Contos e Lendas: SACI PERERE

8.11.04

FRANZ KREUTER PEREIRA
LENDAS DO BRASIL
MITOLOGIA E FOLCLORE
 
 
Entidade fantástica, negrinho de uma só perna que, segundo a crença popular, persegue os viajantes pedindo fumo ou lhes arma ciladas pelo caminho.Peralta e perneta, usa uma carapuça vermelha e um cachimbo na boca, e vive atazanando a vida das pessoas. Assusta o gado no pasto, dá nó no rabo dos cavalos,  trança suas crinas e cria pequenas dificuldades domésticas.A carapuça vermelha é mágica e o faz ficar invisível e aparecer ou desaparecer num redemoinho de vento.Ele se faz anunciar por um assobio estridente.Para apanhá-lo pode-se usar um rosário ou uma peneira de taquara. 
 
Quem conseguir tirar sua carapuça receberá "favores". O saci povoa o imaginário das pessoas simples e é mto temido nos confins de nossos sertões...mas não é maldoso, só brincalhão. Sua popularidade se deve muito a Monteiro Lobato, que o transformou em personagem do "Sítio do Picapau Amarelo" onde Pedrinho, em uma de suas aventuras pela floresta do taquaral, pegou o Saci. Desde então, ele se diverte pregando sustos na tia Nastácia. 
 
Saci ou Matin - No Pará e no Amazonas, a imagem do saci é a de um curumim que anda numa única perna e tem os cabelos cor de fogo. Usa um gorrete vermelho e está sempre com seu cachimbo. Dizem que o saci tem por companheira uma velha índia - ou uma preta velha, maltrapilha, cujo assobio arremeda seu nome: Mati-Taperê. Alguns crêem que ele é filho do Curupira; outros o identificam como um pequeno pássaro que pula numa perna só; há também aqueles que dizem que as mãos dele são furadas no centro.
 
Mito do folclore Brasileiro, bastante difundido de a Norte a Sul, através de inúmeras variantes: Saci Cererê, Saci Taperê, Mati Taperê, Matinta Pereira, Martim Tapirera e Martim Pererê.
 
O mito tem procedência ameríndia, de fonte tupi-guarani. Teria sido, primitivamente, um mito ornitomórfico: pássaro encantado e, ainda hoje, em diversas versões, o saci é uma ave. transformou-se, depois, em mito antropomórfico: negrinho de um pé só, com uma carapuça vermelha e cachimbo na boca. De todas as formas esta última é a mais popular. É uma espécie de duende que vive de noite, a perturbar os viajantes e tropeiros, pedindo fumo e fazendo-os errar os caminhos. É interessante que mesmo nos dias atuais, entre os roceiros, coloca-se fumo para o Saci nos galhos de árvores a fim de afastar as suas diabruras.
 
Dizem que, de noite, faz trança nas crinas dos cavalos e costuma assobiar e gritar: "Saci Pererê, minha perna dói como o quê!". Tudo que se encontra revirado, da noite para o dia, nas fazendas do interior, é atribuído a esse pitoresco demônio do folclore Brasileiro. Além disso, tem especial prazer em azedar o leite, gorar os ovos das galinhas e impedir o milho-picoca de rebentar. No extremo-norte, onde a influência ameríndia é mais intensa, o primitivo mito ornitomórfico sobrevive sob forma do pássaro encantado Matinta Pereira, que traz desgraças e sofrimentos. A antropomorficação do mito primitivo primitivo primitivo apresenta um influxo indireto do elemento negro. O Saci adquiriu feição de moleque brincalhão. Outra transformação, mais complexa, é a versão de Romãozinho, também um negrinho notívago que faz estripulias nos terreiros e, às vezes, dentro das próprias casas. Em torno desse personagem se formou uma lenda: Romãozinho era um negrinho desobediente e mau, que bateu em sua mãe e foi condenado a perambular de noite pelos campos e matos.
 
Uma das figuras mitológicas mais populares parece ser o Saci-Pererê. Inúmeros escritores já o colocaram em seus livros. Mas as características frequentes variam. Começa a fazer suas aparições nas histórias de fins do século XVIII e a partir daí fixa-se no mundo fantástico da cultura popular.
 
O Saci-Pererê é um negrinho de uma perna só, ágil, astuto e atrevido, gosta de fumar cachimbo e usa uma carapuça vermelha (que dá o poder de se tornar invisível). Pertuba a vida doméstica, apagando o fogo e queimando os alimentos, escondendo objetos na hora em que mais se precisa deles, trança os rabos e crinas de cavalo, mas nunca faz maldades.
 
Espanta também os animais. Assusta os viajantes, pedindo fumo. Aparece e desaparece no meio de um currupio de vento. Para se apanhar o saci, pede-se usar um rosário, uma peneira ou dar três nós num pedaço de palha. É constante no folclore do Sul, principalmente nas regiões povoadas pelo índio tupi-guarani, de cujo idioma nasce o nome. Em várias localidades paulistas contam histórias do Saci-Pererê. Não é maldoso, porém brincalhão como toda criança.