Contos e Lendas: 01/2005

31.1.05

ARANHA
DESCONHEÇO O AUTOR
CONTOS E LENDAS
 
 
Um conto Tibetano fala de um estudante de meditação que, enquanto meditava em seu quarto, pensava ver uma assustadora aranha descendo à sua frente. A cada dia a criatura ameaçadora retornava cada vez maior em tamanho. Tão terrificado estava o estudante que finalmente foi ao seu professor para relatar o seu dilema:
 
"Não posso continuar meditando com tal ameaça sobre mim," disse ele tremendo de pavor. "Vou guardar uma faca em meu colo durante a meditação, de forma que quando a aranha aparecer eu possa matá-la!"
 
O professor advertiu-o contra esta idéia:
 
"Não faça isso. Faça como eu lhe digo: leve um pedaço de carvão na sua meditação, e quando a aranha aparecer, marque um 'X' em sua barriga. Depois disso venha até mim."
 
O estudante retornou à sua meditação. Quando a aranha novamente apareceu, ele lutou contra o impulso de atacá-la e em vez disso fez como o mestre sugeriu. Então correu para a sala de dele, gritando:
 
"Eu a marquei na barriga! Fiz o que me pediu! O que faço agora?"
 
O professor olhou-o e falou:
 
"Levante a túnica e olhe para sua própria barriga."
 
Ao fazer isso, o estudante viu o "X" que havia feito.






31.1.05

MINUTOS DE SABEDORIA
CARLOS TORRES PASTORINO
CONTOS E LENDAS
 
Já pensou em agradecer a Deus pelo ar que respira, desde que nasceu, sem que jamais lhe tenha faltado?
 
O ar está sempre à sua disposição, de graça.
 
Agradeça ao Pai também a água que o dessedenta, o sol que ilumina o seu dia, dando-lhe oportunidade de trabalhar, a noite que lhe proporciona o repouso, a saúde, a alegria, os amigos...
 
O agradecimento é uma obrigação que não devemos jamais esquecer.






28.1.05

DESCONHEÇO O AUTOR
CONTOS E LENDAS
 
 
Conta-se que, no tempo da guerra entre a Rússia e  o  Japão, certa tarde, após cessarem os bombardeios, junto à linha  de fogo surgiu uma criança perscrutando, com o olhar curioso  e indagador, como quem procura descobrir um semblante  saudoso e querido  naquele  triste  campo  de  batalhas. Ao ver a pequena, um bravo soldado japonês que podia dominar a língua eslavo-oriental, tomando em suas mãos calosas as  acetinadas mãozinhas da criança, indagou com ternura:
 
-O que deseja, minha pequena? Está procurando algo  no  meio da tropa? Quem é você? De onde vem? Qual é o seu nome?
 
-Meu nome é Lina. Estou procurando o  papai,  que  há  muito tempo não vejo. Sinto tanta saudade e desejava vê-lo agora.
 
-Que pena... O seu papai já não está mais aqui.  Ele  seguiu em frente. Posso lhe dar algum recado?  Fale-me  como ele é e vou procurá-lo e dar suas notícias. Está bem?
 
-É fácil distinguí-lo... Meu pai é alto,  forte,  tem  olhos azuis como os meus e um bonito  rosto  barbado.  Os  cabelos também são loiros.
 
E a criança, esperançosa, tirou do bolsinho do  avental  uma foto do pai, dizendo sorridente:-Dou-lhe esta foto para  que o reconheça. Ele se chama Ivan.
 
O soldado, comovido, colocou  o  retrato  no  bolso  da  sua túnica e indagou com enorme carinho:
 
-Bem, agora qual é o recado que vai deixar comigo para o seu papai?
 
-Não é nenhum recado que eu quero que lhe dê...
 
-Então o que é? Pode falar que eu prometo fazer o que pede.
 
-Sim, eu quero que chegue juntinho dele e entregue esse  meu beijo.
 
Assim  dizendo,  a  pequena  pulou  ao  colo  do  soldado  e beijou-lhe  o  rosto  umedecido  pelas  lágrimas  e   voltou correndo por onde havia chegado.
 
Durante toda aquela noite foi intenso  o  bombardeio  e  num assalto a tropa japonesa conquistou o  inimigo.  Os  feridos começaram a ser recolhidos  indistintamente.  Nisto,  aquele soldado japonês viu  passar,  carregado,  um  soldado  cujas feições se assemelhavam muito às da criança. Tirou a foto do bolso e conferiu. Não havia dúvidas. Era ele.  O  soldado  o chama:
 
-Ivan?
 
-O que deseja?-respondeu o russo ferido.
 
-Trago comigo um carinhoso beijo que Lina, sua filhinha lhe enviou.
 
Dizendo isto, beijou a fronte do inimigo ferido e o  abraçou ternamente.
 
Não havia ali lugar  para  o  ódio...  Foi  o  que aprendeu com Lina.

 






28.1.05

NO CAMINHO DE KUMANO
CONTOS E LENDAS
 
 
Estamos no local privado de um templo budista. Escutamos o monge cantar, rezar em voz alta, tocar um instrumento de percussão. Acendemos incenso e eu me lembro dos dias que passei em Kumano - a visita aos três santuários xintoístas, o momento em que Katsura mudou com sua energia a temperatura, a viagem de barco no rio, a briga provocada no lugar onde os homens devem brigar, o entusiasmo das pessoas, o mosteiro na montanha nevada, as noites com peixe cru e sakê quente. Naquela mesma tarde estarei indo para uma cidade grande, um hotel confortável, um avião, e uma cidade maior ainda: Tokyo.
 
Lembro-me das outras vezes que pratiquei Shugêndo durante estes dias: andar sem agasalho numa temperatura abaixo de zero, ficar acordado durante uma noite inteira, manter a testa encostada na casca áspera de uma árvore até que a dor se deixasse anestesiar por si mesma.
 
Durante toda a viagem, as pessoas diziam que o  monge que tenho à minha frente recitando as preces é o maior especialista de Shugêndo da região.
 
Procuro me concentrar, mas aguardo ansioso o final da cerimônia. Dali saímos para um outro edifício, de onde posso ver uma gigantesca cachoeira descendo montanha abaixo - 134 metros de altura, a maior do Japão.
 
Para minha surpresa (e de todos que estão comigo), o monge traz três livros que escrevi, e pede que os autografe. Eu aproveito para pedir autorização para gravar nossa conversa. O monge, que não para de sorrir,  diz que sim.
 
- Temos 48 cachoeiras na região - comenta. - Para chegar até elas é preciso ter muita resistência física à dor e ao cansaço. Uma das práticas do Shugêndo consiste em ficar debaixo da água gelada que cai, até que ela limpe o corpo e a alma.
 
- Foi a dificuldade do caminho de Kumano que criou o Shugêndo?
 
- Foi a necessidade de entender a natureza que obrigou o homem a dominar a dor e ir além dos seus limites. Há 1.300 anos, um monge que tinha dificuldade de se concentrar, descobriu que o cansaço e superação dos obstáculos físicos podiam ajuda-lo na meditação. O monge ficou fazendo este caminho até morrer; subindo e descendo montanhas, ficando sem agasalho na neve, entrando todos os dias numa cachoeira gelada para meditar. Como se transformou num ser iluminado, as pessoas resolveram seguir o seu exemplo.
 
- O Shugêndo é uma prática budista?
 
- Não. É uma série de exercícios de resistência física, que ajudam a alma a caminhar junto com o corpo.
 
- Se pudesse resumir numa frase o que significa o Shugêndo e o caminho de Kumano, qual seria esta frase?
 
- Quem faz exercício físico, ganha experiência espiritual, se tiver sua mente fixa em Deus enquanto está exigindo o máximo de seu corpo.
 
- Até que ponto a dor física é importante?
 
- Ela tem um limite. Passando o limite da dor, o espírito se fortalece. Os desejos da vida cotidiana perdem o sentido, e o homem se purifica. O sofrimento vem do desejo, e não da dor. 
 
O monge sorri, pergunta se quero ver a cascata de perto - e com isso entendo que nossa conversa está terminada. Antes de sair, ele se vira para mim:
 
- Não esqueça: procure ganhar todas as suas batalhas, inclusive aquelas que você trava com você mesmo. Não tenha medo de cicatrizes. Não tenha medo de vencer.
 
No dia seguinte, quando estou prestes a embarcar, Katsura - a jovem de 29 anos que esteve presente desde o primeiro dia em Kumano - aparece no aeroporto e me entrega um pequeno manuscrito em japonês, com alguns dados históricos sobre Kumano. Eu abaixo a cabeça e peço que me abençoe. Ela não hesita um segundo sequer: diz algumas palavras em japonês, e quando levanto os olhos, vejo em seu rosto o sorriso de uma jovem que escolheu ser guia de um caminho que ninguém conhece, que aprendeu a dominar uma dor que nem todos vão sentir, que entende que o caminho é feito quando se anda, e não quando se pensa sobre ele.






28.1.05

BÍBLIA: A DIVISÃO TRAZ A DOR E O SOFRIMENTO
PAULO COELHO
CONTOS E LENDAS
 
 
Penso que a maioria sabe do que estou falando: um homem e uma mulher estão no jardim do Paraíso, gozando todas as delícias que possam imaginar. Só existe uma única proibição - o casal jamais pode conhecer o que significa Bem e Mal. Diz o Senhor Todo Poderoso (Gen: 17): "da árvore do conhecimento do bem e do mal não comerás".
 
E um belo dia surge a serpente, garantindo que este conhecimento era mais importante que o próprio paraíso, e eles deviam possuí-lo.  A mulher recusa-se, dizendo que Deus a ameaçou de morte, mas a serpente garante que não acontecerá nada disso: muito pelo contrário, no dia em que souberem o que é  Bem e  Mal,   serão iguais a Deus.
 
Convencida, Eva come o fruto proibido, e dá parte dele à Adão. A partir daí, o equilibrio original do paraíso é desfeito, e os dois são expulsos e amaldiçoados.
 
Mas existe uma frase enigmática, dita por Deus, que dá toda razão à serpente : "Eis que o homem se tornou como um de nós, conhecedor do Bem e do Mal".
 
Também neste caso (igual ao do deus do tempo,  que reza pedindo algo, embora seja o senhor absoluto) a Bíblia não explica com quem  o Deus único está falando; e, se ele é único, por que está dizendo algo como "um de nós".
 
Seja como for, desde suas  origens a raça humana está condenada a mover-se na eterna Divisão entre os dois opostos. E aqui estamos nós, com as mesmas dúvidas dos nossos antepassados, e sem nenhuma resposta mais original a respeito.






28.1.05

MINUTO DE SABEDORIA
CARLOS TORRES PASTORINO
CONTOS E LENDAS
 
 
Não se esqueça de que, qualquer que seja sua posição na vida, há sempre dois níveis a observar:
 
os que estão acima e os que estão abaixo de você.
 
Procure colocar-se algumas vezes na posição de seus chefes; e outras vezes na posição de seus subordinados.
 
Assim, você poderá compreender ao vivo os problemas que surgem dos dois lados.
 
E, desta forma, poderá ajudar melhor a uns e a outros.






28.1.05

A ÁGUIA E A GALINHA
DESCONHEÇO O AUTOR
CONTOS E LENDAS
 

"Era uma vez um camponês que foi à floresta vizinha apanhar um pássaro para mantê-lo cativo em sua casa. Conseguiu pegar um filhote de águia. Colocou-o no galinheiro junto com as galinhas. Comia milho e ração própria para galinhas. Embora a águia fosse o rei/rainha de todos os pássaros.
 
Depois de cinco anos, este homem recebeu em sua casa a visita de um naturalista. Enquanto passeavam pelo jardim, disse o naturalista:
 
-Esse pássaro aí não é galinha. É uma águia.
 
-De fato - disse o camponês. É águia. Mas eu a criei como galinha. Ela não é mais uma águia. Transformou-se em galinha como as outras, apesar das asas de quase três metros de extensão.
 
-Não - retrucou o naturalista. Ela é e será sempre uma águia. Pois tem um coração de águia. Este coração a fará um dia voar às alturas.
 
-Não, não - insistiu o camponês. Ela virou galinha e jamais voará como águia.
 
Então decidiram fazer uma prova. O naturalista tomou a águia, ergueu-a bem alto e desafiando-a disse:
 
-Já que você de fato é uma águia, já que você pertence ao céu e não à terra, então abra suas asas e voe!
 
A águia pousou sobre o braço estendido do naturalista. Olhava distraidamente ao redor. Viu as galinhas lá embaixo, ciscando grãos. E pulou para junto delas.
 
O camponês comentou:
 
-Eu lhe disse, ela virou uma simples galinha!
 
-Não - tornou a insistir o naturalista. Ela é uma águia. E uma águia será sempre uma águia. Vamos experimentar novamente amanhã.
 
No dia seguinte, o naturalista subiu com a águia no teto da casa. Sussurrou-lhe:
 
-Águia, já que você é uma águia, abra suas asas e voe!
 
Mas quando a águia viu lá embaixo as galinhas, ciscando o chão, pulou e foi para junto delas.
 
O camponês sorriu e voltou à carga:
 
-Eu lhe havia dito, ela virou galinha!
 
-Não - respondeu firmemente o naturalista. Ela á águia, possuirá um coração de águia. Vamos experimentar ainda uma última vez. Amanhã a farei voar.
 
No dia seguinte, o naturalista e o camponês levantaram bem cedo. Pegaram a águia, levaram-na para fora da cidade, longe das casas dos homens, no alto de uma montanha. O sol nascente dourava os picos das montanhas.
 
O naturalista ergueu a águia para o alto e ordenou-lhe:
 
-Águia, já que você é uma águia, já que você pertence ao céu e não à terra, abra suas asas e voe!
 
A águia olhou ao redor. Tremia como se experimentasse nova vida. Mas não voou. Então o naturalista segurou-a firmemente, bem na direção do sol, para que seus olhos pudessem encher-se da claridade solar e da vastidão do horizonte.
 
Nesse momento, ela abriu suas potentes asas, grasnou com o típico kau-kau das águias e ergueu-se, soberana, sobre si mesma. E começou a voar, a voar para o alto, a voar cada vez para mais alto. Voou...voou...até confundir-se com o azul do firmamento."






27.1.05

QUÍRON
GEORGES HACQUARD
MITOS DA GRECIA E ROMA
MITOLOGIA E FOLCLORE
 
 
O centauro Quiron pertence à geração dos Olímpicos. Ele é filho de Cronos, que tomou a aparência de um cavalo para seduzir Hira, uma filha do Oceano.
 
Quíron vive numa gruta do monte Pélion, na Tessália. A sua sabedoria e o seu conhecimento fizeram com que ele fosse escolhido como preceptor de Apolo e de Asclépio, de Aquiles e de Jasão, a quem ele ensinará tanto as artes marciais e a caça como a música e a medicina. O seu nome, derivado da raiz cheir, revela a sua habilidade prática.
 
Quíron teve uma filha, Hipe (cujo nome significa: jumento), que foi seduzida por Éolo, rei da Tessália. Depois disto, a jovem escondeu-se no monte Pélion a fim de dar à luz uma filha, Melanipe (jumento negro). Mas Quíron foi informado e partiu em perseguição de Hipe que, implorando a misericórdia dos deuses, foi levada para o céu e transformada em constelação.
 
Quando Héracies, hóspede do centauro Folo, teve de enfrentar os outros centauros, Quíron, que se encontrava junto deles, foi ferido por uma flecha perdida.
 
Acontece que as feridas provocadas pelas flechas do herói eram incuráveis e, assim, toda a competência médica de Quíron se revelou inoperante.
 
Como imortal, Quíron estava condenado a sofrer, horrivelmente, pela eternidade e, por isso, decidiu trocar a sua natureza com a de um mortal. Prometeu aceitou a troca e o bom centauro pôde, então, conhecer a morte e o repouso.






27.1.05

O MATE DO JOÃO CARDOSO
SIMÕES LOPES NETO
MITOS DO RIO GRANDE DO SUL
MITOLOGIA E FOLCLORE
 
 
— A la fresca!… que demorou a tal fritada! Vancê reparou?
 
Quando nos apeamos era a pino do meio-dia... e são três horas, largas!... Cá pra mim esta gente esperou que as franguinhas se pusessem galinhas e depois botassem, para depois apanharem os ovos e só então bater esta fritada encantada, que vai nos atrasar a troteada, obra de duas léguas... de beiço!...
 
Isto até faz-me lembrar um caso.. . Vancê nunca ouviu falar do João Cardoso?...
 
Não?... É pena.
 
O João Cardoso era um sujeito que vivia por aqueles meios do Passo da Maria Gomes; bom velho, muito estimado, mas chalrador como trinta e que dava um dente por dois dedos de prosa, e mui amigo de novidades.
 
Também... naquele tempo não havia jornais, e o que se ouvia e se contava ia de boca em boca, de ouvido para ouvido. Eu, o primeiro jornal que vi na minha vida foi em Pelotas mesmo, aí por 1851.
 
Pois, como dizia: não passava andante pela porta ou mais longe ou mais distante, que o velho João Cardoso não chamasse, risonho, e renitente como mosca de ramada; e aí no mais já enxotava a cachorrada, e puxando o pito de detrás da orelha, pigarreava e dizia:
 
Olá! Amigo! apeie-se; descanse um pouco! Venha tomar um amargo! É um instantinho.... crioulo?!…
 
O andante, agradecido à sorte, aceitava… menos algum ressabiado, já se vê.
 
— Então que há de novo? (E para dentro de casa, com uma voz de trovão, ordenava:) Oh! crioulo! Traz mate!
 
E já se botava na conversa, falava, indagava, pedia as novas, dava as que sabia; ria-se, metia opiniões, aprovava umas cousas, ficava buzina com outras...
 
E o tempo ia passando. O andante olhava para o cavalo, que já tinha refrescado;
 
olhava para o sol que subia ou descambava… e mexia o corpo para levantar-se.
 
Bueno! são horas, seu João Cardoso; vou marchando!…
 
— Espere, homem! Só um instantinho! Oh! crioulo, olha esse mate!
 
E retomava a chalra. Nisto o crioulo já calejado e sabido, chegava-se-lhe manhoso e cochichava-lhe no ouvido:
 
— Sr., não tem mais erva!…
 
— Traz dessa mesma! Não demores, crioulo!...
 
E o tempo ia correndo, como água de sanga cheia.
 
Outra vez o andante se aprumava:
 
— Seu João Cardoso, vou-me tocando… Passe bem!
 
— Espera, homem de Deus! É enquanto a galinha lambe a orelha!… Oh! crioulo!… olha esse mate, diabo!
 
E outra vez o negro, no ouvido dele:
 
— Mas, sr!… não tem mais erva!
 
— Traz dessa mesma, bandalho!
 
E o carvão sumia-se largando sobre o paisano uma riscada do branco dos olhos, como encarnicando...
 
Por fim o andante não agüentava mais e parava patrulha:
 
— Passe bem, seu João Cardoso! Agora vou mesmo. Até a vista!
 
— Ora, patrício, espere! Oh crioulo, olha o mate!
 
— Não! não mande vir, obrigado! Pra volta!
 
Pois sim…, porém dói-me que você se vá sem querer tomar um amargo neste rancho. É um instantinho... oh! crioulo!
 
Porém o outro já dava de rédea, resolvido à retirada.
 
E o velho João Cardoso acompanhava-o até a beira da estrada e ainda teimava:
 
— Quando passar, apeie-se! O chimarrão, aqui, nunca se corta, está sempre pronto! Boa viagem! Se quer esperar... olhe que é um instantinho... Oh! crioulo!…
 
Mas o embuçalado já tocava a trote largo.
 
Os mates do João Cardoso criaram fama… A gente daquele tempo, até, quando queria dizer que uma cousa era tardia, demorada, maçante, embrulhona, dizia — está como o mate do João Cardoso!
 
A verdade é que em muita casa e por muitos motivos, ainda às vezes parece-me escutar o João Cardoso, velho de guerra, repetir ao seu crioulo:
 
— Traz dessa mesma, diabo, que aqui o sr. tem pressa!...
 
— Vancê já não tem topado disso?… 






27.1.05

O CERVO E O CERVINHO
ESOPO
CONTOS E LENDAS
 
 
Disse um dia o cervinho ao cervo:
 
- Pai: és maior e mais veloz que os cães, e tens ainda uns chifres magníficos para te defender; por que foges deles?
 
O cervo respondeu, rindo:
 
- É certo o que me dizes, filho; mas não sei o que acontece, mas quando ouço o latido de um cão, imediatamente quero fugir.
 
Quando se tem um ânimo temeroso, não há razão que possa mudá-lo.






27.1.05

DESCONHEÇO O AUTOR
MITOS DO BRASIL
MITOLOGIA E FOLCLORE
 
 
Lenda muito difundida na Amazônia.
 
Boiúna seria uma cobra gigantesca que vive no fundo dos rios, lagos e igarapés. Tem um corpo tão brilhante que é capaz de refletir o luar.
 
Os olhos irradiam uma luz poderosa que atrai os pescadores que se aproximam pensando se tratar de um barco gde. Qdo se aproximam viram alimento da boiúna. Qdo fica velha, a cobra vem para a terra. Como é muito gde e desajeitada fora d'água, para conseguir alimento, conta com a ajuda da centopéia de 5 metros.
 
O mito da boiúna fala de uma descomunal serpente que vive no fundo de gdes lagos, rios e igarapés, num lugar chamado "boiaçuquara" ou "morada da cobra grande". Seu corpo lustroso, refletindo a luz do luar, e seus olhos, que brilham no escuro como archotes, iludem os pescadores incautos, que, pensando tratar-se de um navio aproximam-se e são devorados. Qdo atinge a velhice, passa a viver em terra, onde é auxiliado pela Centopéia na obtenção de alimento, pois sua locomoção em terra é difícil e desajeitada.
 
O povo da mata afirma que, qdo a centopéia anda pela mata, seu caminhar produz um som que lembra o tamborilar da chuva caindo, e diz ainda que ela mede 5 metros de comprimento.
 
É descrito por Alfredo da mata: "...transforma-se em mais disparatadas figuras; navios, vapores, canoas... engole pessoas. Tal é o rebojo e cachoeiras que faz, quando atravessa o rio, e o ruído produzido, que tanto recorda o efeito da hélice de um vapor. Os olhos quando fora d'água semelham-se a dois grandes archotes, a desnortear até o navegante". Faz parte do ciclo mítico de "como surgiu a noite", segundo a qual a Grande Cobra casa a filha e manda-lhe a noite presa dentro de um caroço de tucumã. Os portadores, curiosos, abrem o caroço, libertam a noite e são punidos.
 
Conta a lenda que em uma certa tribo indígena da Amazônia, uma índia, grávida da Boiúna (Cobra-grande, Sucuri), deu à luz a duas crianças gêmeas. Um menino, que recebeu o nome de Honorato ou Nonato, e uma menina, chamada de Maria. Para ficar livre dos filhos, a mãe jogou as duas crianças no rio.
 
Lá no rio eles se criaram. Honorato não fazia nenhum mal, mas sua irmã tinha uma personalidade muito perversa. Causava sérios prejuízos aos outros animais e também às pessoas.
 
Eram tantas as maldades praticadas por ela que Honorato acabou por matá-la para pôr fim às suas perversidades.
 
Honorato, em algumas noites de luar, perdia o seu encanto e adquiria a forma humana transformando-se em um belo e elegante rapaz, deixando as águas para levar uma vida normal na terra.
 
Para que se quebrasse o encanto de Honorato era preciso que alguém tivesse muita coragem para derramar leite na boca da enorme cobra, fazendo um ferimento na cabeça até sair sangue. Mas ninguém tinha coragem de enfrentar o enorme monstro. Até que um dia um soldado de Cametá (município do Pará) conseguiu libertar Honorato do terrível encanto, deixando de ser cobra d'água para viver na terra com sua família.






27.1.05

DESCONHEÇO O AUTOR
CONTOS E LENDAS
 
 
Conta-se que um dia um homem parou na frente do pequeno bar, tirou do bolso um metro, mediu a porta e falou em voz alta: dois metros de altura por oitenta centímetros de largura.
 
Admirado mediu-a de novo.
 
Como se duvidasse das medidas que obteve, mediu-a pela  terceira vez.
 
E assim tornou a medi-la várias vezes.
 
Curiosas, as pessoas que por ali passavam começaram a parar.
 
Primeiro um pequeno grupo, depois um grupo maior, por fim uma multidão.
 
Voltando-se para os curiosos o homem exclamou, visivelmente impressionado:
 
-Parece mentira! Esta porta mede apenas dois metros de altura e oitenta centímetros de largura, e no entanto, por ela passou todo o meu dinheiro, meu carro, o pão dos meus filhos, passaram os meus móveis, a minha casa com terreno.
 
E não foram só os bens materiais.
 
Por ela também passou a minha saúde, passaram as esperanças da minha esposa, passou toda a felicidade do meu lar...
 
Além disso, passou também a minha dignidade, a minha honra, os meus sonhos, meus planos...
 
Sim, senhores, todos os meus planos de construir uma família feliz, passaram por esta porta, dia após dia... gole por gole.
 
Hoje eu não tenho mais nada...
 
Nem família, nem saúde, nem esperança.
 
Mas quando passo pela frente desta porta, ainda ouço o chamado daquela que é a responsável pela minha desgraça...
 
Ela ainda me chama insistentemente...
 
Só mais um trago!
 
Só hoje!
 
Uma dose, apenas!
 
Ainda escuto suas sugestões em tom de zombaria:
 
"você bebe socialmente, lembra-se?"
 
Sim, essa era a senha.
 
Essa era a isca.
 
Esse era o engodo.
 
E mais uma vez eu caía na armadilha dizendo comigo mesmo:
 "quando eu quiser, eu paro".
 
 Isso é o que muita gente pensa, mas só pensa...
 
Eu comecei com um cálice, mas hoje a bebida me dominou por completo.
 
Hoje eu sou um trapo humano...
 
E a bebida, bem, a bebida continua fazendo as suas vítimas.
 
Por isso é que eu lhes digo, senhores: esta porta é a porta mais larga do mundo!
 
Ela tem enganado muita gente...
 
Por esta porta, que pode ser chamada de porta do vício, de aparência tão estreita, pode passar tudo o que se tem de mais caro na vida.
 
Hoje eu sei dos malefícios do álcool, mas muita gente ainda não sabe.
 
Ou, se sabe, finge que não, para não admitir que está sob o jugo da bebida.
 
E o que é pior, têm esse maldito veneno, destruidor de vidas, dentro do próprio lar, à disposição dos filhos.
 
Ah, se os senhores soubessem o inferno que é ter a vida destruída pelo vício, certamente passariam longe dele e protegeriam sua família contra suas ameaças.
 
Visivelmente amargurado, aquele homem se afastou, a passos lentos, deixando a cada uma das pessoas que o ouviram, motivos de profundas reflexões.






25.1.05

A VAQUINHA
DESCONHEÇO O AUTOR
CONTOS E LENDAS
 
 
Um Mestre da sabedoria passeava por uma floresta com seu fiel discípulo quando avistou ao longe um sítio de aparência pobre e resolveu fazer uma breve visita
 
Durante o percurso ele falou ao aprendiz sobre a importância das visitas e as oportunidades de aprendizado que temos, também com as pessoas que mal conhecemos.
 
Chegando as sitio constatou a pobreza do lugar, sem calçamento, casa de madeira, os moradores, um casal e três filhos, vestidos com roupas rasgadas e sujas... então se aproximou do senhor aparentemente o pai daquela família e perguntou:
 
- Neste lugar não há sinais de pontos de comércio e de trabalho; como o senhor e a sua família sobrevivem aqui?
 
E o senhor calmamente respondeu:
 
- Meu amigo, nos temos uma vaquinha que nos da vários litros de leite todos os dias. Uma parte desse produto nos vendemos ou trocamos na cidade vizinha por outros gêneros de alimentos e a outra parte nos produzimos queijo, coalhada, etc...; para o nosso consumo e assim vamos sobrevivendo.
 
O sábio agradeceu a informação, contemplou o lugar por uns momentos, depois se despediu e foi embora. No meio do caminho, voltou ao seu fiel discípulo e ordenou:
 
- Aprendiz, pegue a vaquinha, leve-a ao precipício ali na frente e empurre-a, jogue-a lá em baixo.
 
O jovem arregalou os olhos espantado e questionou o mestre sobre o fato da vaquinha ser o único meio de sobrevivência daquela família, mas, como percebeu o silêncio absoluto do seu mestre, foi cumprir a ordem. Assim empurrou a vaquinha morro abaixo e a viu morrer.
 
Aquela cena ficou marcada na memória daquele jovem durante alguns anos e um belo dia ele resolveu largar tudo o que havia aprendido e voltar naquele mesmo lugar e contar tudo aquela família, pedir perdão e ajuda-los.
 
Assim fez, e quando se aproximava do local avistou um sitio muito bonito, com arvores floridas, todo murado, com carro na garagem e algumas crianças brincando no jardim. Ficou triste e desesperado imaginando que aquela humilde família tivera que vender o sitio para sobreviver, "apertou" o passo e chegando lá, logo foi recebido por um caseiro muito simpático e perguntou sobre a família que ali morava há uns quatro anos e o caseiro respondeu:
 
- Continuam morando aqui.
 
Espantado ele entrou correndo na casa; e viu que era mesmo a família que visitara antes com o mestre. Elogiou o local e perguntou ao senhor (o dono da vaquinha):
 
- Como o senhor melhorou este sítio e esta muito bem de vida???
 
E o senhor entusiasmado, respondeu:
 
- Nos tínhamos uma vaquinha que caiu no precipício e morreu, dai em diante tivemos que fazer outras coisas e desenvolver habilidades que nem sabíamos que tínhamos, assim alcançamos o sucesso que seus olhos vislumbram agora.






25.1.05

O BOTO
DESCONHEÇO O AUTOR
MITOS DO BRASIL               
MITOLOGIA E FOLCLORE
 
 
Conta a lenda que o boto, peixe encontrado nos rios da Amazônia, se transforma em um belo e elegante rapaz durante a noite, quando sai das águas à conquista das moças. Elas não resistem à sua beleza e simpatia e caem de amores por ele. O Boto também é considerado protetor das mulheres, pois quando ocorre algum naufrágio em uma embarcação em que o boto esteja por perto, ele salva a vida das mesmas empurrando-as para as margens dos rios.
 
As mulheres são conquistadas pelo boto às margens dos rios, quando vão tomar banho ou mesmo nas festas realizadas nas cidades próximas aos rios. Os Botos vão aos bailes e dançam alegremente com elas, que logo se envolvem com seus galanteios e não desconfiam de nada. Se apaixonam e engravidam deste rapaz. É por esta razão que ao Boto é atribuída a paternidade de todos os filhos de mães solteiras.
 
É, certamente, o animal amazônico de maior presença folclórica. Seduz as moças ribeirinhas descuidadas. É, assim, o pai de todos os filhos "de origem desconhecida". Sobre ele narra-se o seguinte: "Nas primeiras horas da noite transforma-se em um belo rapaz, alto, branco, forte, grande dançarino e bebedor, e aparece nos bailes, namora, conversa, freqüenta reuniões e comparece fielmente aos encontros femininos. Antes da madrugada pula para a água e volta a ser o boto". Falou-se ainda: "A sorte dos peixes foi confiada ao Uauiará. O animal em que ele se transforma é o boto." O Uauiará é legítimo filho da selva e tão conquistador quanto o Boto. Conta-se uma história incomum sobre o Boto: "Dois pescadores, de vigia, sacuriram três arpões de inajá (N. do Webmaster: inajá, espécie de palmeira) num vulto de homem que freqüentava certa casa na margem do rio. O homem fugiu e deitou-se à água. No outro dia boiava um grande Boto com três arpões de inajá fincados no dorso".






25.1.05

GOLEM
DESCONHEÇO O AUTOR
MITOS DE ISRAEL
MITOLOGIA E FOLCLORE
 
 
Golem está para a mitologia hebraica como o monstro Frankenstein da escritora inglesa Mary Shelley. Acreditava-se que para criar o monstro golem, era necessário obter argila virgem em um local montanhoso, nunca antes pisado pelo homem. A partir desta argila, se moldava um boneco, cantando-se fórmulas cabalísticas e fazendo-se passes de mágica sobre a imagem, escrevendo na testa do boneco de barro, a palavra "emet". A partir daí, o boneco de argila ganhava vida e obedecia aos anseios de seu criador. Segundo a lenda, o monstro viraria pó, quando a palavra "emet" fosse apagada de sua testa.






25.1.05

FÊNIX
DESCONHEÇO O AUTOR
MITOS DA GRECIA E ROMA
MITOLOGIA E FOLCLORE
 
 
Ovídio nos fala da seguinte maneira sobre a Fênix: "A maior parte dos seres nasce de outros indivíduos, mas há uma certa espécie que se reproduz sozinha. Os assírios chamam-na de fênix. Não vive de frutos ou de flores mas de incenso e raízes odoríferas. Depois de ter vivido quinhentos anos, faz os ninhos nos ramos de um carvalho ou no alto de uma palmeira. Nele ajunta cinamomo, nardo e mirra, e com essas essências constrói uma pira sobre a qual se coloca, e morre, exalando o último suspiro entre os aromas. Do corpo da ave surge uma jovem fênix, destinada a viver tanto quanto a sua antecessora. Depois de crescer e adquirir forças suficientes, ela tira da árvore o ninho (seu próprio berço e sepulcro de seu pai) e leva-o para a cidade de Heliópolis, no Egito, depositando-o no templo do "Sol".
 
Tal é a narrativa de um poeta. Vejamos a de um narrador filosófico. "No consulado de Paulo Fábio (34 de nossa era), a milagrosa ave conhecida no mundo pelo nome de fênix, que havia desaparecido há longo tempo, tornou a visitar o Egito" - diz Tácito. "Era esperada em seu vôo por um grupo de diversas aves, todas atraídas pela novidade e contemplando maravilhadas tão bela aparição". Depois de uma descrição da ave, que não difere muito da antecedente, embora acrescente alguns pormenores, Tácito continua: "O primeiro cuidado da jovem ave, logo que se empluma e pode confiar em suas asas, é realizar os funerais do pai. Esse dever, porém, não é executado precipitadamente. A ave ajunta uma certa quantidade de mirra, e, para experimentar suas forças, faz freqüentes excursões, carregando-a nas costas. Quando adquire confiança suficiente em seu próprio vigor, leva o corpo do pai e voa com ele até o altar do Sol, onde o deixa, para ser consumido pelas chamas odoríferas." Outros escritores acrescentam alguns pormenores. A mirra é compacta, em forma de um ovo, dentro do qual é encerrada a fênix morta. Da carne da morta nasce um verme, que quando cresce se transforma em ave. Heródoto descreve a ave, embora observe: "Eu mesmo não a vi, exceto pintada. Parte de, sua plumagem é de ouro e parte carmesim; quanto a seu formato e tamanho são muito semelhantes aos de uma águia."
 
O primeiro escritor que duvidou da crença na existência da fênix foi Sir Thomas Brownw, em seus "Erros Vulgares", publicado em... 1646. Suas dúvidas foram repelidas, alguns anos depois, por Alexander Ross, que diz, em resposta à alegação de que a fênix aparecia tão raramente: "Seu instinto lhe ensina a manter-se afastada do tirano da criação, o homem, pois se fosse apanhada por ele, seria sem dúvida devorada por algum ricaço glutão, até que não houvesse nenhuma delas no mundo." No livro V do "Paraíso Perdido", Milton compara a uma fênix o Anjo Rafael descendo à terra:
 
Assim, cortando o céu, voa ligeiro,
Entre mundos e mundos navegando,
Ora os ventos polares enfrentando,
Ora cortando, calmo, o róseo espaço,
Até que alcança as altaneiras águias,
Crêem ver neles as aves uma fênix
Que cortasse os espaços, solitária,
Em procura da Tebas egipciana,
Para os restos mortais no radioso
Templo do Sol guardar.






25.1.05

ERICTÔNIO, FILHO DE UMA VIRGEM
DESCONHEÇO O AUTOR
MITOS DA GRECIA E ROMA
MITOLOGIA E FOLCLORE
 
 
A virginal Atena recebeu em muitas ocasiões o requerimento amoroso dos seus pais, mas sempre se manteve fiel à sua idéia inicial de ser virgem por vocação.
 
Ao fim e ao cabo, essa era a petição mais importante da sua vida e estava claro que não o tinha feito por capricho, mas porque compreendia que o seu nascimento marcava o seu destino, separada absolutamente do sexo que nem sequer tinha existido na sua concepção.
 
Mas há um episódio que vem sublinhar a sua decisão melhor do que qualquer outro tipo de consideração. Trata-se daquele momento em que Atena deve procurar armas para intervir em Tróia. Zeus declarou solenemente que não tomará partido por nenhum dos dois bandos. Palas Atena não quer deixar de respeitar a sagrada vontade paterna e dirige-se ao deus da forja, Hefesto, para que ele seja o forjador do seu arsenal.
 
Hefesto aceita a encomenda e se põe a trabalhar, apaixonado pela bela e decidida deusa. Apesar da sua feiúra, Hefesto foi o marido da bela entre as belas, de Afrodite (embora o seu casamento não tenha resultado tão satisfatório e nobre como devia ter sido), e a presença de Atena fá-lo pensar de novo na possível felicidade de estar com uma mulher tão maravilhosa como aquela que tem diante de si.
 
Ao falar do preço a pagar pelo trabalho, Hefesto indica que lhe basta o amor de Atena: ela não pode compreender que seja muito mais do que uma lisonja o que o ferreiro dos deuses disse tão seriamente, mas para Hefesto sim, significa tudo a palavra dita.
 
Apaixonado visivelmente Hefesto, faltou pouco para que Possêidon, que Atena tão pouco estimava (se temos em conta essa lenda da filha de Possêidon, que procura a adoção no seu tio Zeus), fosse com o conto de que a séria Atena queria, realmente, provocar uma violenta paixão no armeiro, que a única coisa que procurava, com a desculpa das armas e em combinação com Zeus, era o momento de ser possuída brutalmente por um deus como ele. Ao ouvi-la entrar na forja, e sem duvidar um momento, Hefesto lançou-se sobre a virgem, julgando que estava cumprindo com o capricho de Palas, mas a situação congelou-se quando a deusa reagiu surpreendida e indignada perante tal ataque.
 
Hefesto, que já não entendia nada senão os seus impulsos sexuais, ejaculou contra a coxa da sua amada. Já se tinha acabado a penosa aventura da qual os dois eram vítimas inconscientes, pela perversidade de Possêidon. A agoniada Atena limpou a coxa com uns fios de lã que encontrou na forja. Depois, contrariada pela desagradável experiência, arrojou o pingo ao chão, pensando que assim dava o incidente por resolvido, e não chegou a pensar no que ia suceder imediatamente com esse pingo encharcado com o esperma do envergonhado Hefesto.
 
Mas aí não acaba a história do frustrado amor de Hefesto, dado que Geia, a Terra, recebeu a esperma e ficou automaticamente grávida, por azar, por essas coisas do destino. geia também não estava disposta a carregar com esse produto da brincadeira de indubitável mal gosto de Possêidon, e deixou claro que não aceitaria o filho resultante da estupidez dos outros. Atena, sentindo-se em parte responsável pelo incidente, tomou a decisão de encarregar-se da criatura assim que fosse parido por Geia.
 
Coisa que fez, e o filho, Erictônio, guardado da vista de todos, sobretudo para eliminar a possibilidade de que o pouco querido Possêidon continuasse com a brincadeira, foi tirado do Olimpo e levado para a corte do rei Cécrope, para mais tarde chegar também ao trono de Atenas, como sucessor do seu pai adotivo, quem além de cauteloso e prudente no seu reinado, a meio-caminho entre deuses e heróis, foi célebre por ser um administrador perfeito e inovador nas leis da religião e da política.

 






24.1.05

SAMPO
DESCONHEÇO O AUTOR
MITOS DA FINLANDIA
MITOLOGIA E FOLCLORE
 
 
Coluna que suportava o peso de todo o Universo, segundo a crença dos finlandeses.






24.1.05

A FÁBULA DA ESTRELA VERDE
DESCONHEÇO O AUTOR
CONTOS E LENDAS
 
 
Havia milhares de estrelas no céu.
 
Estrelas de todas as cores: Brancas, Prateadas, Verdes, Douradas, Vermelhas e Azuis.
 
Um dia, elas procuraram Deus e lhe disseram: Senhor, gostaríamos de viver na Terra, entre os homens.
 
Assim será feito, respondeu Deus. Conservarei todas vocês pequeninas como são vistas e podem descer para a Terra.
 
Conta-se que naquela noite houve uma linda chuva de estrelas. Algumas se aninharam nas torres das igrejas, outras foram brincar de correr com os vaga-lumes nos campos, outras misturaram-se aos brinquedos das crianças e a Terra ficou maravilhosamente iluminada.
 
Porém, passando o tempo, as estrelas resolveram abandonar os homens e voltar ao céu, deixando a Terra escura e triste.
 
Porquê voltaram? Perguntou Deus, à medida que elas chegavam ao céu.
 
Senhor, não nos foi possível permanecer na Terra! Lá existe muita miséria e violência, muita maldade, muita injustiça... e Deus lhes disse: Claro! O lugar de vocês é aqui no céu! A Terra é o lugar de passagem, daquilo que passa, daquele que cai, daquele que erra, daquele que morre, onde nada é perfeito! O céu é o lugar da perfeição, do imutável, do eterno, onde nada perece e sobretudo onde reside a Gloria do Altíssimo!
 
Depois que chegaram todas as estrelas e conferindo o seu número, Deus falou de novo: Mas está faltando uma estrela! Perdeu-se no caminho?
 
Um anjo que estava perto retrucou: Não Senhor, uma estrela resolveu ficar entre os homens! Ela descobriu que seu lugar é exatamente onde existe a imperfeição, onde as coisas não vão bem, onde há luta e dor!
 
Mas que estrela é essa? Voltou a perguntar Deus...
 
É a "Esperança",  Senhor! A "Estrela Verde"! A única dessa cor!
 
E quando olharam para a Terra, a estrela não estava só...
 
A Terra estava novamente iluminada, porque havia uma "Estrela Verde" no coração de cada pessoa.
 
É que o único sentimento que o homem tem e Deus não tem é a "Esperança".






24.1.05

ALMAS GRANDES
DESCONHEÇO O AUTOR
CONTOS E LENDAS
 
 
Os Hindus contam uma história bonita.
 
No princípio dos tempos, uma grande nuvem espiritual envolvia o mundo constituindo a essência suprema, e cada criança, ao nascer, recebia uma generosa parcela deste misterioso ectoplasma que descia sobre ela e passava a ser sua alma.
 
Com o passar dos séculos, as populações foram aumentando e já não havia grandes porções de alma para dividir com todos os que nasciam.
 
Então começaram a aparecer na terra milhares, milhões de pessoas com almas pequenas.
 
Mas até hoje, de vez em quando, um engano acontece, e ainda sobra um pedaço maior de alma para determinados seres humanos.
 
Assim nascem, aqui... ali, criaturas de almas grandes.
 
Por toda parte, na terra, em países diversos, essas pessoas de almas grandes se reconhecem e se atraem ao se verem pela primeira vez.
 
São em geral simpáticas, inteligentes, honestas, e se identificam imediatamente uma com as outras, como se fossem irmãs.
 
Os casos de amor ou amizade à primeira vista, constituem provas concretas de que estas grandes almas existem.
 
A angústia de viver está em que, no caso de sermos almas grandes, passamos as vezes uma vida inteira sem encontrar nossas parceiras genuínas, aquelas pessoas perfeitamente aptas a se identificarem  conosco, a tornarem-se nossas maiores amigas, ou nossas grandes paixões.
 
E podem estar a nossa espera ali na esquina, ou num bairro que não freqüentamos, numa cidade que não visitamos.
 
Todos deveriam falar com todos, sem constrangimentos, e tentar aproximações novas e freqüentes.
 
O mundo seria bem melhor se qualquer pessoa desconhecida dissesse em plena rua:
 
- "Taí...gostei de você...vamos tomar um café".






24.1.05

A QUEM PERTENCE?
DESCONHEÇO O AUTOR
CONTOS E LENDAS
 
 
Perto de Tóquio vivia um grande samurai, já idoso, que se dedicava a ensinar zen aos jovens.
 
Apesar de sua idade, corria a lenda de que ainda era capaz de derrotar qualquer adversário.
 
Certa tarde, um guerreiro conhecido por sua total falta de escrúpulos apareceu por ali.
 
Queria derrotar o samurai e aumentar sua fama.
 
O velho aceitou o desafio e o jovem começou a insultá-lo.
 
Chutou algumas pedras em sua direção, cuspiu em seu rosto, gritou insultos, ofendeu seus ancestrais.
 
Durante horas fez tudo para provocá-lo, mas o velho permaneceu impassível.
 
No final da tarde, sentindo-se já exausto e humilhado, o impetuoso guerreiro retirou-se.
 
Desapontados, os alunos perguntaram ao mestre como ele pudera suportar tanta indignidade.
 
- Se alguém chega até você com um presente, e você não o aceita, a quem pertence o presente?
 
- A quem tentou entregá-lo, respondeu um dos discípulos.
 
- O mesmo vale para a inveja, a raiva e os insultos. Quando não são aceitos, continuam pertencendo a quem os carregava consigo.
 
A sua paz interior depende exclusivamente de você.
 
As pessoas não podem lhe tirar a calma.
 
Só se você permitir...






24.1.05

DESCONHEÇO O AUTOR
CONTOS E LENDAS
 
 
Existe uma coisa difícil de ser ensinada e que, talvez por isso, esteja cada vez mais rara: a elegância do comportamento.
 
É um dom que vai muito além do uso correto dos talheres e que abrange bem mais do que dizer um simples obrigado diante de uma gentileza.
 
É a elegância que nos acompanha da primeira hora da manhã até a hora de dormir e que se manifesta nas situações mais prosaicas, quando não há festa alguma nem fotógrafos por perto.
 
É uma elegância desobrigada.
 
É possível detectá-la nas pessoas que elogiam mais do que criticam.
 
Nas pessoas que escutam mais do que falam.
 
E quando falam, passam longe da fofoca, das pequenas maldades ampliadas no dia a dia.
 
É possível detectá-la nas pessoas que não usam um tom superior de voz ao se dirigir a frentistas.
 
Nas pessoas que evitam assuntos constrangedores, porque não sentem prazer em humilhar os outros.
 
É possível detectá-la em pessoas pontuais.
 
Elegante é quem demonstra interesse por assuntos que desconhece, é quem presenteia fora das datas festivas, é quem cumpre o que promete e, ao receber uma ligação, não recomenda à secretária que pergunte antes quem está falando e só depois manda dizer se atende.
 
Oferecer flores é sempre elegante.
 
É elegante não ficar espaçoso demais.
 
É elegante não mudar seu estilo apenas para se adaptar ao de outro.
 
É muito elegante não falar de dinheiro em bate-papos informais.
 
É elegante retribuir carinho e solidariedade.
 
Sobrenome, jóias e nariz empinado não substituem a elegância do gesto.
 
Não há livro que ensine alguém a ter uma visão generosa do mundo, a estar nele de uma forma não arrogante.
 
Pode-se tentar capturar esta delicadeza natural através da observação, mas tentar imitá-la é improdutivo.
 
A saída é desenvolver em si mesmo a arte de conviver, que independe de status social: é só pedir licencinha para o nosso lado brucutu, que acha que “com
amigo não tem que ter estas frescuras”.
 
Se os amigos não merecem uma certa cordialidade, os inimigos é que não irão desfrutá-la.
 
Educação enferruja por falta de uso.
 
E, detalhe: não é frescura.
 
É A ELEGÂNCIA DO COMPORTAMENTO. . .






21.1.05

BRIGIT, BREED, BRIDA, BRIGHID
J R ANDRADA
MITOS DA IRLANDA, PAIS DE GALES, ESPANHA E FRANCA
MITOLOGIA E FOLCLORE
 
 
Deusa associada ao Imbolc, Deusa de fogo, fertilidade, todas as artes femininas. Esta relacionado à agricultura, à inspiração, ao aprendizagem. à poesia, à adivinhação, profecia, amor, bruxaria, ao conhecimento oculto.
 
Na mitologia gaélica, Brighid (Brigit) era a deusa da metalurgia, dos ferreiros, inspiração poética e terapia.






21.1.05

DEMETER
DESCONHEÇO O AUTOR
MITOS DA GRECIA E ROMA
MITOLOGIA E FOLCLORE
 
 
Contam-nos as lendas, que Perséfone, também conhecida como Core - a donzela, estava brincando em um belo prado perto de Hena, na Sicília, juntamente com as filhas de Oceano, o deus mar todo-abrangente e pai de todos os rios.
 
Enquanto brincava distraída, percebeu uma bela planta com centenas de flores, que espalhavam um suave perfume por todo o lugar. Esta planta, porém, tinha sido enviada à terra justamente para seduzir a jovem, pela deusa-mãe Gaia a pedido de Hades, o senhor do mundo inferior.
 
Quando ela se abaixou para colher as flores, abriu-se uma fenda na terra, e dela surgiu um poderoso deus, montado em uma carruagem de ouro, tendo negros cavalos a conduzí-la. Esse deus era Hades, e, diante dele tanto a luta quanto os gritos de Perséfone se mostraram inúteis. A jovem foi raptada e rapidamente levada para o reino subterrâneo.
 
Os gritos de Perséfone foram ouvidos apenas por sua mãe, Deméter, a deusa cretense da fertilidade e da agricultura, e por Hécate, uma divindade da Lua. Deméter ficou desesperada ao notar o desaparecimento da filha, e tentou em vão seguir suas pegadas. Por acidente, no exato momento em que Hades levou Perséfone à força, passava por aquele local uma manada de porcos, tendo as pegadas da donzela se misturado às pegadas dos porcos. Ainda, no exato momento em que a terra se abriu para receber Hades e Perséfone, a manada de porcos também caiu no abismo.
 
Deméter vasculhou a terra em busca de algum sinal. Vagou desesperada por nove dias e nove noites, levando à mão apenas uma tocha em forma de longo bastão. No décimo dia encontrou Hécate, e juntas foram até o deus sol Febo, que tudo vê, e assim souberam o que havia ocorrido com a jovem raptada.
 
Deméter ficou tão desolada que fugiu da companhia dos deuses. Afinal, por que o grande Zeus, pai de Perséfone, havia permitido que sua filha fosse levada ao mundo dos mortos? Irada, privou a terra de toda a fertilidade - a terra não daria mais nenhum fruto, nem para deuses nem para homens. Uma grande fome ameaçava toda a humanidade.
 
Tomou a forma de uma mulher idosa e passou a vagar entre os homens como uma mendiga. Permaneceu por dias sentada junto a um poço, denominado Poço da Virgem. Serviu também de governanta em um palácio real perto de Elêusis, cidade na qual foi reconhecida e muito bem recebida. Em Elêusis foi construído um templo em sua homenagem, no qual ela passou a morar, e a cidade tornou-se o maior santuário da deusa na Grécia.
 
E todo um ano se passou sem que na terra nascesse uma planta sequer. De nada havia adiantado as súplicas de todos os deuses - mesmo os pedidos do poderoso Zeus. Até que, por fim, Zeus ordenou que a jovem Perséfone, agora esposa de Hades e deusa dos ínferos, fosse libertada.
 
Abraçada e acompanhada de sua mãe e de Hécate, a deusa retornou ao Olimpo. Neste momento os campos e pastagens novamente floresceram e a vida retornou à terra. Mas que surpresa! - a jovem não podia mais abandonar o Reino de Hades para sempre, pois quem come da comida do mundo dos mortos, fica preso a ele, e Perséfone havia comido uma semente de romã na mansão de seu marido.
 
Zeus estabeleceu então, que a jovem deveria passar um terço de cada ano com Hades. Assim, toda vez que ela retornava aos Ínferos, a terra parava de produzir frutos e chegava o inverno, e quando ela retornava à casa de sua mãe a terra se cobria com os grãos vivificadores.
 
Todos os anos as divindades eram honradas no templo de sua cidade, e eram celebrados os mistérios de Elêusis, onde o sofrimento de Deméter e a descida (Cátodos) e subida (Ánodos) de Perséfone eram representados aos iniciados neste rito religioso.






21.1.05

EROS E PSIQUE
DESCONHEÇO O AUTOR
MITOS DA GRECIA E ROMA
MITOLOGIA E FOLCLORE
 
 
Psique era a mais nova de três filhas de um rei de Mileto e era extremamente bela. Sua beleza era tanta que pessoas de várias regiões iam admirá-la, assombrados, rendendo-lhe homenagens que só eram devidas à própria Afrodite.
 
Profundamente ofendida e enciumada, Afrodite enviou seu filho, Eros, para fazê-la apaixonar-se pelo homem mais feio e vil de toda a terra. Porém, ao ver sua beleza, Eros apaixonou-se profundamente. O pai de Psique, suspeitando que, inadvertidamente, havia ofendido os deuses, resolveu consultar o oráculo de Apolo, pois suas outras filhas encontraram maridos e, no entanto, Psique permanecia sozinha.
 
Através desse oráculo, o próprio Eros ordenou ao rei que enviasse sua filha ao topo de uma solitária montanha, onde seria desposada por uma terrível serpente. A jovem aterrorizada foi levada ao pé do monte e abandonada por seu pesarosos parentes e amigos.
 
Conformada com seu destino, Psique foi tomada por um profundo sono, sendo, então, conduzida pela brisa gentil de Zéfiro a um lindo vale. Quando acordou, caminhou por entre as flores, até chegar a um castelo magnífico. Notou que lá deveria ser a morada de um deus, tal a perfeição que podia ver em cada um dos seus detalhes.
 
Tomando coragem, entrou no deslumbrante palácio, onde todos os seus desejos foram satisfeitos por ajudantes invisíveis, dos quais só podia ouvir a voz. Chegando a escuridão, foi conduzida pelos criados a um quarto de dormir. Certa de ali encontraria finalmente o seu terrível esposo, começou a tremer quando sentiu que alguém entrara no quarto. No entanto, uma voz maravilhosa a acalmou.
 
Logo em seguida, sentiu mãos humanas acariciarem seu corpo. A esse amante misterioso, ela se entregou. Quando acordou, já havia chegado o dia e seu amante havia desaparecido. Porém essa mesma cena se repetiu por diversas noites.
 
Enquanto isso, suas irmãs continuavam a sua procura, mas seu esposo misterioso a alertou para não responder aos seus chamados. Psique sentindo-se solitária em seu castelo-prisão, implorava ao seu amante para deixá-la ver suas irmãs. Finalmente, ele aceitou, mas impôs a condição que, não importando o que suas irmãs dissessem, ela nunca tentaria conhecer sua verdadeira identidade.
 
Quando suas irmãs entraram no castelo e viram aquela abundância de beleza e maravilhas, foram tomadas de inveja. Notando que o esposo de Psique nunca aparecia, perguntaram maliciosamente sobre sua identidade. Embora advertida por seu esposo, Psique viu a dúvida e a curiosidade tomarem conta de seu ser, aguçadas pelos comentários de suas irmãs.
 
Seu esposo alertou-a que suas irmãs estavam tentando fazer com que ela olhasse seu rosto, mas se assim ela fizesse, ela nunca mais o veria novamente. Além disso, ele contou-lhe que ela estava grávida e se ela conseguisse manter o segredo ele seria divino, porém se ela falhasse, ele seria mortal.
 
Ao receber novamente suas irmãs, Psique contou-lhes que estava grávida, e que sua criança seria de origem divina. Suas irmãs ficaram ainda mais enciumadas com sua situação, pois além de todas aquelas riquezas, ela era a esposa de um lindo deus.
 
Assim, trataram de convencer a jovem a olhar a identidade do esposo, pois se ele estava escondendo seu rosto era porque havia algo de errado com ele. Ele realmente deveria ser uma horrível serpente e não um deus maravilhoso.
 
Assustada com o que suas irmãs disseram, escondeu uma faca e uma lâmpada próximo a sua cama, decidida a conhecer a identidade de seu marido, e se ele fosse realmente um monstro terrível, matá-lo. Ela havia esquecido dos avisos de seu amante, de não dar ouvidos a suas irmãs.
 
A noite, quando Eros descansava ao seu lado, Psique tomou coragem e aproximou a lâmpada do rosto de seu marido, esperando ver uma horrenda criatura. Para sua surpresa, o que viu porém deixou-a maravilhada. Um jovem de extrema beleza estava repousando com tamanha quietude e doçura que ela pensou em tirar a própria vida por haver dele duvidado.
 
Enfeitiçada por sua beleza, demorou-se admirando o deus alado. Não percebeu que havia inclinado de tal maneira a lâmpada que uma gota de óleo quente caiu sobre o ombro direito de Eros, acordando-o. Eros olhou-a assustado, e voou pela janela do quarto, dizendo: - "Tola Psique! É assim que retribuis meu amor? Depois de haver desobedecido as ordens de minha mãe e te tornado minha esposa, tu me julgavas um monstro e estavas disposta a cortar minha cabeça? Vai. Volta para junto de tuas irmãs, cujos conselhos pareces preferir aos meus. Não lhe imponho outro castigo, além de deixar-te para sempre. O amor não pode conviver com a suspeita.
 
" Quando se recompôs, notou que o lindo castelo a sua volta desaparecera, e que se encontrava bem próxima da casa de seus pais. Psique ficou inconsolável. Tentou suicidar-se atirando-se em um rio próximo, mas suas águas a trouxeram gentilmente para sua margem. Foi então alertada por Pan para esquecer o que se passou e procurar novamente ganhar o amor de Eros.
 
Por sua vez, quando suas irmãs souberam do acontecido, fingiram pesar, mas partiram então para o topo da montanha, pensando em conquistar o amor de Eros. Lá chegando, chamaram o vento Zéfiro, para que as sustentasse no ar e as levasse até Eros. Mas, Zéfiro desta vez não as ergueram no céu, e elas caíram no despenhadeiro, morrendo.
 
Psique, resolvida a reconquistar a confiança de Eros, saiu a sua procura por todos os lugares da terra, dia e noite, até que chegou a um templo no alto de uma montanha. Com esperança de lá encontrar o amado, entrou no templo e viu uma grande bagunça de grãos de trigo e cevada, ancinhos e foices espalhados por todo o recinto.
 
Convencida que não devia negligenciar o culto a nenhuma divindade, pôs-se a arrumar aquela desordem, colocando cada coisa em seu lugar. Deméter, para quem aquele templo era destinado, ficou profundamente grata e disse-lhe: - "Ó Psique, embora não possa livrá-la da ira de Afrodite, posso ensiná-la a fazê-lo com suas próprias forças: vá ao seu templo e renda a ela as homenagens que ela, como deusa, merece.
 
" Afrodite, ao recebê-la em seu templo, não esconde sua raiva. Afinal, por aquela reles mortal seu filho havia desobedecido suas ordens e agora ele se encontrava em um leito, recuperando-se da ferida por ela causada. Como condição para o seu perdão, a deusa impôs uma série de tarefas que deveria realizar, tarefas tão difíceis que poderiam causar sua morte.
 
Primeiramente, deveria, antes do anoitecer, separar uma grande quantidade de grãos misturados de trigo, aveia, cevada, feijões e lentilhas. Psique ficou assustada diante de tanto trabalho, porém uma formiga que estava próxima, ficou comovida com a tristeza da jovem e convocou seu exército a isolar cada uma das qualidades de grão.
 
Como 2ª tarefa, Afrodite ordenou que fosse até as margens de um rio onde ovelhas de lã dourada pastavam e trouxesse um pouco da lã de cada carneiro. Psique estava disposta a cruzar o rio quando ouviu um junco dizer que não atravessasse as águas do rio até que os carneiros se pusessem a descansar sob o sol quente, quando ela poderia aproveitar e cortar sua lã. De outro modo, seria atacada e morta pelos carneiros. Assim feito, Psique esperou até o sol ficar bem alto no horizonte, atravessou o rio e levou a Afrodite uma grande quantidade de lã dourada.
 
Sua 3ª tarefa seria subir ao topo de uma alta montanha e trazer para Afrodite uma jarra cheia com um pouco da água escura que jorrava de seu cume. Dentre os perigos que Psique enfrentou, estava um dragão que guardava a fonte. Ela foi ajudada nessa tarefa por uma grande águia, que voou baixo próximo a fonte e encheu a jarra com a negra água. Irada com o sucesso da jovem, Afrodite planejou uma última, porém fatal, tarefa.
 
Psique deveria descer ao mundo inferior e pedir a Perséfone, que lhe desse um pouco de sua própria beleza, que deveria guardar em uma caixa.
 
Desesperada, subiu ao topo de uma elevada torre e quis atirar-se, para assim poder alcançar o mundo subterrâneo.
 
A torre porém murmurou instruções de como entrar em uma particular caverna para alcançar o reino de Hades. Ensinou-lhe ainda como driblar os diversos perigos da jornada, como passar pelo cão Cérbero e deu-lhe uma moeda para pagar a Caronte pela travessia do rio Estige, advertindo-a: - "Quando Perséfone lhe der a caixa com sua beleza, toma o cuidado, maior que todas as outras coisas, de não olhar dentro da caixa, pois a beleza dos deuses não cabe a olhos mortais.
 
" Seguindo essas palavras, conseguiu chegar até Perséfone, que estava sentada imponente em seu trono e recebeu dela a caixa com o precioso tesouro. Tomada porém pela curiosidade em seu retorno, abriu a caixa para espiar. Ao invés de beleza havia apenas um sono terrível que dela se apossou.
 
Eros, curado de sua ferida, voou ao socorro de Psique e conseguiu colocar o sono novamente na caixa, salvando-a. Lembrou-lhe novamente que sua curiosidade havia novamente sido sua grande falta, mas que agora podia apresentar-se à Afrodite e cumprir a tarefa. Enquanto isso, Eros foi ao encontro de Zeus e implorou a ele que apaziguasse a ira de Afrodite e ratificasse o seu casamento com Psique.
 
Atendendo seu pedido, o grande deus do Olimpo ordenou que Hermes conduzisse a jovem à assembléia dos deuses e a ela foi oferecida uma taça de ambrosia. Então com toda a cerimônia, Eros casou-se com Psique, e no devido tempo nasceu seu filho, chamado Voluptas (Prazer).






21.1.05

ATRAVESSANDO A AVENIDA COPACABANA
PAULO COELHO
CONTOS E LENDAS
 
 
Eu tinha editado, com meus próprios recursos,  um livro chamado "Os Arquivos do Inferno" (do qual muito me orgulho, e se não está atualmente nas livrarias é unicamente porque ainda não me atrevi a fazer uma revisão completa do mesmo).
 
Todos nós sabemos o quanto é difícil publicar um trabalho, mas existe algo ainda mais complicado: fazer com que ele seja colocado nas livrarias. Todas as semanas minha mulher ia visitar os livreiros em  um lado da cidade, e eu ia para outra região fazer a mesma coisa. 
 
Foi assim que, com exemplares de meu livro debaixo do braço, ela ia atravessando a Av. Copacabana, e eis que Jorge Amado e Zélia Gattai estão do outro lado da calçada! Sem pensar muito, ela os abordou e disse que o marido era escritor. Jorge e Zélia (que provavelmente deviam escutar isso todos os dias) a trataram com o maior carinho, convidaram para um café, pediram um exemplar, e terminaram desejando que tudo corresse bem com minha carreira literária.
 
"Você é louca!" eu disse, quando ela voltou para casa. "Não vê que ele é o mais importante escritor brasileiro? "
 
"Justamente por isso", respondeu ela. "Quem chega onde ele chegou, precisa ter o coração puro."






21.1.05

PÉ-GRANDE
DESCONHEÇO O AUTOR
MITOS DA AMERICA DO NORTE
MITOLOGIA E FOLCLORE
 
 
A exemplo do monstro do lago Ness e do brasileiro mapinguari, muitos estudiosos pesquisam a existência do pé-grande. Durante anos, muitas teorias tentam explicar a existência do pé-grande, entre elas alucinação generalizada de quem diz ter presenciado um contato com a criatura, o pé-grande também poderia ser a já extinta espécie Australophithecus ou e Homen de Neanderthal. Mas a teoria que vem atraindo um crescente interesse nas últimas décadas, sugere que os pés-grandes, seriam sobreviventes do gênero Gigantophithecus, uma espécie de gorilas gigantes que teriam sido extintos há milhares de anos atrás. 
 
Mas o "x" da questão consiste em saber se os gigantes teriam uma postura ereta. Alguns antropólogos através da análise dos poucos fósseis encontrados de gigantophithecus, chegaram à conclusão de que os gigantes, poderiam andar eretos, obtendo uma altura de até 9 pés, e pesando mais de 1000 libras. (Essas descrições coincidem com a descrição feita por aqueles que dizem terem visto um pé-grande).
 
 Os teóricos acreditam que o tamanho do cérebro destes seres (o maior entre os animais) e a postura ereta, teriam facilitado sua dispersão na Asia e na América do Norte. Milhares de anos de adaptação de um clima temperado para um clima de montanhas, teriam dado à eles a capacidade de tolerar baixas temperaturas e de caminhar na neve sem dificultade.  Há evidências científicas que indicam que na Ásia os gigantes eram caçados e comidos pelos Homo erectus que teriam vivido na mesma época. Os teóricos não aceitam a idéia de que seres tão ágeis como os gigantophithecus, teriam sido exterminados completamente pelo Homo erectus. Ao contrário, eles aparecem na atualidade como pés-grandes, e devido às adaptações de comportamento, conseguiram evitar sua completa extinção.
 
Supõem-se que os pés-grandes, são geralmente avistados perto ou dentro de regiões florestais, montanhosas e pantanosas. Geralmente quando encontram humanos, sua primeira reação é fugir para dentro da floresta onde desaparecem. Ao contrário dos gorilas, não andam em grupos nem ficam muito tempo num mesmo lugar, esse comportamento explicaria por tanto como eles conseguiram evitar sua total extinção. Em várias partes remotas do mundo muitas pessoas encontram-se acidentalmente com essa criatura, conhecida por vários nomes: Sasquatch, Yeti, Almas e muitos outros. Seria este o tão estudado animal desconhecido? Seria este o "elo perdido"? Ou apenas alguma das várias espécies desconhecidas existentes no mundo?  Por milhares de anos, várias pessoas tem visto um gigante cabeludo, de 7 pés de altura habitando uma região do noroeste dos EUA chamada "Cascade mountains". Pelas descrições dadas este ser só poderia ser um pé-grande.  Pesquisas revelam que habitam as áreas mais densas das florestas e montanhas, já que seria mais fácil para eles de se esconderem dos homens, provavelmente estes seres seriam onívoros ( comem de tudo) assim como os gorilas. Os pés-grandes teriam em média 7 pés de altura, e seus pés chegariam a medir de 14 a 17 polegadas.  A prova mais famosa que temos da existência destes seres é a filmagem feita em 1967 onde está registrado o momento em que um pé-grande à beira de um rio toma água, ao perceber a presença da pessoa que estava filmando, a criatura se levanta e sai correndo para a floresta. Dizem ser uma prova confiável já que ninguém poderia imitar com tamanha perfeição as contrações de seus músculos e as passadas longas e rápidas que este aparece fazendo na filmagem, mas recentemente, cientistas em conjunto com um estúdio de efeitos especiais conseguiu reproduzir a fita com um animal muito parecido ao filmado anteriormente.






19.1.05

LUCHTAINE
J R ANDRADA
MITOS CELTAS
MITOLOGIA E FOLCLORE
 
 
Era o deus das rodas.






19.1.05

OS DRUIDAS
J R ANDRADA
MITOS CELTAS
MITOLOGIA E FOLCLORE
 
 
Os Druidas eram os sacerdotes e magos, mestres e juízes. Desde o início da história celta foram uma classe educada e respeitada por sua sabedoria e conhecedores de seus próprios poderes como intermediários entre as tribos e os deuses.
 
Estes homens eram conhecidos como  druidas (palavra que originalmente deriva de um termo para "o conhecimento do cedro" ou "profundos conhecimentos").
 
Os  druidas formavam uma classe privilegiada, isentos de impostos e serviço militar, isso atraía grande número de jovens, que buscavam iniciação na ordem, Houve três categorias desses sábios: os bardos, que imortalizavam a história e as tradições da tribo; os  auguristas, que faziam os sacrifícios e adivinhavam o futuro; e os druidas propriamente ditos, que conheciam as leis e a filosofia, conservavam a antiga sabedoria celta.
 
Os bardos adquiriam seu conhecimento pela tradição oral e reconstruindo as genealogias de seu povo, compunham versos para seus chefes e outros aristocratas. As escolas bárdicas, onde se ensinavam essas artes, floresceram na Irlanda ao final do século 7.
 
As atividades jurídicas dos druidas eram de vital importância na sociedade celta. Todos com jurisdição própria, intermediavam disputas individuais, homicídios e pleitos sobre limites territoriais e heranças. Suas decisões eram indiscutíveis.
 
Os druidas eram filósofos da sociedade. Eles estudavam os movimentos dos grandes corpos, a astronomia, o tamanho do universo e da terra, os poderes e as habilidades dos deuses. Outro aspecto importante era seu estudo sobre a vida depois da morte. Eles pensavam que a alma não perecia, porém depois da morte, passava de um corpo a outro. Isto influiu em sua grande valentia na hora do combate.
 
Em todos os lugares do mundo celta, a sabedoria. a literatura e a religião estavam em mãos de um sistema altamente organizado que descansava em três principais classes: os druidas, os bardos e, entre estas duas, uma terceira ordem de adivinhos, conhecidos como "vates" na Galia e "filidhs" na tradição irlandesa. O posto mais alto era ocupado pelos druidas, considerados semidivinos. Eles dirigiam o sistema educacional, faziam cumprir as decisões legais e oficiavam as cerimônias religiosas.
 
Os celtas foram um povo profundamente religioso, e adoravam uma numerosa coorte de deuses e deusas. Seus rituais religiosos tinham papel primordial na consolidação do poder dos druidas  e na  manutenção da hierarquia social entre os diferentes chefes e tribos. Os "vates" desempenhavam muitas das funções dos druidas e, em alguns aspectos, constituíam uma subordem dentro do primeiro escalão hierárquico. A literatura era competência dos bardos, ao que parece, tão respeitados quanto os próprios druidas.
 
A maior parte das historias dos bardos se perdeu pela simples razão que não de preocupavam em escrevê-las. Confiavam na memória da tradição oral.
Lugares de culto
 
Os primeiros livros medievais que dão normas de conduta revelam que muitas das crenças e costumes pagãos eram vivos no povo. Uma delas fixa a multa que deverá pagar todo aquele que faça oferendas votivas a fontes, árvores ou bosques sagrados (lucos). Outro, o Indiculus superstitionum, da o nome celta destes bosques sagrados, nimidos. Este nome vale por nemeta, plural de nemeton, que significa lugar ou bosque sagrado.
 
Há poucas dúvidas de que, entre os celtas, os primeiros lugares de culto foram os bosques, alguns dos quais continuaram sendo sagrados ainda depois de se terem construído templos neles. Nos templos devia haver um símbolo, ou imagem do deus que ali se adorava e um altar. César fala de "um lugar consagrado", onde os druidas se reuniam anualmente, e de "lugares consagrados" nos quais se amontoavam os despojos da vitória, provavelmente porque os ofereciam aos deuses.
 
Apesar de poucas alusões a templos gauleses pré-romanos, há provas de sua existência; porém, mais que edifícios de pedra, foram de madeira e muito simples. A arquitetura era parecida com a de templos romanos, e continham também imagens das divindades a que estavam consagrados.