Contos e Lendas: BOITATÁ

13.10.04

J SIMOES NETO
MITOLOGIA BRASILEIRA
MITOS E FOLCLORE
 
 
Boitatá ou mboitatá ou mboi-tatá
 
Gênio protetor dos campos.
 
É uma cobra-de-fogo (boia = cobra + atatá = fogo), que vaga pelos campos, protegendo-os contra aqueles que os incendeiam.
 
Serpente transparente que incandescia como se estivesse queimando por dentro.
 
O padre José de Anchieta, em 1560, é o primeiro a mencionar a boitatá como personagem do mito indígena brasileiro.
 
Esse é o nome dado pelos índios ao fogo fátuo.
 
É um fogo de cor azul-amarelado, que não queima o mato seco e nem tampouco esquenta a água dos rios, o fogo simplesmente rola, gira, corre, arrebentando-se e finalmente apagando-se.
 
...Quem encontra a boitatá pode até ficar cego... Quando alguém topa com ela só tem dois meios de se livrar: ou ficar parado, muito quieto, de olhos fechados apertado e sem respirar, até ir-se ela embora, ou, se anda a cavalo, desenrodilhar o laço, fazer uma armada grande e atirar-lha por cima, e tocar a galope, trazendo o laço de arrasto, todo solto, até a ilhapa! 
 
É a versão brasileira do mito do fogo-fátuo ou de saltelmo existente em quase todas as culturas.
 
Às vezes, transformava-se em grosso madeiro em brasa que fazia morrer, por combustão, aquele que queima inutilmente os campos.
 
É um mito dos mais antigos e quase totalmente de origem indígena.
 
O mito do Boitatá recebe, no Nordeste, a denominação de fogo-corredor, baitatá, jã-de-la-foice (Sergipe).