Contos e Lendas: IARA

28.12.04

DESCONHEÇO O AUTOR
MITOS DO BRASIL
MITOLOGIA E FOLCLORE
 
 
Na opinião de Câmara Cascudo, a Iara é simplesmente uma forma literária brasileira para representar a lenda mediterrânea da sereia sedutora ou da Mãe D'Água do folclore africano, e não um mito autenticamente brasileiro.
 
O mito autêntico, ligado à origem, aos mistérios e a temores da água, é o do Ipupiara (o que reside ou mora nas fontes).
 
Ao contrário do mito mediterrâneo e do africano, o mito brasileiro do Ipupiara refere-se a um homem-marinho, gênio protetor das nascentes e olhos d'água e como tal, de certo modo, inimigo dos pescadores, marisqueiros e lavadeiras.
 
Os cronistas dos séculos XVI e XVII registraram essa história. No princípio, o personagem era masculino e chamava-se Ipupiara, homem peixe que devorava pescadores e os levava para o fundo do rio.
 
No século XVIII, Ipupiara vira a sedutora sereia Uiara ou Iara. Todo pescador brasileiro, de água doce ou salgada, conta histórias de moços que cederam aos encantos da bela Uiara e terminaram afogados de paixão. Ela deixa sua casa no fundo das águas no fim da tarde. Surge magnífica à flor das àguas: metade mulher, metade peixe, cabelos longos enfeitados de flores vermelhas. Por vezes, ela assume a forma humana e sai em busca de vítimas.
 
Quando a Mãe das águas canta, hipnotiza os pescadores. Um deles foi o índio Tapuia. Certa vez, pescando, Ele viu a deusa, linda, surgir das águas. Resistiu. Não saiu da canoa, remou rápido até a margem e foi se esconder na aldeia. Mas enfeitiçado pelos olhos e ouvidos não conseguia esquecer a voz de Uiara. Numa tarde, quase morto de saudade, fugiu da aldeia e remou na sua canoa rio abaixo.
 
Uiara já o esperava cantando a música das núpcias. Tapuia se jogou no rio e sumiu num mergulho, carregado pelas mãos da noiva. Uns dizem que naquela noite houve festa no chão das águas e que foram felizes para sempre. Outros dizem que na semana seguinte a insaciável Uiara voltou para levar outra vítima.
 
Alguns mitos brasileiros misturaram-se a lendas européias. Como exemplo começamos com uma estória que viajantes portugueses encontravam por aqui. Eles ouviam falar de um fantasma marinho, afogador de índios, que espantava pescadores e lavadeiras, era o "ipupiara", um monstro meio homem, meio peixe, que para se divertir, saía das águas para matar.
 
Tempos mais tarde o ipupiara tornou-se a "uiara", uma versão portuguesa da sereia. Depois uiara virou "iara" que "significa senhora das águas", também conhecida como mãe-d'água. Depois de várias transformações a lenda conta que a mãe-d'água é uma bela mulher de longos cabelos loiros e olhos verdes, que vive em um palácio no fundo das águas, para onde atrai os jovens com quem deseja casar. Outros mitos aquáticos povoam a cabeça dos caboclos brasileiros, principalmente dos que vivem na região da Amazônia: a cobra-grande, a cobra d'água e a boiúna.
 
A Iara é uma bonita moça que vive na água. Assim contam os índios. Dizem que ela é tão linda, que ninguém resiste ao seu encanto. Costuma cantar com uma voz tão doce que atrai a gente. Quando se percebe é tarde. Ela arrasta a gente para o fundo das águas. Os índios têm tanto medo da Iara, que ao entardecer evitam ficar perto dos lagos e dos rios. Receiam ser atraídos por ela. Como aconteceu com Jaguarari.
 
Jaguarari era um moço índio muito forte e bonito. Todos admiravam-lhe a coragem, a habilidade para caçar e pescar e gostavam muito dele. Vivia feliz, sempre cantando, sem conhecer sequer uma sombra de tristeza.
 
Gostava de andar pela floresta, ouvir o canto das aves, admirar a natureza, que naquelas matas era sempre imponente e bela.
 
Um dia, num desses passeios, afastou-se demais de sua aldeia. Como já era de tardezinha, e ele se sentia um pouco cansado, sentou-se à beira do rio e ficou admirando sua superfície calma e cristalina como um vidro. Não durou muito e ouviu um canto que o deixou maravilhado. Era o canto mais lindo que jamais ouvira. E como era irresistível! Caminhou, quase sem perceber, na direção de onde vinha a mágica melodia. De repente, no meio do rio, surgiu a Iara, radiosa e linda como ninguém. Sempre atraído, já estava quase dentro da água, quando lembrou-se do que os mais velhos contavam sobre a Iara e agarrou-se desesperadamente ao tronco de uma árvore. Como era muito forte, Jaguarari conseguiu resistir. Imediatamente, afastou-se daquele lugar e voltou para sua aldeia.
 
Pobre Jaguarari! Tinha ouvido o canto da Iara e agora estava enfeitiçado. De nada adiantaram os conselhos de sua mãe e dos mais velhos, de que devia esquecer a Iara. Foi ficando cada dia mais triste e pensativo. Não conseguia esquecer-se do canto da Iara, de sua voz maravilhosa. Precisava ouvi-la de novo.
 
Dias depois, não resistindo mais, pegou sua canoa e remou rio abaixo, rumo ao lugar onde vira a Iara. Sabia que ia encontrá-la novamente.
 
E assim foi. Lá distante, quem olhasse, via Jaguarari de pé na canoa em companhia de uma moça. Era a Iara. Foi a última vez que alguém viu Jaguarari.
 
Entidade aquática ; mulher fantástica, sereia dos rios e lagoas na mitologia indígena. 
 
Mito baseado no modelo das sereias dos contos homéricos, a Iara é a Vênus amazônica; é uma ninfa loira de longos cabelos, corpo deslumbrante e de beleza irresistível. Tem as mesmas características das sereias: mulher da cintura para cima, peixe da cintura para baixo. Tal como no original grego, é capaz de enfeitiçar a todos que o ouvem, arrastando-os em sua direção, até o fundo dos rios, lagos, igarapés, etc., onde vivem esses seres fabulosos.
 
Crianças também são atraídas. Neste caso, elas são raptadas e levadas para viver debaixo d'água. Crêem os ribeirinhos que essas crianças estão "encantadas" no reino da "gente do fundo". Ficam lá aprendendo todos os segredos da manipulação de plantas, ervas, poções, remédios e magias e são "devolvidos" depois de 7 anos já como um grande feiticeiro, um xamã.
 
Ente fantástico, imaginado como uma sereia de rios e lagos ; fonte ou reservatório de água.
 
Mulher encantada que reina debaixo das águas do rio São Francisco) e o tão conhecido Saci, a Lenda do Chico Rei - é muito longa mas lembra o homem que governava o povo do Sul da África nas proximidades da foz do Rio Congo. Preso, subjugado e trazido para o Brasil. Nas costas do Rio de Janeiro seu barco fundou num lugar chamado Valongo. Todos os negros que estavam neste barco foram comprados por mineiradores de Vila Rica - hoje Ouro Preto, MG. Dada sua cultura, ocupou lugar de destaque junto aos escravos e também junto à Igreja. Conseguiu fundar uma guarda de "Congos", da qual participavam todos os negros forros de sua grei. participavam das festas de N.S. do Rosário sempre com a licença do Sinhô e da Sinhá.