonde pode levar.... 
 
Eles eram muito astutos e, por causa da astúcia,  a India perdeu toda a possibilidade de amor. 
 
No Ocidente, eles são muito rebeldes, muito jovens; não são astutos e, sim, infantis. 
 
Fizeram do sexo algo gratuito, disponível em qualquer lugar:
 
Não há necessidade de ir fundo para descobrir o amor; goze o sexo e fique por aí mesmo. 
 
Por causa do sexo, o Ocidente está perdendo.
 
Por causa do casamento interesseiro, o Oriente perdeu. 
 
Mas, se você está alerta, não precisa ser oriental, nem ocidental. 
 
O amor não é oriental, nem ocidental. 
 
Tente descobrir o amor dentro de você. 
 
O amor é um estado de ser. Seja amoroso. Torne-se amoroso.
 
E se você amar, mais cedo ou mais tarde aparecerá uma pessoa para você, pois um coração amoroso acaba encontrando outro coração amoroso. 
 
Isso sempre acontece. 
 
Você encontrará a pessoa certa. 
 
Mas se você for ciumento, não encontrará; se você só quer sexo, não encontrará; se quer apenas segurança, não encontrará. 
 
O tornar-se amoroso é um caminho perigoso... e só os que têm preparo e coragem podem trilhá-lo. 
 
E eu digo o mesmo para o caminho da meditação - ele é só para os corajosos. 
 
E há apenas dois caminhos para se chegar ao Divino: meditação e amor. 
 
Descubra qual é o seu caminho, qual pode ser o seu destino.                                                






24.9.04

25 DICAS PARA SER MAIS FELIZ...
MIGUEL ZACARIAS NETO
CONTOS E LENDAS
 
 
01 - Seja ético.
A vitória que vale a pena é a que aumenta sua dignidade e reafirma valores profundos. Pisar nos outros para subir desperta desejo de vingança.
 
02 - Estude sempre e muito.
A glória pertence àqueles que têm um trabalho especial para oferecer.
 
03 - Acredite sempre no amor.
Não fomos feitos para a solidão. Se você está sofrendo por amor, está com a pessoa errada ou amando de uma forma ruim para você. Caso tenha se separado, curta a dor, mas se abra para outro amor.
 
04 - Seja grato (a) a quem participa de suas conquistas.
O verdadeiro campeão sabe que as vitórias são alimentadas pelo trabalho em equipe. Agradecer é a melhor maneira de deixar os outros motivados.
 
05 - Eleve suas expectativas.
Pessoas com sonhos grandes obtêm energia para crescer. Os perdedores dizem: "Isso não é para nós". Os vencedores pensam em como realizar seu objetivo.
 
06 - Curta muito a sua companhia.
Casamento dá certo para quem não é dependente.
 
07 - Tenha metas claras.
A História da Humanidade é cheia de vidas desperdiçadas: amores que não geram relações enriquecedoras, talentos que não levam carreiras ao sucesso,etc. Ter objetivos evita desperdícios de tempo, energia e dinheiro.
 
08 - Cuide bem do seu corpo.
Alimentação, sono e exercício são fundamentais para uma vida saudável. Seu corpo é seu templo. Gostar da gente deixa as portas abertas para os outros gostarem também.
 
09 - Declare o seu amor.
Cada vez mais devemos exercer o nosso direito de buscar o que queremos (sobretudo no amor). Mas atenção: elegância e bom senso são fundamentais.
 
10 - Amplie seus relacionamentos profissionais.
Os amigos são a melhor referência em crises e a melhor fonte de oportunidades na expansão. Ter bons contatos é essencial em momentos decisivos.
 
11 - Seja simples.
Retire da sua vida tudo o que lhe dá trabalho e preocupação desnecessários.
 
12 - Não imite o modelo masculino do sucesso.
Os homens fizeram sucesso a custa de solidão e da restrição aos sentimentos. O preço tem sido alto: infartos e suicídios. Sem dúvida, temos mais a aprender com as mulheres do que elas conosco. Preserve a sensibilidade feminina - é mais natural e mais criativa.
 
13 - Tenha um orientador.
Viver sem é decidir na neblina, sabendo que o resultado só será conhecido, quando pouco resta a fazer. Procure alguém de confiança, de preferência mais experiente e mais bem sucedido, pra lhe orientar nas decisões, caso precise.
 
14 - Jogue fora o vício da preocupação.
Viver tenso e estressado está virando moda. Parece que ser competente e estar de bem com a vida são coisas incompatíveis. Bobagem...Defina suas metas, conquiste-as e deixe as neuras para quem gosta delas.
 
15 - O amor é um jogo cooperativo.
Se vocês estão juntos é para jogar no mesmo time.
 
16 - Tenha amigos vencedores.
Aproxime-se de pessoas com alegria de viver.
 
17 - Diga adeus a quem não o (a) merece.
Alimentar relacionamentos, que só trazem sofrimento é masoquismo, é atrapalhar sua vida. Se você estiver com um marido/mulher que não esteja compartilhando, empreste, venda, alugue, doe... e deixe o espaço livre para um novo amor.
 
18 - Resolva!
A mulher/homem do milênio vai limpar de sua vida as situações e os problemas desnecessários.
 
19 - Aceite o ritmo do amor.
Assim como ninguém vai empolgadíssimo todos os dias para o trabalho, ninguém está sempre no auge da paixão. Cobrar de si e do outro, viver nas nuvens é o começo de muita frustração.
 
20 - Celebre as vitórias.
Compartilhe o sucesso, mesmo as pequenas conquistas, com pessoas queridas. Grite, Sorria, encha-se de energia para os desafios seguintes.
 
21 - Perdoe!
Se você quer continuar com uma pessoa, esqueça o passado para viver feliz. Todo mundo erra, a gente também.
 
22 - Arrisque!
O amor não é para covardes. Quem fica a noite em casa sozinho, só terá que decidir que pizza pedir. E o único risco será o de engordar.
 
23 - Tenha uma vida espiritual!
Conversar com Deus é o máximo, especialmente para agradecer. Reze antes de dormir. Faz bem ao sono e a alma. Oração e meditação são fontes de inspiração.
 
24 - Muita paz.
Aprender a olhar para as pequenas coisas, como o voar de pássaro, a brisa.
 
25- Harmonia e amor... sempre.