Contos e Lendas: 08/2005

31.8.05

NARASIMA
DESCONHEÇO O AUTOR
MITOS DA INDIA
MITOLOGIA E FOLCLORE



O leão-homem foi avatar de Vishnu. Brahma, tinha dado invulnerabilidade a um demônio durante o dia e durante a noite. O avatar matou o demônio ao crespúsculo.






31.8.05

ATENA E ARACNE
DESCONHEÇO O AUTOR
MITOS DA GRECIA E ROMA
MITOLOGIA E FOLCLORE



Atena foi desafiada por Aracne, uma presunçosa mortal, numa competição de destreza sobre a tecelagem de uma tapeçaria.

Ambas trabalharam com rapidez e habilidade. Quando as tapeçarias ficaram terminadas, Atena admirou o trabalho impecável de sua competidora, mas ficou furiosa porque Aracne ousou ilustrar as desilusões amorosas de Zeus.

Na tapeçaria, Leda estava acariciando um cisne, animal em que Zeus se transformara para poder entrar no dormitório da rainha casada e fazer-lhe a corte.

Um outro painel era de Dânae, a quem Zeus fecundou na forma de um chuvisco dourado; um terceiro painel representava a donzela Europa, raptada por Zeus disfarçado na forma de um majestoso touro branco.

O tema de sua tapeçaria era a ruína de Aracne, Atena ficou tão enraivecida que rasgou em pedaços o trabalho e induziu Aracne a se enforcar.

Depois, sentindo pena, Atena deixou Aracne viver, e transformou-a em aranha, condenada para sempre a tecer. Observe-se que Atena, muitíssimo defensora de seu pai, a puniu por tornar público o comportamento velhaco e ilícito de Zeus mais do que pelo desaforo do próprio desafio.

Atena, conforme consta nos arquivos mitológicos,nem conheceu homem nem se preocupou por nenhum deles, fosse mortal, semi-divino ou plenamente entronado no Olimpo.

Mas a deusa-virgem também foi a sagrada inventora da maior parte das coisas e dos ofícios úteis para a humanidade que nela confiava. Entre as suas invenções está a fiação e o tecido e, nessas questões, os seus ciúmes profissionais eram tão fortes como os de uma mulher apaixonada no amor.

Pois bem, há um momento na crônica de Atena em que surge a paixão e a divina dama perde o controle dos seus temperados nervos de aço.O caso foi que Aracne, princesa de Lídia, que era uma hábil e primorosa donzela com o tear, elaborou uma tela maravilhosa, que teria que ser a sua última obra.

Atena teve nas suas mãos o pano de Aracne e, à medida que o examinava, crescia a sua irritação, porque o pano da princesa era mais belo do que nenhum que tivesse visto, tão perfeito como se tivesse sido obra dos poderes celestiais. Aquela demonstração de perfeição e arte era demasiada humilhação para a deusa.

Perante o delicado desenho de um Olimpo cheio de quadros plenos de colorido e intenção, em que se descreviam as mais românticas cenas dos povoadores de tão ilustre morada, Atena não soube senão que não devia: destroçar o pano até reduzi-lo a farrapos.

Aracne, dolorida ou aterrorizada pela crueldade da sua rival têxtil, suicidou-se, enforcando-se no teto. A vingança de Atena não terminou com a sua morte e a deusa satisfez-se até o infinito, fazendo com que, a partir desse momento, a pobre Aracne passasse a ser uma aranha, com a sua corda de morte transformada em fio salvador que lhe permitiu desandar o caminho da morte até voltar à vida, embora (isso sim) já convertida num inseto pouco engraçado e ainda menos apreciado.






31.8.05

PROCURA-SE UM AMIGO
VINICIUS DE MORAES
CONTOS E LENDAS



Não precisa ser homem, basta ser humano, basta ter sentimento, basta ter coração.

Precisa saber falar e calar, sobretudo saber ouvir.

Tem que gostar de poesia, de madrugada, de pássaro, de sol, da lua, do canto dos ventos e das canções da brisa.

Deve ter amor, um grande amor por alguém, ou então sentir falta de não ter esse amor.

Deve amar o próximo e respeitar a dor que os passantes levam consigo.

Deve guardar segredo sem se sacrificar.

Não é preciso que seja de primeira mão, nem é imprescindível que seja de segunda mão. Pode já ter sido enganado, pois todos os amigos são enganados.

Não é preciso que seja puro, nem que seja de todo impuro, mas não deve ser vulgar.

Deve ter um ideal e medo de perdê-lo e, no caso de assim não ser, deve sentir o grande vácuo que isso deixa.

Tem que ter ressonâncias humanas, seu principal objectivo deve ser o de amigo.

Deve sentir pena das pessoas tristes e compreender o imenso vazio dos solitários.

Deve gostar de crianças e lastimar as que não puderam nascer.

Procura-se um amigo para gostar dos mesmos gostos, que se comova, quando chamado de amigo.

Que saiba conversar de coisas simples, de orvalhos, de grande chuvas e das recordações de infância.

Precisa-se de um amigo para não se enlouquecer, para contar o que se viu de belo e triste durante o dia, dos anseios e das realizações, dos sonhos e da realidade.

Deve gostar de ruas desertas, de poças de água e de caminhos molhados, de beira de estrada, de mato depois da chuva, de se deitar no capim.

Precisa-se de um amigo que diga que vale a pena viver, não porque a vida é bela, mas porque já se tem um amigo.

Precisa-se de um amigo para se parar de chorar.

Para não se viver debruçado no passado em busca de memórias perdidas.

Que nos bata nos ombros sorrindo ou chorando, mas que nos chame de amigo, para ter-se a consciência de que ainda se vive.






30.8.05

CONCHOBAR MAC NESSA
J R ANDRADA
MITOS DA IRLANDA
MITOLOGIA E FOLCLORE



Rei do poderoso reino de Uladh (Ulster), ao norte da ilha de Irlanda.

Figura representativa do caráter sagrado da realeza irlandesa e personificação do reino.

Como protetor, pacificador, árbitro e juiz supremo, garante a prosperidade do reino.

Ainda estava casado quando se enamorou perdidamente por Deirdre, filha de um chefe de Ulster.

No momento de seu nascimento, um druida predisse que seria a mulher mais bela da Irlanda, mas também seria a causa da morte e destruição que assolaria o país.

Quando Deirdre cresceu, Conchobar já era velho, assim que o rechaçou e teve um caso com um jovem guerreiro chamado Naoise, o rei não deixou de amá-la e fez com que assassinassem Naoise, casando-se mais tarde com Deidre.

Ela, desesperada, suicidou-se, jogando-se de um carro em marcha.

Fergus Mac Roth, aborrecido com o comportamiento de Conchobar, passou-se para o lado dos inimidos de Ulster e começou uma guerra.

Conchobar morreu por magia, um projétil feito com Conal com o cérebro de um rei de Leinster assassinado, que se alojou em seu crânio. Os médicos aconselharam ao rei repouso e tranquilidade, porém anos mais tarde sofreu um acesso de fúria e, em conseqüência, o projétil mágico o matou.







30.8.05

EL PRISIONERO DE SAMARCANDA
IDRIES SHAH
CONTOS E LENDAS SUFI



Hakim Iskandar Zaramez y Abdulwahab el Hindi pasaban un día por la esquina de una gran casa de Samarcanda, cuando oyeron un grito salvaje.

"Están torturando a algún pobre desgraciado", dijo el Hindi, deteniéndose y escuchando cómo los gritos aumentaban.

"¿Te gustaría aliviar el sufrimiento?", preguntó Zaramez.

"Por supuesto. En tu condición de wali, de santo, seguramente puedes hacerlo, con el permiso de Dios."

"Muy bien", dijo el Hakim, "voy a demostrarte una cosa".

Zaramez se alejó cinco pasos de la esquina de la casa. Los gritos dejaron de oírse.

"¡Te alejas y cesa el ruido! Yo siempre he oído decir que es acercarse a alguien afligido lo que mitiga el dolor", dijo El Hindi.

El Hakim sonrió, pero no dijo nada más, haciendo el gesto que entre los sufíes significa: "En un determinado momento, una pregunta puede no tener respuesta por el estado de quien pregunta."

Muchos años después, cuando El Hindi estaba en Marruecos, una noche oyó cómo un derviche contaba sus experiencias a un grupo de estudiantes, en la recoleta ciudad de Maula Idriss. Entre otras cosas, el derviche contó lo siguiente:

"Cierto día del mes de Ramadán el Mubarak, hace muchos años, me tomaron por un vagabundo por mi manifiesta miseria y mi aspecto de pordiosero. A la espera del juicio, me encerraron en una celda de piedra situada en una de las esquinas del muro exterior de la casa de Kazi. Esto sucedió a las afueras de Samarcanda, al norte.

"De repente sentí, de forma inequívoca, la presencia de un santo afuera, no muy lejos. Entonces me alegré de mi suerte, y me senté en silenciosa meditación. Empecé a gemir, a chillar y a agitarme, porque había un poder sobre mí, y porque no podía escapar por mucho que quisiera acercarme a él.

"Después, noté que se había alejado, molesto con mi alboroto. Le dejé que se acercara de nuevo, quedándome tan tranquilo y silencioso como la noche."

El sheik del círculo del derviche dijo:

"Tu experiencia podía haberte enseñado que a la gente le afecta mucho más la baraka* cuando se encuentra según todas las apariencias más allá de su alcance. El wali estaba enseñándote eso, aunque tú estabas encerrado y él, a los ojos de algún observador, parecía estar haciendo otra cosa bien diferente, o nada en absoluto."

El Hindi cuenta:

"Gracias a este hecho empecé a comprender de verdad que no es sorprendente que la gente tenga "experiencias espirituales". Lo que puede ser sorprendente es que las tengan tan pocas personas y lo que sin duda es aún más sorprendente es que, en vez de aprender de esas experiencias, las veneren y las tomen por lo que no son."

* En sentido general, significa "bendición", "poder impalpable". En un sentido más estricto, los sufíes utilizan este término como la "transmisión espiritual" que un maestro lleva a cabo con un discípulo. (N. del T.)







30.8.05

UM CONTO
DESCONHEÇO O AUTOR
CONTOS E LENDAS




Numa sala de aula, havia várias crianças. Quando uma delas perguntou à professora:

Professora, o que é o amor?

A professora sentiu que a criança merecia uma resposta à altura da pergunta inteligente que fizera. Como já estava na hora do recreio, pediu para que cada aluno desse uma volta pelo pátio da escola e trouxesse o que mais despertasse nele o sentimento de amor.

As crianças saíram apressadas e, ao voltarem, a professora disse:

Quero que cada um mostre o que trouxe consigo.

A primeira criança disse:

Eu trouxe esta flor, não é linda?

A segunda criança falou:

Eu trouxe esta borboleta. Veja o colorido de suas asas, vou colocá-la em minha coleção.

A terceira criança completou:

Eu trouxe este filhote de passarinho. Ele havia caído do ninho junto com outro irmão. Não é uma gracinha?

E assim as crianças foram se colocando.

Terminada a exposição, a professora notou que havia uma criança que tinha ficado quieta o tempo todo. Ela estava vermelha de vergonha, pois nada havia trazido.

A professora se dirigiu a ela e perguntou:

Meu bem, por que você nada trouxe?

E a criança timidamente respondeu:

Desculpe, professora. Vi a flor e senti o seu perfume. Pensei em arrancá-la, mas preferi deixá-la para que seu perfume exalasse por mais tempo. Vi também a borboleta, leve, colorida! Ela parecia tão feliz que não tive coragem de aprisioná-la.

Vi também o passarinho caído entre as folhas, mas, ao subir na árvore, notei o olhar triste de sua mãe e preferi devolvê-lo ao ninho. Portanto professora, trago comigo o perfume da flor, a sensação de liberdade da borboleta e a gratidão que senti nos olhos da mãe do passarinho. Como posso mostrar o que trouxe?

A professora agradeceu a criança e lhe deu nota máxima, pois ela fora a única que percebera que só podemos trazer o amor no coração".







30.8.05

POR QUE MINHA ESPOSA COMPROU ALGEMAS
PHILIP GULLEY
CONTOS E LENDAS




Quando eu tinha 23 anos, tomei a melhor decisão de minha vida. Pedi em casamento uma mulher bonita e engenhosa. E ela aceitou, contrariando os conselhos de suas amigas, de sua família e de uma boa parte dos habitantes do mundo ocidental. No dia do nosso casamento, as damas de honra usaram roupa preta.

Por oito anos, eu fui um exemplo de responsabilidade. Trabalhava muito. Enxugava a louça. Abaixava a tampa do vaso sanitário. Logo depois, minha esposa engravidou. Passei a freqüentar cursos de gravidez e aprendi a ser solidário. Quando levamos Spencer para casa, eu me levantava à noite com minha esposa para alimentá-lo. E, quando ele regurgitava em mim, eu agia com bom humor.

Três meses depois do parto; Joan voltou a trabalhar fora, em seu emprego de meio expediente. Na manhã do primeiro dia de trabalho, ela me alertou para ficar de olho em nosso filho. Senti-me ofendido e disse a ela:

— Por favor, querida, será que já não provei que sou um pai confiável?

Por isso, penso que foi a desconfiança de minha esposa que me fez esquecer de levar meu filho comigo quando fui à mercearia naquela tarde.

Eu já estava a caminho da mercearia quando olhei ao redor. Ele não se encontrava ali! Corri para casa e o encontrei no berço, olhando-me com ar carrancudo. Eu sabia o que ele diria quando aprendesse a falar. Confessei meu erro a Joan em um jantar à luz de velas, presenteando-a com uma nova pulseira de prata.

Por ser cristã, Joan perdoou-me e deu-me mais uma chance. Na manhã seguinte, após ter-me algemado a Spencer, ela disse:

— Querido, eu confio em você.

Ao refletir sobre esta experiência, aprendi duas lições: A primeira é que ter filhos causa um dano irreparável às áreas do cérebro relacionadas com a memória; e a segunda... ah... qual é mesmo a segunda? Ah, sim, a segunda é: Às vezes, todos nós nos sentimos esquecidos.

Na verdade, aprendi a segunda lição quando era criança. Durante uma viagem de carro, minha família também se esqueceu de mim. Estávamos de férias — cinco crianças, mamãe e papai — e paramos para comer no Stuckey’s. Eu estava no banheiro quando eles entraram no carro e partiram. Só depois de rodarem mais de 30 quilômetros foi que notaram a falta de um dos filhos. Fizeram uma votação e decidiram voltar para me buscar. A votação quase empatou, mas mamãe mudou de idéia no último minuto.

As vezes, então, podemos nos sentir esquecidos. O texto mais triste da Bíblia é aquele quando Cristo pergunta a Deus por que Ele o abandonou. Se Cristo sentiu-se desamparado, como é que nós podemos deixar de nos sentir esquecidos e abandonados?

Alguns estudiosos da Bíblia dizem que não foi isso que Jesus quis dizer, quando clamou na cruz. Eles dizem que Jesus estava citando a primeira frase do Salmo 22, e que repetiu aquelas palavras para confirmar a conclusão vitoriosa daquele salmo. Tenho um grande respeito pelos estudiosos da Bíblia, mas eles estão redondamente enganados a respeito disso. Penso que Jesus se sentiu esquecido.

Contudo, o túmulo vazio nos prova que Ele foi lembrado. O mesmo acontece conosco. E é isso que vou contar a meu filho assim que me lembrar de onde eu o deixei.







29.8.05

O LEÃO E OS GATOS
DESCONHEÇO O AUTOR
CONTOS E LENDAS




Um leão encontrou um grupo de gatos conversando. "Vou devora-los", pensou.

Mas começou a sentir-se estranhamente calmo. E resolveu sentar-se com eles, para prestar atenção no que diziam.

- Meu bom Deus - disse um dos gatos, sem notar a presença do leão.

-Oramos a tarde inteira! Pedimos que chovessem ratos do céu!

- E, até agora, nada aconteceu! - disse outro.

- Será que o Senhor não existe?

O céu permaneceu mudo. E os gatos perderam a fé.

O leão levantou-se, e seguiu seu caminho, pensando:" veja como são as coisas. Eu ia matar estes animais, mas Deus me impediu. Mesmo assim, eles pararam de acreditar nas graças Divinas: estavam tão preocupados com o que estava faltando, que nem repararam na proteção que receberam.







29.8.05

DE OLHO NAS METAS
DESCONHEÇO O AUTOR
CONTOS E LENDAS




Era uma vez um cocheiro que dirigia uma carroça cheia de abóboras.

A cada solavanco da carroça, ele olhava para trás e via que as abóboras estavam todas desarrumadas.

Então ele parava, descia e colocava-as novamente no lugar. Mal reiniciava sua viagem, á vinha outro solavanco e... tudo se desarrumava de novo.

Então ele começou a ficar desanimado e pensou: "jamais vou conseguir terminar minha viagem!

É impossível dirigir nesta estrada de terra, conservando as abóboras arrumadas!".

Quando estava assim pensando, passou à sua frente outra carroça cheia de abóboras e ele observou que o cocheiro seguia em frente e nem olhava para trás: as abóboras que estavam desarrumadas organizavam-se sozinhas no próximo solavanco.

Foi quando ele compreendeu que, se colocasse a carroça em movimento na direção do local onde queria chegar, os próprios solavancos da carroça fariam com que as abóboras se acomodassem em seus devidos lugares.

Assim também é a nossa vida: quando paramos demais para olhar os problemas, perdemos tempo e nos distanciamos das nossas metas.







25.8.05

AS MOIRAS, PARCAS OU DESTINOS
DESCONHEÇO O AUTOR
MITOS DA GRECIA E ROMA
MITOLOGIA E FOLCLORE



Fala-se muito sobre as "escolhas" que as pessoas fazem; se coisas boas ou ruins acontecem, são por suas escolhas; que todos construímos e moldamos nossas vidas e destino através de nossas escolhas. Entretanto, existem inúmeros fatos que não corroboram essas afirmativas. Desde o nascimento até a morte - os dois principais pontos de não escolha - vivenciamos situaçõesque independem de nossa vontade, tais como: poder ter ou não filhos, que estes nasçam sadios, sofrer ou não de determinadas doenças de ordem genética, etc. E, isso é o que chamamos destino ou fatalidade, que era representado na Grécia Antiga pelas três deusas Moiras (ou Parcas).

As três Moiras são: Cloto, a fiandeira, representa a que tece a teia da vida; Átropos, a que cortava o fio da vida; e, Láchesis, a que distribui a parte que cabe a cada alma.

Existia, ainda, na Grécia Antiga, uma outra fatalidade, a úpermoira, que era uma sina que a pessoa atraía para si em função do pecado, ou seja, era uma conseqüência do pecado. E úpermoira podia ser evitada.

Então, pode-se dizer que a fatalidade ou sina determinada pelas Moiras é uma predestinação que só pode ser enfrentada, mas não evitada. Não é determinada por boas ou más ações do sujeito ou de seus pais; não está ligada a uma vida com ou sem pecado. Já a úpermoira, sim.

Enfrentar a sina exige e desenvolve o caráter (do grego, xaracter que significa ser alguém definido), ou seja, determinados princípios a que se permanece fiel independente de confrontações. E este é o caminho para a individuação, o caminho para realizarmo-nos como indivíduos únicos.

Sendo a fatalidade inevitável, o mesmo não se pode dizer do destino pois este pode ou não ser cumprido, sendo determinado pela maneira que enfrentamos as fatalidades e fazemos nossas escolhas (caráter).

As Moiras, a que os Romanos chamaram Parcas (por eufemismo, parco significa economizar), nascidas da Noite no princípio dos tempos (a menos que elas não sejam o fruto da união de Zeus e da sua segunda esposa, Témis, deusa da justiça), representam na Antiguidade o destino de cada indivíduo.

Elas são as três fiandeiras. Submetidas à autoridade e ao controlo de Zeus, Cioto fabrica o fio (curso) da existência, Láquesis desenrola este fio e Átropos corta-o.

As Moiras são assistidas na sua função fatal pelas keres, as cadelas do Hades que, quando chega a última hora de um mortal, se apoderam do seu corpo para o conduzir a Pluto. Elas têm, também, um papel activo nas batalhas, onde se alimentam do sangue dos mortos.

Originalmente, Parca significava "parte" - de vida, de felicidade, de infortúnio. Cada ser humano possuía a sua Parca.

Depois, essa abstração tornou-se uma divindade, assemelhando-se à Quere, sem ter, entretanto, o mesmo caráter violento e sanguinário.

Aos poucos, desenvolveu-se a idéia de uma Parca universal, dominando o destino de todos os homens. E, finalmente, passou-se a conceber três Parcas. Filhas de Júpiter e Têmis, ou, segundo outra versão, da Noite, personificavam o Destino, poder incontrolável que regula a sorte de todos os homens, do nascimento até a morte. Nem mesmo os deuses podiam transgredir suas leis, sem por em perigo a ordem do mundo. Seus nomes correspondiam a suas funções:

. Cloto, a fiandeira, tecia o fio da vida de todos os homens, desde o nascimento;

. Láquesis, a fixadora, determinava-lhe o tamanho e enrolava o fio, estabelecendo a qualidade de vida que cabia a cada um;

. Átropos, a irremovível, cortava-o, quando a vida que representava chegava ao fim.

Como deusas do Destino, as Parcas presidiam os três momentos culminantes da vida humana: o nascimento, o matrimônio e a morte.

São representadas como velhas ou, mais freqüentemente, como mulheres adultas de aspecto severo.

As três deusas que determinavam a vida humana e seu encadeamento. Conhecidas como Moiras, os Destinos repartiam para cada pessoa, no momento de seu nascimento, uma parcela do bem e do mau, embora uma pessoa pudesse acrescer o mau em sua vida por si própria.

Retratadas na arte e na poesia como mulheres velhas e severas, ou como virgens sombrias, as deusas eram freqüentemente vistas como fiadeiras. Cloto, a fiadeira, tecia o fio da vida; Láquesis, a distribuidora de quinhões, decidia a quantidade e designava o destino de cada pessoa; e Átropos, a inexorável, carregava o poder de cortar o fio da vida no tempo designado. As decisões dos Destinos não podiam ser alteradas, nem mesmo pelos deuses.







25.8.05

SOBRE O DESPERTAR
PAULO COELHO
CONTOS E LENDAS



O Rabino Jacob costumava dizer:

"É melhor um único momento de compreensão neste mundo, que toda a eternidade no mundo que virá.

"É é melhor um único momento de paz interior neste mundo, que toda a eternidade em paz.

"Por que? Um simples momento de compreensão neste mundo traz em si a própria eternidade. E a paz que encontraremos no mundo que virá, está presente em um cada minuto de paz nesta vida."









25.8.05

UM CONTO
DESCONHEÇO O AUTOR
CONTOS E LENDAS



Oi, como você acordou esta manhã? Eu vi você e esperei pensando que falaria comigo, mesmo que fossem apenas umas poucas palavras, querendo saber minha opinião sobre alguma coisa ou mesmo Me agradecendo por algo bom que aconteceu em sua vida ontem.

Você mandou e-mails pra todos os seus amigos, mas não falou comigo..

Tudo bem! Notei que você estava muito ocupado tentando encontrar uma roupa apropriada para o trabalho. Então, esperei outra vez...

Quando você andou pela casa, de um lado para outro, já pronto, Eu estava lá.

Seriam poucos minutos para você dizer-me "alô, Amigão!". Mas você estava realmente muito ocupado. Como você ainda tinha 15 minutos antes de sair de casa, gastou esse tempo sentado em uma cadeira, sem fazer nada!

Então, Eu o vi se mexer, olhando para os seus pés que se movimentavam, e pensei que queria falar Comigo, mas você dirigiu-se ao telefone e ligou para um amigo para contar as últimas novidades.

Na hora do almoço, esperei pacientemente outra vez enquanto você estava assistindo TV e comendo a sua comida. Porém, mais uma vez você não falou Comigo!

Na hora de dormir você devia estar muito cansado, pois apenas disse boa noite para a sua família, pulou na sua cama, caiu no sono e dormiu rapidamente. Tudo bem! Talvez você não saiba que Eu sempre estou ao seu lado, disponível. Tenho muita paciência! Muito mais do que você possa imaginar. Eu mesmo quero ensinar-lhe como ser paciente com as outras pessoas e como ser bom.

Amo tanto você que espero todos os dias por um sinal seu, um simples inclinar de cabeça, uma oração, um pensamento ou um agradecimento. Sabe, é muito difícil uma conversa quando só existe um lado! Só um disposto a conversar.

Bem, você vai se levantar outra vez para um novo dia e mais uma vez e mais outra vez, e outra vez, sem falar comigo. E serão muitas vezes...

Um abraço do seu sempre Pai e Amigo,

JESUS







24.8.05

GIBRAN E OS SENTIDOS
PAULO COELHO
CONTOS E LENDAS



Estamos acostumados com a velha desculpa: embora saibamos que nosso coração conhece a melhor decisão a tomar, nunca seguimos o que ele diz. Para compensar nossa covardia, terminamos nos convencendo de que ele estava enganado. Uma bela história de Gibran ilustra até onde nos podem levar as limitações.

O Olho disse:

- Vejam que bela montanha temos no horizonte!

O Ouvido tentou escuta-la, mas não conseguiu. A Mão falou:

- Estou tentando toca-la, mas não a encontro.

O Nariz foi conclusivo:

- Não existe montanha, pois não sinto seu cheiro.

E todos chegaram a conclusão de que o Olho estava enganado.







24.8.05

O SAMURAI E O MESTRE ZEN
DESCONHEÇO O AUTOR
CONTOS E LENDAS



Certo dia, um Samurai, que era um guerreiro muito orgulhoso, veio ver um Mestre Zen. Embora fosse muito famoso, ao olhar o Mestre, sua beleza e o encanto daquele momento, o Samurai sentiu-se repentinamente inferior.

Ele então disse ao Mestre:

- "Por que estou me sentindo inferior? Apenas um momento atrás, tudo estava bem. Quando aqui entrei, subitamente me senti inferior e jamais me sentira assim antes. Encarei a morte muitas vezes, mas nunca experimentei medo algum. Por que estou me sentindo assustado agora?"

O Mestre falou:

- "Espere. Quando todos tiverem partido, responderei."

Durante todo o dia, pessoas chegavam para ver o Mestre, e o Samurai estava ficando mais e mais cansado de esperar. Ao anoitecer, quando o quarto estava vazio, o Samurai perguntou novamente:

- "Agora o senhor pode me responder por que me sinto inferior?"

O Mestre o levou para fora. Era uma noite de lua cheia e a lua estava justamente surgindo no horizonte. Ele disse:

- "Olhe para estas duas árvores: a árvore alta e a árvore pequena ao seu lado. Ambas estiveram juntas ao lado de minha janela durante anos e nunca houve problema algum. A árvore menor jamais disse à maior: 'Por que me sinto inferior diante de você?' Esta árvore é pequena e aquela é grande - este é o fato, e nunca ouvi sussurro algum sobre isso."

O Samurai então argumentou:

- "Isto se dá porque elas não podem se comparar."

E o Mestre replicou:

- "Então não precisa me perguntar. Você sabe a resposta. Quando você não compara, toda a inferioridade e superioridade desaparecem. Você é o que é e simplesmente existe. Um pequeno arbusto ou uma grande e alta árvore, não importa, você é você mesmo. Uma folhinha da relva é tão necessária quanto a maior das estrelas. O canto de um pássaro é tão necessário quanto qualquer Buda, pois o mundo será menos rico se este canto desaparecer.

"Simplesmente olhe à sua volta. Tudo é necessário e tudo se encaixa. É uma unidade orgânica: ninguém é mais alto ou mais baixo, ninguém é superior ou inferior. Cada um é incomparavelmente único. Você é necessário e basta. Na Natureza, tamanho não é diferença. Tudo é expressão igual de vida!"







24.8.05

UM CONTO
DESCONHEÇO O AUTOR
CONTOS E LENDAS



Uma pobre mulher morava em uma humilde casinha com sua neta que estava muito doente.

Como não tinha dinheiro sequer para levá-la a um médico e, vendo que, apesar de seus muitos cuidados e remédios, a pobre criança piorava a cada dia, resolveu iniciar a caminhada de duas horas até a cidade próxima em busca de ajuda.

Chegando no único hospital público da região, foi aconselhada a voltar pra casa e trazer a neta junto, para que fosse examinada.

Quando ia voltando, já desesperada por saber que sua neta não conseguiria mais sequer levantar da cama sozinha, a senhora passou em frente a uma igreja e, como tinha muita fé em Deus, apesar de nunca ter entrado em uma igreja, resolveu pedir ajuda.

Ao entrar, encontrou algumas senhoras ajoelhadas fazendo orações.

A mulher se aproximou das senhoras, contou sua história e pediu que incluíssem em suas orações, a netinha querida.

Todas convidaram a sofrida senhora para juntar-se a elas e orar pela pequena.

Após quase uma hora de fervorosas orações e pedidos de intercessão ao Pai, as senhoras já iam se levantando quando a mulher disse:

- Eu também gostaria de fazer uma oração especial. E gostaria que vocês me acompanhassem.

Começou:

- Deus, sou eu, a Maria. Olha, a minha neta está muito doente, Deus; assim, eu gostaria que o Senhor fosse lá curá-la. Deus, anota aí que eu vou dizer onde fica.

As senhoras estranharam, mas continuaram ouvindo.

- Já está com a caneta, Deus? É muito fácil: o Senhor vai seguindo o caminho das pedras e quando passar o rio com a ponte, o Senhor entra na segunda estradinha de barro. Não vai errar, tá?

As senhoras que tudo acompanhavam, estranharam a oração e algumas até se esforçaram para não rir.

Ela continuou:

- Seguindo mais uns 20 minutinhos tem uma vendinha... O Senhor entra na rua depois do pé de mangueira que o meu barraquinho é o último da rua. Pode ir entrando que não tem cachorro. Olha Deus, a porta tá trancada, mas a chave fica embaixo do tapetinho vermelho na entrada. O Senhor pega a chave, entra e cura a minha netinha, por favor.

Mas olha só, Deus, por favor, não esquece de colocar a chave de novo embaixo do tapetinho vermelho senão eu não consigo entrar quando chegar em casa... Muito obrigada, obrigada mesmo, meu Deus. Conto com o Senhor!

A esta altura algumas senhoras já não continham os sorrisos, outras estavam surpresas e algumas aconselharam a velha senhora:

- Olha, Dona Maria, as orações não funcionam assim... Existe uma maneira correta de rezar e pedir as graças desejadas... Se preferir, continuamos rezando mais alguns minutos por sua neta e a senhora pode voltar para sua casa, está bem?

A mulher acenou com a cabeça, agradeceu e sentiu-se desconsolada, pois nem rezar por sua neta conseguiu fazer direito.

Chegando em casa, ao entrar, assustou-se ao ver a neta correndo ao seu encontro.

Cheia de alegria e felicidade, deu um grande e caloroso abraço na menina, dizendo:

- Minha neta, você esta de pé! Como é possível?!?

E a menina, olhando carinhosamente para a avó, disse:

- Eu ouvi um barulho na porta e pensei que era a senhora voltando; porém, entrou um homem no meu quarto, muito alto, vestido de branco e mandou que eu levantasse. Não sei como, mas eu simplesmente levantei.

E com os olhos cheios de lágrimas, a menina continuou.

- Depois ele sorriu, beijou minha testa e disse que tinha de ir embora, mas pediu que eu avisasse a senhora que ele ia deixar a chave embaixo do tapetinho vermelho...

Não importa como ou a forma que você reza. O que importa é o coração puro e a fé que você coloca em suas orações. Peça com fé, e você receberá.







23.8.05

MIADES
GEORGES HACQUARD
MITOS DA GRECIA E ROMA
MITOLOGIA E FOLCLORE



As Miades são sete ninfas, filhas de Atlas e de Plêione, que foram muito amadas pelos deuses, com excepção de uma delas, Mérope, que desposou Sísifo.


Um dia em que elas estavam a ser perseguidas, nas montanhas da Beócia, pelo gigante Orion, imploraram ajuda a Zeus. Este transformou-as, imediatamente, em pombas (é este o sentido da palavra plêiades) conduzindo-as para o céu, onde se transformaram em estrelas. Na Primavera, elas brilhavam com grande fulgor, à excepção de Mérope, cujo brilho era mais ténue do que o das suas irmãs.


Existe uma outra explicação para a metamorfose destas ninfas. As Plêiades tinham um irmão, Hias, e cinco irmãs, as Híades. Estas eram citadas como tendo elevado Zeus, em Doclona e, mais tarde, Dioniso em Nisa.


Acontece que Hias foi morto no decurso de uma caçada, deixando as suas irmãs inconsoláveis. Os deuses, por piedade com a dor das jovens, decidiram transformá-las, então, em astros: a aparição das Híades no céu anuncia, a partir de então, a estação das chuvas (este é o sentido da palavra Híades).
Por alusão às sete filhas de Atlas, chama-se piêiade a um grupo de sete pessoas unidas por interesses comuns; a mais célebre piêiade foi aquela que reuniu à volta de Ronsard e de Du Bellay os poetas franceses da Renascença.






23.8.05

COMO A TRILHA FOI ABERTA
PAULO COELHO
CONTOS E LENDAS



Na edição n. 106 do Jornalinho, (Portugal), encontro uma história que muito nos ensina a respeito daquilo que escolhemos sem pensar:


Um dia, um bezerro precisou atravessar uma floresta virgem para voltar a seu pasto. Sendo animal irracional, abriu uma trilha tortuosa, cheia de curvas, subindo e descendo colinas.


No dia seguinte, um cão que passava por ali, usou essa mesma trilha para atravessar a floresta.Depois foi a vez de um carneiro, líder de um rebanho, que vendo o espaço já aberto, fez seus companheiros seguirem por ali.


Mais tarde, os homens começaram a usar esse caminho: entravam e saíam, viravam à direita, à esquerda, abaixavam-se, desviavam-se de obstáculos, reclamando e praquejando - com toda razão. Mas não faziam nada para criar uma nova alternativa.


Depois de tanto uso, a trilha acabou virando uma estradinha onde os pobres animais se cansavam sob cargas pesadas, sendo obrigados a percorrer em três horas uma distância que poderia ser vencida em trinta minutos, caso não seguissem o caminho aberto por um bezerro.


Muitos anos se passaram e a estradinha tornou-se a rua principal de um vilarejo, e posteriormente a avenida principal de uma cidade. Todos reclamavam do trânsito, porque o trajeto era o pior possível.


Enquanto isso, a velha e sábia floresta ria, ao ver que os homens tem a tendência de seguir como cegos o caminho que já está aberto, sem nunca se perguntarem se aquela é a melhor escolha.






23.8.05

DAIN
DESCONHEÇO O AUTOR
MITOS DA ALEMANHA
MITOLOGIA E FOLCLORE



Soberano dos Elfos.






23.8.05

A PORTA DO LADO
DRAUZIO VARELLA
CONTOS E LENDAS




Em entrevista dada pelo médico Drauzio Varella, disse ele que a gente tem um nível de exigência absurdo em relação à vida, que queremos que absolutamente tudo dê certo, e que, às vezes, por aborrecimentos mínimos, somos capazes de passar um dia inteiro de cara amarrada.


E aí ele deu um exemplo trivial, que acontece todo dia na vida da gente.


É quando um vizinho estaciona o carro muito encostado ao seu na garagem (ou pode ser na vaga do estacionamento do shopping).


Em vez de simplesmente entrar pela outra porta, sair com o carro e tratar da sua vida, você bufa, pragueja, esperneia e estraga o que resta do seu dia.


Eu acho que esta história de dois carros alinhados, impedindo a abertura da porta do motorista, é um bom exemplo do que torna a vida de algumas pessoas melhor, e de outras, pior.


Tem gente que tem a vida muito parecida com a de seus amigos, mas não entende por que eles parecem ser tão mais felizes. Será que nada dá errado para eles?


Dá aos montes.


Só que, para eles, entrar pela porta do lado, uma vez ou outra, não faz a menor diferença.


O que não falta neste mundo é gente que se acha o último biscoito do pacote.


Que "audácia" contrariá-los! São aqueles que nunca ouviram falar em saídas de emergência: fincam o pé, compram briga e não deixam barato.


Alguém aí falou em complexo de perseguição? Justamente. O mundo versus eles.


Eu entro muito pela outra porta, e às vezes saio por ela também. É incômodo, tem um freio de mão no meio do caminho, mas é um problema solúvel. E como esse, a maioria dos nossos problemões podem ser resolvidos assim, rapidinho. Basta um telefonema, um e-mail, um pedido de desculpas, um deixar barato. Eu ando deixando de graça, para ser sincero. Vinte e quatro horas têm sido pouco para tudo o que eu tenho que fazer, então não vou perder ainda mais tempo ficando mal-humorado.


Se eu procurar, vou encontrar dezenas de situações irritantes e gente idem, pilhas de pessoas que vão atrasar meu dia. Então eu uso a "porta do lado" e vou tratar do que é importante de fato.


Eis a chave do mistério, a fórmula da felicidade, o elixir do bom humor, a razão porque parece que tão pouca coisa na vida dos outros dá errado.







16.8.05

BORISKA - O GAROTO RUSSO QUE VEIO DE MARTE
HOAX



02/05/2005 - Algumas crianças nascem com talentos fascinantes, habilidades incomuns.


A história de um garoto incomum chamado Boriska me foi contada por membros de uma expedição a uma região anômala ao norte de Volgogrado, comumente chamada de "Medvedetskaya gryada".


"Você consegue imaginar, enquanto todos estavam sentados em torno de uma fogueira, à noite, um menino de aproximadamente 7 anos de repente chamou a atenção de todo mundo.


Muito excitado, ele queria falar a todos a respeito da vida em Marte, sobre seus habitantes e suas viagens à Terra", conta uma das testemunhas. Fez-se silêncio. Foi incrível! O garotinho, com enormes olhos vivos estava começando a nos contar uma história magnífica a respeito da civilização marciana, sobre cidades megalíticas, suas naves espaciais e vôos para diversos planetas, sobre um país maravilhoso chamado Lemúria, cuja vida ele conhecia em detalhes, uma vez que descera lá, vindo de Marte, e lá fizera amigos.


As achas de madeira estalando, a névoa noturna envolvendo a área, e o imenso céu escuro com miríades de estrelas brilhantes pareciam esconder algum mistério. Sua história durou cerca de hora e meia. Um dos membros foi esperto o bastante para gravar toda a narrativa.


Muitos ficaram assombrados por dois fatores distintos.


Primeiro, o garoto possuía um conhecimento excepcionalmente profundo. Seu intelecto era obviamente muito distante do de um menino típico de 7 anos de idade. Nem todos os professores seriam capazes de narrar a história inteira da Lemúria e dos Lemurianos com tamanhos detalhes. Não se encontra qualquer referência a esse país nos livros escolares. A ciência moderna ainda não comprovou a existência de outras civilizações.


Em segundo lugar, estávamos todos maravilhados com a linguagem adiantada que o garoto utilizava. Estava muito acima da que os meninos de sua idade normalmente usam. Seu conhecimento de terminologias específicas, detalhes e fatos do passado de Marte e da Terra nos fascinaram a todos.


"Por que ele começou a conversação em primeiro lugar?", disse o meu interlocutor.


"Talvez ele tivesse apenas sido tocado pela atmosfera geral do nosso acampamento, com pessoas bem informadas e de mente aberta", continuou ele.


"Poderia ele ter inventado tudo aquilo?".


"Duvido muito", objetou meu amigo. "A mim me parece que o menino estava compartindo suas lembranças pessoais de vidas passadas. É virtualmente impossível inventar tais histórias; alguém realmente teria de conhecê-las."


Hoje, depois de encontrar os pais de Boris e conhecer melhor o menino, eu começo a checar cuidadosamente as informações obtidas ao redor da fogueira.
Ele nasceu na cidade de Volzhskii, num hospital suburbano, embora oficialmente, com base em sua certidão de nascimento, sua cidade natal seja Zhirnovsk, na região de Volgogrado. Seu nascimento ocorreu em 11 de janeiro de 1996 (talvez isso seja útil para os astrólogos).


Seus pais parecem ser pessoas maravilhosas. Nadezhda, a mãe de Boriska, é dermatologista numa clínica pública. Ela se formou na faculdade de medicina de Volgogrado em 1991. O pai do garoto é um funcionário aposentado. Ambos ficariam felizes se alguém pudesse lançar alguma luz sobre o mistério em torno de seu filho. Enquanto isso, eles simplesmente o observam e o vêem crescer.


"Depois que Boriska nasceu, notei que em 15 dias ele conseguia manter a cabeça ereta", relembra Nadezhda. "Pronunciou sua primeira palavra, "baba" (papai) quando tinha 4 meses, e logo depois começou a falar. Com 7 meses, construiu sua primeira frase: "Eu quero um prego". Ele disse essa frase em particular depois de observar um prego enfiado na parede. Notavelmente, suas habilidades intelectuais ultrapassavam suas habilidades físicas."


Como essas habilidades se manifestavam?


"Quando Boris tinha apenas um ano, comecei a lhe dar cartas (baseada no sistema Nikitin) e - adivinhe! - com um ano e meio ele já conseguia ler jornais. Não demorou muito para que se acostumasse com as cores e seus tons. Ele começou a pintar aos 2 anos.


Então, logo após completar essa idade, nós o levamos ao centro de puericultura. Os professores ficaram todos assombrados com seus talentos e sua maneira incomum de pensar. O menino possui memória excepcional e uma inacreditável habilidade de absorver novas informações. Não obstante, seus pais logo notarem que seu filho estava adquirindo informações à sua maneira, de alguma outra fonte."


Ninguém jamais ensinou isso a ele", relembra Nadya. "Mas, às vezes, ele sentava em posição de lótus e começava a falar. Ele falava sobre Marte, sobre sistemas planetários, civilizações distantes. Não conseguíamos acreditar no que ouvíamos. Como pode uma criança saber tudo isso? Cosmos, histórias intermináveis de outros mundos e da imensidade dos céus, são como mantras diários para ele desde que tinha 2 anos."


"Foi então que Boriska nos contou sobre sua vida anterior em Marte, sobre o fato de que o planeta era realmente habitado, e que, como resultado de uma destruidora catástrofe, perdera sua atmosfera e por isso seus habitantes tiveram que viver em cidades subterrâneas. Desde então, ele costumava viajar para a Terra com freqüência para comércio e com finalidades de pesquisa.


Parecia que Boriska pilotava sua própria nave. Isso aconteceu durante o período das civilizações lemurianas. Ele tinha um amigo lemuriano que morreu bem diante de seus olhos."


"Uma catástrofe imensa se abateu sobre a Terra. O continente gigantesco foi consumido por ondas de tempestades. Aí, de repente, uma enorme rocha caiu sobre uma construção onde seu amigo estava, disse Boriska. "Não pude salvá-lo. Estamos destinados a nos encontrar em algum momento desta encarnação."


O menino visualiza o quadro completo da queda da Lemúria como se tivesse acontecido ontem. Ele chora a morte de seu melhor amigo como se fosse culpa sua.


Um dia, ele notou um livro na bolsa de sua mãe, intitulado "De Onde Viemos", de Ernst Muldashev. Precisavam ver a alegria e fascinação que essa descoberta provocou no menino. Ficou navegando pelas páginas por horas a fio, olhando para as figuras de lemurianos, fotos do Tibet. Começou então a falar sobre o intelecto elevado dos lemurianos.


"Mas a Lemúria deixou de existir no mínimo há 800 mil anos", eu disse em resposta às afirmações dele. "Os lemurianos tinha 9 metros de altura! Isso é verdade? Como você consegue se lembrar de tudo isso?"


"Eu me lembro", respondeu o garoto.


Mais tarde, ele começou a recordar outro livro de Muldashev intitulado "Em Busca da Cidade dos Deuses". O livro é dedicado principalmente às antigas tumbas e pirâmides. Boriska sustentou com firmeza que as pessoas encontrarão o conhecimento sob uma das pirâmides (não a de Quéops). Isso ainda não tinha sido descoberto. "A vida mudará depois que a Esfinge for aberta", disse ele, e acrescentou que a grande Esfinge tem um mecanismo de abertura em algum ponto atrás de sua orelha (mas ele não se recorda exatamente onde). O menino também fala com grande paixão e entusiasmo sobre a civilização Maia. De acordo com ele, sabemos muito pouco sobre aquela grande civilização e seu povo.


Interessantemente, Boriska acha que agora finalmente chegou o tempo para que os "seres especiais" nasçam na Terra. "O renascimento do planeta se aproxima. Novos conhecimentos virão em grande quantidade, trazendo uma mentalidade diferente para os terráqueos."


"Como você sabe sobre essas crianças superdotadas e porque isso está acontecendo? Você sabe que eles são agora chamados de "crianças índigo"?"


"Eu sei que elas estão nascendo. Não obstante, eu ainda não encontrei nenhuma em minha cidade. Talvez possa ser uma menina chamada Yulia Petrova. Ela é a única que acredita em mim. Outros simplesmente riem de minhas histórias. Algo vai acontecer na Terra; é por isso que essas crianças são importantes. Elas serão capazes de ajudar as pessoas. Os pólos vão se inverter. A primeira grande catástrofe num dos continentes acontecerá em 2009 (11). A seguinte ocorrerá em 2013, e será ainda mais devastadora."


"Você não tem medo de que sua vida possa terminar como resultado de tal catástrofe?"


"Não, eu não tenho medo. Eu já vivenciei uma catástrofe em Marte. Ainda existem pessoas como nós lá. Porém, após a guerra nuclear, tudo foi queimado. Algumas dessas pessoas conseguiram sobreviver. Eles construíram abrigos, novos armamentos. Também houve um movimento de continentes lá, embora o continente não fosse tão grande. Os marcianos respiram gás. Se eles chegassem ao nosso planeta, teriam de ficar próximos a canos de descarga e inspirar a fumaça."


"Você prefere respirar oxigênio?"


"Quando se está neste corpo, tem-se que respirar oxigênio. Todavia, os marcianos não gostam deste ar, o ar da Terra, porque causa envelhecimento. Os marcianos são relativamente jovens, em torno de 30-35 anos de idade. A quantidade de bebês marcianos vai crescer anualmente."


"Boris, porque nossas sondas espaciais desaparecem ou falham antes de chegar a Marte?"


"Marte transmite sinais especialmente destinados a destruí-las. Tais missões contém radiação maléfica." (sondas movidas a plutônio?)


"Eu estava impressionado com o conhecimento dele sobre esse tipo de radiação. É absolutamente verdadeiro. Em 1988, um residente de Volzhskii, Yuri Lushnichenko, um homem com poderes extra-sensoriais, tentou alertar as autoridades soviéticas sobre a queda inevitável das primeiras missões soviéticas a Marte, "Fobos 1" e "Fobos 2". Ele também mencionou esse tipo de radiação desconhecida e maléfica sobre o planeta. Obviamente, ninguém o levou a sério então."


"O que você sabe sobre dimensões múltiplas? Você sabe que não se pode voar em trajetórias retas, mas sim manobrando através do espaço multidimensional?"


Boriska imediatamente se levantou e começou a despejar todos os fatos sobre UFOs.


"Nós decolamos e pousamos na Terra a todo momento!" O garoto pegou um giz e começou a desenhar um objeto oval sobre o quadro negro. "Ele consiste de seis camadas", disse. 25% - camada externa, feita de metal durável, 30% - segunda camada feita de algo similar à borracha; a terceira camada compreende 30% -novamente de metal. Os últimos 4% são compostos de uma camada magnética especial. Se carregamos essa camada magnética com energia, essas máquinas serão capazes de voar a qualquer ponto do Universo."


Será que Boriska tem uma missão especial a cumprir? Ele tem consciência disso? Coloquei essas questões a seus pais e a ele próprio.


"Ele afirma que pode prever - diz sua mãe. Ele diz saber algo a respeito do futuro da Terra. Ele diz que a informação terá o papel mais significativo no futuro."


"Boris, como você sabe de tudo isso?"


"Está dentro de mim."


"Boris, diga-nos porque as pessoas ficam doentes".


"A doença resulta da incapacidade das pessoas de viverem adequadamente e serem felizes. Você deve esperar pela sua metade cósmica. Alguém jamais deveria envolver-se e bagunçar o destino de outros indivíduos. As pessoas não deveriam sofrer por seus erros passados, e sim entrar em contato com aquilo que lhe foi predestinado e tentar alcançar as alturas e conquistar seus sonhos." (essas são as exatas palavras que ele usou)


''Vocês têm de ser mais simpáticos e calorosos. Caso alguém o ataque, abrace seu inimigo, peça-lhe perdão e ajoelhe-se diante dele. Se alguém o odeia, ame-o com todo fervor e devoção e peça-lhe desculpas. Essas são as regras do amor e da humildade.


Sabem porque os lemurianos pereceram? Eu tenho parte da culpa. Eles não desejavam mais se desenvolver espiritualmente. Eles se afastaram do caminho predestinado e assim destruíram a unidade global planetária. O Caminho da Magia leva a lugar nenhum. O Amor é a verdadeira Magia!"


"Como você sabe disso tudo?"


"Eu sei. Kailis".


"O que você disse?"


"Eu disse olá. Essa é a linguagem do meu planeta."


Pravda - Russia

Obs.: Publicado no site do jornal Pravda em 17 de abril de 2005 http://science.pravda.ru/science/


*Textos com o Tag TEORIA DA CONSPIRAÇÃO, LENDAS URBANAS e HOAX são publicados a titulo de curiosidade. Não confirmo e nem acredito na veracidade, etc.






16.8.05

CHÁ COM SEMENTE DE MOSTARDA
PAULO COELHO
CONTOS E LENDAS



Uma mulher, desesperada com a morte do pai, procurou Buda. Pedia que a curasse da dor que tal perda provocava.


- A cura é simples - disse Buda. - Chá com semente de mostarda.


Mais tranquila, a mulher se preparava para ir ao mercado comprar as sementes, quando Buda advertiu:


- Mas as sementes têm que ser colhidas no jardim de uma casa onde seus habitantes nunca tenham perdido alguém que amavam.


Dois anos depois, a mulher voltou.


- Então, encontrou as sementes de mostarda? - perguntou Buda.


- Eu estava fechada em minha dor, não entendia que a morte é parte da vida - disse ela. - Mas descobri que tal jardim não existe; todo mundo já perdeu uma pessoa querida. E todos sobreviveram ao sofrimento.


" Meu coração está em paz. Sei que posso conviver com a dor, e seguir adiante."






16.8.05

OS DOIS PRIMEIROS SERES
DESCONHEÇO O AUTOR
MITOS DA ALEMANHA
MITOLOGIA E FOLCLORE



Mas era necessário muito mais do que os elfos, bons e maus, para dar sentido ao Universo,e os deuses pensaram que o acabado Midgard exigia a presença da mulher e do homem, Vendo perante si um olmeiro (Embla) e um salgueiro (Ask) juntos, à beira-mar, Odin compreendeu imediatamente que dessas duas árvores teria que criar o homem e a mulher, a estirpe dos humanos.


Deu-lhes Odin a alma; Hoenir, o movimento e os sentidos; Lodur, o sangue e a vida. O primeiro homem, Ask, e a primeira mulher, Embla, estavam vivos e eram livres, tinham recebido o dom do pensamento e da linguagem, o poder de amar, a capacidade da esperança e a força do trabalho, para governarem o seu mundo, e deram origem a uma raça nova, sobre a qual eles, os deuses, estariam exercendo permanente a sua tutela.


Mas Odin, deus da sabedoria e da vitória, era o protetor dos guerreiros, aos quais proporcionava um especial afeto, cuidando deles da altura do seu trono, o Hlidskialf, enquanto vigiava o resto do Universo, no nível dos deuses, no dos humanos e no dos elfos. Perto de lá estava o seu outro palácio, Valacha, ou sala dos mortos escolhidos, o paraíso dos homens escolhidos entre os caídos em combate heróico. Era um palácio magnífico, ao qual se acedia por qualquer das quinhentas e quarenta portas, imensas portas (por cada uma podia passar uma formação de oitocentos homens em fundo), que davam para uma grande sala coberta de espadas tão brilhantes que iluminavam a estância,refletindo-se a sua luz no artesanato feito de escudos de ouro e nos peitilhos e malhas que decoravam os bancos, a sala de jantar e o lugar de reunião para os Einheriar trazidos entre os mortos pelas Valquírias, montados nas suas cavalgaduras, após cavalgarem através do Bifröst.






16.8.05

VIDA FELIZ
JOANNA DE ANGELIS
CONTOS E LENDAS


Mesmo que não saibas, és exemplo para alguém.


Sempre existem pessoas que estão observando os teus atos, mesmo os equivocados, e se afinam com eles.


Desse modo és responsável, não só pelo que realizes, como também, pelo que as tuas idéias e atitudes inspirem a outros indivíduos.


Os ditadores e arbitrários, a sós, nada conseguiram fazer, não fossem aqueles que pensam de igual modo e os apóiam.


Assim também, a obra do bem faleceria, se não houvesse pessoas que se lhe vinculassem com sacrifício e amor.


Cuida do que fales e realizes, ensejando seguidores que se edifiquem e ajam corretamente.






15.8.05

ZOROASTRISMO - UMA RELIGIÃO DE ESTADO
DESCONHEÇO O AUTOR
MITOS DA PERSIA
MITOLOGIA E FOLCLORE



O zoroastrismo serviu de motor para a conquista do império pela dinastia sassânida. Com eles no trono, o Avesta tomou a sua forma definitiva, com salmos, mandamentos, relatos sagrados, orações e liturgia.


O Avesta fala-nos da complicada composição militar e política das hostes do bem e mal; no exército de Ahurada,e com ele no Conselho, estavam os seus seis ministros, os arcanjos Amchaspends: Ardibibich, encarregado do fogo; Bahman, encarregado dos animais; Chariver, a cargo dos metais; Jordad, das águas; Murded, ministro do reino vegetal, e Sipendarmich, senhor da terra. Por baixo dos ministros estava a legião dos anjos Yazata e a outra das mulheres- anjos.


O exército do mal, sob o comando do demônio Ahriman, tinha a sua corte dos diabos, ou Divs: Aechma, encarregado da ira; Akono, a cargo das tentações; Indra, que se encarregava das almas condenadas ao inferno; Naosijaita,que insuflava a soberba nos humanos; Sorú,o encarregado de aconselhar o mal aos dirigentes e de induzir o crime nos súditos. Em baixo deles estavam os demônios menores,masculinos e femininos,que se encarregavam de todas as ações perversas que os seus chefes Divs lhes encomendassem. O ser humano herdou o castigo merecido pelo preço dos primeiros pais, Yima e Yimé, que se levantaram contra o seu deus, julgando-se iguais, embora este lhes tivesse dado a vida e o conhecimento, construído o Paraíso e salvo do Dilúvio. O ser humano, pois, agora tinha que fazer com que a sua vida decorresse pelo reto caminho, ouvindo os conselhos dos arcanjos e anjos e rejeitando as tentações e as provocações de demônios e diabos.


No final da sua vida, a alma tinha que passar a ponte de Chinvat, onde sofria a pesagem definitiva, para ver se prevaleciam as boas ações ou se, pelo contrário, o condenavam as suas culpas, como no julgamento do mito egípcio, mas com a diferença de que, à passagem das almas, a ponte se alargava e tornava reta para os bons e estreita e tortuosa para os pecadores, que terminavam por cair dela e submergir-se nas profundidades do inferno eterno.






15.8.05

MATADORA DE EGOS
DESCONHEÇO O AUTOR
CONTOS E LENDAS



Um grande general estava desesperado, pois sentia que a única coisa que o atrapalhava era seu ego.


Decidiu ir no mestre Zin Piao, pois lhe disseram que ele seria a única pessoa no reino que resolveria seu problema.


Lá chegando, depois de tomar chá, o general falou do seu problema: queria eliminar o seu ego...


O mestre olhou para ele com aquele sorriso que só os mestres possuem e disse que o faria.


Pediu para que o general fosse a sala de meditação às 5:00 em ponto. Lá ele eliminaria o ego do general,para sempre...


As cinco horas em ponto, lá estava o general. O mestre estava sentado em posição de lótus, com uma grande espada à sua frente.


O general sentou-se a sua frente... Após 10 min de silêncio profundo o mestre abriu os olhos e disse: "Pronto! Esta é a minha espada Matadora de Egos.


É a única que consegue fazer isso em todo o reino.


Mostre-me seu ego que eu o eliminarei"... O general foi pego de surpresa...


Depois de alguns segundos ele se deu conta... E sorriu...


Fez uma reverência ao mestre e saiu... Nunca mais voltou...


Om shanti






10.8.05

TIALOC
DESCONHEÇO O AUTOR
MITOS DA AMÉRICA DO NORTE
MITOLOGIA E FOLCLORE



Tlaloc, seguidor de uma das divindades pré-clássicas da chuva, o deus da serpente e, muito especialmente, do deus Chac dos maias, é uma das divindades mais antigas do panteão azteca. Tlaloc, como antes tinham feito Cocijo ou Tzahui, é o ser que se ocupa da tutela da água, o deus que pode fazer com que os campos floresçam e a vida possa continuar eternamente. Tlaloc, como antes Chac, era associado com os quatro pontos cardeais e com as quatro cores que os representavam, morava nas alturas das montanhas, velando pelas nuvens que nelas se formavam e, nos templos, estava ao mesmo nível que o grande Huitzilopochtl. Como é natural, o ritual religioso de Tlaloc exigia o sacrifício de vítimas humanas, mas, talvez pela tremenda necessidade que a povoação tinha de aceder a essa água tão necessária, a exigência multiplicava-se, dado que eram os meninos recém-nascidos os que deviam servir de veículo de satisfação para o deus da chuva. Ao lado de Tlaloc estava Chalchihuitlicue, a deusa do jade e da turquesa, cores que toma a água que os humanos vemos sobre a terra, era geralmente considerada sua esposa, e ela velava pelos rios e arroios, pelos poços e lagoas, sendo -em definitiva- outra divindade agrícola da fertilidade. Chicomecoalt, a irmã de Tlaloc, outra divindade dos campos, amparava o milho, tendo uma especial personificação como deusa do milho que floresce, sob a denominação de Xílonen. Mas não era a única divindade do milho, o alimento mais importante dos aztecas, dado que junto dela está o casal formado por Cinteotl e a sua esposa Xochiquetzal, com os quais velava, por extensão, pelo bom fim de todos os cultivos. Finalmente, a deusa Tlazolteotl, por ter sido esposa de Tlaloc ao princípio, e depois do temível Tezcatlipoca, era a complexa divindade que presidia o amor entre os humanos, a deusa do amor carnal, por uma parte, e que depois se encarregava de ouvir as confissões que os fiéis faziam das suas faltas, para depois vigiar o cumprimento das correspondentes expiações marcadas para essas faltas.






10.8.05

A HISTÓRIA DE SALLY
DESCONHEÇO O AUTOR
CONTOS E LENDAS



Sally pulou da cadeira quando viu o cirurgião chegar.


- "Como está meu filho? Ele vai ficar bem?"


O cirurgião disse: "Sinto muito, fizemos tudo o que estava ao nosso alcance.


Sally disse: - "Por que as crianças tem câncer? Será que Deus não se preocupa com elas?"


Deus, onde estava quando meu filho precisou?


O cirurgião disse: "Uma das enfermeiras sairá para te deixar uns minutos com o corpo de seu filho antes que levem para a Universidade.


Sally Pediu a enfermeira que a acompanhasse enquanto se despedia de seu filho.


Passou a mão no seu cabelo, a enfermeira perguntou se ela queria guardar alguns fios de seu cabelo.


Sally aceitou..., a enfermeira cortou uma mecha e colocou em uma bolsinha de plástico e deu a Sally.


Sally disse: "Foi idéia de Jimmy doar seu corpo à Universidade para ser estudado. Disse que poderia ser útil a alguém. Era o que ele desejava.


Eu a princípio me neguei,mas ele me disse: "Mamãe, eu não o usarei depois que morrer, e talvez ajude uma criança a desfrutar de um dia mais ao Lado de sua mãe.


Meu Jimmy tinha um coração de ouro, sempre pensava nos outros e desejava ajudá-los como pudesse.


- Sally saiu do Hospital Infantil pela última vez, depois de ter permanecido por lá nos últimos seis meses. Colocou a bolsa com os pertences de Jimmy no acento do carro, junto à ela. Foi difícil dirigir de volta pra casa, e mais difícil ainda, entrar na casa vazia.


Levou a bolsa ao quarto de Jimmy e colocou os carrinhos de miniatura e todas suas demais coisas como ele gostava. Sentou na cama de Jimmy e chorou até dormir, abraçando o pequeno travesseiro dele. Acordou cerca de meia-noite,junto a ela, havia uma folha de papel dobrada.


Abriu a carta que dizia:


"Querida mamãe, sei que você deve sentir minha falta, mas não pense que eu te esqueci ou que deixei de te amar só porque não estou aí para dizer "TE AMO".


Pensarei em você a cada dia mamãe e cada dia te amarei ainda mais. Algum dia voltaremos a nos ver. Se você quiser adotar um menino para que não fiques tão sozinha, ele poderá ficar no meu quarto e brincar com todas as minhas coisas. Se quiser uma menina, provavelmente ela não gostará das mesmas coisas que os meninos e terá que comprar bonecas, e coisas de meninas.


Não fique triste quando pensar em mim, estou num lugar grandioso.


Meus avós vieram me receber quando cheguei, me mostraram um pouco daqui, mas levarei muito tempo para ver tudo. Os anjos são muito amigos e me encanta vê-los voar. Jesus não se parece com as imagens que vi dele, mas soube que era ele assim que o vi. Jesus me levou para ver Deus!!


- E, acredite, mamãe!


- Eu me sentei no colo dele e falei com ele como se eu fosse alguém importante. Eu disse à Deus que queria te escrever uma carta, para me despedir e etc, mesmo sabendo que não era permitido.


Deus me deu papel e sua caneta pessoal para escrever esta carta. Acho que se chama Gabriel o anjo que a deixará cair para você. Deus me disse para responder o que você perguntou: "Onde estava ele quando eu precisei?


- "Deus disse: "No mesmo lugar de quando Jesus estava na cruz. Estava justo aí, como Deus sempre está com todos os seus filhos."


Esta noite estarei na mesa com Jesus para o jantar. Sei que a comida será fabulosa. Ah! quase esqueci de dizer... Não sinto mais nenhuma dor, o câncer foi embora.


Estou feliz porque eu já não conseguia mais suportar tanta dor e Deus não podia me ver sofrendo daquela maneira, aí enviou o Anjo da Misericórdia para me levar.


O Anjo me disse que eu era uma entrega especial !!! "


Assinado com amor:


Deus, Jesus e eu.






9.8.05

TROCAS MAL FEITAS
DESCONHEÇO O AUTOR
CONTOS E LENDAS




Há pessoas que não sabem o que é o sorriso.
E por isso o trocam por uma lágrima.
Não sabem o que é um canto.
E o trocam por um grito de agonia.


Não sabem o que é uma amizade.
E a trocam pela antipatia.
Não sabem o que é o amor.
E o trocam por um grande ódio.


Não sabem o que é a paz.
E a trocam pela intriga.
Não sabem o que é a verdade.
E a trocam por um mundo corrido de mentiras.


Não sabem o que é uma flor, uma árvore, uma paisagem.
E trocam-nas por uma poluição desenfreada
Não sabem o que é o diálogo.
E se trancam dentro de si mesmas.


Não sabem o que é união.
E vivem isoladas.
Não sabem quem é Deus.
E o trocam por superstições vazias.


Não sabem o que é vida.
E vivem trocando-a pela morte.


Todas estas trocas são feitas porque o mais cômodo tem caminhos mais fáceis.
Mas a verdade é uma só: lutar; servir e perseverar


As trocas pelo mais cômodo, pelo mais fácil, não levam a lugar nenhum.
Pelo contrário: atrapalham, esvaziam, machucam e destroem.






9.8.05

SE EU MORRER ANTES DE VOCÊ.........
CHICO XAVIER
CONTOS E LENDAS




Se eu morrer antes de você, faça-me um favor:


Chore o quanto quiser, mas não brigue com Deus por ele haver me levado.


Se não quiser chorar, não chore. Se não conseguir chorar, não se preocupe.


Se tiver vontade de rir, ria.


Se alguns amigos contarem algum fato a meu respeito, ouça e acrescente sua versão.


Se me elogiarem demais, corrija o exagero.


Se me criticarem demais, defenda-me.


Se me quiserem fazer um santo, só porque morri, mostre que eu tinha um pouco de santo, mas estava longe de ser o santo que me pintam.


Se me quiserem fazer um demônio, mostre que eu talvez tivesse um pouco de demônio, mas que a vida inteira eu tentei ser bom e amigo.


Espero estar com Ele o suficiente para continuar sendo útil a você, lá onde estiver.


E se tiver vontade de escrever alguma coisa sobre mim, diga apenas uma frase:


-"Foi meu amigo, acreditou em mim e me quis mais perto de Deus!"


- Aí, então derrame uma lágrima.


Eu não estarei presente para enxugá-la, mas não faz mal. Outros amigos farão isso no meu lugar.


E, vendo-me bem substituído, irei cuidar de minha nova tarefa no céu.


Mas, de vez em quando, dê uma espiadinha na direção de Deus.


Você não me verá, mas eu ficaria muito feliz vendo você olhar para Ele.


E, quando chegar a sua vez de ir para o Pai, aí, sem nenhum véu a separar a gente,vamos viver, em Deus, a amizade que aqui nos preparou para Ele.


Você acredita nessas coisas?


Então ore para que nós vivamos como quem sabe que vai morrer um dia, que morramos como quem soube viver direito.


Amizade só faz sentido se traz o céu para mais perto da gente, e se inaugura aqui mesmo o seu começo.


Mas, se eu morrer antes de você, acho que não vou estranhar o céu...


Ser seu amigo... já é um pedaço dele..."










4.8.05

HERNE O CACADOR
J R ANDRADA
MITOS DA INGLATERRA
MITOLOGIA E FOLCLORE



Igual à Cernunnos, Homem Verde, Senhor da Caça selvagem. O lado ativo, masculino de natureza. Pai da Terra, dos animais selvagens, fertlidade, desejo, amor físico, agricultura, bandos. Deus Cornífero, o Deus amante da Deusa Mãe.


No folclore inglês, Herne o Caçador é o espírito de um caçador que protege os viajantes através de Windsor. É personagem frequente dos contos de Robin Hood.






4.8.05

HADES
DESCONHEÇO O AUTOR
MITOS DA GRECIA E ROMA
MITOLOGIA E FOLCLORE



Senhor do reino subterrâneo.


Acreditava-se que, com seu carro, viesse ao mundo para buscar as almas dos mortos. Possuía um capacete que o tornava invisível. Somente Hades tinha o poder de restituir a vida de um homem, porém, utilizou-se desse poder pouquíssimas vezes e, assim mesmo, a pedido da esposa.


Era o deus das riquezas porque dominava nas profundezas da terra, de onde mandava prosperidade e fertilidade; era considerado um deus benéfico.


Hades, apelidado de Pluto, é filho de Cronos e de Reia. Ao nascer, foi engolido pelo seu próprio pai e só voltou à luz do dia graças à intervenção de seu irmão Zeus. Por isso, participará em todas as suas lutas vitoriosas.


Hades tem o poder absoluto sobre o mundo inferior e cada um dos seus nomes corresponde a um aspecto desta sua soberania.


Etimologicamente, Hades é o Invisível. O seu capacete, sobretudo, tem a propriedade de o esconder de todos os olhares. A este título, ele é o misterioso, terrífico e impiedoso soberano dos Infernos, universalmente odiado.


Em oposição, Pluto é o Opulento. Senhor de uma população que não cessa de crescer, proprietário de todos os despojos dos mortais e ainda dos tesouros escondidos no mundo subterrâneo (particularmente os filões). Por isso ele exerce uma influência benéfica sobre a prosperidade do solo, sendo muitas vezes associado, pelos Gregos, ao culto de sua irmã Deméter.


Hades é invocado através de um ritual que consiste em bater na terra com as mãos ou com vergas. Em sua honra são imolados touros negros ou ovelhas negras, durante a noite.


Indiferente às agitações do céu e da terra, Hades quase não deixa o palácio infernal e o seu trono de ébano e de enxofre. Fá-lo, por exemplo, quando é ferido por Héracies, que tinha vindo capturar o cão Cérbero. Nessa altura, eleva-se ao Olimpo a fim de receber os cuidados dos deuses.


Conhecemos-lhe poucas aventuras. Desejoso de desposar uma mulher, rapta a sua sobrinha Core, filha de Deméter e de Zeus, e transforma-a na rainha Perséfone, com a qual vive metade do ano e de quem não terá herdeiros.


Hades será fiei a Perséfone, a não ser em dois momentos pontuais: quando teve um devaneio pela ninfa do Cócito, chamada Minta (ferozmente
espezinhada por Perséfone, será transformada em menta, por Hades) e quando se apaixonou por Leuce, filha do Oceano, que será metamorfoseada em choupo argênteo (é este o sentido de leuce).


Hades é, raramente, representado sozinho. Ele figura, geralmente, ao lado de Perséfone, sendo apresentado como um homem barbudo com uma serpente, símbolo do mundo subterrâneo, e o corno da abundância.






4.8.05

A SOPA DE PEDRA
DAVID MARTINS
CONTOS E LENDAS



Descia o Sol no horizonte. Pela estrada, coberto de poeira, seguia Frei Bernardo, o rosário a tilintar, a barriga a dar horas.


Longa tinha sido a caminhada, isto para não mencionar a lonjura que ainda tinha de palmilhar até chegar ao mosteiro.


Se era vivo de espírito, não era menos robusto de corpo, o nosso frade. Cem léguas caminharia, tivesse ele a barriga cheia... mas, não se via nem galinha transviada, nem macieira a convidá-lo sem o dono por perto. Nada, coisa alguma que se pudesse comer.


Pouco faltava para ele maldizer a sua vida, quando avistou uma quinta no horizonte: o seu santo protector nunca se esquecia de velar por ele! Sorriu, satisfeito. Afinal, não há mal que sempre dure. Com um pouco de sorte, alguma coisa lhe dariam para comer.


Mas os tempos não iam de feição para se fazer caridade. A vida estava muito difícil, os anos de seca não deixavam os cereais germinar, os legumes definhavam nas hortas, os animais morriam de fome e de sede. Acrescentem-se os impostos que os senhores da terra nunca se esqueciam de mandar cobrar a tempo e horas, os homens que tinham partido para longe, guerrear sabe-se lá que inimigos numa terra distante. O pouco que cada um conseguia extrair da terra ressequida, em sua casa o aferrolhava, que ninguém sabia o que ainda podia estar para vir. Tudo isto o nosso bom frade bem o sabia. Mas não lhe faltava nem bonomia, nem engenho e arte para resolver qualquer problema que lhe surgisse, por mais complicado que ele fosse. Se não se podia ir pela estrada real, dava-se a volta por atalhos, e não era por isso que um homem deixava de chegar ao seu destino.


À medida que encurtava a distância que o separava da casa de paredes de pedra escura da região e telhado de colmo, uma ideia foi ganhando forma na sua mente. Apanhou uma pedra do chão e sorriu. Era uma pedra redondinha. Limpou o pó que a cobria e bateu à porta.


- Quem é? - Gritou uma voz de mulher.


- Deus te salve, boa mulher! Não terás por aí uma panela que me emprestes e um poucochinho de água que me dês? É que aqui mesmo acendo umas brasinhas e faço uma sopa de pedra.


- Essa agora! Não querem lá ver? Havia de ter graça! - exclamou a mulher, rindo, os dedos cruzados sobre o ventre empinado pelo pimpolho que em breve daria à luz. - Sopa de pedra? Nunca de tal coisa ouvi falar!


- Pois olha que é um manjar que se faz muito lá na minha aldeia, e é de muito alimento. Queres ver?


É claro que a curiosidade da mulher era mais do que muita, e ela não a escondia, observando o frade com o mesmo espanto com que olharia para uma galinha com cinco cabeças.


- Sempre estou para ver como é que vossemecê faz esse petisco - disse ela, abanando a cabeça, meio incrédula, meio divertida.


- É simples, já vais ver. Ponho esta pedra dentro da panela com água e deixo ferver - explicou ele, mostrando o seixo reluzente.


A mulher não queria acreditar, mas como a curiosidade era mais forte, lá foi buscar uma panela com água.


Frei Bernardo juntou meia dúzia de cavacas, acendeu um lume bem espevitado, meteu-lhe o tacho em cima com a pedra lá dentro, cruzando em seguida os braços como quem está à espera que qualquer coisa aconteça, e depois sentou-se tranquilamente, desfiando o seu rosário. Passados momentos, já a água fervia... com a pedra lá dentro.


A mulher, sempre desconfiada, não tirava os olhos do frade.


- Sabes que mais - disse ele - vou prová-la. - Hmm... parece que precisa de um bocadinho de sal.


E a mulher foi buscar o sal. Frei Bernardo agradeceu, e voltou às contas do seu rosário.


A mulher, como se nada daquilo lhe dissesse respeito, ia no entanto arranjando afazeres que a obrigassem a rondar por ali. Sempre queria ver. O frade fingia não dar pela presença dela que, a certa altura, não resistiu mais e perguntou:


- Então, e é boa... essa sopa?


- Boa? Fica sabendo que é das coisas mais saborosas que eu já comi. E então se me trouxesses uma batatinha, ou uma folhinha de couve, ainda ficava melhor.


A mulher lá foi à horta e regressou com duas batatas, uma cebola, três folhas de couve. Frei Bernardo não se fez rogado. Uma boa sopa de hortaliças já ele tinha a ferver, diante dele. No entanto, passado algum tempo, virou-se para a mulher e disse:


- Esta sopinha não está nada má, mas se lhe juntasse um dentinho de alho, um fio de azeite, duas rodelas de chouriço... ah! Então até os anjos do Céu seriam capazes de a comer.


A sopa cheirava que era um regalo, disso ninguém poderia duvidar. A mulher entrou em casa e de lá saiu trazendo o que faltava.


- Sabes o que te digo? És uma boa alma. Vai buscar duas gamelas e senta-te aqui comigo, que a sopa chega bem para os dois.


Eis como Frei Bernando se deliciou com uma bela sopa, num local onde, de outro modo, bem sabia que nada lhe teriam dado para comer.


- E a pedra? - perguntou a mulher, quando chegaram ao fundo da panela.


- A pedra? Olha, essa, levo-a comigo, que me há-de servir outras vezes.






4.8.05

O CACHORRO, O MACACO E O TIGRE
DESCONHEÇO O AUTOR
CONTOS E LENDAS



Um cachorrinho, perdido na selva, vê um tigre correndo em sua direção.


Pensa rápido, vê uns ossos no chão e se põe a mordê-los.


Então, quando o tigre está a ponto de atacá-lo, o cachorrinho diz:


- Ah, que delícia este tigre que acabo de comer!


O tigre pára bruscamente e sai apavorado correndo do cachorrinho, e no caminho vai pensando:


"Que cachorro bravo! Por pouco não come a mim também!"


Um macaco, que havia visto a cena, sai correndo atrás do tigre e conta como ele havia sido enganado.


O tigre, furioso, diz:


- Cachorro maldito! Vai me pagar!


O cachorrinho vê que o tigre vem atrás dele de novo e desta vez traz o macaco montado em suas costas.


"Ah, macaco traidor!


O que faço agora?", pensou o cachorrinho.


Em vez de sair correndo, ele ficou de costas, como se não estivesse vendo nada.


Quando o tigre está a ponto de atacá-lo de novo, o cachorrinho diz:


- Macaco preguiçoso!


Faz meia hora que eu o mandei me trazer um outro tigre e ele ainda não voltou!






4.8.05


DESCONHEÇO O AUTOR
CONTOS E LENDAS



Chao-Chou (Joshu) certa vez varria o chão quando um monge lhe perguntou:


"Sendo vós o sábio e santo Mestre, dizei-me como se acumula tanto pó em seu quintal?"


Disse o Mestre, apontando para o pátio:


"Ele vem lá de fora."






3.8.05

O PRINCIPE SAPO
ADOLFO COELHO
MITOS DE PORTUGAL
MITOLOGIA E FOLCLORE



Era uma vez um rei que não tinha filhos e tinha muita paixão por isso, e a mulher disse que Deus lhe desse um filho mesmo que fosse um sapo.


Houve de ter um filhinho como um sapo; depois botaram as folhas a ver se havia quem o queria criar, mas ninguém se animava a vir.


O rei, vendo que o sopito do filho não havia quem o queria criar, anunciou que, se houvesse alguma mulher que o quisesse criar, lho dava em casamento e lhe dava o reino.


Nisto aí apareceu uma rapariga e disse: "Se Vossa Real Majestade me dá o filho, eu animo-me a vi-lo criar." O rei disse que sim e a rapariga veio criar o sopito. Depois passou algum tempo e ele foi crescendo e ela lavava-o e esmerava-o como se ele fosse uma criança. Foi indo e ele tinha uns olhos muito bonitos e falava, e a rapariga dizia: "Os olhos dele e a fala não são de sapo." Já estava grande, passaram-se anos e ela, uma noite, teve um sonho em que lhe diziam ao ouvido que o sapo era gente, mas pela grande heresia que a mãe disse que estava formado em sapo, que se o rei lho desse para ela casar com ele que casasse e quando fosse na primeira noite que se fosse deitar, que ele tinha sete peles e ela levasse sete saias e quando ele dissesse: "Tira uma saia", lhe dissesse ela: "Tira uma pele."


Assim foi e casou o sapo com a rapariga e na noite do casamento ele pediu-lhe que tirasse ela as saias e ela foi-lhe pedindo que tirasse as peles e depois de ele as tirar ficou um homem. Ao outro dia ele tornou a vestir as peles e ficou outra vez sapo. E ela disse-lhe: "Tu para que vestes as peles? Assim és tão bonito e vais ficar sapo." "Assim me é preciso, cala-te." Ela, assim que se pôs a pé, foi contar tudo à rainha, e o rei mais a rainha disseram-lhe: "Quando hoje te deitares, diz-lhe o mesmo e depois de ele tirar as peles e estar a dormir, deixa a porta do quarto aberta que nós queremos ir vê-lo." Foram-no ver e viram que ele era homem. Ao outro dia o príncipe tornou a vestir as peles e vai o pai disse-lhe: "Tu, porque vestes as peles e queres ser feio?"


"Eu quero ser sapo, porque o meu pai tem mão interior e, se eu fico bonito, impõem a minha mulher." O rei disse-lhe: "Eu não a impunha, mas queria que tu ficasses bonito." Depois, como viram que ele não queria deixar de ser sapo, pediram a ela que, assim que ele adormecesse, lhes trouxesse as peles para eles as queimarem. Ela assim fez e eles botaram as peles ao fogo aceso. De manhã vai ele para vestir as peles e não as acha. "Que é das peles?" "Vieram aqui o teu pai e a tua mãe e levaram-nas." "Mal hajas tu se lhas destes, mais quem te deu o conselho. Adeus. Se alguma vez me tornares a ver, dá-me um beijo na boca."


A mulherzinha ficou mas o rei e a mulher, assim que viram que o filho faltou, puseram-na fora da porta. Ela, coitada, não tinha com que se tratar; o que era do rei lá ficou e ela estava muito pobrezinha. A todas as pessoas que via perguntava se tinham visto um homem assim e assim e lá lhe dava as notícias do príncipe. Vieram por onde ela estava uns cegos e ela fez-lhes a pergunta. Os moços dos cegos disseram-lhe: "Nós vimos no rio Jordão um homem e certamente era ele; estava botando fatias de pão para trás das costas e dizendo: "Pela alma de meu pai, pela alma de minha mãe, pela alma de minha mulher." Ela disse-lhes: "Vocês quando tornam para essa banda?" "Nós para o fim do outro mês voltamos para lá; havemos de passar por esse rio." A mulherzinha aprontou-se e foi com eles. Chegou lá e era o príncipe. Ela chegou ao pé dele e deu-lhe o beijo na boca como ele tinha dito e disse-lhe: "Ora vamos embora, que se acabou o nosso fado." E foram para casa e foram muito felizes e tiveram muitos filhos.






3.8.05

OS VEDAS
DESCONHEÇO O AUTOR
MITOS DA ÍNDIA
MITOLOGIA E FOLCLORE



Mas a primeira aparição histórica é a que nos vem colhida pelos Vedas, as obras escritas em sânscrito do ritual religioso elaboradas pelos arianos, um povo chegado à Índia vindo do noroeste entre os séculos XVI e XIII (aC). No grupo dos "arya", dos nobres, estavam as três castas dos bramanes ou homens da religião, os ksatriya ou guerreiros, e a última casta dos vaisya ou povo; com eles, mas a uma grande distância social, estavam os sudra ou vassalos, os que não eram "arya", mas iam junto dos nobres.


Esta obra do Veda, do conhecimento, que começa com o livro do Rig Veda, livro que se devia ter escrito para o século XX (aC), se continua com o Yajur Veda, contendo o primeiro ritual, o Sama Veda, no qual figuram os cantos religiosos, e o Atarva Veda, o tratado da reli- gião íntima para uso privado dos fiéis. O Rig Veda, com mais de 1.000 hinos e 10.000 estrofes, nos fala de um Universo composto por duas partes: Sat e Asat. Sat é o mundo existente, a parte destinada às divindades e à humanidade; Asat, o mundo não existente, é o território do demônio.


Em Sat está a luz, o calor e a água; em Asat só há escuridão, porque os demônios vivem nela, na noite. O Sat, o mundo visível e existente, está composto por três esferas: a superior do firmamento, o ar que está sobre as nossas cabeças e o solo do planeta onde vivemos. Mas a criação deste Universo não foi só um ato gratuito, um ato de vontade divina; pelo contrário, a construção do mundo que agora habitamos necessitou de uma luta heróica e decidida entre as forças do ar e as forças da matéria, porque o Universo é um lugar belo que só se pôde conseguir com o esforço que representa o combate entre as forças do bem e as forças do mal.






3.8.05

DEVE UM QUEIJO!...
SIMOES LOPES NETO
MITOS GAUCHOS
MITOLOGIA E FOLCLORE



O velho Lessa era um homem assinzinho... nanico, retaco, ruivote, corado, e tinha os olhos vivos como azougue... Mas quanto tinha pequeno o corpo, tinha grande o coração.


E sisudo; não era homem de roer corda, nem de palavra esticante, como couro de cachorro. Falava pouco, mas quando dizia, estava dito; pra ele, trato de boca valia tanto - e até mais - que papel de tabelião. E no mais, era - pão, pão; queijo, queijo! -


E, por falar nisto:


Duma feita no Passo do Centurião, numa venda grande que ali havia, estava uma ponta de andantes, tropeiros, gauchada teatina, peonada, e tal, quando descia um cerro alto e depois entrava na estrada, ladeada de butiazeiros, que se estendem para os dois lados, sombreando o verde macio dos pastos, quando troteava de escoteiro, o velho Lessa.


De ainda longe já um dos sujeitos o havia conhecido e dito quem era e donde; e logo outro - passou voz que aí no mais todos iriam comer um queijo sem nada pagar...


Este fulano era um castelhano alto, gadelhudo, com uma pêra enorme, que ele às vezes, por graça ou tenção reservada, costumava trançar, como para dar mote a algum dito, e ele retrucar, e, daí, nascer uma cruzada de facões, para divertir, ao primeiro coloreado…


Sossegado da sua vida o velho Lessa aproximou-se, parou o cavalo e mui delicadamente tocou na aba do sombreiro;


- Boa-tarde, a todos!


E apeou-se.


Maneou o mancarrão, atou-lhe as rédeas ao pescoço e dobrou os pelegos, por causa da quentura do sol.


Quando ia a entrar na venda, saiu-lhe o castelhano, pelo lado de laçar... A este tempo o negociante saudava o velho, dizendo:


- Oh! seu Nico! Seja bem aparecido! Então, vem de Canguçu, ou vai?...


Antes que o cumprimentado falasse, o castelhano intrometeu-se:


- Ah! es usted de Canguçu?... Entonces... debe un queso!...


O paisano abriu um ligeiro claro de riso e com toda a pachorra ainda respondeu:


- Ora, amigo... os queijos andam vasqueiros...


- Si, pa nosotros... pero Canguçu pagará queso, hoy!....


O vendeiro farejou catinga agourenta, no ar, e quis ladear o importuno; o velho Lessa coçou a barbinha do queixo, coçou o cocuruto, relanceou os olhinhos pelos assistentes, e mui de manso pediu ao empregado do balcão:


- 'Stá bem!... Chê! dê-me aquele queijo!...


E apontou para um rodado dum palmo e meio de corda, que estava na prateleira, ali à mão.


O gadelhudo refastelou-se sobre um surrão de erva, chupou os dentes e ainda enticou:


- Oigalê!... bailemos, que queso hay!...


Com a mesma santa paciência o velho encomendou então o seu almoço - ovos, um pedaço de lingüiça, café - e depois pegou a partir o queijo, primeiro ao meio, em duas metades e depois uma destas em fatias, como umas oito ou dez; acabando, ofereceu a todos:


- São servidos?


Ninguém topou: agradeceram; então disse ele ao cobrador:


- Che!... pronto! Sirva-se!...


O castelhano levantou-se, endireitou as armas e chegando-se para o prato repetiu o invite:


- Entonces?... está pago, paisanos!...


- E às talhaditas começou a comer.


O velho Lessa - ele tinha pinta de tambeiro, mas era touro cupinudo... pegou a picar um naco; sovou uma palha; enrolou o baio; bateu os avios, acendeu e começou a pitar, sempre calado, e moneando, gastando um tempão...


Lá na outra ponta do balcão um freguês estava reclamando sobre uma panela reiúna, que lhe haviam vendido com o beiço quebrado...


Aí pelas seis talhadas o clinudo parou de mastigar.


¾ Bueno. . buenazo!... pero no puedo más!...


Mas o velho, com o facão espetou uma fatia e of'receu-lhe:


- Esta, por mim!


- Si, justo: por usted, vaya!…


E às cansadas remoeu o pedaço.


E mal que engoliu o último bocado, já o velho apresentava-lhe outra fatia, na ponta do ferro:


- Outra, a saúde de Canguçu!...


- Pero...


- Não tem pêro nem pêra... Come...


- Pê…


- Come, clinudol...


E, no mesmo soflagrante, de plancha, duro e chato, o velho Lessa derrubou-lhe o facão entre as orelhas, pelas costelas, pelas paletas, pela barriga, pelas ventas… seguido, e miúdo, como quem empapa d'água um couro lanudo. E com esta sumanta levou-o sobre o mesmo surrão de erva, pôs-lhe nos joelhos o prato com o resto do queijo e gritou-lhe nos ouvidos: - Come!...


E o roncador comeu... comeu até os farelos...; mas, de repente, empanzinado, de boca aberta, olhos arregalados, meio sufocado, todo se vomitando, pulou porta fora, se foi a um matungo e disparou para a barranca do passo… e foi-se, a la cria!...


O reclamador da panela desbeiçada deu uma risada e chacoteou, pra o rastro:


- 'Orre, maula!... quebraram-te o corincho!...


E o velhito, com toda a sua pachorra indagou pelo almoço, se já estava pronto?...


- Os ovos..., a lingüiça..., o café?…