Contos e Lendas: 05/2005

31.5.05

A MANEIRA DE AGRADAR AO SENHOR
PAULO COELHO
CONTOS E LENDAS




Certo noviço procurou o abade Macário, e pediu conselhos sobre a melhor maneira de agradar ao Senhor.


- Vá até o cemitério e insulte os mortos - disse Macário.


O irmão fez o que foi ordenado. No dia seguinte, voltou a Macário.


- Eles responderam? - perguntou o abade


O noviço disse que não.


- Então vá até lá, e elogie-os.


O noviço obedeceu. Naquela mesma tarde, voltou até o abade, que de novo quis saber se os mortos
haviam respondido.


- Não - disse o noviço.


- Para agradar ao Senhor, comporte-se da mesma maneira - comentou Macário. - Não conte nem com o desprezo dos homens, nem com seus louvores; desta maneira, você pode construir o seu próprio caminho.






30.5.05

MENSAGEM
CHICO XAVIER
CONTOS E LENDAS




Nasceste no lar que precisavas, vestiste o corpo físico que merecias, moras onde melhor Deus te proporcionou, de acordo com teu adiantamento.


Possuis os recursos financeiros coerentes com as tuas necessidades - nem mais, nem menos, mas o justo para as tuas lutas terrenas.


Teu ambiente de trabalho é o que elegeste espontaneamente para a tua realização.


Teus parentes, amigos são as almas que atraíste, com tua própria afinidade.


Portanto, teu destino está constantemente sob teu controle.


Tu escolhes, recolhes, eleges, atrais, buscas, expulsas, modificas tudo aquilo que te rodeia a existência.


Teus pensamentos e vontade são a chave de teus atos e atitudes. São as fontes de atração e repulsão na tua jornada vivência.


Não reclames nem te faças de vítima. Antes de tudo, analisa e observa.


A mudança está em tuas mãos.


Reprograma tua meta, busca o bem e viverás melhor.


Embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo, qualquer um pode começar agora e fazer um novo fim.






30.5.05

JULGANDO O PROXIMO
PAULO COELHO
CONTOS E LENDAS




Um dos monges do mosteiro de Sceta cometeu uma falta grave, e chamaram o ermitão mais sábio para que pudesse julgá-la.


O ermitão se recusou, mas insistiram tanto que ele terminou por ir. Antes, porém, pegou um balde e furou-o em várias partes; Depois, encheu-o de areia e encaminhou-se para o convento.


O superior, ao vê-lo entrar, perguntou o que era aquilo.


- Vim julgar meu próximo, disse o ermitão. Meus pecados estão escorrendo detrás de mim, como a areia escorre deste balde. Mas, como não olho para trás e não me dou conta dos meus próprios pecados, fui chamado para julgar meu próximo!


Os monges desistiram da punição na mesma hora.






30.5.05

LAMA
MEIRE MICHELIN
CONTOS E LENDAS




As pessoas repararam que um rabino começou a passear por lugares de péssima fama.


Os fiéis começaram a pensar e comentar que o rabino havia abandonado a busca espiritual e que agora só desejava divertimento.


As conversas circularam e ninguém mais queria frequentar a sinagoga.


Um rapaz resolveu advertir o rabino:


"O senhor frequenta lugares suspeitos e as pessoas não gostam disso."


O rabino então respondeu ao jovem:


"Se você quer tirar alguém da lama, não basta estender a mão de longe. A solução é também entrar na lama e puxá-lo para fora. É isso que estou fazendo, e minha tarefa vale mais que a hipocrisia e a maledicência dos falsos devotos."






30.5.05

OBSTÁCULOS? LIDE COM ELES AGORA
BRIAN CAVANAUGH
CONTOS E LENDAS




Durante anos, um velho fazendeiro tinha arado ao redor de uma grande pedra em um de seus campos. Ele tinha quebrado várias lâminas do arado e tinha cultivado um ódio mórbido pela pedra.


Um dia, depois de quebrar outro arado, e se lembrando de toda a dificuldade que a pedra lhe tinha causado por anos, ele decidiu finalmente fazer algo que resolvesse o problema definitivamente.


Quando ele pôs uma alavanca debaixo da pedra, ele foi pego de surpresa ao descobrir que a pedra tinha apenas 18 centímetros, aproximadamente, e que ele poderia, facilmente, quebrar a pedra com uma marreta.


Quando estava carregando os pedaços da pedra ele não se conteve e começou a rir sozinho, enquanto se lembrava de toda a dificuldade que a pedra tinha lhe causado durante anos e como teria sido melhor se tivesse enfrentado o obstáculo e quebrado a pedra mais cedo.






16.5.05

CAIXINHA DE SURPRESA
DESCONHEÇO O AUTOR
CONTOS E LENDAS




Há certo tempo atrás, um homem castigou sua filhinha de 3 anos por desperdiçar um rolo de papel de presente dourado.


O dinheiro andava escasso naqueles dias, razão pela qual o homem ficou furioso ao ver a menina envolvendo uma caxinha com aquele papel dourado e colocá-la debaixo da árvore de Natal.


Apesar de tudo, na manhã seguinte, a menininha levou o presente a seu pai e disse: "Isto é pra você, paizinho!". Ele sentiu-se envergonhado da sua furiosa reação, mas voltou a "explodir" quando viu que a caixa estava vazia.


Gritou, dizendo: "Você não sabe que quando se dá um presente a alguém, a gente coloca alguma coisa dentro da caixa?" A pequena menina olhou para cima com lágrima nos olhos e disse: "Oh, Paizinho, não está vazia. Eu soprei beijos dentro da caixa. Todos para você, Papai." O pai quase morreu de vergonha, abraçou a menina e suplicou que ela o perdoasse.


Dizem que o homem guardou a caixa dourada ao lado de sua cama por anos e sempre que se sentia triste, chateado, deprimido, ela tomava da caixa um beijo imaginário e recordava o amor que sua filha havia posto ali.


De uma forma simples, mas sensível, cada um de nós humanos temos recebido uma caixinha dourada, cheia de amor incondicional e beijos de nossos pais, filhos, irmãos e amigos......


Ninguém poderá ter uma propriedade ou posse mais bonita que esta.






16.5.05

SITA
AUTOR DESCONHECIDO
MITOS DA INDIA
MITOLOGIA E FOLCLORE




SITA, mulher de Rama que é um avatar de Vishnu. Ela é uma encarnação de Lacshimi.


Representa a esposa hindu ideal. Foi rapatada pelo demônio Ravana e levada para a morada deste, mas permaneceu devoatada ao marido.






16.5.05

O DESENHO QUE SEDUZIA
PAULO COELHO
CONTOS E LENDAS




Um grande sábio sufi passou anos meditando sobre a vida. Para dividir seu conhecimento, fez um desenho numa folha de papel, e mostrou aos seus discípulos.


Os seguidores do sábio sufi ficaram tão impressionados com a beleza do trabalho, que mandaram imprimir o desenho numa placa de bronze. Logo a noticia se espalhou, e começaram a vir peregrinos do mundo inteiro, para decifrar cada linha do desenho. Em poucos anos, as pessoas passaram a adorar a placa de bronze, como se fosse sagrada.


- Não é desta maneira que a beleza deve ser vista - disse o sábio, decepcionado. - Ela deve ajudar o homem a compreender os mistérios de Deus, mas não pode ser a razão da vida.


Imediatamente mandou fundir a placa, e transformou-a em um caldeirão.


- Pelo menos, desta maneira o bronze ainda continua belo, mas não perde o seu significado.






16.5.05

OBSTÁCULOS? LIDE COM ELES AGORA
BRIAN CAVANAUGH
TRADUÇÃO DE SERGIO BARROS
CONTOS E LENDAS




Durante anos, um velho fazendeiro tinha arado ao redor de uma grande pedra em um de seus campos.


Ele tinha quebrado várias lâminas do arado e tinha cultivado um ódio mórbido pela pedra.


Um dia, depois de quebrar outro arado, e se lembrando de toda a dificuldade que a pedra lhe tinha causado por anos, ele decidiu finalmente fazer algo que resolvesse o problema definitivamente.


Quando ele pôs uma alavanca debaixo da pedra, ele foi pego de surpresa ao descobrir que a pedra tinha apenas 18 centímetros, aproximadamente, e que ele poderia, facilmente, quebrar a pedra com uma marreta.


Quando estava carregando os pedaços da pedra ele não se conteve e começou a rir sozinho, enquanto se lembrava de toda a dificuldade que a pedra tinha lhe causado durante anos e como teria sido melhor se tivesse enfrentado o obstáculo e quebrado a pedra mais cedo.






11.5.05

O INVENTÁRIO DAS COISAS PERDIDAS
DESCONHEÇO O AUTOR
CONTOS E LENDAS





A meu avô aquele dia o vi diferente. Tinha o olhar enfocado ao longe. Quase ausente. Penso agora que talvez pressentisse que era o último dia de sua vida.


Me aproximei e disse: "Bom dia avô!" E ele estendeu a sua mão em silêncio. Me sentei junto ao seu sofá e depois de uns instantes um tanto misteriosos, exclamou: - "Hoje é dia de inventário, filho!"


"Inventário?" Perguntei surpreso.


Sim. Inventário de tantas coisas perdidas! Sempre tive desejos de fazer muitas coisas que nunca fiz, por não ter vontade suficiente para sobrepor-me a minha preguiça. Lembro também daquela menina que amei em silêncio por tantos anos, até que um dia foi embora do povoado sem eu saber.


Também estive a ponto de estudar engenharia, mas não me atrevi. Lembro de tantos momentos em que fiz mal aos outros por não ter a coragem necessária para falar, para dizer o que pensava. E outras vezes em que a valentia me faltou para ser leal. Foram poucas as vezes que tenho dito para sua avó que a amo, e que a amo com loucura. Tantas coisas não concluídas, tantos amores não declarados, tantas oportunidades perdidas!"


Logo, com certa alegria em seu rosto, continuou: - "Sabes o que tenho descoberto nestes dias? Sabes qual é o pecado mais grave na vida de um homem?"


A pergunta me surpreendeu e só atinei em dizer, com certa insegurança: "Não tenho pensado nisso ainda, mas suponho que seja matar a outros seres humanos, odiar ao próximo e desejar-lhe mal...".


Me olhou com afeto e me disse: "Penso que o pecado mais grave na vida do ser humano é o pecado da omissão. E o mais doloroso é descobrir as coisas perdidas sem ter tempo de encontra-las e recupera-las."


No dia seguinte voltei cedo para casa, depois do enterro do meu avô para fazer com calma o meu próprio "inventário" das coisas perdidas, das coisas não ditas, do afeto não manifestado.






11.5.05

O TRABALHO NA LAVOURA
PAULO COELHO
CONTOS E LENDAS





O rapaz cruzou o deserto, e chegou finalmente ao mosteiro de Sceta, perto de Alexandria. Ali, pediu para assistir uma das palestras do abade - e recebeu permissão.


Naquela tarde, o abade discorreu sobre a importância do trabalho na lavoura.


No final da palestra, o rapaz disse a um dos monges:


- Fiquei muito impressionado. Achei que ia encontrar um sermão iluminado sobre as virtudes e os pecados, e o abade só falava de tomates, irrigação, e coisas assim. Do lugar onde venho, todos acreditam que Deus é misericórdia: basta rezar.


O monge sorriu, e respondeu:


- Aqui, nós acreditamos que Deus já fez a parte Dele; agora cabe a nós continuar o processo.






11.5.05

TESTE DE INTEGRIDADE
DESCONHEÇO O AUTOR
CONTOS E LENDAS







Há muito tempo houve um mestre que vivia em um templo arruinado, em companhia de grande número de discípulos.


Todos sobreviviam graças às doações e esmolas recebidas dos moradores de uma cidade próxima.


Os discípulos, insatisfeitos com a situação, começaram a reclamar das péssimas condições do templo.


Um dia, o mestre chamou todos para uma reunião e propôs o seguinte: "nós devemos fazer uma reforma geral no templo, mas como nos ocupamos somente com estudos e meditações, não sobra tempo para trabalhar e arrecadar o dinheiro que precisamos. Assim, eu pensei numa solução simples e gostaria de saber se posso contar com todos vocês."


Os discípulos ouviam com atenção enquanto o mestre lhes disse: "cada um de vocês deve ir para a cidade e roubar bens que poderão ser vendidos para a arrecadação de dinheiro. Desta forma poderemos fazer uma boa reforma em nosso templo."


Os estudantes ficaram espantados com a sugestão do mestre, a quem todos julgavam um verdadeiro sábio. Mas, desde que todos tinham por ele grande respeito, não fizeram nenhum protesto.


E o mestre disse, logo a seguir, de modo bastante severo: "como estaremos cometendo atos ilegais e imorais, e não quero manchar nossa excelente reputação, solicito que só roubem quando ninguém estiver olhando. Não quero que ninguém seja apanhado em flagrante."


Quando o mestre se afastou, os discípulos discutiram o plano.


É errado roubar, disse um deles. Por que nosso mestre nos pede para cometer este ato?


Outro respondeu em seguida: "isto permitirá que possamos reformar o nosso templo, o que é uma boa causa."


Dessa forma, todos concordaram que o mestre era sábio e justo e deveria ter uma boa razão para fazer tal pedido.


Assim, logo partiram em direção à cidade, prometendo que fariam tudo às escondidas para não causar a desgraça do templo.


Todos os estudantes foram para a cidade. Todos, menos um.


O sábio se aproximou dele e lhe perguntou: "por que você ficou para trás?"


"Porque não posso seguir as orientações para roubar onde ninguém esteja me vendo."


O mestre se fez de desentendido e pediu ao garoto que se explicasse melhor.


E ele disse com firmeza: "aonde quer que eu vá, eu sempre estarei olhando para mim mesmo. Meus próprios olhos irão me ver roubando e minha consciência registrará o fato."


O sábio mestre abraçou o menino com um sorriso de alegria e disse: "eu só estava testando a integridade dos meus estudantes, e você foi o único que passou no teste."


Após muitos anos aquele garoto se tornou um grande mestre.