Contos e Lendas: ATENA E ARACNE

31.8.05

ATENA E ARACNE
DESCONHEÇO O AUTOR
MITOS DA GRECIA E ROMA
MITOLOGIA E FOLCLORE



Atena foi desafiada por Aracne, uma presunçosa mortal, numa competição de destreza sobre a tecelagem de uma tapeçaria.

Ambas trabalharam com rapidez e habilidade. Quando as tapeçarias ficaram terminadas, Atena admirou o trabalho impecável de sua competidora, mas ficou furiosa porque Aracne ousou ilustrar as desilusões amorosas de Zeus.

Na tapeçaria, Leda estava acariciando um cisne, animal em que Zeus se transformara para poder entrar no dormitório da rainha casada e fazer-lhe a corte.

Um outro painel era de Dânae, a quem Zeus fecundou na forma de um chuvisco dourado; um terceiro painel representava a donzela Europa, raptada por Zeus disfarçado na forma de um majestoso touro branco.

O tema de sua tapeçaria era a ruína de Aracne, Atena ficou tão enraivecida que rasgou em pedaços o trabalho e induziu Aracne a se enforcar.

Depois, sentindo pena, Atena deixou Aracne viver, e transformou-a em aranha, condenada para sempre a tecer. Observe-se que Atena, muitíssimo defensora de seu pai, a puniu por tornar público o comportamento velhaco e ilícito de Zeus mais do que pelo desaforo do próprio desafio.

Atena, conforme consta nos arquivos mitológicos,nem conheceu homem nem se preocupou por nenhum deles, fosse mortal, semi-divino ou plenamente entronado no Olimpo.

Mas a deusa-virgem também foi a sagrada inventora da maior parte das coisas e dos ofícios úteis para a humanidade que nela confiava. Entre as suas invenções está a fiação e o tecido e, nessas questões, os seus ciúmes profissionais eram tão fortes como os de uma mulher apaixonada no amor.

Pois bem, há um momento na crônica de Atena em que surge a paixão e a divina dama perde o controle dos seus temperados nervos de aço.O caso foi que Aracne, princesa de Lídia, que era uma hábil e primorosa donzela com o tear, elaborou uma tela maravilhosa, que teria que ser a sua última obra.

Atena teve nas suas mãos o pano de Aracne e, à medida que o examinava, crescia a sua irritação, porque o pano da princesa era mais belo do que nenhum que tivesse visto, tão perfeito como se tivesse sido obra dos poderes celestiais. Aquela demonstração de perfeição e arte era demasiada humilhação para a deusa.

Perante o delicado desenho de um Olimpo cheio de quadros plenos de colorido e intenção, em que se descreviam as mais românticas cenas dos povoadores de tão ilustre morada, Atena não soube senão que não devia: destroçar o pano até reduzi-lo a farrapos.

Aracne, dolorida ou aterrorizada pela crueldade da sua rival têxtil, suicidou-se, enforcando-se no teto. A vingança de Atena não terminou com a sua morte e a deusa satisfez-se até o infinito, fazendo com que, a partir desse momento, a pobre Aracne passasse a ser uma aranha, com a sua corda de morte transformada em fio salvador que lhe permitiu desandar o caminho da morte até voltar à vida, embora (isso sim) já convertida num inseto pouco engraçado e ainda menos apreciado.