Contos e Lendas: 12/2004

30.12.04

ISIS
GEORGES HACQUARD
MITOS DA GRECIA,  ROMA E EGITO
MITOLOGIA E FOLCLORE
 
 
A deusa egípcia ísis foi objecto de um tal fervor na antiguidade greco-romana a partir do séc. iv a. C., e sobretudo nos primeiros séculos da era cristã, a partir do reinado de Calígula, que a maior parte das divindades femininas do panteão greco-romano (sobretudo Deméter, Hera, Afrodite) se identificaram com ela.
Casada com seu irmão, Osíris, deus fecundante e civilizador, ísis foi vítima da inveja do seu outro irmão, Set, deus da sombra e do deserto, que matou e decepou o seu marido, atirando depois os bocados do seu corpo desmembrado ao Nilo.
 
A " busca de Osíris" que representa a minuciosa e apaixonada viagem de ísís por todo o Egipto, a fim de encontrar os vários bocados do corpo de seu marido, para com eles voltar a reconstituir o seu corpo, fez com que a deusa fosse identificada com Deméter, que também correra o mundo, procurando a sua filha, prisioneira dos Infernos. Osíris, por sua vez, foi identificado com Dioniso, o deus ressuscitado.
 
No Império, os Romanos instituíram em honra da deusa, os Mistérios de ísis, reconhecendo-a como soberana tutelar da terra e do mar
 
A ísis greco-romana é representada com um fato de linho característico das Deusas-Mães e com uma capa de franjas, atada sobre o peito. Na mão direita apresenta o sistro, espécie de matraca destinada a marcar o ritmo das cerimónias rituais e, na mão esquerda, a sítula, pequeno cântaro contendo a água sagrada.
 
Conhecida como a divina mãe e esposa de Osiris, mãe de Horus; Isis é uma das quatro grandes Deusas protetoras (Bast, Nephytes e Hathor) guardiã de túmulos e urnas mortuárias. Isis é irmã de Nephytes com quem atuava em conjunto como carpidora divina para o morto, e divinamente é representada pela Cruz Ansata (Ankh).No ultimo período Pilasse foi seu principal centro de culto.
 
Ela é conhecida também com Rainha do Céu (similarmente a Astarte) e rege sobre todos os assuntos que concernem a vida, a maternidade e a bruxaria. Na origem do mito de Re e do mundo, foi escrito que ela encontrou o nome "Re" fazendo com que uma serpente venenosa mordesse Re por encantamento. A serpente mordeu Re e a única maneira de curá-lo foi pela descoberta de seu verdadeiro nome.
 
Conhecendo esse nome, ela obteve um poder do mesmo porte do dele e a partir disso tornou-se conhecida como a feiticeira divina. Outro mito de Isis concerne a ambos, Osiris e Horus. Nesse mito, Set assassina Osirius e dispersa seu corpo em seis pedaços, um em cada canto do mundo. Isis vai ao encontro
desses pedaços quando estava com Horus em seu ventre. Durante esse tempo Osiris tornou-se Senhor dos mortos. Horus foi dado à luz e comprometeu-se a vingar a morte de seu pai pelo assassinato de Set. Isis viveu a partir de então como pranteadora divina na terra e no céu.
 
Deusa da fertilidade. Senhora da magia. Irmã e mulher de Osíris. Mãe de Hórus. Tornou-se a mais poderosa de todas as deusas e deuses.






30.12.04

O CORVO E O VASO
ESOPO
CONTOS E LENDAS
 

Um corvo estava morrendo de sede.
 
Viu um vaso que tinha tão pouca água que o bico não alcançava.
 
Tentou derrubar o vaso com as asas mas era muito pesado.
 
Tentou quebrar com o bico e as garras mas era muito duro.
 
O corvo, com medo de morrer de sede tão perto da água, teve uma idéia brilhante.
 
Pegou umas pedrinhas e foi jogando dentro do vaso.
 
A água subiu e ele pôde beber.
 
Não há beco sem saída para quem se esforça na lida.






30.12.04

A BESTA FERA
DESCONHEÇO O AUTOR
MITOS DE PERNAMBUCO-BRASIL
MITOLOGIA E FOLCLORE
 
 
Nomes comuns: Cabeça Satânica, Quibungo, La Carreta del Diablo (Venezuela), El Macho Cabrio (Colômbia).
 
Origem Provável: É um mito muito semelhante a história do Lobisomem. Existe em todo Nordeste, mas é muito forte no interior do Estado de Pernambuco. A versão Brasileira pode ter surgido na época colonial no estado de Pernambuco. A Versão, Sul americana, La Carreta del Diablo, mostra uma criatura semelhante mas que é acompanhada por uma carroça fantasma.
 
Mito muito comum em todo meio rural do Nordeste. Existem várias versões parecidas em alguns países Latino-americanos.
 
Se a pessoa estiver na rua na hora que a Besta Fera for passando, o único modo de se proteger é empunhar um punhal de prata, ou um punhal comum abençoado. Assim, esse Demônio, não atacará a pessoa.
 
Apesar de assustador, parece ser inofensivo às pessoas. Na verdade, sua única atividade, consiste em soltar todos os animais de canis ou currais que for encontrando pela frente. Algumas pessoas que deparam com ela, cara a cara, podem perder o juízo ou ficarem momentâneamente desorientadas.
 
Este mito, é uma mistura do mito da Mula-Sem-Cabeça e Lobisomem. Não se sabe ao certo de onde sai essa criatura. Acredita-se que na verdade trata-se do próprio Demônio em pessoa, que sai das profundezas em noites de Lua cheia e corre pelas ruas dos povoados e pequenas cidades, só parando quando chega no cemitério da cidade, quando simplesmente, desaparece.
 
Seria um ser fantástico metade homem metade cavalo. O barulho dos seus cascos correndo é motivo mais que suficiente para as pessoas se trancarem em suas casas nesses dias.
 
Por onde passa, uma matilha de cachorros, e ouros animais o acompanham numa algazarra infernal. Vez por outra ele açoita os cachorros e os ganidos são pavorosos.
 
Quando ele pára na porta de uma casa, dá para ouvir sua respiração demoníaca e nessa hora, a pessoa deve rezar o "Credo" para que ele siga seu caminho. O animal que se atreve a chegar mais perto é açoitado sem piedade.






30.12.04

IO
GEORGES HACQUARD
MITOS DA GRECIA E ROMA
MITOLOGIA E FOLCLORE
 
 
Inaco era outro rei de Argos, como o foi Acrísio, o infeliz pai de Dânae. Também como ele, Inaco teve a pouca sorte de contar com a bênção duma filha bela, tanto que Zeus terminou por apaixonar-se por ela e fazê-la amante.
 
Hera, que não estava disposta a ser objeto de comentários dos céus, propôs-se interromper os devaneios do seu marido com a terrena beleza e o deus teve uma de suas idéias , para ocultar as formas comprometedoras da gentil princesa, que passou a ser vaca.
 
Terminado o encanto da aventura, Zeus deixou a vaca a um gigante, Argos, para que se ocupasse da criatura e seguiu o seu caminho habitual. Apesar do desprezo celestial, os gregos foram subindo a bela Io de categoria, e terminaram por fazer dela uma deidade da Lua, em paralelo com outras mitologias, especialmente com a egípcia, que gozava de merecida fama e consideração. Deste amor nasceu Épafo.
 
Filha de Inaco, o deus-rio da Argólida, era uma bela sacerdotisa de Hera, que exercia as suas funções no templo situado entre Micenas e Tirinto.
 
Acontece que, um certo dia, Zeus vislumbrou-a e, aprisionado pela chama da paixão, não hesitou em seduzir a serva da sua divina esposa.
 
Assim, no decurso de um sonho, lo escutou uma voz que lhe ordenava que se dirigisse para as margens do lago de Lema, e que se abandonasse ao desejo de Zeus. A jovem consultou, então, o seu pai, que interrogou o oráculo de Delfos, mas este confirmou a ordem do sonho. E lo obedeceu.
 
Entretanto, Zeus, a fim de alcançar os seus fins sem despertar as suspeitas de Hera, apareceu com o aspecto de uma nuvem; mas a deusa percebeu o mistério, e assim o rei dos deuses foi obrigado a transformar lo numa bezerra. Então Hera fingiu ver no animal um presente de seu marido e, deste modo, Zeus não ousou recusar-lhe a bezerra. Hera confiou-a, então, à guarda do monstruoso gigante Argo, dotado de cem olhos (dos quais metade estavam sempre abertos) e lo foi, assim, vigiada noite e dia, até que Hermes, seguindo as instruções de seu pai, apareceu, transformado num pastor, e adormeceu simultaneamente os cem olhos com o som da sua flauta mágica. Depois cortou a cabeça do vigilante demasiado zeloso.
 
Hera recompensará, mais tarde, o seu fiel apoiante, recolhendo os seus olhos que colocará sobre as plumas do seu animal preferido, o pavão. Quanto a lo, que não tinha, entretanto, retomado a sua forma humana, foi incomodada até à loucura por um moscardo, que Hera lançou sobre ela.
 
Entontecida pelas picadas incessantes, lo percorreu terra e mar. Reen- @ontrou Prometeu preso ao seu rochedo no Cáucaso, passou o Bósforo, a Asia Menor, depois a Fenícia e, finalmente, o Egipto, onde nas margens do Nilo, Zeus a esperava. Com meiguice, o rei dos deuses divulgou-lhe a sua natureza e lo pôde, então, dar à luz um filho, "o filho do tacto", Épato.
 
Informada do acontecimento, Hera decidiu prosseguir a sua vingança, encarregando os Curetes, sacerdotes do culto de Reia, de fazer desaparecer o recém-nascido. Estes roubaram a criança, mas Zeus apareceu e fulminou-os antes que algo de irremediável tivesse acontecido.
 
E, uma vez mais, lo percorreu o mundo à procura de seu filho, indo encontrá-lo na Síria. Daí regressou ao Egipto, onde se tornará a esposa do rei Telégono. À sua morte, Zeus transformou-a em constelação.
 
lo é, frequentemente, identificada com a deusa ísis (ela mesma confundida com a deusa-vaca Hathor), enquanto que seu filho, Épafo -fundador de Mênfis - é, por sua vez, confundido com o deus-boi, Ápis, sendo-lhes prestadas honras divinas.
 
lo está na origem de várias genealogias principescas. Mas, para além disso, Dioniso, uma das divindades mais populares da religião grega e Perseu e Héracles, dois dos mais prestigiados heróis da mitologia, figuram na sua descendência.
 
"A história de lo" é uma das mais célebres entre as lendas gregas, dando por isso origem a muitas obras de arte (quadros de Corrège (Viena), de Tintoreto (Modena), de Velásquez (Madrid), Rubens (Dresden, Madrid), Jordaens (Lião, Leninegrado) ... ; tragédia lírica de Luily (1677), intitulada ísis, mas consagrada aos amores de lo e do rei dos deuses. Para além disso, lo tornou-se um precioso auxiliar dos autores das palavras cruzadas. (Recordemos uma das boas definições propostas: "Senhora. do coração tornada Senhora do trevo".)






30.12.04

DESCONHEÇO O AUTOR
CONTOS E LENDAS
 
 
Sempre num lugar por onde passavam muitas pessoas, um mendigo sentava-se na calçada e ao lado colocava uma placa com os dizeres:
 
Vejam como sou feliz!: Sou um homem próspero, sei que sou bonito, sou muito importante, tenho uma bela residência, vivo confortavelmente, sou um sucesso, sou saudável e bem humorado.
 
Alguns passantes o olhavam intrigados, outros o achavam doido e outros até davam-lhe dinheiro.
 
Todos os dias, antes de dormir, ele contava o dinheiro e notava que a cada dia a quantia era maior.
 
Numa bela manhã, um importante e arrojado executivo, que já o observava há algum tempo, aproximou-se e lhe disse: - Você é muito criativo!...
 
Não gostaria de colaborar numa campanha da empresa?
 
- Vamos lá...
 
Só tenho a ganhar! , respondeu o mendigo.
 
Após um caprichado banho e com roupas novas, foi levado para a empresa...
 
Daí para frente sua vida foi uma seqüência de sucessos e a certo tempo ele tornou-se um dos sócios majoritários.
 
Numa entrevista coletiva à imprensa, ele esclareceu de como conseguira sair da mendicância para tão alta posição...
 
Contou ele : - Bem, houve época em que eu costumava me sentar nas calçadas com uma placa ao lado, que dizia: Sou um nada neste mundo!
 
Ninguém me ajuda!
 
Não tenho onde morar!
 
Sou um homem fracassado e maltratado pela vida!
 
Não consigo um mísero emprego que me renda alguns trocados !
 
Mal consigo sobreviver!
 
As coisas iam de mal a pior quando, certa noite, achei um livro e nele atentei para um trecho que dizia: Tudo que você fala a seu respeito vai se reforçando.
 
Por pior que esteja a sua vida, diga que tudo vai bem.
 
Por mais que você não goste de sua aparência, afirme-se bonito.
 
Por mais pobre que seja você , diga a si mesmo e aos outros que você é próspero.
 
Aquilo me tocou profundamente e, como nada tinha a perder, decidi trocar os dizeres da placa...
 
E a partir desse dia tudo começou a mudar, a vida me trouxe a pessoa certa para tudo que eu precisava, até que cheguei onde estou hoje...
 
Tive apenas que entender o Poder das Palavras...
 
O Universo sempre apoiará tudo o que dissermos, escrevermos ou pensarmos a nosso respeito e isso acabará se manifestando em nossa vida como realidade...
 
Enquanto afirmarmos que tudo vai mal, que nossa aparência é horrível, que nossos bens materiais são ínfimos, a tendência é que as coisas fiquem piores ainda, pois o Universo as reforçará...
 
Ele materializa em nossa vida todas as nossas crenças.
 
Uma repórter, ironicamente, questionou: - O senhor está querendo dizer que algumas palavras escritas numa simples placa modificaram a sua vida?
 
Respondeu o homem, cheio de bom humor: - Claro que não, minha ingênua amiga!...
 
Primeiro eu tive que acreditar nelas!...
 
Tudo que você diz, escreve ou pensa a seu respeito, é recebido pelo Universo como uma oração. Pensemos seriamente nisso!!!






29.12.04

QUIMERA
JO ANDRADA
MITOS DA GRECIA E ROMA
MITOLOGIA E FOLCLORE
 
 
A chimera (quimera) é um monstro grego raro com cabeça de leão, corpo de bode e rabo de dragão. Feroz e sanguinária, ela é extremamente perigosa.
 
Monstro fabuloso, filho de Tifon e Equidna, tinha cabeça de leão, corpo de cabra e cauda de serpente, e respirava chamas. Era irmã de Céberos, o cão que guardava a entrada do Inferno, da Hidra de Lerna, da Esfinge e do Leão de Neméia.






29.12.04

IDOMENEU
GEORGES HACQUARD
MITOS DA GRECIA E ROMA
MITOLOGIA E FOLCLORE
 
 
Idomeneu, rei de Creta (neto de Minos), tinha sido um dos pretendentes à mão de Helena de Esparta e a este título participou na guerra de Tróia, chefiando uma frota de tropas cretenses composta por oitenta navios. Foi um dos chefes que sugeriu bater-se num combate singular contra Heitor, a fim de evitar a guerra de Tróia, mas como a sua proposta falhou, Idomeneu consagrou-se como um dos valorosos combatentes desta guerra. Nos jogos fúnebres celebrados em honra de Aquiles, foi ele o vencedor do concurso de pugilato. Mais tarde, Idomeneu foi também um dos guerreiros que tomou lugar nos flancos do cavalo de Tróia.
 
A Odisseia afirma que o seu regresso a Creta se desenrolou sem incidentes. Encontramos, no entanto, outras versões bem diferentes. Uma delas refere que a sua frota foi assolada por uma tempestade e que, então, Idomeneu fizera um voto de sacrificar a Posídon o primeiro ser vivo que encontrasse, mal pisasse terra firme. Acontece que o primeiro ser vivo que idomeneu vislumbrou ao chegar a Creta, foi um dos seus filhos. Obrigado pelo seu juramento, o rei preparava-se para o executar, quando os deuses, descontentes com este propósito sanguinário e pouco humano, lançaram a peste sobre o país. Então, Idomeneu, a fim de conjurar o flagelo, decidiu exilar-se, acabando por encontrar a morte no sul de Itália.
 
A ópera de Mozart, Idomeneu, rei de Greta (1781), apresenta o herói, tentando evitar o suplício de seu filho. Mas Posídon, deus do mar, irritado pelo não cumprimento do juramento, decide enviar um monstro que devastará todo o país. Então, a noiva do príncipe, uma princesa troíana, irá oferecer-se em troca do sacrifício do seu bem-amado. Comovidos, os deuses decidem perdoar Idomeneu, libertando-o do seu juramento.






29.12.04

MUSAS
DESCONHEÇO O AUTOR
MITOS DA GRECIA E ROMA
MITOLOGIA E FOLCLORE
 
 
Narram as lendas mitológicas clássicas que Urano, o primeiro deus do Céu, e de quem procedem todas as demais deidades, esposo de Gaia, a Terra, que, por sua vez, era filha do Caos, engendrou os Titãs, os Ciclopes e os chamados Hecatonquiros, cujo aspecto era terrível, já que tinham vários braços e cabeças. A presença de tais monstros assustava Urano, o qual, arrependido por ter engendrado tão terríveis criaturas e temendo que chegasse o dia que o atacariam e lhe arrebatariam o trono, trancou semelhantes criaturas, por ele engendradas, num local oculto nas profundidades da Terra; porém, aos Gigantes e aos Ciclopes os deixou em liberdade.
 
Mas, o relato lendário do início do mundo narra que Urano, pai de todos os deuses, e sua esposa Gaia, a mãe Terra, engendraram também a uma criatura delicada e efêmera, chamada Mnemosina, a Memória. Assim, Urano, pai de todos os deuses e soberano dos céus, engendrou os monstros mais horrorosos, mas também a uma criatura tão sensível como a Mnemosina, a Memória. Passou o tempo, os acontecimentos se sucederam e ocorreram coisas terríveis, os deuses lutaram entre si para apoderar-se do mundo, até que, no fim, Zeus se erigiu o Rei do Olimpo e pai de todos os deuses.
 
Zeus, o esposo infiel da deusa Hera, a Juno dos romanos, não só sabia lançar com destreza e eficácia seu raio destruidor contra todos os inimigos que se atreviam a opor-se a seus desígnios, como também utilizava um sem fim de argúcias e artimanhas para conquistar tanto as deidades como as mais formosas dentre as filhas dos mortais.
 
Assim, Zeus era um deus namorador e ao ver a bela Mnemosina, a frágil Memória, desejou jazer com ela. E, já que sempre satisfazia seus caprichos, principalmente aqueles relacionados com o desejo amoroso, o deus Rei do Olimpo se deitou com Mnemosina e depositou no ventre da frágil criatura a semente de onde sairia uma admirável e numerosa descendência: as Musas, isto é, as divindades tutelares das artes e das ciências.
 
Além do patrocínio no estudo e na criação, as Musas tocam instrumentos musicais, cantam harmoniosamente e dançam diante de seus companheiros do Olimpo, e sempre atuam com desinteresse e generosidade, pois são depositárias da sabedoria, da beleza formal e da alegria das deidades.
 
Foi tão importante a graça das Musas que, segundo se dizia, tinham sido os próprios deuses que pediram a Zeus que tivesse a deferência de engendrar a tão necessários seres para regozijo dos céus, e que, escutada e atendida a petição, Zeus amou Mnemosina nove noites sucessivas, para que pudessem ser concebidas as nove Musas do Céu e da Terra que tanto anelavam.
 
A seguir os nomes e empreendimentos das nove Musas, das nove irmãs, filhas de Zeus e Mnemosina:
 
Calíope era a primeira e mais poderosa das Musas, a responsável pela eloqüência, da épica e inclusive da ciência.
 
Clío responsável pela história e, de forma complementar, tutelava também a conservação do recurso de todas as gestas e façanhas.
 
Erato foi a Musa das odes amorosas e da lírica do erotismo e, portanto, a encarregada de acompanhar os deuses e os humanos no amor e no matrimônio.
 
Euterpe se encarregava de patrocinar a música e a lírica popular.
 
Melpómene estava originalmente a cargo do canto coral e desde ali passou aos coros da tragédia.
 
Polimnia era a Musa do canto sagrado e da mímica.
 
Tália, com sua alegria, se encarregava de tutelar o teatro cômico.
 
Terpsícore tinha nascido para a dança e a ela se dedicou por completo, independente de tratar-se de baile profano ou sagrado.
 
Urânia era a deidade que estudava os astros e seus movimentos no céu.

As Musas estavam presentes de muitas e distintas maneiras na vida prodigiosa dos deuses e dos heróis, cantando as obras realizadas por eles, como fazia a boa Clío, enquanto sua mão escrevia com detalhes o acontecido ela fazia soar a trombeta da fama, para que ninguém pudesse ficar sem conhecer o portento e o protagonista.
 
Calíope, mais recolhida e pensativa, era quem fazia sua a ciência e dava forma à epopéia, compondo os melhores versos que a épica podia querer para si.
 
Erato, igual a Apoio, gostava de tocar a lira e dançar a seu som, e animava a todos quantos dançavam e cantavam.
 
Euterpe enchia de gozo àqueles que se deixavam atrair pela música dos mais humildes, e personificava seu apego por músicos modestos, acompanhando-se com uma flauta rústica.
 
Melpómene estava submetida à disciplina coral de Dionísio e essa adscrição garantia sua arte, o que lhe valeu ser incluída nas filas dos cantores da tragédia, cantores corais que deviam modular sua voz à harmonia e a prestância do conjunto para melhor representar a cena das grandes histórias nas quais se cruzavam nos caminhos os deuses com os passos incertos dos seres humanos.
 
À serena Musa Polimnia correspondia atuar como patrona da música que se dedicava aos deuses, e aparecia sempre pensativa e majestosamente escondida na sua longa túnica.
 
Tália chegou a ser a mais querida Musa da festiva representação teatral da comédia, a Musa contraposta a sua irmã Melpómene. Era a deusa bacante e cômica de máscara em mãos e coroa de hera sobre a fronte, sempre disposta a fazer rir e sonhar a seus espectadores.
 
Terpsícore dançava ao som de sua cítara, mas não como Erato, senão com a dignidade que devia dar-se às danças dramáticas.
 
Urânia estava num mundo aparte ao de suas irmãs, já que ela cuidava do céu e dos corpos que nele brilhavam, e se ocupava de medir o orbe com seu compasso, estabelecendo sobre a face da terra os muitos conhecimentos que da observação astronômica se derivam. Mesmo assim, quando sucede a trágica morte de Orfeu, as Musas são as que se apiedam do seu assassinato pelas mãos de Dionísio, e também são elas quem se encarregam de recolher seus destroçados restos com cuidados especiais para enterrá-los onde lhes correspondem estar, junto ao sagrado monte do Olimpo, como uma última homenagem ao mortal Orfeu na Terra.
 
As Musas também estão presentes com sua dor nos longos e dolorosos funerais de Aquiles, que duraram dezessete dias com suas dezessete noites, como requeria a grandeza do herói que se chorava.
 
Em outras cerimônias muito mais alegres, como foram as bodas de Aristeo, o jovem filho de Apoio e de Cirene, ou os renomados casamentos de Tétis e Peleo, também estavam as doces e carinhosas Musas para rubricar com sua presença a alegria da celebração.
 
As Musas aparecem em outros episódios mitológicos, como quando se conta a aventura tão trágica de Édipo, a quem a Esfinge propõe um enigma aprendido daquelas, e que versa aparentemente sobre a identidade de uma estranha criatura que resulta ser alguém bem próximo a Édipo e a toda a humanidade, já que se trata de descrever de forma crítica o ser humano em tão conhecida adivinhação.
 
Nove deusas e filhas de Zeus e de Mnemósina, a deusa da memória. As Musas presidiam as artes e as ciências e acreditava-se que inspiravam todos os artistas, especialmente  poetas, filósofos e músicos.
 
Calíope era a musa da poesia épica, Clio da história, Euterpe da poesia lírica, Melpômene da tragédia, Terpsícore das canções de coral  e da dança, Erato da poesia romântica, Polímnia da poesia sagrada, Urânia da astronomia, e Tália da comédia. Eram as companheiras das Graças e de Apolo, o deus da  música.
 
Sentavam-se próximas ao trono de Zeus, rei dos deuses, e cantavam sobre sua grandiosidade, a origem do mundo, seus habitantes e os feitos gloriosos dos
grandes heróis. As Musas eram adoradas por todo a Grécia antiga, especialmente em Helicon, na Beócia e em Pieria, na Macedônia.






29.12.04

O MITO DA CRIAÇÃO
DESCONHEÇO O AUTOR
MITOS DA ALEMANHA
MITOLOGIA E FOLCLORE
 
 
No início dos tempos, não existia nada além do Ginnungagap. Nem areia, mar, céu ou terra, haviam sido criados. Depois de muito tempo, um novo reino ao sul emanou, um reino chamado Muspellheim, feito de fogo, brasas ardentes e calor abrasador. No norte uma segunda região, chamada Niflheim, surgiu, e que consistia de ventos amargos, gelo e neve. Ginnungagap ficava entre estes dois reinos, e as águas dos onze rios da fonte Hvergelmir ali fluíam. No meio do vácuo tudo era moderado, até um dia em que os elementos de fogo e gelo colidiram, ao norte a brisa fria de Niflheim começou a congelar o vácuo, enquanto a parte meridional foi degelada pelo calor que emanava de Muspellheim. Tudo era desordem. Mas das gotas deste grande caos, a vida emergiu, na forma de um gigante de gelo. Seu nome era Ymir e os gigantes de gelo são seus descendentes. Certa vez, enquanto Ymir estava adormecido, o primeiro homem e mulher nasceram do suor da sua axila esquerda, e suas pernas deram à luz a um filho.
 
Enquanto isso, o gelo em Ginnungagap continuava derretendo, até que a vaca Audumbla emergiu. Esta alimentou o gigante Ymir com suas quatro tetas e se sustentou lambendo seu gelo. Quando Audumbla passou três noites sucessivas lambendo os blocos de gelo salgado, outro ser apareceu, seu nome era Buri, e seu filho Bor casou com Bestla, e desta união surgiram Ve, Vili e Odin, os primeiros deuses. Os filhos de Bor sentiam um ódio tremendo pelo gigante Ymir, e então engendraram sua a morte. Os três irmãos tomaram o cadáver de Ymir e o levaram ao centro de Ginnungagap e o cortaram em vários pedaços.
 
Com o descomunal dorpo do gigante, Ve, Vili e Odin criaram o mundo, de sua carne de fizeram a terra, e dos ossos as montanhas. Das partes esqueléticas quebradas de Ymir, dentes, e dedões dos pés criaram rochas, pedregulhos e pedras. O sangue que fluia de Ymir deu lugar aos rios, lagos, e mar. Larvas cresceram da carcaça de Ymir, e estas foram amoldadas em anões. Ve, Vili e Odin ergueram o crânio de Ymir tão alto que este alcançou o fim dos limites da terra, isto eles chamaram de céu, e para sustentá-lo sobre a terra, os filhos de Bor colocaram quatro anões, Nordri, Sudri, Austri, e Vestri ,um em cada um dos quatro cantos. Os três irmãos arrebataram brasas ardentes do reino de Muspellheim e formaram o sol, a lua, e as estrelas. Estes globos foram colocados sobre o mundo para iluminar a terra e para algumas estrelas foram determinados pontos fixos no céu, enquanto para outras foi dada permissão para dançarem livremente.
 
Ve, Vili e Odin criaram o mundo em forma esférica, e um corpo de água cercou a terra. Eles designaram a parte do mundo, chamada Jotunheim, para a raça conhecida como os gigantes de gelo e pedra. Devido à maldade dos gigantes sobre os humanos, os irmãos levaram as sobrancelhas de Ymir para formar um muro protetor ao redor do centro da terra. Isto abrigou a área que foi chamada Midgard, e que abrigaria os humanos.
 
O cérebro de Ymir foi arremessado aos céus, pelos três deuses e com eles formaram as nuvens. Um dia, enquanto os filhos de Bor caminhavam por Midgard, apreciando sua criação, perceberam que algo faltava Ao encontrarem dois troncos de árvore caídos, um de Freixo e o outro de Olmo, Odin criou o primeiro homem e mulher e lhes deu a essência da vida, Vili lhes deu raciocínio e sentimentos, enquanto Ve lhes deu a habilidade para ouvir, falar e ver. Seus nomes eram Ask e Embla. Ve, Vili e Odin ainda criaram os meios para medir e gravar o tempo, as fases claras e escuras da terra que eram governadas pela Noite e pelo Dia. Odin fixou-os nos céus em carruagens que circulam o mundo todo a cada dois meio dias. A carruagem de Noite é puxada por um cavalo de nome Hrimfaxi e a carruagem de Dia por uma égua de nome Skinfaxi. Um homem de nome Mundilfari teve um filho ao qual deu o nome de Lua e uma filha à qual deu o nome de Sol.
 
Dizia-se que os dois irmãos possuíam uma beleza radiante. Odin então arrebatou Sol e Lua, e colocou-os nos céus para guiar os globos que têm estes nomes. Eles dirigiam carruagens, e seus cavalos eram chamados Arvak (Crina Radiante) e Alsvid (o poderoso e jovem marchador). Lua segue a lua ao redor e decide suas fases. Sol é perseguida por um lobo de nome Skoll, enquanto um lobo de nome Hati Hrodnitnisson corre à frente dela tentando pegar Lua. Lua e Sol serão devorados pelos lobos, momentos antes do Ragnarok -o fim do mundo.






29.12.04

EUMÊNIDES
DESCONHEÇO O AUTOR
MITOS DA GRECIA E ROMA
MITOLOGIA E FOLCLORE
 
 
Antigos espíritos da terra ou deusas associados à fertilidade, mas também tendo certas funções sociais e morais.
 
Tradicionalmente em número de três, as Eumênides eram adoradas em Atenas e em terras fora da Ática. Embora seu nome por vezes queira dizer "as benevolentes" "as graciosas," e "as veneráveis," as deusas eram normalmente retratadas como as Górgonas, criaturas com cobras ao invés de cabelos e olhos injetados de sangue.
 
Sua aparência vai de encontro com sua identificação, em outras lendas, com as Erínias, três deusas vingativas do mundo inferior.
 
Na sua peça "As Eumênides", o dramaturgo ateniense Ésquilo contou a perseguição de Orestes pelas Erínias, depois que aquele matou sua mãe, Clitemnestra, para se vingar da morte de seu pai, Agamenon, o qual Clitemnestra havia assassinado. Sem se importarem com os motivos que o levaram a cometer o crime, as Erínias perseguiram Orestes por toda a parte, até Atenas.
 
Aí Orestes apelou à deusa Atena, que presidiu seu julgamento e lançou o voto decisivo a favor de sua absolvição. Depois deste julgamento, as Erínias aceitaram um novo papel como guardiãs da justiça e tornaram-se conhecidas como as Eumênides.






28.12.04

URANO
GEORGES HACQUARD
MITOS DA GRECIA E ROMA
MITOLOGIA E FOLCLORE
 
 
Deus dos céus e marido de Géia, deusa da terra. Urano era o pai dos Titãs, dos Ciclopes e dos Gigantes de Cem-Mãos. Os Titãs, liderados por seu regente, Cronos, destronaram Urano e o mutilaram, e do sangue que caiu sobre a terra criou as Erínias (ou Fúrias), que se vingavam dos crimes de patricídio, matricídio e perjúrio.
 
Embora Urano pudesse ter sido adorado como um deus pelos primeiros habitantes da Grécia, ele nunca foi objeto de adoração pelos gregos no que diz respeito ao período histórico.
 
O primeiro rei do Universo, segundo Hesíodo (céu estrelado). 
 
Casou-se com Géia, da qual teve os Titãs, as Titânidas, os Ciclopes e os Hecatonquiros. Urano, por ódio, lançou no Tártaro os Ciclopes e os Hecatonquiros, Géia porém deu uma foice aos Titãs para que se vingassem. Cronos, o mais audacioso deles, castrou Urano e tornou-se o senhor do universo! 
 
Urano é o céu estrelado divinizado. Segundo Hesíodo, ele foi criado, na origem do mundo, por Geia, a Terra, tal como o seu irmão Ponto, o Mar.
 
Deus masculino, foi concebido à dimensão de sua mãe, de modo que, diz a Teogonia, "pudesse cobri-Ia completamente". Assim, desta união nasceram os terríveis Titãs, os Ciciopes "de coração violento" e os monstruosos Hecatonquiros.
 
Urano odiou os seus filhos desde o primeiro dia. "Mai eles nasciam, em lugar de os deixar sair à luz do dia, atirava-os para as entranhas da Terra".
 
Geia implorou, então, a ajuda dos seus filhos e Cronos, o último dos Titãs a nascer, recebeu de sua mãe uma foice destinada a mutilar o seu pai.
 
Rodeado pela Noite, Urano resolveu seduzir Geia: "ávido de amor, ele aproximou-se e o seu desejo cresceu". Então Cronos interveio e, com um golpe de foice, mutilou o seu pai.
 
Os salpicos de sangue que caíram, entretanto, sobre Geia, irão fertilizá-la mais uma vez, levando-a a gerar as poderosas Erínias, os terríveis Gigantes e as ninfas dos freixos, as Melíades.
 
Outros salpicos de úrano caíram sobre o mar: uma onda de espuma apareceu e dela saiu a "bela e venerada deusa" Afrodite. Quanto à foice, deitada ao mar, dará origem à ilha de Corfu.
 
A deposição violenta de úrano porá fim àquilo que se chama a primeira geração hesiódica. O reino de Cronos, que lhe sucederá, marcará a "segunda geração".
 
A cosmogonia do orfismo apresenta Urano como irmão de Geia, sendo os dois filhos da Noite. O resto da lenda segue nas grandes linhas o relato de Hesíodo.






28.12.04

PAIXÃO AMOROSA
DESCONHEÇO O AUTOR
MITOS DA ASSIRIA E DA BABILONIA
MITOLOGIA E FOLCLORE
 
 
Tinha decorrido já um tempo prudencial desde que Isthar descera ao mundo dos humanos mortais e tudo indicava que estes não eram muito mais felizes do que antes da vinda da deusa. E é que a primitiva paixão amorosa tinha derivado em suspeita e suspicácia entre os amantes e, pelo mesmo motivo, os ciúmes tinham-se apresentado para dominar toda a situação. A mútua desconfiança substituirá o idílico entendimento entre os amantes. Desde essa altura não existirá amor sem o seu contrário, o ódio, sobre a Terra.
 
A própria deusa Isthar terminou por abandonar em breve o mundo dos humanos e todos os seus amantes mortais, para dirigir-se para os lugares freqüentados pelos outros deuses. Lá encontrou-se com Tamuz - jovem deus e belo como um efebo, que presidia as colheitas- e ficou imediatamente impressionada pela sua beleza. Até se diz que, quando aquele morreu, a deusa do amor desceu aos abismos insondáveis da Terra à sua procura. Deste modo, se cumpre o relato popular dos assírios, segundo o qual também os lugares de perdição -"a casa onde se entra, mas donde não se sai"- conheceram o amor, dado que houve ocasiões em que foram visitados pela deusa Isthar.






28.12.04

SANDY SNAVELY
CONTOS E LENDAS
 
 
Meu marido e eu gostamos imensamente de velejar. Demos ao nosso barco de 27 pés o nome de Mar Sensual, porque ele representa para nós a sedução que a água exerce em nosso espírito aventureiro. Quando a água está calma e o vento sopra tranqüilo, velejar é uma experiência profundamente enriquecedora. Contudo, há ocasiões em que a água se torna violenta e o vento sopra terror através de nossas veias, como se fosse um inimigo invisível.
 
Certo dia, enquanto subíamos o rio Colúmbia em direção a Astoria, um fenômeno marítimo, conhecido apropriadamente como “fazedor de viúvos”, interrompeu nossa pacífica viagem. Ondas de quase dois metros batiam em nós, uma após outra, e tivemos de nos firmar para enfrentar os solavancos.
 
De repente, Bud ouviu um som que parecia vir da proa. Ao esticar o corpo para enxergar através da água que o vento atirava à nossa volta, ele constatou que a âncora havia-se deslocado do lugar e estava batendo contra o casco do barco. A cada pancada, aumentava o perigo de ser aberto um buraco na fibra de vidro, ameaçando nossa segurança.
 
Bud fez, então, a coisa mais assustadora que o vi fazer. Sem um colete salva-vidas ou uma corda de segurança, ele se dirigiu à extremidade da proa, deixando-me na cabina para manejar o leme enquanto ele resolvia o problema da âncora.
 
Um de meus pontos fortes na arte de velejar sempre foi minha habilidade em manter o barco no rumo certo—até aquele momento em que a vida de meu marido estava em risco, na beira do barco. Ondas cada vez mais bravias batiam nele, como se fossem gigantescos ciganos do mar tentando abatê-lo. Focalizando os olhos em Bud, eu comecei imediatamente a planejar o que fazer para resgatá-lo caso ele caísse na água.
 
O som da voz de meu marido gritando para mim através da tempestade afastou meu medo e fez-me voltar a raciocinar:
 
— Retome ao rumo certo! Aponte o barco na direção do marcador!
 
Desviar os olhos de meu marido e focalizá-los no marcador foi, para mim, a ordem mais difícil de obedecer. Meus instintos não permitiam que eu virasse as costas àquilo que parecia ser a necessidade do momento e passasse a confiar nas regras da água. No entanto, quando obedeci ao comando de Bud, fui capaz de retornar o barco ao rumo certo. Bud prendeu a âncora no lugar e, mais uma vez, estávamos seguindo a direção correta.
 
Naquela tarde, nós dois aprendemos uma preciosa lição: O perigo ronda em cada esquina e somos tentados a desviar a atenção de nossos verdadeiros objetivos, a mudar as regras para resolver o que parece ser a crise mais iminente da vida.
 
Porém, existem princípios sólidos desenvolvidos para nos levar em segurança ao nosso destino, se estivermos dispostos a confiar neles e não nos desviarmos do rumo diante de medos repentinos. Devemos estar determinados a estudar os mapas, seguir as regras, e firmar o rumo, ou cairemos de cabeça nas águas profundas quando as tempestades da vida nos atingirem.






28.12.04

DESCONHEÇO O AUTOR
MITOS DO BRASIL
MITOLOGIA E FOLCLORE
 
 
Na opinião de Câmara Cascudo, a Iara é simplesmente uma forma literária brasileira para representar a lenda mediterrânea da sereia sedutora ou da Mãe D'Água do folclore africano, e não um mito autenticamente brasileiro.
 
O mito autêntico, ligado à origem, aos mistérios e a temores da água, é o do Ipupiara (o que reside ou mora nas fontes).
 
Ao contrário do mito mediterrâneo e do africano, o mito brasileiro do Ipupiara refere-se a um homem-marinho, gênio protetor das nascentes e olhos d'água e como tal, de certo modo, inimigo dos pescadores, marisqueiros e lavadeiras.
 
Os cronistas dos séculos XVI e XVII registraram essa história. No princípio, o personagem era masculino e chamava-se Ipupiara, homem peixe que devorava pescadores e os levava para o fundo do rio.
 
No século XVIII, Ipupiara vira a sedutora sereia Uiara ou Iara. Todo pescador brasileiro, de água doce ou salgada, conta histórias de moços que cederam aos encantos da bela Uiara e terminaram afogados de paixão. Ela deixa sua casa no fundo das águas no fim da tarde. Surge magnífica à flor das àguas: metade mulher, metade peixe, cabelos longos enfeitados de flores vermelhas. Por vezes, ela assume a forma humana e sai em busca de vítimas.
 
Quando a Mãe das águas canta, hipnotiza os pescadores. Um deles foi o índio Tapuia. Certa vez, pescando, Ele viu a deusa, linda, surgir das águas. Resistiu. Não saiu da canoa, remou rápido até a margem e foi se esconder na aldeia. Mas enfeitiçado pelos olhos e ouvidos não conseguia esquecer a voz de Uiara. Numa tarde, quase morto de saudade, fugiu da aldeia e remou na sua canoa rio abaixo.
 
Uiara já o esperava cantando a música das núpcias. Tapuia se jogou no rio e sumiu num mergulho, carregado pelas mãos da noiva. Uns dizem que naquela noite houve festa no chão das águas e que foram felizes para sempre. Outros dizem que na semana seguinte a insaciável Uiara voltou para levar outra vítima.
 
Alguns mitos brasileiros misturaram-se a lendas européias. Como exemplo começamos com uma estória que viajantes portugueses encontravam por aqui. Eles ouviam falar de um fantasma marinho, afogador de índios, que espantava pescadores e lavadeiras, era o "ipupiara", um monstro meio homem, meio peixe, que para se divertir, saía das águas para matar.
 
Tempos mais tarde o ipupiara tornou-se a "uiara", uma versão portuguesa da sereia. Depois uiara virou "iara" que "significa senhora das águas", também conhecida como mãe-d'água. Depois de várias transformações a lenda conta que a mãe-d'água é uma bela mulher de longos cabelos loiros e olhos verdes, que vive em um palácio no fundo das águas, para onde atrai os jovens com quem deseja casar. Outros mitos aquáticos povoam a cabeça dos caboclos brasileiros, principalmente dos que vivem na região da Amazônia: a cobra-grande, a cobra d'água e a boiúna.
 
A Iara é uma bonita moça que vive na água. Assim contam os índios. Dizem que ela é tão linda, que ninguém resiste ao seu encanto. Costuma cantar com uma voz tão doce que atrai a gente. Quando se percebe é tarde. Ela arrasta a gente para o fundo das águas. Os índios têm tanto medo da Iara, que ao entardecer evitam ficar perto dos lagos e dos rios. Receiam ser atraídos por ela. Como aconteceu com Jaguarari.
 
Jaguarari era um moço índio muito forte e bonito. Todos admiravam-lhe a coragem, a habilidade para caçar e pescar e gostavam muito dele. Vivia feliz, sempre cantando, sem conhecer sequer uma sombra de tristeza.
 
Gostava de andar pela floresta, ouvir o canto das aves, admirar a natureza, que naquelas matas era sempre imponente e bela.
 
Um dia, num desses passeios, afastou-se demais de sua aldeia. Como já era de tardezinha, e ele se sentia um pouco cansado, sentou-se à beira do rio e ficou admirando sua superfície calma e cristalina como um vidro. Não durou muito e ouviu um canto que o deixou maravilhado. Era o canto mais lindo que jamais ouvira. E como era irresistível! Caminhou, quase sem perceber, na direção de onde vinha a mágica melodia. De repente, no meio do rio, surgiu a Iara, radiosa e linda como ninguém. Sempre atraído, já estava quase dentro da água, quando lembrou-se do que os mais velhos contavam sobre a Iara e agarrou-se desesperadamente ao tronco de uma árvore. Como era muito forte, Jaguarari conseguiu resistir. Imediatamente, afastou-se daquele lugar e voltou para sua aldeia.
 
Pobre Jaguarari! Tinha ouvido o canto da Iara e agora estava enfeitiçado. De nada adiantaram os conselhos de sua mãe e dos mais velhos, de que devia esquecer a Iara. Foi ficando cada dia mais triste e pensativo. Não conseguia esquecer-se do canto da Iara, de sua voz maravilhosa. Precisava ouvi-la de novo.
 
Dias depois, não resistindo mais, pegou sua canoa e remou rio abaixo, rumo ao lugar onde vira a Iara. Sabia que ia encontrá-la novamente.
 
E assim foi. Lá distante, quem olhasse, via Jaguarari de pé na canoa em companhia de uma moça. Era a Iara. Foi a última vez que alguém viu Jaguarari.
 
Entidade aquática ; mulher fantástica, sereia dos rios e lagoas na mitologia indígena. 
 
Mito baseado no modelo das sereias dos contos homéricos, a Iara é a Vênus amazônica; é uma ninfa loira de longos cabelos, corpo deslumbrante e de beleza irresistível. Tem as mesmas características das sereias: mulher da cintura para cima, peixe da cintura para baixo. Tal como no original grego, é capaz de enfeitiçar a todos que o ouvem, arrastando-os em sua direção, até o fundo dos rios, lagos, igarapés, etc., onde vivem esses seres fabulosos.
 
Crianças também são atraídas. Neste caso, elas são raptadas e levadas para viver debaixo d'água. Crêem os ribeirinhos que essas crianças estão "encantadas" no reino da "gente do fundo". Ficam lá aprendendo todos os segredos da manipulação de plantas, ervas, poções, remédios e magias e são "devolvidos" depois de 7 anos já como um grande feiticeiro, um xamã.
 
Ente fantástico, imaginado como uma sereia de rios e lagos ; fonte ou reservatório de água.
 
Mulher encantada que reina debaixo das águas do rio São Francisco) e o tão conhecido Saci, a Lenda do Chico Rei - é muito longa mas lembra o homem que governava o povo do Sul da África nas proximidades da foz do Rio Congo. Preso, subjugado e trazido para o Brasil. Nas costas do Rio de Janeiro seu barco fundou num lugar chamado Valongo. Todos os negros que estavam neste barco foram comprados por mineiradores de Vila Rica - hoje Ouro Preto, MG. Dada sua cultura, ocupou lugar de destaque junto aos escravos e também junto à Igreja. Conseguiu fundar uma guarda de "Congos", da qual participavam todos os negros forros de sua grei. participavam das festas de N.S. do Rosário sempre com a licença do Sinhô e da Sinhá. 






28.12.04

JURUPARI
DESCONHEÇO O AUTOR
MITOS DO BRASIL
MITOLOGIA E FOLCLORE
 
 
Ser demoníaco (comparável ao Anhanga) originado de lendas tupis. Diz o mito que era filho de uma virgem e foi enviado para o Sol para reformar os costumes na Terra. Conquistou para os homens o poder que estava com as mulheres, mas falhou na missão de encontrar uma noiva ideal para o Sol e, por isso, permanece levando uma vida oculta na Terra. O nome "Jurupari" quer dizer que fez fecho da nossa boca. Vindo, pois, de "iuru" (boca) e "pari" (aquela grade de telas com que se fecham os igarapês e bocas de lagos para impedir que o peixe saia ou entre). Era bastante temido pelos Tupis.






27.12.04

AGUAS
DESCONHEÇO O AUTOR
MITOS CELTAS E DA GÁLIA
MITOLOGIA E FOLCLORE
 
Os celtas adoravam as águas dos diferentes mananciais e consideravam sagradas todas as fontes. Em torno delas teceram variedade de lendas, algumas das quais sobreviveram até aos nossos dias. Havia um deus das águas termais chamado Bormo, Borvo ou Bormanus, conceitos que têm o significado de "quente", daqui derivará Bourbon, ou "luminoso" e "resplandecente", com que era reconhecido também, em ocasiões, como o deus da luz. E o seu ancestral culto daria lugar à comemoração das célebres festas irlandesas, as "Baltené", que se celebram no primeiro de Maio.
 
Muito freqüentemente, os heróis celtas consideravam-se filhos do rio Reno, pois da margem direita deste rio provinha essa etnia celta que invadiu a Gália, as Ilhas Britânicas, Espanha, parte da Alemanha e a Itália e o vale do Danúbio-, dado que sentiam a necessidade de ser purificados pelo poder catártico da água. Não obstante, a deidade mais peculiar das águas era Epona, assimilada do mundo grego-, que sempre ia montada a cavalo, animal que o deus do mar, Possêidon, tinha feito surgir com o seu tridente, tal como ficava registrado na mitologia clássica, pelo qual também era considerada entre os celtas como uma deusa eqüestre. Havia também uma espécie de padroeira de mananciais e fontes à qual os galos denominavam Sirona.






27.12.04

AMAZONAS
DESCONHEÇO O AUTOR
MITOS DO BRASIL
MITOLOGIA E FOLCLORE
 
 
"São muito alvas e altas, com o cabelo muito comprido, entrançado e enrolado na cabeça. São muito membrudas e andam nuas em pêlo, tapadas as suas vergonhas, com os seus arcos e flechas nas mãos, fazendo tanta guerra com dez índios"... "lutavam tão corajosamente que os índios não ousavam mostrar as espáduas, e ao que fugia diante de nós, o matavam a pauladas". "...residiam no interior, a sete jornadas da costa. Eram sem marido. Dividiam-se, numerosas, em setenta aldeamentos de pedra, com porta, ligadas as povoacões por estradas amparadas, dum e doutro lado, com cercas, exigindo pedágio aos transeuntes. Quando lhes vinha o desejo, faziam guerra a um chefe vizinho, trazendo prisioneiros, que libertavam depois de algum tempo de coabitação. As crianças masculinas eram mortas e enviadas aos pais e as meninas criadas nas coisas da guerra. A rainha se chamava Conhori. Há riqueza imensa de ouro, prata, serviços domésticos em ouro para fidalgas e de pau para as plebéias. Na cidade principal havia 5 casas grandes, com adoratórios dedicados ao Sol. As casas de devoção são os Caranai. Têm assoalho no solo e até meia-altura, os tetos forrados de pinturas coloridas. Nesses templos estão ídolos de ouro e prata em figuras femininas e muitos objetos preciosos para o serviço do Astro-Rei. Vestem finíssima lã de ovelha do Peru. Usam mantas apertadas, dos peitos para baixo, o busto descoberto, e um como manto, atado adiante com uns cordões. Trazem cabelos soltos até o chão e na cabeça coroas de ouro, da largura de dois dedos".






27.12.04

NEREU
GEORGES HACQUARD
MITOS DA GRECIA E ROMA
MITOLOGIA E FOLCLORE
 
 
Velho deus marinho, filho do Ponto e de Géia. tinha o dom da profecia e a faculdade de tomar várias formas. Era representado com os cabelos, sobrancelhas, queixo e peito cobertos por juncos marinhos e por folhas de plantas similares. 
 
Deus do mar, filho do deus do mar Ponto e Géia, a Mãe-Terra, conhecido como o velho homem do mar. Foi casado com Dóris, uma das filhas do Titã Oceano, com quem teve 50 lindas filhas, as ninfas do mar, conhecidas como Nereidas. Nereu vivia no fundo do mar.
 
Filho de Ponto e de Geia, desposou uma filha do Oceano, Dóris. As suas cinquenta filhas, as Nereides, dotadas de uma grande beleza, personificavam as vagas do mar. Entre elas, podemos destacar Tétis que casou com o herói Peleu e foi mãe de Aquiles, Anfitrite que desposou Posídon e Galateia que foi cortejada pelo cíclope Polifemo.
 
A maior parte das Nereides viviam em família no palácio subterrâneo de seu pai, o "ancião do mar" (ele pertence à geração anterior a Posídon). Nereu é um deus benfeitor, e como a maior parte das divindades marinhas tem o poder de se transformar; além disso, tem ainda o dom de dupla visão e será, a este título, solicitado por Héracies na descoberta do jardim das Hespérides.






27.12.04

JUDY SPIKES
TRADUÇÃO DE SERGIO BARROS
CONTOS E LENDAS
 

Tão longe quanto posso me lembrar, sempre fui uma criança solitária. Embora fosse a mais nova entre quatro crianças, ser o "bebê da família" não me deu nenhum privilégio especial e nem atenção extra. Aliás, exatamente o contrário ocorria. 
 
Para minha mãe, eu era pequena demais para ajudar na casa. Seu tempo e energia eram para os trabalhos da casa, não sobrava para sua jovem filha e meu pai ignorou-me a maior parte do tempo - seu trabalho e passatempos vinham primeiro. 
 
Tinha meus irmãos. Minha irmã mais velha tinha sete anos a mais, depois vinham nossos irmãos que, naturalmente, não iam brincar com uma menina! 
 
Um dia, quando eu tinha cinco anos de idade, me aventurei a ir até duas quadras acima em nossa rua, onde a maioria das crianças da vizinhança se juntavam para brincar. Poucos carros passavam por ali então, podíamos usar a rua como nosso pátio de recreio. 
 
Aquele dia foi decisivo em minha vida. Encontrei meu primeiro anjo. Eu não sabia, àquela época, o que Deus fazia, mas relembrando agora, posso ver o trabalho de sua mão divina. 
 
Ela tinha o cabelo suave, dourado, que abraçava seu semblante de querubim, e olhos verdes cheios de amor e aceitação quando sorriu para mim. E além de tudo, ela tinha uma bicicleta novinha e sem rodinhas de apoio, e ela estava disposta a me deixar andar! 
 
A bicicleta era maravilhosa, mas meu coração estava mais exaltado por ter uma amiga, alguém que realmente gostou de mim, alguém que me aceitou. 
 
Pouco tempo depois, meu anjo me convidou para brincar em sua casa, onde tinha muitos outros brinquedos. 
 
Me enchi de coragem e pedi permissão à minha mãe e, para meu júbilo, ela disse sim! Corri para a casa de minha amiga, um sorriso aliviado esticando meu rosto de orelha a orelha. 
 
Logo convidou-me para ir à igreja, então quase todos os domingos eu ia com ela e sua mãe. Meu pequeno anjo foi a primeira pessoa em minha vida a me falar sobre o amor de Deus. 
 
Com o passar dos anos, tivemos novas formas de divertimento. Nos desenvolvemos e crescemos e nossa amizade nunca foi ameaçada ou enfraquecida. 
 
Deus colocou outros anjos em meu caminho através dos anos, mas nem era necessário. 
 
Estamos crescidas agora, temos nossas próprias crianças. Depois de nossos casamentos, não tivemos a sorte de vivermos na mesma área, mas isso não importa. Nosso elo não pode ser quebrado, haja o que houver. 
 
Deus nos colocou juntas quando eu mais precisava de um anjo e de um amigo. Deus sempre nos estende braços amorosos. Os braços amorosos do contato humano.






27.12.04

UIRAPURU
DESCONHEÇO O AUTOR
MITOS DO BRASIL
MITOLOGIA E FOLCLORE
 
 
Um jovem guerreiro se apaixonou pela esposa do grande cacique.
 
Como não podia se aproximar dela, pediu a Tupã que o transformasse num pássaro.
 
Tupã o transformou em um pássaro vermelho, que à noite cantava para sua amada.
 
É por isso que o Uirapuru é considerado um amuleto destinado a proporcionar felicidade nos negócios e no amor.
 
O Uirapuru é a ave de canto mais lindo da floresta. Quando ele canta, atrai as outras aves. Elas ficam silenciosas em volta dele, ouvindo-o cantar. Dizem que é tão mágico que depois de morto serve de talismã. Não há quem não fique encantado com o canto do Uirapuru.
 
Os índios têm uma estória muito bonita sobre como surgiu o Uirapuru. Contam eles que havia, em determinada tribo, duas moças índias que eram muito amigas. Estavam sempre juntas. Uma não largava a outra. Não havia nada que afastasse uma da outra.
 
Um dia, as duas acabaram-se apaixonando pelo mesmo índio, que era o novo cacique da tribo. Como ambas eram muito bonitas, ele não se decidia por nenhuma delas.
 
Quando chegou a época do novo cacique se casar, os mais velhos pediram que ele resolvesse sobre qual delas seria sua noiva. Sem saber qual escolher, ele propôs uma prova: aquela que acertasse com uma flecha, em pleno vôo a ave que ele indicasse seria a sua noiva. Se ambas acertassem, nova prova seria realizada.
 
No dia seguinte, na floresta apenas uma conseguiu acertar a ave e foi a escolhida. A outra passou a andar sozinha e ficava cada dia mais triste. Sentia saudade do cacique e da sua querida amiga, mas tinha vergonha de encontrá-los. Por isso, chorava. Chorou tanto que Tupã ficou compadecido. Para que a moça pudesse ver o casal de que tanto gostava, transformou-a num passarinho de aparência simples. Imediatamente ela voou para a cabana do cacique. Assim que chegou, viu o casal tão feliz, mas tão feliz que sentiu ciúme e ficou mais triste do que nunca.
 
Para resolver o problema, Tupã deu à índia-passarinho um canto muito bonito que a faria esquecer sua tristeza.
 
- De agora em diante - disse Tupã - você será o Uirapuru. Seu canto será tão bonito que a fará esquecer a sua tristeza. Quando os pássaros ouvirem suas notas maravilhosas, não poderão resistir. Ficarão em silêncio para ouvi-la cantar.
 
E assim foi. Até hoje a moça índia canta quando sente tristeza e toda a passarada fica em silêncio para ouvir o seu maravilhoso canto mágico.






22.12.04

UMA HISTÓRIA DE TANTO AMOR
CLARICE LISPECTOR
CONTOS E LENDAS
 
 
Era uma vez uma menina que observava tanto as galinhas que lhes conhecia a alma e os anseios íntimos. A galinha é ansiosa, enquanto o galo tem angústia quase humana: falta-lhe um amor verdadeiro naquele seu harém, e ainda mais tem que vigiar a noite toda para não perder a primeira das mais longínquas claridades e cantar o mais sonoro possível. É o seu dever e a sua arte. Voltando às galinhas, a menina possuía duas só dela. Uma se chamava Pedrina e a outra Petronilha.
 
Quando a menina achava que uma delas estava doente do fígado, ela cheirava embaixo das asas delas, com uma simplicidade de enfermeira, o que considerava ser o sintoma máximo de doenças, pois o cheiro de galinha viva não é de se brincar. Então pedia um remédio a uma tia. E a tia: "Você não tem coisa nenhuma no fígado". Então, com a intimidade que tinha com essa tia eleita, explicou-lhe para quem era o remédio. A menina achou de bom alvitre dá-lo tanto a Pedrina quanto a Petronilha para evitar contágios misteriosos. Era quase inútil dar o remédio porque Pedrina e Petronilha continuavam a passar o dia ciscando o chão e comendo porcarias que faziam mal ao fígado. E o cheiro debaixo das asas era aquela morrinha mesmo. Não lhe ocorreu dar um desodorante porque nas Minas Gerais onde o grupo vivia não eram usados assim como não se usavam roupas íntimas de nylon e sim de cambraia. A tia continuava a lhe dar o remédio, um líquido escuro que a menina desconfiava ser água com uns pingos de café - e vinha o inferno de tentar abrir o bico das galinhas para administrar-lhes o que as curaria de serem galinhas. A menina ainda não tinha entendido que os homens não podem ser curados de serem homens e as galinhas de serem galinhas: tanto o homem como a galinha têm misérias e grandeza (a da galinha é a de pôr um ovo branco de forma perfeita) inerentes à própria espécie. A menina morava no campo e não havia farmácia perto para ela consultar.
 
Outro inferno de dificuldade era quando a menina achava Pedrina e Petronilha magras debaixo das penas arrepiadas, apesar de comerem o dia inteiro. A menina não entendera que engordá-las seria apressar-lhes um destino na mesa. E recomeçava o trabalho mais difícil: o de abrir-lhes o bico. A menina tornou-se grande conhecedora intuitiva de galinhas naquele imenso quintal das Minas Gerais. E quando cresceu ficou surpresa ao saber que na gíria o termo galinha tinha outra acepção. Sem notar a seriedade cômica que a coisa toda tomava:
 
- Mas é o galo, que é um nervoso, é quem quer! Elas não fazem nada demais! e é tão rápido que mal se vê! O galo é quem fica procurando amar uma e não consegue!
 
Um dia a família resolveu levar a menina para passar o dia na casa de um parente, bem longe de casa. E quando voltou, já não existia aquela que em vida fora Petronilha. Sua tia informou:
 
- Nós comemos Petronilha.
 
A menina era uma criatura de grande capacidade de amar: uma galinha não corresponde ao amor que se lhe dá e no entanto a menina continuava a amá-la sem esperar reciprocidade. Quando soube o que acontecera com Petronilha passou a odiar todo o mundo da casa, menos sua mãe que não gostava de comer galinha e os empregados que comeram carne de vaca ou de boi. O seu pai, então, ela mal conseguiu olhar: era ele quem mais gostava de comer galinha. Sua mãe percebeu tudo e explicou-lhe:
 
- Quando a gente come bichos, os bichos ficam mais parecidos com a gente, estando assim dentro de nós. Daqui de casa só nós duas é que não temos Petronilha dentro de nós. É uma pena.
 
Pedrina, secretamente a preferida da menina, morreu de morte morrida mesmo, pois sempre fora um ente frágil. A menina, ao ver Pedrina tremendo num quintal ardente de sol, embrulhou-a num pano escuro e depois de bem embrulhadinha botou-a em cima daqueles grandes fogões de tijolos das fazendas das minas-gerais. Todos lhe avisaram que estava apressando a morte de Pedrina, mas a menina era obstinada e pôs mesmo Pedrina toda enrolada em cima dos tijolos quentes. Quando na manhã do dia seguinte Pedrina amanheceu dura de tão morta, a menina só então, entre lágrimas intermináveis, se convenceu de que apressara a morte do ser querido.
 
Um pouco maiorzinha, a menina teve uma galinha chamada Eponina.
 
O amor por Eponina: dessa vez era um amor mais realista e não romântico; era o amor de quem já sofreu por amor. E quando chegou a vez de Eponina ser comida, a menina não apenas soube como achou que era o destino fatal de quem nascia galinha. As galinhas pareciam ter uma pré-ciência do próprio destino e não aprendiam a amar os donos nem o galo. Uma galinha é sozinha no mundo.
 
Mas a menina não esquecera o que sua mãe dissera a respeito de comer bichos amados: comeu Eponina mais do que todo o resto da família, comeu sem fome, mas com um prazer quase físico porque sabia agora que assim Eponina se incorporaria nela e se tornaria mais sua do que em vida. Tinham feito Eponina ao molho pardo. De modo que a menina, num ritual pagão que lhe foi transmitido de corpo a corpo através dos séculos, comeu-lhe a carne e bebeu-lhe o sangue. Nessa refeição tinha ciúmes de quem também comia Eponina. A menina era um ser feito para amar até que se tornou moça e havia os homens.






22.12.04

PAULO COELHO
CONTOS E LENDAS
 
 
Certa manhã, Nasrudin - o grande místico sufi que sempre fingia ser louco - colocou um ovo embrulhado em um lenço, foi para o meio da praça de sua cidade, e chamou aqueles que estavam ali.
 
- Hoje teremos um importante concurso! - disse - Quem descobrir o que está embrulhado neste lenço, eu dou de presente o ovo que está dentro!
 
As pessoas se olharam, intrigadas, e responderam:
 
- Como podemos saber? Ninguém aqui é capaz de fazer adivinhações!
 
Nasrudin insistiu:
 
- O que está neste lenço tem um centro que é amarelo como uma gema, cercado de um líquido da cor da clara, que por sua vez está contido dentro de uma casca que quebra facilmente. É um símbolo de fertilidade, e nos lembra dos pássaros que voam para seus ninhos. Então, quem pode me dizer o que está escondido?
 
Todos os habitantes pensavam que Nasrudin tinha em suas mãos um ovo, mas a resposta era tão óbvia, que ninguém resolveu passar vergonha diante dos outros.
 
E se não fosse um ovo, mas algo muito importante, produto da fértil imaginação mística dos sufis? Um centro amarelo podia significar algo do sol, o líquido ao redor talvez fosse um preparado alquímico. Não, aquele louco estava querendo fazer alguém de ridículo.
 
Nasrudin perguntou mais duas vezes, e ninguém se arriscou a dizer algo impróprio.
 
Então ele abriu o lenço e mostrou a todos o ovo.
 
- Todos vocês sabiam a resposta - afirmou. - E ninguém ousou traduzi-la em palavras.
 
"É assim a vida daqueles que não tem coragem de arriscar: as soluções nos são dadas generosamente por Deus, mas estas pessoas sempre procuram explicações mais complicadas, e terminam não fazendo nada."






22.12.04

HORKLUMP
DESCONHEÇO O AUTOR
MITOS DA ESCANDINAVIA
MITOLOGIA E FOLCLORE
 
 
O horklump (tolete) teve origem na Escandinávia, mas hoje é encontrado em todo o norte europeu.
 
Lembra um cogumelo carnudo e rosado coberto de pêlos ralos, negros e duros. Procriador prodigioso, ele cobre um jardim de tamanho médio em questão de dias. O tolete lança tentáculos vigorosos na terra em lugar de raízes à procura do seu alimento preferido, as minhocas. Por sua vez, ele é uma iguaria apreciada pelos gnomos, mas não tem nenhum outro uso conhecido.






22.12.04

A PRINCESA ADOTADA
DESCONHEÇO O AUTOR
CONTOS E LENDAS
 
 
A história real me foi contada pelo escritor e amigo Arnaldo Niskier.  Ao estudar sua árvore genealógica para a elaboração de um livro sobre a tradição judaica, Niskier descobriu no rabino Shabbetai Ben Meir Ha-Kohen (1621-1663) um parentesco em linha direta com a sua avó Rifka Rapaport Topel. 
 
Enquanto estudava e escrevia, o rabino Shabse (seu nome simplificado), que nasceu na Lituânia, jamais esquecia os seus compromissos familiares.  Casado com a filha de outro rabino, que era muito rico, pôde dedicar-se aos estudos do codigo civil judaico. A única coisa que o afligia era a invasão periódica dos cossacos comandados por Bogdan Chminiecki; eram violentíssimos.  De uma feita, chegaram a matar 10 mil judeus, pela simples razão de que eram judeus. 
 
Pode se conceber isso?
 
Em uma dessas invasões, Shabse enrolou sua recem-nascida filha Ester num cobertor, e embrenhou-se pela floresta, para tentar escapar à violência.  Um dia depois, sentiu que criança estava desfalecendo, e provavelmente iria morrer; sem conhecimentos médicos, colocou-a delicadamente no chão e partiu à procura de socorro.
 
Antes que pudesse voltar, os cossacos se retiraram da região e o rei da Polônia entrou na cidade, vindo pela floresta.  O corpo da menina foi descoberto por um soldado, que chamou o médico da corte para dar o seu diagnóstico; ela estava muito fraca, e necessitava de socorro urgente.  Foi conduzida ao palácio real, onde se recuperou depois de alguns meses de tratamento.
 
Tornou-se, dali para a frente, íntima amiga da filha do rei, a princesa Maria.  Cresceram juntas até os seis anos de idade; Ester foi tratada como uma "princesa adotada", com as mesmas regalias da princesa verdadeira.  Mas não concordou em ser convertida à religião católica, pois ao saber da sua história, certificou-se de que era judia - e assim quis permanecer.
 
Ester foi então devolvida ao pai, cresceu junto à sua família, e os tempos do palácio se transformaram em uma doce mas longínqua lembrança. Até que, para fazer frente à nova guerra, o governo  taxou os judeus da região, cobrando-lhes impostos exagerados. Se as coisas continuassem daquela maneira, todos iriam à falência.
 
Surgiu a idéia de recorrer à Ester.  Afinal, ela não era amiga da princesa? Não se viam há muito tempo, mas não custava tentar.  Ester pediu a audiência.  Maria concordou, pois sentia saudades da amiga de infância. 
 
O reencontro foi cheio de alegria e emoção; quando Ester contou à princesa o que se passava, logo encontrou  solidariedade.  Maria falou com o pai, e o resolveu atender à solicitação da filha - e também da "princesa adotada".
 
Por que o amor fraternal não é jamais destruído pelo tempo ou pelas diferenças, a comunidade israelita pode ser salva.
 
O que somos
 
Diz o rabino Adin Steinsaltz, em "A Rosa de Treze Pétalas": "Quando alguém procura descobrir quem é, usando coisas secundárias  como termo de comparação, termina encontrando uma série  de conchas vazias. Não  é correto definir-se como amigo de fulano, filho de  beltrano, executivo em tal cargo, realizando esta ou aquela  tarefa. Porque tudo que iremos encontrar através deste método são  aspectos  de nós mesmos - aspectos geralmente sombrios e  incompletos, de alguém que está tentando tornar-se visível a custa dos outros. A  única relação que podemos estabelecer é: amigo de Deus. A partir daí, tudo começa a fazer sentido, porque nos abrimos para um significado maior."






22.12.04

ORFISMO
GEORGES HACQUARD
MITOS DA GRECIA E ROMA
MITOLOGIA E FOLCLORE
 
 
A doutrina órfica assenta em primeiro lugar numa explicação da origem do mundo. No começo era Cronol, o Tempo. Dele saíram Caos, o infinito, e Éter, o finito. A união de Éter e de Caos produziu um enorme ovo de prata, o ovo cósmico, cuja casca foi a Noite. Deste ovo nasceu o primeiro ser, simultaneamente macho e fêmea, dotado de várias cabeças e possuindo em si mesmo o germe de todas as coisas: Fanes - a luz - também chamado Protogonos - o primeiro nascido - e Eros.
 
Depois do nascimento de Fanes, a parte superior do ovo transformou-se na abóbada celeste e a parte inferior na terra e nas suas profundezas. Depois, Fanes criou o Sol e a Lua.
 
A continuação da narração é apresentada em duas versões diferentes:
 
1 - Fanes e a Noite geraram úrano, o Céu, e Geia, a Terra, tendo sido ele, igualmente, o responsável pelo nascimento de Zeus.
 
2 - A Noite (que nesta versão é filha de Fanes) gerou úrano e Geia. úrano reinará sobre o Universo material, enquanto que Fanes reina sobre o mundo do espírito. Depois o casal Céu-Terra - retomamos aqui a mitologia tradicional - dará origem aos Titãs. Um deles, Cronos, destrona o seu pai e é, por sua vez, destronado por Zeus, seu filho. Este irá devorar Fanes que tinha a soberania do mundo imaterial, a fim de assegurara unidade indissolúvel da matéria e do espírito. Mais tarde, juntamente com Perséfone, sua filha, gerará Zagreu, a divindade principal do Orfismo. Mas a criança será raptada pelos seus inimigos, que desfazem o seu corpo em pedaços, a fim de o devorar. Angustiado Zeus irá então ressuscitá-lo na forma de Dioniso.
 
Mais importante ainda do que a teoria sobre as origens do Universo é a doutrina órfica relativa ao destino do homem.
 
No princípio, as almas, imortais, criadas pelos deuses, viviam no céu. Mas devido a uma mácula indeterminada, espécie de pecado original, elas caíram em degradação e foram condenadas a viver sobre a terra, prisioneiras de um corpo humano ou animal. A partir de então, cada alma deveria efectuar uma série de migrações de um corpo para outro, que correspondiam aos diferentes estádios necessários para a purificação. Após duas encarnações sucessivas, a alma descia aos Infernos, onde expiava os seus pecados. E finalmente, quando tivesse atingido a regeneração perfeita, era autorizada a voltar para junto dos deuses no céu.
 
Para vencer as diversas etapas da salvação, o homem deveria submeter-se ao ritual da iniciação, revelado por Orfeu no seu regresso do Além, pois aquele que desconhecesse essas sábias disposições ficaria, para sempre, prisioneiro de um cicio eterno de migrações ou então seria atirado, sem apelo, nas trevas infernais.
 
A influência do orfismo foi determinante na mentalidade grega, chegando mesmo a atribuir-se-lhe influência na seriedade e na melancolia manifestada pelos poetas e, igualmente, pelos escultores a partir do século iivv aa.. CC.. Platão e Pitágoras devem igualmente muito a esta doutrina. O seu fascínio não deixará de marcar também o cristianismo, nas suas origens, e a personagem de Orfeu apresenta-se como uma prefiguração pagã de Cristo.






21.12.04

LOBISOMEM
DESCONHEÇO O AUTOR
MITOS DA EUROPA
MITOLOGIA E FOLCLORE
 
 
Os lobisomens aparecem em muitas histórias antigas. Em algumas histórias, eles próprios se transformam em lobos. Podem conseguir isso cobrindo-se com uma pele de lobo, bebendo água depositada em uma pegada de lobo ou esfregando um ungüento mágico sobre o corpo. Em outras lendas, as pessoas são transformadas pelo poder mágico de outras.
 
Pelo mundo todo, lendas e superstições mostram o lobisomem como um personagem maligno. De acordo com antigas crenças, é um homem que possui a maldição ou poder de transformar-se em lobo durante a noite, em particular sob a influência da lua. Presumia-se que a maldição era contraída através da mordida de um outro lobisomem, ou amaldiçoada por um mago. A imagem mais comum é a de uma criatura do mal, percorrendo a noite em busca de vítimas, tanto animais quanto humanas. Os lobisomens, na maior parte das histórias, tentam comer as pessoas. As pessoas que são ameaçadas pelos lobisomens usam vários métodos para trazê-los de volta à forma humana. Entre esses métodos incluem-se dizer o verdadeiro nome do lobisomem, bater três vezes na testa dele e fazer o sinal-da-cruz. De acordo com as histórias, um modo de se descobrir a identidade do lobisomem é ferí-lo depois procurar uma pessoa que tenha os mesmos ferimentos.
 
As histórias sobre os lobisomens já foram muito comuns na Europa, com vários nomes, e se difunde no Brasil pelas vilas e roças. É um homem que se transforma em lobo ou cão. Geralmente é descrito como um homem recoberto de pêlos de lobo que, nas altas horas de Sexta-feira, sai à procura de suas vítimas, de quem bebe o sangue. Lendas de outras partes do mundo contam sobre pessoas que se transformaram em outras espécies de animais. Entre esses animais estão os tigres, em Mianmá e na Índia; as raposas, na China e no Japão; os leopardos, na África ocidental; e as onças, entre os índios da América do Sul.
A palavra técnica para lobisomem é licantropo. Essa palavra vem do nome de um rei da mitologia grega, Licaão, que foi transformado em lobo pelo deus Zeus. Licantropia é uma forma de doença mental em que a pessoa imagina que é um lobo.
 
Lendas e superstições mostram o lobisomem como um personagem malígno. Um homem ou espírito na forma de um lobo que vaga pela terra à noite. De acordo com antigas crênças, é um homem que possui a habilidade da transmutação em um lobo durante a noite, em particular sob a influência da lua.
 
Esse termo foi originalmente usado para descrever um homem capaz de transformar-se em um lobo, mas hoje é mais utilizada na psiquiatria para descrever um bem conheçido tipo de alucinação. É uma doença psicológica a qual o efeito é a crênça, por parte do infectado, de que seja realmente um lobisomem. Em muitos casos Lincantropia é o resultado de um ocorrido desejo por poder ou até mesmo desejos sexuais reprimidos. Mas existem alguns lincantropos que são mais afetados mentalmente do que outros, tornando-os muito perigosos por seus arredores, e até por matar em extremo. 
 
As lendas sobre Lobisomens tiveram início na França, no séc. XV. Mais de 30.000 ações judiciais contra Lobisomens aconteçeram. E quase 100 delas foram executadas pois eles teriam cometido seus crimes na forma de um lobo. Na verdade esses pobres diabos eram apenas Lincantropos.
 
Não se sabe exatamente quando os Lobisomens apareceram. A primeira aparição deve ter ocorrido no século 5 a.C., quando os Gregos, estabelecidos na costa do Mar Negro, levaram estrangeiros de outras regiões para mágicos capazes de transformar a si mesmos em lobos. Os anciãos diziam que essa metamorfose tornava possível a aquisição da força e astúcia de uma fera selvagem, mas os Lobisomens retiam suas vozes e vislumbre humanos fazendo com que não fosse possível distingui-los de um animal comum. Por outro lado, a verdadeira e mais comum lenda dos Lobisomens nasceu em terras francesas. 
 
De acordo com as lendas, existem quatro formas de alguém se tornar um Lobisomem. Elas vêm a seguir:
 
1a: Pela própria maldição, resulta em o que é chamado de Lobisomem Alpha, que pode ser visto como o primeiro Lobisomem de uma grande família. O desafortunado indivíduo ganha a perversa maldição por ter desafiado ou destruído um poderoso mago. Ele irá perceber que está amaldiçoado na primeira noite de lua cheia, depois do encantamento. A primeira metamorfose é a mais traumática e uma completa surpresa. 
 
2a: Transmissão hereditária devido ao fato da criança do Lobisomem obter a mesma maldição de seu pai ou mãe. É exatamente o mesmo resultado de ser mordido por um Lobisomem. Se um Lobisomem decidir transmitir a maldição para outra pessoa, é suficiente que ele a morda. Mas normalmente, o Lobisomem irá considerar muito cruel amaldiçoar alguém dessa forma, então escolherá matar e devorar a vítima.
 
3a: Sobreviver à um ataque: Se alguém for mordido e sobreviver, ele vai dormir bastante nas próximas semanas enquanto a doença se propaga por seu corpo. Com a primeira lua cheia, a vítima vai descobrir seu novo e maléfico potencial e um incontrolável desejo de sangue (não limitado à humanos). 
 
4a: Um método discutível de se tornar um Lobisomem é ser mordido por um Lobo que decide amaldiçoar um homem, por qualquer rasão. O princípio continua então como a maldição por mágica, não significando doença, mas metamorfose na primeira noite de lua cheia.
 
Hierarquia das Famílias
 
Um Lobisomem Alpha pode gerar uma série de Lobisomens Beta na terra, tanto por reprodução quanto através de mordida. Este deve absolutamente manter a lealdade dos Lobisomens Beta, porque se não, como são imortais, o resultado será sangrentas batalhas pela liderança da alcatéia. Certos Lobisomens rebeldes podem instigar atritos em uma alcatéia. Sem dúvida, os Lobisomem Alpha, mesmo sendo o líder, não pode realmente machucar um Lobisomen Beta de sua família, pois neste caso todos os danos que ele infligir, serão também infligidos nele próprio, podendo levar à morte. Por outro lado, um Lobisomem Beta pode matar um Lobisomem Alpha sem dificuldade e, assim, libertá-lo da maldição. Para a sorte do Lobisomem Alpha, a alcatéia pode controlar os rebeldes, pois um Lobisomem Beta pode matar outro Lobisomem Beta sem problemas. Usualmente, o Lobisomem Alpha é protegido por um ou mais Lobisomens Beta. 
 
É similar à árvore genealógica onde nenhum pode ferir seus descendentes, mas sim, ferir seus ancestrais e irmãos e , ainda, com o fato de que matar um ancestral irá causar uma quebra na cadeia e abençoar todos da mesma família. A maldição é quebrada quando o Lobisomem Alpha é eliminado.
 
Diz a lenda que quando uma mulher tem 7 filhas e o oitavo filho é homem, esse menino será um Lobisomem. Também o será, o filho de mulher amancebada com um Padre.
 
Sempre pálido, magro e orelhas compridas, o menino nasce normal. Porém, logo que ele completa 13 anos, a maldição começa.
 
Na primeira noite de terça ou sexta-feira, depois do aniversário, ele sai à noite e vai até um encruzilhada. Ali, no silêncio da noite, se transforma em Lobisomem pela primeira vez, e uiva para a lua.
 
Daí em diante, toda terça ou sexta-feira, ele corre pelas ruas ou estradas desertas com uma matilha de cachorros latindo atrás. Nessa noite, ele visita, 7 partes da região, 7 pátios de igreja, 7 vilas e 7 encruzilhadas. Por onde passa, açoita os cachorros e apaga as luzes das ruas e das casas, enquanto uiva de forma horripilante.
 
Antes do Sol nascer, quando o galo canta, o Lobisomem volta ao mesmo lugar de onde partiu e se transforma outra vez em homem. Quem estiver no caminho do Lobisomem, nessas noites, deve rezar três Ave-Marias para se proteger.
 
Para quebrar o encanto, é preciso chegar bem perto, sem que ele perceba, e bater forte em sua cabeça. Se uma gota de sangue do Lobisomem atingir a pessoa, ela também vira Lobisomem.
 
Nomes comuns: Lobishomem, Licantropo, Quibungo, Capelobo, Kumacanga (Pará), Curacanga (Maranhão), Hatu-Runa (Equador - América do Sul), El Chupasangre (Colômbia).
 
Em Roma antiga já era mencionado pelo historiador Plínio. Além de lobo, na Europa, ele, pode se trasnformar também em Jumento, Bode ou Cabrito Montês.
 
Para virar Lobisomem, o homem se espoja numa encruzilhada onde os animais façam espojadura. Conta-se que o Lobisomem, sai à procura de meninos pagões e, quando os encontra bebe seu sangue. De acordo com a região, ele, é uma pessoa que foi amaldiçoada pelo pai, padrinho ou padre.
 
Quando a pessoa é branca, vira um cachorrão preto e quando é negro vira um cão branco. Algumas versões dizem que ele sai às noites de quinta para sexta, em busca de cocô de galinha para comer, e por isso invade os galinheiros. Depois disso ele vai em busca de crianças de colo para lamber suas fraldas sujas de cocô.
 
Para quebrar seu encanto, basta que alguém faça nele um pequeno ferimento do qual saia pelo menos uma gota de sangue. Ou ainda, o acerte com uma bala untada com cêra de vela que queimou em 3 missas de domingo ou Missa-do-Galo, na meia noite do Natal.