Contos e Lendas: 11/2004

30.11.04

TAN
DESCONHEÇO O AUTOR
MITOS DA CHINA
MITOLOGIA E FOLCLORE
 
Significa "caminho", "via".
 
É um princípio guiador de tudo quanto existe e do universo inteiro. Pelo "tan" há verdade, e sabedoria, e harmonia






30.11.04

NEGRINHO DO PASTOREIO
DESCONHEÇO O AUTOR
MITOS DO BRASIL
MITOLOGIA E FOLCLORE
 
 
Na tradição gaúcha, uma espécie de anjo bom, ao qual se recorre para achar objetos perdidos ou conseguir graças. É o negrinho escravo que o dono da estância pune injustamente, açoitando-o e depois amarrando-o sobre um formigueiro.
 
Mas seu corpo aparece intacto no dia seguinte, como se não tivesse sofrido nenhuma picada , e sua alma passa a vaguear pelos pampas. 
 
Era um negrinho assinzinho, humilde e raquítico, escravo de um estancieiro rico e muito avaro. Este e seu filho eram perversos e maltratavam o menino desde o levantar até noite dentro, às vezes, sem dar-lhe trégua.
 
Certa vez fôra encarregado de pastorear trinta fogosos tordilhos durante trinta dias, sem descanso.
 
Cansado; sem mais poder dar um passo, recostou-se. Mal adormecera, ladrões dispersaram a cavalhada e tocaram-na para outras bandas. E o negrinho perdeu o pastoreio.
 
Chegando em casa quase morto de fome e de fadiga, ao anunciar tal insucesso, fôra barbaramente espancado e pisado pelo senhor, que o mandou de volta para campear o rebanho perdido.
 
Corre aqui, corre acolá, depois de algumas jornadas encontrou ele os tordilhos. Entregou-os ao velho estancieiro, pensando que desta vez seria recompensado. Mas, qual não foi a sua surpresa: o malvado do filho do senhor espantou de novo o rebanho só para vê-lo penar.
 
Furioso como uma fera, o estancieiro surrou-o, surrou de relho a mais não poder. Vendo que o pretinho desfalecera esvaindo-se numa poça de sangue, mesmo assim não se conteve; carregou-o e enterrou-o num formigueiro.
 
Passaram-se três dias e três noites. Na manhã do quarto dia, o algoz foi ver a cova em que jazia o pobre negrinho, e qual não foi o seu espanto? Ali estava o menino de pé, sereno, a olhar com uma fisionomia sobrehumana, no meio da tropa dos tordilhos negros. E o cruel senhor quase não acreditando no que via, meio amedrontado, meio arrependido, caiu de joelhos pedindo perdão ao seu humilde escravo.
 
Dizem, aqueles que habitam os velhos rincões do Rio Grande do Sul, que o negrinho do pastoreio anda errante pelos campos, qual gênio benfazejo, ajudando a todos quantos perdem a sua rês. Ê só acender-lhe uma vela e pronto.
 
Muitos dizem que nas noites escuras de inverno, no meio do sibilar do vento, ouvem às vezes, a sua voz pastoreando.






30.11.04

GRAÇAS OU CÁRITES
GEORGES HACQUARD
MITOS DA GRECIA E ROMA
MITOLOGIA E FOLCLORE
 
 
Três deusas da alegria, charme e beleza. As filhas de Zeus e da ninfa Eurínome. Chamavam-se Aglaia (o Esplendor), Eufrosina (a Alegria) e Tália (a Floração).
 
As Graças presidiam sobre os banquetes, danças e todos os outros eventos sociais agradáveis, trazendo alegria e boa vontade tanto para os deuses quanto para os mortais. Eram as auxiliares especiais das divindades do amor, Afrodite e Eros, e junto com as Musas, cantavam aos deuses no Monte Olimpo, dançado linda músicas que Apolo produzia em sua lira.

Em algumas lendas Aglaia casou-se com Efaístos, o artesão dos deuses. Seu casamento explica a tradicional associação das Graças com as artes; como as Musas, acreditava-se que elas davam o dom aos artistas e poetas para a criação de lindos trabalhos de arte. As Graças raramente eram tratadas como indivíduos, mas sempre como uma espécie de encarnação tripla de graça e beleza. Na arte elas normalmente são representados como jovens virgens dançando num círculo.
 
Apresentadas como filhas de Hélio, o Sol, ou de Zeus, as três "Graças" (é este o sentido da palavra Cárites) são tradicionalmente chamadas: Agiaia (a Brilhante), Tália (aquela que faz florescer) e Eufrósina (aquela que alegra o coração), traduzindo assim o seu papel activo e benéfico no funcionamento da natureza.
 
Elas residem no Olimpo e fazem parte do cortejo de Afrodite a quem prestam todos os cuidados, velando pela sua toilette e pelos seus prazeres. As Cárites também acompanham, muitas vezes, Atena no exercício das suas atribuições pacíficas (trabalhos artísticos e operações espirituais). Elas formam, igualmente, com as Musas, o cortejo de Apolo, na sua qualidade de deus da poesia e da música.
 
Vemos geralmente as Cárites representadas, depois do séc. iv a. C., como um grupo de três jovens, nuas, duas delas viradas para a terceira e agarrando-se pelos ombros.






30.11.04

CHIMBUI
FRANZ KREUTER PEREIRA
MITOS DO BRASIL - AMAZONIA
MITOLOGIA E FOLCLORE
 
 
O mito do chimbuí guarda certa similitude com outros mitos, como o do boto.
 
Ele também pode se transformar em gente e engravidar as donzelas incautas que se banham nos rios e igarapés.
 
Segundo a lenda, qdo aparece uma onda em rio calmo, é o chimbuí que, invisível, vem engravidar uma donzela.
 
O chimbuí costuma velar o sono daquela que carrega no ventre o seu filho, mas desaparece qdo a futura mãe acorda.






30.11.04

DANU OU DANNA
DESCONHEÇO O AUTOR
MITOS DA IRLANDA
MITOLOGIA E FOLCLORE
 
 
Deusa provavelmente o mesmo como Anu, Mãe dos Deuses, Grande Mãe, Deusa Lua, Patrona dos Magos, rios, água, prosperidade e abundância.






29.11.04

ZUMBI DE CAVALO
DESCONHEÇO O AUTOR
MITOS DO BRASIL - ALAGOAS
MITOLOGIA E FOLCLORE
 
 
Alma de cavalo ou fantasma que vaga pela noite, segundo lenda afro-brasileira.
 
Alma dos cavalos mortos que ficam nas estradas fazendo assombrações






29.11.04

SELENE
DESCONHEÇO O AUTOR
MITOS DA GRECIA E ROMA
MITOLOGIA E FOLCLORE
 
Deusa da Lua, irmã de Helios e Éos, da família dos Titãs. Era uma linda deusa, de braços brancos, com longas asas, que percorria o céu sobre um carro para levar aos homens a sua plácida luz. Amou Endimião e foi, posteriormente, identificada com Ártemis.
 
Filha dos Titãs Hiperíon e Téia, e irmã de Hélios, deus do sol. Selene se apaixonou pelo belo jovem Endimião, o qual ela embalava num sono eterno de  modo que ele nunca podia sair dele.
 
Na arte, Selene é representada guiando uma carruagem puxada por dois cavalos, ou às vezes, por dois bois.
 
Adeusa coroada de ouro, dotada de grandes asas, filha dos Titãs Hipérion e Teia, personifica o astro lunar cujo brilho de prata percorre o céu cada noite. Ela é irmã de Hélio, o Sol, e de Eos, a Aurora.
 
Amante de Zeus (com quem gera a bela Pandia e Erse, a Rosada) e, mais tarde, de Pá, que se transforma num carneiro de pelagem branca a fim de a seduzir, Selene será, violentamente, tocada pela beleza do jovem Enclímion, que lhe dará cinquenta filhas, e a quem ela não deixará nunca de contemplar, noite após noite, mergulhado no seu sono eterno.
 
O nome Selenitos é, por vezes, dado nos nossos dias aos supostos habitantes da Lua.  






29.11.04

O CAMPONÊS LING E SUAS SETE MASCARAS
DESCONHEÇO O AUTOR
CONTOS E LENDAS
 
 
Era uma vez um camponês que tinha medo, muito medo. Tanto medo que saía pouco. Plantava e criava animais em sua própria terra, para não precisar sair muito.  Como saía pouco, cada vez foi ficando com mais medo e pensou que uma forma de esconder o medo era usar uma máscara.  Fez uma, mas achou que em certas ocasiões talvez  fosse melhor  fazer mais uma e assim fez duas, depois três, quatro, cinco, seis e sete.   E mais não fez porque não tinha como colocá-las.  Aí parou de fazer máscaras, usava uma sobre a outra.  Estas máscaras pesavam, incomodavam, via pouco, ouvia pouco, perdeu a noção de calor e frio, desaprendendo a viver sem máscaras.  Passou a sair menos ainda porque assim não tinha que responder perguntas, nem ver gente.   Plantava, colhia, cuidava dos animais.  Fazia grandes provisões para sair cada vez menos.  Um dia percebeu que não tinha mais sal, mas para não ter que sair passou sem sal, a comida perdeu o sabor e um de seus poucos prazeres terminou.  Apesar disto resistiu muito, comendo a comida sem sal até resolver que precisava ir à vila mais próxima para comprar sal.   Mas, fazia tanto tempo que não saía, que não lembrava mais do caminho.  Só conseguia lembrar vagamente que precisava encontrar uma trilha dentro do bosque.  Adiou, adiou até que resolveu enfrentar o medo e foi.  Entrou no bosque e havia várias trilhas, escolheu uma, andou muito, anoiteceu e o LING percebeu que não sabia mais chegar à vila.  Então teve muito medo.  Teve medo do escuro, do frio, dos animais e dos salteadores.  Só que não tinha escolha, pois não sabia voltar, encolheu-se e dormiu.  No meio da noite foi acordado, eram os salteadores.  Queriam dinheiro.  Não havia dinheiro.  Tinha apenas alguns ovos que usaria para trocar pelo sal.  Os salteadores irritados levaram os ovos, suas roupas, sapatos, as máscaras e também lhe deram uma surra.
 
 O camponês LING machucado e com medo encolheu-se e chorou.  Depois o cansaço foi maior que o medo e LING dormiu.  Foi acordado por um forte calor e viu uma claridade que não sabia o que era, nem de onde vinha.  Desta vez não teve medo, sentiu-se bem, espreguiçou-se, esquentou-se e dançou.  Ficou alegre e lembrou que aquele calor e aquela luz eram do sol, e ficou espantado tentando entender como havia esquecido do Sol.
 
LING caminhou nu e feliz, descobrindo cores, cheiros, novas trilhas e muitas coisas com novos sabores para comer nestes caminhos.  Riu e pulou feliz com as descobertas e esqueceu de que havia saído para buscar o sal.  Quando chegou ao fim de uma das trilhas, ficou surpreso pois  havia voltado ao começo do caminho, e estava perto da casa.
 
LING improvisou uma canção ao ver sua casa, deu comida aos animais, cuidou de suas plantas e colheu o que havia para ser colhido.  Aí lembrou-se  do sal e que afinal tudo tinha acontecido por causa dele.   Zangado, LING   começou a esbravejar, e a querer destruir tudo a sua volta.  Na sua fúria virou uma tina em que há muito tempo havia colocado água do mar e para sua surpresa esparramou-se uma grande quantidade de poeira branca.   LING provou uma pitada da poeira e descobriu que no fundo da tina, na qual não mexia há anos, havia se acumulado uma grande quantidade de sal... 






29.11.04

FÚRIAS
AUTOR DESCONHECIDO
MITOS DA GRECIA E ROMA
MITOLOGIA E FOLCLORE
 
 
Também conhecidas como Fúrias, eram as três divindades que administravam a vingança divina, sendo elas: Tisífona (a vingança contra os assassinos), Megera (o ciúme) e Alecto (a raiva contínua).
 
Em muitas versões sobre as Erínias, diz-se que elas são as filhas de Géia e Urano; às vezes eles são chamada de "as filhas da Noite".
 
Viviam no mundo subterrâneo, do qual ascendiam para a terra e perseguir o mau.
 
Eram justas, mas sem piedade e jamais analisavam as circunstâncias que levaram a pessoa à cometer o erro.
 
Puniam todas as ofensas contra a sociedade humana tal como o perjúrio, a infração dos rituais de hospitalidade e, acima de tudo, o assassinato de parentes de sangue.
 
Estas deusas terríveis eram horríveis para serem contempladas; tinham cobras se retorcendo no lugar dos cabelos e olhos injetados de sangue. Atormentavam os malfeitores perseguindo-os de lugar à lugar através da terra, enlouquecendo-os.
 
Uma das lendas mais famosas sobre as Erínias consiste em sua perseguição sem descanso pelo príncipe tebano Orestes, pelo assassinato de sua mãe, a rainha Clitemnestra. Orestes havia sido guiado por Apolo para se vingar da morte de seu pai, o rei Agamenon, a quem Clitemnestra havia assassinado. Entretanto, as Erínias, indiferentes a seus motivos, perseguiam-no e o atormentavam.
 
Orestes finalmente apelou à deusa Atena, que convenceu as deusas vingadoras a aceitar o apelo de Orestes de que ele era livre de culpa. Quando eram capazes de mostrar misericórdia, elas também se transformavam. Das Fúrias de aparência assustadora, transformavam-se nas Eumênides, protetoras dos suplicantes.






29.11.04

A ESSÊNCIA DO SÁBIO
LAO TSU
CONTOS E LENDAS
 
 
No vigésimo terceiro ano do reinado de Zhao, Lao Tsu percebeu que a guerra terminaria destruindo o lugar onde vivia.
 
Como havia passado anos meditando sobre a essência da vida, sabia que em certos momentos era preciso ser prático.
 
Resolveu , pois, tomar a decisão mais simples: mudar-se.
 
Pegou seus poucos pertences e seguiu em direção a Han Keou.
 
Na porta de saída da cidade, encontrou um guarda:
 
- Onde está indo, tão importante sábio? Lhe perguntou o guarda.
 
- Para longe da guerra.
 
- Não pode partir assim. Eu gostaria muito de saber o que foi que aprendeu em tantos anos de meditação. Só o deixarei partir se dividir comigo o que sabe.
 
Apenas para se livrar do guarda, Lao Tsu escreveu ali mesmo um pequeno livro cuja única cópia lhe entregou. Depois , continuou sua viagem, e nunca mais se ouviu falar dele.
 
O texto de Lao Tsu foi copiado e recopiado. Atravessou séculos, atravessou milênios e chegou até o nosso tempo.
 
Chama-se Tao Te King,  está publicado em português por várias editoras e é uma leitura imperdível.
 
Aqui vai uma de suas páginas:

"Aquele que conhece os outros é sábio.
Aquele que conhece a si mesmo é iluminado.
Aquele que vence os outros é forte.
Aquele que vence a si mesmo é poderoso.
Aquele que conhece a alegria é rico.
Aquele que conserva seu caminho tem vontade.
Seja iluminado, e permanecerá íntegro.
Curva-te, e permanecerá ereto.
Esvazia-te, e permanecerá repleto.
Gasta-te, e permanecerá novo.
O sábio não se exibe, e por isso brilha.
Ele não se faz notar, e por isso é notado.
Ele não se elogia, e por isso tem mérito.
E, por não estar competindo, ninguém no mundo pode competir com ele."






26.11.04

O RABINO
DESCONHEÇO O AUTOR
CONTOS E LENDAS
 
 
Conta-se que no século passado, um turista americano foi à cidade do Cairo, no Egito.
 
Seu objetivo era visitar um famoso rabino.
 
Lá chegando, o turista ficou surpreso ao ver que o rabino morava num quarto simples, cheio de livros.
 
As únicas peças de mobília eram uma mesa e um banco.
 
- Onde estão os seus móveis - perguntou o turista.
 
E o rabino, bem depressa, perguntou também:
 
- E onde estão os seus?
 
- Os meus? - perguntou o turista.
 
Mas eu estou aqui só de passagem!
 
- Eu também! Disse o rabino.
 
A vida na Terra é somente uma passagem.
 
No entanto, vivemos como se fôssemos ficar aqui eternamente !!!






26.11.04

LENDA DOS RIOS
DESCONHEÇO O AUTOR
MITOS DO BRASIL
MITOLOGIA E FOLCLORE
 
 
A origem dos rios Xingu e Amazonas também faz parte do imaginário indígena. Dizem que antigamente era tudo seco. Juruna morava dentro do mato e não tinha água nem rio. Juriti era a dona da água, que a guardava em três tambores.
 
Os filhos de Cinaã estavam com sede e foram pedir água para o passarinho, que não deu e disse: "Seu pai é Pajé muito grande, porque não dá água para vocês?" Aí voltaram para casa chorando muito. Cinaã perguntou porque estavam chorando e eles contaram.
 
Cinaã disse para eles não irem mais lá que era perigoso, tinha peixe dentro dos tambores. Mas eles foram assim mesmo e quebraram os tambores. Quando a água saiu, Juriti virou bicho. Os irmãos pularam longe, mas o peixe grande que estava lá dentro engoliu Rubiatá (um dos irmãos) , que ficou com as pernas fora da boca.
 
Os outros dois irmãos começaram a correr e foram fazendo rios e cachoeiras. O peixe grande foi atrás levando água e fazendo o rio Xingu. Continuaram até chegar no Amazonas. Lá os irmãos pegaram Rubiatá, que estava morto. Cortaram suas pernas, pegaram o sangue e sopraram. Rubiatá virou gente novamente. Depois eles sopraram a água lá no Amazonas e o rio ficou muito largo. Voltaram para casa e disseram que haviam quebrado os tambores e que teriam água por toda a vida para beber.






26.11.04

APOLO
GEORGES HACQUAD
MITOS DA GRECIA E ROMA
MITOLOGIA E FOLCLORE
 
 
Apolo é um dos dois filhos gêmeos de Zeus e de Leto (que Hesíodo apresenta como uma divindade da noite). A sua irmã Ártemis é a deusa da lua, enquanto ele é o senhor do sol (na Antiguidade, distinguia-se o deus do sol, do próprio deus sol, Hélios, o astro solar).
 
Apolo nasceu na ilha de Ortígia, uma ilha flutuante que vai fixar-se no centro do mundo grego e tomar o nome de Delos, "A Aparente". No momento do seu nascimento, todas as deusas que estavam reunidas à volta de Leto, soltaram gritos de alegria; depois, lavaram o recém-nascido e envolveram-no em linho branco. Témis alimentou-o com ambrosia e néctar, e Apolo rapidamente se mostrou dotado de uma força invencível e de uma beleza surpreendente.
 
Então, Zeus ofereceu ao seu filho um carro puxado por cisnes e Hefesto enviou-lhe flechas, especialmente forjadas para o seu uso. Assim, alguns dias depois do seu nascimento, Apolo, acompanhado por sua irmã, decidiu viajar a fim de escolher o lugar onde estabeleceria o seu culto. O seu carro conduziu-o ao país dos Hiperbóireos, no norte da Grécia, onde ele se demorou algum tempo, partindo depois em direcção ao monte Parnaso, na companhia de Ártemis. Ao chegar, Apolo encontrou, numa caverna, um monstro que Hera, com ciúmes de Leto, tinha contratado para se vingar da sua rival e dos seus filhos. Este monstro tinha a forma de uma serpente e era o guardião de um antigo oráculo. Esta, ao aperceber-se da Presença de Apolo, investiu contra ele, mas o jovem deus, infalível, matou-a, deixando o seu corpo apodrecer no próprio lugar, que passou a ser conhecido como Pito (do verbo grego que significa: apodrecer), enquanto que a serpente foi apelidada de Píton. Mais tarde, Apolo institui, em honra da sua vítima, os jogos fúnebres conhecidos como Jogos Píticos.
 
Entretanto, o deus foi forçado a exilar-se um certo tempo, a fim de expiar o seu homicídio. Dirigiu-se, então, com a sua irmã, para a Tessália, fixando-se no aprazível vale de Tempo, entre os montes Olimpo e Ossa.
 
Uma vez purificado nas águas de Peneu, Apolo regressou à sua terra de eleição, a fim de tomar posse e reactivar o velho oráculo de Píton. Mas entretanto, o deus vislumbrou, no alto mar, um navio cretense e decidiu, imediatamente, atrair os seus ocupantes para o seu culto. Para esse efeito, transformou-se num golfinho, e saltando à frente do navio, conduziu-os para o seu domínio. Ao chegarem, Apolo retomou o seu verdadeiro aspecto e fez destes homens seus sacerdotes, instruindo-os nos segredos dos imortais. Mas como eles continuaram sempre a chamar-lhe golfinho (delphis), esse lugar passou a ser conhecido pelo nome de Delfos.
 






26.11.04

ENDIMION OU ENCLIMION
GEORGES HACQUARD
MITOS DA GRECIA E ROMA
MITOLOGIA E FOLCLORE
 
 
O belo Enclímion, filho (ou neto) de Zeus, era rei dos Eólios que ele tinha conduzido da Tessália para a Élide. Um dos seus filhos, Etolo, tornou-se o antepassado dos Etólios,
 
Zeus prometera-lhe, ao nascer, satisfazer o seu desejo mais precioso. Endímion solicitou-lhe então que lhe concedesse a sua juventude pela eternidade. O "rei dos deuses" acedeu, na condição de que Enclímion se mantivesse adormecido para sempre.
 
Uma primeira lenda conta que Hipno (o sono), apaixonada por Enclímion, lhe concedera o dom de dormir de olhos abertos, para o poder admirar em toda a sua beleza.

Segundo uma outra lenda, Selene (a Lua) contemplara Enclímion adormecido e apaixonara-se por ele. Assim, todas as noites ela vinha acariciá-lo com os seus raios amorosos, amando-o perdidamente, e deste amor teriam nascido cinquenta filhas.
 
A lenda de Enclímion motivou vários pintores (Tintoreto (Londres), Rubens (Londres), Van Dyck (Madrid), Van Loo (Louvre), Girodet (Louvre), etc.) e poetas: o poema de Keats que lhe é consagrado (1818) começa por um verso universalmente conhecido: um motivo da beleza é uma alegria que jamais passa,






26.11.04

ELIZABETH RAMPIM
CONTOS E LENDAS
 
 
Era uma mulher muito feliz, realizada que via todos os dias da sua vida o sol raiar em abundância de amor e paz.
 
Marido excelente, maridão, filho perfeito, saudável, casa boa, moderna, não faltava nada, dinheiro na conta, podia se dar a todo tipo de luxo, viagens, inclusive ao exterior nas férias e de um dia para o outro, seu mundo desmoronou quando viveu a descoberta que seu sonho de amor, seu casamento perfeito, era um engodo, que seu marido perfeito, que vivia só para ela e para o trabalho,vivia também para outra mulher e numa relação com igual intensidade de atenção e amor como a que lhe era dirigida.
 
Então, numa manhã de muita tristeza,de muita angústia,decidiu...
 
Se mataria, terminaria com sua própria vida.
 
Mas desejava vingança. Por isso, tomou o filho de quatro anos em suas mãos e decidiu que o mataria também.
 
Conhecia um lugar montanhoso, alto, retirado, onde ninguém a veria e onde poderia se jogar do alto com o menino acabando com sua vida e a do filho.
 
Ao atravessar as ruas de imenso movimento, seu filho escapou-lhe das mãos e correu pelo meio dos automóveis.
 
Ela se desesperou.
 
Estranho, levava o filho pelas mãos para atirá-lo no precipício para que morresse e quando o viu correndo perigo, correu,protegendo-o.
 
Neste momento, a criança se agachou e pegou um papel que o vento trouxe em sua direção. Ela o pega e um título em letras grandes chama-lhe a atenção:
 
"UM MINUTO APENAS"
 
 Leu com o coração atento
 
 "Em um minuto apenas, a tormenta passa, a dor passa, o ausente chega. O dinheiro chega, o amor parte, a vida continua."
 
Era uma página escrita por um sábio.
 
Ela terminou de ler. Seu ímpeto passou. Em um minuto apenas........
 
Lembre-se:
 
Pode ser um coração atento, uma mão amiga, um pedaço de papel impresso caído na calçada. Papel esse que o vento não levou. Em um minuto apenas o amor volta. A esperança renasce. Em um minuto apenas o Sol aparece.
 
Não se desespere.
 
Espere...
 
Em um minuto apenas.
 
O socorro chega, o panorama se modifica, a vida volta a florescer.
 
Tenha paciência. Não se entregue a desesperança. Espere.
 
Em um minuto apenas. Sessenta segundos... Uma vida...Um minuto a mais.
 
"Em um minuto apenas a misericórdia divina se derrama, as bênçãos corrigem os passos escuros, depura, repara, transformam os caminhos de luz rumo a uma vida maior..."
 






25.11.04

ASCLÉPIO
GEORGES HACQUARD
MITOS DA GRECIA E ROMA
MITOLOGIA E FOLCLORE
 
A lenda mais conhecida, concernente a Asclépio, foi-nos legada por Píndaro. Ela conta-nos que a ninfa Corónis, depois de ter engravidado de Apolo, e temendo não manter esse amor, resolvera casar com um mortal. O deus, enfurecido, decidira vingar-se, punindo-a com a morte. Mas quando o corpo da jovem começou a ser consumido na pira fúnebre, Apolo, cheio de remorsos, arrebatou o filho ainda vivo das entranhas de sua mãe. E este tornou-se o seu filho preferido, Asclépio.
 
O centauro Quíron, encarregado de o educar, iniciou-o na arte da medicina e Asclépio, dotado de um sentido de observação invulgar, progrediu rapidamente nos seus conhecimentos. Mas certo dia uma serpente surgiu-lhe no caminho, enrolando-se na vara que ele empunhou. Asclépio deitou-a por terra e matou o animal. Acontece que, miraculosamente, apareceu uma segunda serpente. Esta trazia na sua boca uma certa planta, com a qual ressuscitou o réptil morto. Este acontecimento, carregado de simbolismo, foi para Asclépio uma revelação. A revelação da virtude das ervas medicinais. E assim, encontramos aqui a origem do caduceu (duas serpentes enroladas à volta de uma vara), que se tornou no emblema do corpo médico.

A partir do momento em que Asclépio começou a pôr em prática os seus conhecimentos, os seus sucessos multiplicaram-se, valendo-lhe uma reputação extraordinária.
 
A certa altura da sua vida casou com a filha do rei de Cós, Epíone, que lhe deu dois filhos e cinco filhas. Os rapazes, Macáon e Podalírio, herdaram do seu pai o poder de curar. Fizeram-no, por exemplo, no decorrer da guerra de Tróia, na qual participaram como médicos das tropas gregas. Macáon cuidou de Télefo e de Menelau e operou Filoctetes.
 
As filhas de Asclépio também o ajudaram na sua função, particularmente Hígia (deusa da saúde) e Panaceia (que personifica a cura de todos os males, através das plantas). Para além dos seus filhos, também Telésforo, o pequeno gênio da convalescença, que os escultores representam muitas vezes ao lado de Asclépio, o Apolou no seu ministério.
 
Alguns autores afirmam que Asclépio terá recebido, de Atena, uma pequena quantidade do sangue que brotou da ferida da Górgona, e que daí teria extraído a fórmula para ressuscitar os mortos. E terá ressuscitado tantos que Hades, temendo ter de fechar as portas do seu reino por falta de candidatos,foi queixar-se a Zeus. Este, receando que a ordem universal fosse subvertida pela descoberta de Asclépio, decidiu fulminá-lo. Mas Apolo imortalizou-o, transformando-o numa constelação, chamada serpentária, na qual reconhecemos Asclépio segurando uma serpente.
 
Considerado pelos humanos como deus da medicina, mantendo ou restituindo aos mortais o calor da vida e a claridade do dia, Asclépio foi objecto de uma enorme veneração em todo o mundo antigo, grego e romano. E o culto que lhe era prestado não só tinha um fim religioso, mas também terapêutico. Os santuários, dos quais o mais célebre foi Epidauro (uma versão da lenda aponta-o como o local onde Corónis terá dado à luz), eram instalados fora das cidades, em zonas escolhidas pela sua salubridade. Os sacerdotes transmitiam os segredos (da cura) de pai para filho. Um dos mais ilustres terá sido Hipócrates, que se dizia ser aparentado com o deus. Os doentes, que afluíam de todas as partes do mundo antigo e que pertenciam a todos os grupos sociais, eram alojados nas dependências do templo e, durante o seu sonho, reviam o deus, que lhes revelava o remédio para os seus males.
 
Asclépio é representado como um homem maduro, vigoroso, de rosto benevolente e barbudo; Denis, tirano de Siracusa no séc. iv a. C., confiscou a barba de ouro, de uma estátua de Esculápio (nome romano de Asclépio) do Epidauro, justificando que não era normal que um filho fosse barbudo, quando o seu pai era imberbe.






25.11.04

A ORAÇÃO QUE DEUS ENTENDIA
PAULO COELHO
CONTOS E LENDAS
 
 
No ano de 1502, durante a conquista da América, um missionário espanhol visitava um ilha perto do México quando encontrou três sacerdotes astecas.
 
- Como vocês rezam?
 
- Perguntou o padre.
 
- Temos apenas uma oração
 
- Respondeu um dos astecas.
 
- Dizemos:
 
- Ó meu Deus, Tu és três e nós somos três. Tende piedade de nós.
 
- É uma bela oração, mas Deus não entende estas palavras. Vou ensinar-lhes uma oração que Deus escuta.
 
E antes de seguir seu caminho, fez com que os astecas decorassem uma oração católica.
 
O missionário evangelizou vários povos, e cumpriu sua missão com um exemplar. Depois de muito tempo pregando a palavra da Igreja na América, chegou o momento de retornar à Espanha.
 
No caminho de volta, passou pela mesma ilha onde estivera alguns anos antes. Quando a caravela se aproximava, o padre viu os três sacerdotes, caminhando sobre as águas e fazendo sinal para que a caravela parasse.
 
- Padre!!! Padre!!!- gritava um deles. Por favor, torna a nos ensinar a oração que Deus escuta, porque não conseguimos lembrar!!!
 
- Não importa - respondeu o missionário ao ver o milagre. E pediu perdão a Deus, por não haver entendido que Ele falava todas as línguas.






25.11.04

CREIDDYLAD OU CORDELIA
DESCONHEÇO O AUTOR
MITOS DO PAIS DE GALES
MITOLOGIA E FOLCLORE
 
 
Deusa ligada à Beltane, frequentemente chamada de Rainha, Deusa de Flores de Verão, amor.






25.11.04

ANFÍON
GEORGES HACQUARD
MITOS DA GRECIA E ROMA
MITOLOGIA E FOLCLORE
 
 
Anfíon, herói das primeiras lendas tebanas, e o seu irmão Zeto, são os filhos gémeos de Antíope e de Zeus, que se disfarçou de sátiro a fim de seduzir a jovem princesa.
 
Ela fugiu do palácio paterno, foi salva e depois capturada e maltratada por seu tio Lico que, entretanto, se apoderara do trono.
 
Os seus dois filhos, nascidos em Eleutério, na Beócia, no decurso do seu regresso forçado a Tebas, foram abandonados numa gruta do monte Cíteron, mas os pastores recolheram-nos e educaram-nos.
 
Zeto dedicava-se a exercícios violentos, à luta e à caça assim como aos trabalhos do campo. Anfíon, mais doce do que o seu irmão, inclinava-se para a música, praticando na lira que Hermes lhe oferecera.
 
Quando se tornaram adultos, os dois irmãos decidiram vingar a sua mãe e afastaram o seu carrasco do trono de Tebas. A partir de então, passaram a governar a cidade. E, para a proteger, fortificaram-na de uma forma "mágica". Zeto transportou os rochedos, enquanto Anfíon tocava a sua lira, cujos sons induziam as pedras, encantadas, a colocar-se, por si próprias, nos sítios certos.
 
Anfion casou com Níobe, filha de Tântalo, que lhe deu muitos filhos (a lenda hesita entre dez, doze ou vinte). Orgulhosa da sua fecundidade, Níobe não receou ofender Leto, mãe de Apolo e de Ártemis. Estes não suportaram a afronta feita à sua mãe e trespassaram com flechas todos os filhos de Níobe (com excepção de uma filha que casará com Neleu, rei de Pilos; um dos seus filhos, Nestor, será poupado por Apolo que lhe permite viver três gerações, a fim de compensar o massacre da sua família).
 
A infeliz, perdida de dor, foi transformada, por Zeus, numa rocha colocada num monte árido da Ásia Menor. E, a partir de então, dessa rocha brotará uma nascente inesgotável, que se alimentará das lágrimas contínuas de Níobe.
 
Quanto a Arifion, foi morto por uma flecha de Apolo. Segundo alguns, ao mesmo tempo que os seus filhos; segundo outros, algum tempo depois quando, em consequência do massacre a que assistira, enlouqueceu, tendo saqueado o templo de Apolo.






25.11.04

ÁGUIA CEGA
DESCONHEÇO O AUTOR
CONTOS E LENDAS
 
 
Um velho Belanca cortava os céus. Embaixo, o rio seco estava salpicado de ilhotas.
 
De repente a pressão do óleo começou a baixar e o piloto resolveu pousar no primeiro lugar que aparecesse. E este lugar surgiu sob a forma de uma ilha de tamanho considerável, que, imponentemente e sobrepujando todas as outras, era o lugar ideal para um pouso.
 
As rodas do Belanca tocaram suavemente o solo arenoso, num pouso perfeito. A pane foi sanada com a colocação do óleo que, previdentemente, existia no avião para situações de tal natureza.
 
Antes de reiniciar a viagem, o piloto examinou aquele lugar. A ilha, como as demais que a cercavam, só aparecia na época da seca e, em situação normal, era parte do leito do Araguaia.
 
Lugar belíssimo, de uma areia alva e fina, cercado por águas barrentas e coberto com pedrinhas multicores, parecia um oásis perdido no deserto verde da mata ribeirinha.
 
O piloto decolou, levando consigo dez pedrinhas, escolhidas a dedo, que teriam finalidade dupla: seriam recordação daquele lugar fabuloso e excelente presente para sua filhinha.
 
Assim, a ilha ficou para trás, ela pertencia ao passado; agora só uma coisa realmente interessava, a pressão do óleo, que deveria permanecer normal até a próxima etapa da rota.
 
O tempo passou...
 
Um tenente continuava vivendo a sua vida e uma garota loura juntara à sua coleção de bonecas um punhado de pedrinhas.
 
A ilha fora esquecida!
 
Certo dia, um joalheiro famoso, ao visitar o oficial, teve a sua atenção despertada para as pedrinhas, que no momento serviam de peças num jogo de três-marias.
 
- "Tenente, onde o senhor encontrou estes cascalhos?"
 
Essa pergunta saiu dos lábios do visitante numa forma de súplica e intensa curiosidade. O tenente explicou então a sua rápida permanência na ilha.
 
- "Pois saiba", concluiu o joalheiro, "que essas pedras são pedras preciosas!"
 
E, separando uma menor, preta, brilhante e luzidia, disse:
 
- "Isto é satélite de diamante; sua filha brinca de três-marias com uma autêntica fortuna."
 
Não é preciso dizer o que se passou com aquele oficial, nem afirmar que, a partir de então, ele foi o mais constante piloto daquela rota.
 
O destino colocou-lhe nas mãos uma fortuna imensa; durante uma fração de tempo ele teve aos seus pés milhares e milhares de pedras preciosas e foi um autêntico Ali Babá na caverna dos quarenta ladrões.
 
Talvez tenha sido o homem mais rico da terra naquele quarto de hora em que permaneceu na ilha! Mas o seu garimpo, aquele tesouro imenso, e a sua ilha existiam agora apenas na imaginação.
 
O Araguaia sepultara para sempre aquele lugar e nunca mais foi possível localizá-lo.
 
Todos nós, como aquele piloto, encontraremos, se já não encontramos, uma ilha no vôo de nossas vidas. Ela conterá também um rico garimpo, o garimpo do amor, e talvez seja mais preciosa do que a ilha encontrada no Araguaia. Como aquele piloto, pousaremos despreocupados, conheceremos a ilha, que poderá ter o nome doce de uma mulher ou poderá denominar-se juventude, ou talvez seja mesmo uma ilha perdida nas praias do nordeste. Mas, se a ilusão e a ânsia por sensações novas nos fizerem decolar, sem ao menos procurarmos guardar o local onde estivemos ou deixar nele uma placa com os dizeres: "Esta ilha é minha", então levaremos somente algumas pedras preciosas, sob a forma de recordações de um beijo, de um carinho, de um mar verde e do vento, apagando na areia os nomes escritos num coração.
 
E quando um joalheiro famoso, conhecido como o senhor Tempo, nos disser que perdemos um garimpo, voltaremos atrás, como aquele oficial, mas será tarde, porque, como o Araguaia, o passado terá sepultado a nossa ilha. Ficarão apenas, como lembranças, algumas pedras: a saudade de um nome, de um carinho, de um dia...






24.11.04

CALISTO
GEORGED HACQUARDF
MITOS DA GRECIA E ROMA
MITOLOGIA E FOLCLORE
 
 
Diana, a deusa caçadora dos romanos, filha de Júpiter, tinha em alta estima a gentil ninfa Calisto, mas Juno não compartilhava esta opinião e, como esposa ciumenta de Júpiter, converteu a muito bela ninfa em ursa; Júpiter, comovido, fez com que a mãe e o filho da sua união passassem a ocupar um posto privilegiado no céu, como Ursa maior e Ursa Menor.
 
Calisto é apresentada como uma ninfa do cortejo de Ártemis (embora noutras fontes ela surja como filha de Licáon, rei da Arcádia), que tinha feito voto de castidade. Mas a sua extraordinária beleza acaba por seduzir o senhor dos deuses, que decide conquistá-la. Para o efeito, certo dia em que Calisto se encontrava deitada num bosque, Zeus apresentou-se-lhe com os traços de Ártemis. A ninfa acolheu-o sem desconfiança e quando esta se apercebeu do embuste, já o mal estava feito.
 
Calisto ficou grávida, mas tentou dissimular o seu estado a Ártemis. Acontece que, certo dia, a deusa surpreendeu-a no banho e descobriu a verdade, reagindo violentamente.
 
Entretanto Zeus, vigilante, transformou Calisto numa ursa, para que ela pudesse escapar à cólera da deusa.
 
Mas Ártemis, no decurso de uma caçada, disparou contra ela uma flecha. A ursa, ferida, deu à luz um filho, Árcade, que Hermes veio salvar por ordem de Zeus e que, mais tarde, deu o seu nome à Arcádia.
 
Segundo certas tradições, Calisto teria errado, desde então, pela montanha, até ao dia em que encontrou Árcade, já adulto e rei do seu país, quando este se dedicava aos prazeres da caça. O jovem preparava-se para derrubar a ursa com uma flecha, quando Zeus interveio, transformando Árcade num guarda de ursos e reunindo, finalmente, a mãe e o filho na abóbada celeste, ao criar a constelação da grande Ursa. A vingativa Hera conseguiu, no entanto, que Posídon lhe prometesse que a Ursa (constelação boreal) seria impedida de se deitar no horizonte do oceano.
 
As sacerdotisas do culto de Ártemis foram conhecidas em diversos lugares como "pequenas ursas" e cumpria-se mesmo um ritual que transformava, simbolicamente, as jovens consagradas à deusa caçadora, em ursas.
 
Esquecendo o brilhante destino de Calisto, encontramos na Arcádia o túmulo onde era suposto repousar o seu corpo, perto de um santuário dedicado a Ártemis-Calisto (A muito Bela).






24.11.04

O ZODIACO
DESCONHEÇO O AUTOR
MITOS DA ASSÍRIA E DA BABILÔNIA
MITOLOGIA E FOLCLORE
 
 
A dívida dos assírios para com os seus predecessores na "terra entre rios" torna-se particularmente patente na mitologia e no campo do simbólico e o emblemático. E, assim, se os sumérios tinham introduzido o sistema numérico sexagesimal, criando o calendário de doze meses, os assírios sacralizaram os números e dividiram o espaço em doze partes: "Aqui nascem as teorias astrológicas das chamadas "Casas do Céu", isto é, o céu aparece dividido em doze partes que correspondem aos doze signos do Zodíaco". 
 
Portanto, estes povos mesopotâmicos tinham aos astros uma grande estima e estudavam os seus movimentos e interpretavam todo o caminho que aqueles percorriam. As diferentes criaturas sentiam, de uma forma ou de outra, a influência dos astros; embora se pusesse especial cuidado em esclarecer que nem por isso se estava destinado obrigatoriamente a um total condicionamento.
 
A verdade é que tanto as duas luminárias (o Sol e a Lua), como os outros planetas (por aqueles tempos só se conheciam cinco), eram objeto de sacralização, isto é, representavam deidades que era necessário adorar. Estes cinco planetas, mais as duas luminárias, recebiam o nome de "deuses intérpretes", dado que, observando todos os seus movimentos e o sentido dos seus giros, se chegava a conhecer com antecedência determinados acontecimentos, tanto no aspecto pessoal como no social. Portanto, o protagonismo dos humanos, assim como a consecução dos seus objetivos ou empresas, não dependiam só das suas próprias faculdades, mas também (e talvez de maneira decisiva, em certas ocasiões) da vontade desses "deuses intérpretes".






24.11.04

PEIXE-BOI
DESCONHEÇO O AUTOR
MITOS DO BRASIL                       
MITOLOGIA E FOLCLORE
 
 
Para explicar a origem do Peixe-Boi os índios contavam uma lenda que dizia que em uma certa tribo indígena, habitante do vale do Rio Solimões, no Amazonas, foi realizada uma grande festa da moça nova e pela ação de Curumi.
 
O pajé mandou que a moça nova e o Curumi mergulhassem nas águas do rio. Quando mergulharam o pajé jogou, em cima de cada um deles, uma tala de canarana. Quando voltaram à tona já haviam se transformado em PEIXE-BOI.
 
A partir deste casal nasceram todos os outros peixes-boi. É por esse motivo que eles se alimentam de canarana.






24.11.04

PAULO COELHO
CONTOS E LENDAS
 
 
Tenho conhecido muitas pessoas que se preocupam com os outros, que são extremamente generosas na hora de dar, e que encontram um profundo prazer quando alguém lhes pede um conselho ou apoio. Até aí tudo bem - é ótimo  poder fazer o bem ao nosso próximo.
 
Entretanto, tenho conhecido muito poucas pessoas que são capazes de receber algo - mesmo quando lhes é dado com amor e generosidade. Parece que o ato de receber faz com que se sintam numa posição inferior, como se depender de alguém fosse algo indigno. Pensam: "se alguém está nos dando algo, é porque somos incompetentes para consegui-lo com o próprio esforço". Ou então: " a pessoa que me dá agora, um dia irá cobrar com juros." Ou ainda, o que é pior: "eu não mereço o bem que me querem fazer."
 
Por que agimos assim? Porque nos custa entender que este universo é feito de dois movimentos. O primeiro é a expansão, rigor, disciplina, conquista; o segundo é a concentração, meditação, entrega. Basta olhar o nosso coração (e não é a toa que o coração sempre foi identificado como o símbolo da vida) para compreender que são estas duas energias que o fazem bater, contrair-se e expandir-se no mesmo ritmo. As muitas estrelas do céu estão emitindo luz, mas ao mesmo tempo estão sugando tudo a sua volta, naquilo que é conhecido pelos físicos como força de gravidade. Assim, os atos de dar e de receber, embora sejam aparentemente opostos, fazem parte do mesmo e continuo movimento.
 
Não é melhor quem dá com generosidade, nem é pior quem recebe com alegria. O amor é, justamente, fruto destas duas coisas, e uma pequena história ilustra bem o que quero dizer:
 
Um lenhador, acostumado ao trabalho árduo de derrubar árvores, terminou casando-se com uma mulher que era exatamente o seu oposto: delicada, suave, capaz de fazer lindos bordados com seus dedos gentis. Orgulhoso de sua espôsa, ele passava o tempo todo na floresta, fazendo o seu trabalho, de modo que nada faltasse em casa.
 
Viveram juntos por muitos anos, tiveram tres filhos  -  que cresceram, estudaram, casaram-se e foram viver em lugares distantes, como aliás acontece na maioria das vezes. O casal continuava na mesma cabana, mas enquanto o homem sentia-se cada vez mais forte por causa do seu trabalho, a mulher começou a definhar. Já não bordava mais, perdeu o apetite, não fazia suas caminhadas diárias, e viu desaparecer toda a alegria de sua vida. Seu estado de saúde agravou-se de tal maneira, que já não se levantava mais da cama.
 
O marido já não sabia o que fazer. Uma noite, quando uma febre alta fez com que o rosto de sua espôsa ficasse de uma palidez quase mortal, ele tocou com suas mãos fortes os dedos delicados da mulher,  e começou a chorar:
 
- Não me deixe - dizia, soluçando.
 
A mulher teve forças para dizer, no meio dos delírios provocados pela febre:
 
- Mas por que voce chora?
 
- Por que eu preciso de voce!
 
O brilho nos olhos da mulher pareceu retornar:
 
- E só agora voce está me dizendo isso? Eu achei que, quando nossos filhos cresceram e partiram, minha vida perdeu o sentido. Voce sempre foi tão independente!
 
- Eu tinha vergonha de recebe-lo - disse o lenhador. - Sempre achei que não merecia tudo o que fez por mim.
 
A partir deste dia, a mulher voltou a recuperar sua saúde, recomeçou a andar na floresta e a fazer seus bordados. Sua vida voltara a ter sentido porque alguém precisava dela. Alguém era capaz de receber a melhor coisa que podia dar: o seu amor. 






24.11.04

AS TRES RESPOSTAS
DESCONHEÇO O AUTOR
CONTOS E LENDAS
 
 
Um dia um imperador decidiu que se ele soubesse as respostas de três questões, ele sempre saberia o que fazer, não importasse o quê. Então, ele mandou anunciar em todo o seu reino que se alguém pudesse responder suas três questões, ele daria uma grande recompensa.
 
Estas são as três questões:
 
· Quando é o melhor tempo para se fazer alguma coisa?
 
· Quem é a pessoa mais importante?
 
· Qual é o objetivo mais importante?
 
O imperador recebeu muitas respostas, mas nenhuma o satisfez. Finalmente ele decidiu viajar para uma montanha para visitar um eremita que lá vivia no topo. Talvez ele soubesse as respostas.
 
Quando lá chegou ele fez as três perguntas. O eremita, que estava capinando o seu jardim, ouviu atentamente a então retornou ao seu trabalho sem dizer uma palavra. Como o eremita continuava a capinar, o imperador percebeu o quanto ele estava cansado. Assim, ele disse, me de a enxada. Eu vou capinar e você pode descansar um pouco.
 
Depois de capinar por muitas horas, o imperador estava cansado. Ele pôs a enxada de lado e disse: "se você não pode responder minhas questões, tudo bem. Basta me dizer que eu vou embora."
 
De repente o eremita pergunta: "Você ouviu alguém correndo?", apontando para as árvores. E, então, aparece um homem cambaleando entre as árvores e segurando o estômago. Quando o eremita e o imperador se aproximaram ele desmaiou. Abrindo sua camisa eles viram que ele tinha um corte profundo. O imperador limpou a ferida, usando sua própria camisa para "estancar" o sangue. Quando recobrou a consciência o homem pediu água. O imperador correu até o riacho e trouxe água para ele.. O homem bebeu e dormiu.
 
O eremita e o imperador carregaram-no para a cabana e o deitaram na cama do eremita. O imperador, que estava cansado, também dormiu.
 
Na manhã seguinte, quando o imperador acordou, viu o homem ferido em pé na sua frente murmurando: perdoa-me! Perdoar você? Disse o imperador, sentando imediatamente. O que você fez que necessita o meu perdão?
 
Vossa Majestade não me conhece, mas eu o tenho considerado como o meu pior inimigo. Durante a última guerra, V.M. matou meu irmão e roubou minhas terras. Então eu jurei vingança dizendo que iria matá-lo. E, de fato, ontem eu estava em uma emboscada, esperando V.M. retornar para casa para matá-lo. Eu esperei muito tempo, mas, por alguma razão, V.M. não retornou. Quando eu deixei meu esconderijo para procurá-lo seus guardas me encontraram e me reconheceram. Então eles me atacaram e me feriram. Eu sangrei muito, se V.M. não tivesse me ajudado eu certamente teria morrido. Eu tinha planejado matá-lo e em vez disso V.M. salvou minha vida. Eu estou envergonhado e muito agradecido. Por favor me perdoe.
 
O imperador estava atônito. Ele disse: eu sou agradecido por seu ódio ter acabado. Desculpe-me também, agora que ouvi a sua história, pela dor que tenho causado a você. Guerra é terrível. Eu perdôo você e devolvo as suas terras. Vamos ser amigos de agora em diante. Depois de orientar seus guardas para levar o homem para casa, o imperador retornou para o eremita dizendo: Eu devo ir agora. Vou viajar para todo lugar procurando as respostas para as minhas três questões. Eu espero algum dia encontrá-las. Adeus.
 
O eremita riu e disse: Suas questões já foram respondidas, Majestade!
 
O que você está dizendo? exclamou surpreso o imperador.
 
O eremita explicou. Se você não tivesse me ajudado a capinar o meu jardim ontem, atrasando o seu retorno, você teria sido atacado no caminho para casa. Entretanto, o tempo mais importante para você foi o tempo que você capinou o meu jardim. A pessoa mais importante fui eu, a pessoa com quem você estava, e o objetivo mais importante era simplesmente me ajudar.
 
Depois, quando o homem ferido chegou, o tempo mais importante foi o tempo que você dispendeu cuidando da sua ferida, de outro modo ele teria morrido e você teria perdido para sempre a oportunidade de perdoar e fazer nova amizade. Naquele momento ele era a pessoa mais importante e o objetivo mais importante era tratar sua ferida.
 
O presente momento é o único momento, disse o eremita. A pessoa mais importante é sempre a pessoa com quem você está. O objetivo mais importante é fazer a pessoa que está ao seu lado feliz. O que podia ser mais simples ou mais importante?
 
O imperador curvou-se em gratidão para o velho eremita e foi em paz






23.11.04

ROBERTO SHINYASHIKI
CONTOS E LENDAS
 
 
01. Seja ético. A vitória que vale a pena é a que aumenta sua dignidade e reafirma valores profundos. Pisar nos outros para subir desperta o desejo de vingança.
 
02. Estude sempre e muito. A glória pertence àqueles que têm um trabalho especial para oferecer.
 
03. Acredite sempre no amor. Não fomos feitos para a solidão. Se você está sofrendo por amor, está com a pessoa errada ou amando de uma forma ruim para você. Caso tenha se separado, curta a dor, mas se abra para outro amor.
 
04. Seja grato(a) a quem participa de suas conquistas. O verdadeiro campeão sabe que as vitórias são alimentadas pelo trabalho em equipe. Agradecer é a melhor maneira de deixar os outros motivados.
 
05. Eleve suas expectativas. Pessoas com sonhos grandes obtêm energia para crescer. Os perdedores dizem: "isso não é para nós". Os vencedores pensam em como realizar seu objetivo.
 
06. Curta muito a sua companhia. Casamento dá certo para  quem não é dependente.
 
07. Tenha metas claras. A História da Humanidade é cheia de vidas desperdiçadas: amores que não geram relações enriquecedoras, talentos que não levam carreiras ao sucesso, etc. Ter objetivos evita desperdícios de tempo, energia e dinheiro.
 
08. Cuide bem do seu corpo. Alimentação, sono e exercício são fundamentais para uma vida saudável. Seu corpo é seu templo. Gostar da gente deixa as portas abertas para os outros gostarem também.
 
09. Declare o seu amor. Cada vez mais devemos exercer o  nosso direito de buscar o que queremos (sobretudo no amor).  Mas atenção: elegância e bom senso são fundamentais.
 
10. Amplie os seus relacionamentos profissionais. Os amigos são a melhor referência em crises e a melhor fonte de oportunidades na expansão. Ter bons contatos é essencial em momentos decisivos.
 
11. Seja simples. Retire da sua vida tudo o que lhe dá trabalho e preocupação desnecessários.
 
12. Não imite o modelo masculino do sucesso. Os homens fizeram sucesso a custa de solidão e da restrição aos sentimentos. O preço tem sido alto: infartos e suicídios. Sem dúvida, temos mais a aprender com as mulheres do que elas conosco. Preserve a sensibilidade feminina - é mais natural e mais criativa.
 
13. Tenha um orientador. Viver sem é decidir na neblina, sabendo que o resultado só será conhecido, quando pouco resta a fazer. Procure alguém de confiança, de preferência mais experiente e mais bem sucedido, para lhe orientar nas  decisões, caso precise.
 
14. Jogue fora o vício da preocupação. Viver tenso e estressado está virando moda. Parece que ser competente e estar de bem com a vida são coisas incompatíveis. Bobagem ... Defina suas metas, conquiste-as e deixe as neuras para quem gosta delas.
 
15. O amor é um jogo cooperativo. Se vocês estão juntos é para jogar no mesmo time.
 
16. Tenha amigos vencedores. Aproxime-se de pessoas com alegria de viver.
 
17. Diga adeus a quem não o(a) merece. Alimentar relacionamentos, que só trazem sofrimento é masoquismo,  é atrapalhar sua vida. Não gaste vela com mau defunto. Se você estiver com um marido/mulher que não esteja compartilhando, empreste, venda, alugue, doe... e deixe o espaço livre para um novo amor.
 
18. Resolva! A mulher/homem do milênio vai limpar de sua vida as situações e os problemas desnecessários.
 
19. Aceite o ritmo do amor. Assim como ninguém vai empolgadíssimo todos os dias para o trabalho, ninguém está  sempre no auge da paixão. Cobrar de si e do outro viver nas  nuvens é o começo de muita frustração.
 
20. Celebre as vitórias. Compartilhe o sucesso, mesmo as  pequenas conquistas, com pessoas queridas. Grite, chore, encha-se de energia para os desafios seguintes.
 
21. Perdoe! Se você quer continuar com uma pessoa, e enterre o passado para viver feliz. Todo mundo erra, a gente também.
 
22. Arrisque! O amor não é para covardes. Quem fica a noite em casa sozinho, só terá que decidir que pizza pedir. E o único risco será o de engordar.
 
23. Tenha uma vida espiritual. Conversar com Deus é o máximo, especialmente para agradecer. Reze antes de dormir. Faz bem ao sono e a alma. Oração e meditação são  fontes de inspiração.
 
24. Muita paz, harmonia e amor... sempre!






23.11.04

CORRIDA DE SAPINHOS
DESCONHEÇO O AUTOR
CONTOS E LENDAS
 

Era uma vez uma corrida de sapinhos.
 
Eles tinham que subir uma grande torre e, atrás havia uma multidão, muita gente que vibrava com eles.
 
- Começou a competição. A multidão dizia:
 
Não vão conseguir, não vão conseguir!!
 
Os sapinhos iam desistindo um a um, menos um deles que continuava subindo.
 
- E a multidão continuava a aclamar:
 
Vocês não vão conseguir, vocês não vão conseguir,
 
E os sapinhos iam desistindo, menos um, que subia tranqüilo, sem esforços.
 
Ao final da competição, todos os sapinhos desistiram, menos aquele.
 
Todos queriam saber o que aconteceu, e quando foram perguntar ao sapinho como ele conseguiu chegar até o fim, descobriram que ele era SURDO.






23.11.04

MEDO DO DESCONHECIDO
DESCONHEÇO O AUTOR
CONTOS E LENDAS
 
 
Contam as lendas que um dia um espião foi preso e condenado à morte pelo general do exército árabe.
 
Sua sentença era o fuzilamento, mas o general tinha um hábito diferente e sempre oferecia ao condenado outra opção. E essa outra opção era escolher entre enfrentar o pelotão de fuzilamento ou entrar por uma porta preta.
 
Com a aproximação da hora da execução o general ordenou que trouxessem o espião à sua presença para uma breve entrevista.
 
Diante do condenado, fez a seguinte pergunta:
 
- O que você quer - a porta preta ou o fuzilamento?
 
A escolha não era fácil, por isso o prisioneiro ficou pensativo e, só depois de alguns minutos, deu a resposta:
 
- Prefiro o fuzilamento.
 
Depois que a sentença foi executada o general virou-se para o seu ajudante e disse:
 
- "Assim é com a maioria dos homens. Preferem o caminho conhecido ao desconhecido".
 
- E o que existe atrás da porta preta? Perguntou o ajudante.
 
- A liberdade, respondeu o general. E poucos foram os homens corajosos que a escolheram.
 
Essa é uma das mais fortes características do ser humano: optar sempre pelo caminho conhecido, por medo de enfrentar o desconhecido.
 
Geralmente as pessoas não abrem mão da acomodação que uma situação previsível lhes oferece. É mais fácil ficar com a segurança do que já se sabe do que aventurar-se a investigar novos caminhos.
 
Nem sempre o caminho já batido por muitos é o caminho que nos conduzirá à liberdade.
 
Nem sempre nadar a favor da correnteza é indício de chegada a um porto seguro.
 
Às vezes, é preciso abrir trilhas ainda desconhecidas da maioria, mesmo que tenhamos que seguir só.
 
Por vezes, é preciso nadar contra a corrente, optar pela porta estreita, para que se possa vislumbrar um mundo livre, feliz, sem constrangimentos que tolhem a liberdade e infelicitam os seres.






23.11.04

COROACI
DESCONHEÇO O AUTOR
MITOS DO BRASIL
MITOS E FOLCLORE
 
 
O deus Sol para os Tupis ou os Nheengatus. O nome significa "Mãe deste dia".
 






23.11.04

DESCONHEÇO O AUTOR
CONTOS E LENDAS
 
 
Não espere um sorriso para ser gentil.
Não espere ser amado para amar.
Não espere ficar sozinho para reconhecer o valor de um amigo.
Não espere o melhor emprego para começar a trabalhar.
Não espere ter muito para compartilhar um pouco.
Não espere a queda para se lembrar do conselho.
Não espere a morte para dizer o quanto ama alguém.
Não espere a chuva para valorizar o dia de sol.
Não espere ser abraçado para dar um abraço.
Não espere a dor para acreditar na oração.
Não espere ter tempo para poder servir.
Não espere a mágoa do outro para pedir perdão.
Nem espere a separação para se reconciliar.
Não espere... Pois você não sabe o tempo que ainda tem.
Pois ninguém precisa esperar para amar, e buscar a felicidade.
A vida é uma oportunidade ímpar.
Estar neste planeta é uma imensa chance que temos de aprender, de levar daqui valores verdadeiros, levar amores maduros e duradouros, e deixar as memórias e vivências tristes do passado que tivemos.
Estar neste planeta é poder ajudá-lo a crescer, a deixar para as próximas gerações uma casa em ordem, reformada e melhor.
É deixar para nós mesmos, quem sabe, mais esperança.
Para isso, não podemos nos deixar acomodar, desanimar, deixar que a vida nos leve, ao invés de nós conduzirmos a vida.
Cada dia é único. Cada manhã é diferente. Cada noite tem sua beleza especial.
Por isso, despertemos para a vida realmente, deixando em cada instante a nossa contribuição, a marca de nossos corações por onde passarmos.
Ao final desta etapa, mais uma das muitas que ainda teremos, poderemos reconhecer satisfeitos, que cumprimos nossa missão, que nosso viver não foi em branco, e que agora somos mais felizes do que éramos antes.
Por isto tudo, não espere.
Não espere ser amado para amar.
Nem a chuva para valorizar o sol.
Não espere a dor para acreditar na oração.
Nem o afastamento para dar valor à presença.
Não espere ser chamado para se oferecer à tarefa.
Nem ter mais tempo para doar-se.
Não espere ouvir "eu te amo" para dizer "eu te amo".
Nem receber para então doar.
Somos seres repletos de experiências, de vivências em outras realidades, quando vestimos outros nomes e outros corpos.
Mas em cada nova vida, a bênção do esquecimento do passado nos faz novos, nos dá a lida como um livro em branco, no qual contaremos nossa história, como se fosse a primeira que estivéssemos vivendo.
Trazemos na consciência e nas intuições as orientações necessárias para trilhar o novo caminho, fazendo com que os planos previamente traçados na pátria espiritual, possam ser devidamente cumpridos.
Dessa forma, nosso tempo aqui precisa ser bem aproveitado, ser bem utilizado, e para isso não podemos esperar para agir no bem, não podemos esperar para construir nossa felicidade futura.






22.11.04

DIONÍSIO
DESCONHEÇO O AUTOR
MITOS DA GRECIA E ROMA
MITOLOGIA E FOLCLORE
 
 
Deus do vinho e da vegetação, que mostrou aos mortais como cultivar as videiras e fazer vinho. Filho de Zeus, Dionísio normalmente é caracterizado de duas maneiras. Como o deus da vegetação - especificamente das árvores frutíferas - ele freqüentemente é representado em vasos bebendo em um chifre e com ramos de videira. Ele eventualmente tornou-se o popular deus do vinho e da alegria, e milagres do vinho eram reputadamente representados em certo festivais de teatro em sua homenagem.
 
Dionísio também é caracterizado como uma divindade cujos mistérios inspiraram a adoração ao êxtase e o culto às orgias. As bacantes era um grupo de devotos femininos que deixavam seus lares para vagar de maneira errante em busca de êxtase em devoção à Dionísio. Usavam peles de veado e a eles eram atribuídos poderes ocultos. Dionísio era bom e amável àqueles que o honravam, mas trazia loucura e destruição para aqueles que desprezavam as orgias a ele dedicadas.
 
De acordo com a tradição, Dionísio morria a cada inverno e renascia na primavera. Para seus seguidores, este renascimento cíclico, acompanhado pela renovação da terra com o reflorescer das plantas e a nova frutificação das árvores, personificavam a promessa da ressurreição de Dionísio. Os rituais anuais em homenagem à ressurreição de Dionísio gradualmente foram se desenvolvendo no drama grego, e importantes festivais eram celebrados em honra do deus, durante os quais grandes competições dramáticas eram conduzidas. O festival mais importante, as Dionisíacas, era celebrado em Atenas por cinco dias a cada primavera.
 
Foi para estas celebrações que os dramaturgos Ésquilo, Sófocles, e Eurípides escreveram suas grandes tragédias. Por volta do século V a.C., Dionísio era também conhecido entre os gregos como Baco, um nome que se referia aos altos brados com os quais Dionísio era adorado nas orgias, ou mistérios dionísicos. Estas celebrações frenéticas, que provavelmente se originaram em festivais primaveris, ocasionalmente traziam libertinagem e intoxicações. Esta foi a forma de adoração pela qual Dionísio tornou-se popular no século II a.C., na Itália, onde os mistérios dionísicos eram chamados de Bacanália.
 
As indulgências das Bacanálias tornaram-se extrema, e as celebrações foram proibidas pelo Senado Romano em 186 a.C.. Entretanto, no século I d.C. os mistérios dionísicos eram ainda populares, como se evidencia em representações encontradas em sarcófagos gregos.






22.11.04

MAX LUCADO
CONTOS E LENDAS
 
 
Sol a pino. Maresia. Ondas ritmadas. Na praia está um menino. Ajoelhado, ele cava a areia com uma pá de plástico e a joga dentro de um balde vermelho. Em seguida, vira o balde sobre a superfície e o levanta. Encantado, o pequeno arquiteto vê surgir diante de si um castelo de areia.
 
Ele continuará a trabalhar a tarde inteira. Cavando os fossos. Modelando as paredes. As rolhas de garrafa serão as sentinelas. Os palitos de sorvete serão as pontes. E um castelo de areia será construído.
 
Cidade grande. Ruas movimentadas. Ronco dos motores dos automóveis.
 
Um homem está no escritório. Em sua escrivaninha, ele organiza pilhas de papel e distribui tarefas. Coloca o fone no ombro e faz uma chamada. Como que num passe de mágica, contratos são assinados e, para grande felicidade do homem, foram fechados grandes negócios.
 
Ele trabalhará a vida inteira. Formulando planos. Prevendo o futuro. As rendas anuais serão as sentinelas. Os ganhos de capital serão as pontes. Um império será construído.
 
Dois construtores de dois castelos. Ambos têm muita coisa em comum. Fazem grandezas com pequeninos grãos. Constroem algo do nada. São diligentes e determinados. E, para ambos, a maré subirá, e tudo terminara.
 
Contudo, é aqui que as semelhanças terminam. Porque o menino vê o fim, ao passo que o homem o ignora. Observe o menino na hora do crepúsculo.
 
Quando as ondas se aproximam, o menino sábio pula e bate palmas. Não há tristeza. Nem medo. Nem arrependimento. Ele sabia que isso aconteceria. Não se surpreende. E, quando a enorme onda bate em seu castelo e sua obra-prima é arrastada para o mar, ele sorri. Sorri, recolhe a pá, o balde, segura a mão do pai e vai para casa.
 
O adulto, contudo, não é tão sábio assim. Quando a onda dos anos desmorona seu castelo, ele se atemoriza. Cerca seu monumento de areia, a fim de protegê-lo. Impede que as ondas alcancem as paredes construídas por ele. Encharcado de água salgada e tremendo de frio, ele resmunga para a próxima onda.
 
— E o meu castelo — diz em tom de afronta.
 
O mar não precisa responder. Ambos sabem a quem a areia pertence...
 
E eu não sei muito sobre castelos de areia. Mas as crianças sabem.
 
Observe-as e aprenda. Vá em frente e construa, mas construa com o coração de uma criança. Quando chegar a hora do pôr-do-sol e a maré levar tudo embora aplauda. Aplauda o processo da vida, segure a mão do Pai e vá para casa.
 






22.11.04

AS COISAS NEM SEMPRE SÃO O QUE PARECEM
DESCONHEÇO O AUTOR
CONTOS E LENDAS
 
 
Dois Anjos viajantes pararam para passar a noite na casa de uma família muito rica. A família era rude e não permitiu que os Anjos ficassem no quarto de hóspedes da mansão. Em vez disso, deram aos Anjos um espaço pequeno no frio sótão da casa. À medida que eles faziam a cama no duro piso, o Anjo mais velho viu um buraco na parede e o tapou. Quando o Anjo mais jovem perguntou: por que?, o Anjo mais velho respondeu: "As coisas nem sempre são o que parecem". 
 
Na noite seguinte, os dois anjos foram descansar na casa de um casal muito pobre, mas o senhor e sua esposa eram muito hospitaleiros. Depois de compartilhar a pouca comida que a família pobre tinha, o casal permitiu que os Anjos dormissem na sua cama onde eles poderiam ter uma boa noite de descanso. Quando amanheceu, ao dia seguinte, os anjos encontraram o casal banhado em lágrimas. A única vaca que eles tinham, cujo leite havia sido a única entrada de dinheiro, jazia morta no campo.
 
O Anjo mais jovem estava furioso e perguntou ao mais velho: "como você permitiu que isto acontecesse? O primeiro homem tinha de tudo e, no entanto, você o ajudou"; o Anjo mais  jovem o acusava. "A segunda família tinha pouco, mas estava disposta a compartilhar tudo, e você permitiu que a vaca morresse".
 
"As coisas nem sempre são o que parecem," respondeu o anjo mais velho. "Quando estávamos no sótão daquela imensa mansão, notei que havia ouro naquele buraco da parece. Como o proprietário estava obcecado com a avareza e não estava disposto a compartilhar sua boa sorte, fechei o buraco de maneira que ele nunca mais o encontraria."
 
"Depois, ontem à noite, quando dormíamos na casa da família pobre, o anjo da morte veio em busca da mulher do agricultor. E eu lhe dei a vaca em seu lugar. As coisas nem sempre são como parecem."






22.11.04

NÃO QUESTIONAR A BUSCA
PAULO COELHO
CONTOS E LENDAS
 
 
Sri Ramakrisna conta que um homem estava prestes a cruzar um rio quando o mestre Bibhishana se aproximou,  escreveu  um nome numa folha, amarrou-a nas costas do  homem,  e disse:
 
- Não tenha medo. Sua fé lhe ajudará a caminhar sobre as águas. Mas no instante em que perder a fé, você se afogará.
 
O  homem confiou em Bibhishana, e começou a  caminhar  sobre  as águas,  sem qualquer dificuldade. A certa altura, porém, teve um  imenso desejo de saber o que seu mestre havia escrito na folha  amarrada em suas costas.
 
Pegou-a, e leu o que estava escrito:
 
"Ó deus Rama, ajuda este homem a cruzar o rio".
 
"Só isto?",pensou o homem. "Quem é esse deus Rama, afinal?"
 
No  nomento em que a dúvida instalou-se em sua mente, ele  submergiu e afogou-se na correnteza.






22.11.04

O GRAXAIM E O GAMBÁ
DESCONHEÇO O AUTOR
MITOS DO BRASIL
MITOLOGIA E FOLCLORE
 
 
Num rigoroso inverno, na época em que os bichos falavam, os poucos animais das campinas haviam desaparecido. O Graxaim, morrendo de fome, tentou assaltar um galinheiro, porém, os cachorros quase o agarraram. Logo, percebeu que sozinho nada conseguiria, e resolveu pedir ajuda ao Gambá, que tirou o corpo fora, pois era covarde.
 
No dia seguinte ele procurou o Compadre Lagarto, que aparentava não estar com muita fome. Realmente, ele esclareceu que sempre conseguia um pouco de mel e disse ao amigo que iria arranjar um pouco para ele também, pois não gostava de roubar galinhas. O Graxaim aceitou.
 
Saíram ambos à procura de uma colmeia e, assim que conseguiram livrar-se das abelhas, veio o Gambá e roubou todo o mel dos dois. O Graxaim ficou louco de raiva, e prometeu vingar-se no dia seguinte, quando o Gambá já tivesse esquecido o que fez.
 
No dia seguinte, o Graxaim e o Lagarto foram para perto da casa do Gambá. O Graxaim pediu para o Lagarto se esconder e começou a arrancar cipó, fazendo bastante barulho para chamar a atenção do Gambá. Este, assim que ouviu, aproximou-se e perguntou porque ele fazia aquilo. O Graxaim primeiro fez que não ouviu, depois, fazendo-se de espantado cumprimentou o Gambá e contou-lhe que todos os cipós serviriam para amarrar todos os seus parentes às àrvores, pois aproximava-se um forte vento que, próximo dali, já havia carregado muitos animais.
 
O Gambá, desesperado, implorou ao Graxaim que o amarrasse também. Este, primeiro recusou e, depois de um tempo, cedeu ao pedido. Quando o Gambá estava amarrado como um novelo, o Graxaim pegou um porrete e começou a bater nele. Às vezes o Lagarto ajudava, dando chicotadas com o rabo.
 
- Isto é para você aprender a não ser esperto com os amigos disse o Graxaim.
 
O Gambá foi solto e saiu gemendo.
 
- O mel estava doce, compadre? perguntou o Graxaim.
 
O Gambá respondeu:
 
- Doce? Foi o mel mais amargo que já provei!