Contos e Lendas: 09/2005

13.9.05

O ARREPENDIMENTO DA VELHA MÃE
ALLAN B CHINEN
CONTOS E LENDAS



Há muito tempo, uma velha estava sentada sozinha, ao cair da tarde. Justamente naquele dia, havia morrido sua última amiga, deixando-a sozinha, sem parentes ou pessoas em quem confiar e, em sua dor, recordava os muitos infortúnios por que passara, através dos anos. Primeiro havia morrido um filho, depois o outro, quando ainda eram crianças. Posteriormente, o marido - seguido de uma tia, de uma irmã e de todos os seus parentes, um a um. Agora estava sozinha e empobrecida. Em sua desventura, a velha mãe amaldiçoou o destino e voltou-se então contra Deus..

- O que eu fiz para merecer isso? - lamentou-se.

O bimbalhar dos sinos da igreja a acordaram e ela levantou-se., surpresa. - Dormi a noite toda sentada na cadeira! - exclamou. Correu logo para a igreja, como fizera todas as manhãs da sua vida. Quando chegou à capela, espantou-se ao constatar que ela não estava, como de costume, vazia. Os bancos estavam cheios de gente e a velha mãe se sentiu pouco à vontade, pois não reconhecia ninguém de sua aldeia. Então deu-se conta de que os fiéis ali presentes eram amigos e parentes que já haviam morrido!

Nesse momento, uma tia aproximou-se e disse à velha que olhasse para o lado do altar. Lá, a velha divisou dois moços, um pendurado na forca e outro amarrado na roda, ambos criminosos e fora-da-lei. - Isso é o que os seus filhos teriam sido - disse a tia - se o bom Deus não os tivesse levado para o céu, ainda inocentes. A velha mãe encheu-se de arrependimento e gratidão e correu para a casa, tremendo de emoção. Chegando lá, caiu de joelhos e agradeceu a Deus pela graça que antes não soubera ver. No terceiro dia , ela morreu, mas seu olhar estava tão calmo que todos os vizinhos se confessaram maravilhados quando chegaram para enterrá-la.

(Resumo do conto "A velha mãe" da obra de J. Grimm. The Complete Grimm's Fairy Tales, Trad. Por M. Hunt (Nova York: Pantheon, 1944))

(extraido do livro: "... E foram felizes para sempre - Contos de Fadas para adultos", de Allan B. Chinen, Editora Cultrix)







13.9.05

URUTAU, JURUTAUI OU MÃE DA LUA
DESCONHEÇO O AUTOR
MITOS DO BRASIL
MITOLOGIA E FOLCLORE




O Urutau é uma ave noturna que, quando a lua desponta, solta um grito triste e assustador. Sobre ele, conta-se uma curiosa lenda.

Numa humilde casinha do sertão, vivia com seus pais uma moça muito feia. Naturalmente, por causa disso, não conseguia arranjar um namorado. O tempo passava, suas amigas todas se casaram e ela continuava desprezada.

Mantendo ainda alguma esperança de que lhe surgisse um pretendente - pois, afinal, tinha suas qualidades: inteligente, trabalhadeira e boa cozinheira - adquiriu o hábito de sair à noite para passear pelos campos e bosques.

Certa vez, em um desses passeios, ouviu o tropel de um cavalo que se aproximava. O coração aos pulsos, imaginou que ali vinha o homem que se casaria com ela. Em poucos segundos viu descer de uma cavalo ricamente arreado, um belo e garboso cavaleiro, um príncipe que se aproximou e perguntou-lhe como podia chegar à estrada principal. A moça habilmente procurou cativar o príncipe pela gentileza e ofereceu-se para acompanhá-lo. Apesar de feia, era muito inteligente e foi fácil manter uma conversa agradável com o príncipe que, impressionado e não lhe percebendo a feiura, pois não havia luar, pediu-a em casamento. Mas infelizmente, sua felicidade durou pouco. A lua surgiu, iluminando o rosto da jovem. O príncipe, tomado de grande espanto, inventou uma desculpa para se afastar e se foi. A jovem, que de nada suspeitava, ficou esperando o seu regresso.

Muito tempo depois, uma feiticeira sua conhecida, ia passando e parou para conversar. A moça contou a ela o que acontecera e pediu para ser transformada numa ave e, assim, poder encontrar logo o príncipe. A feiticeira não queria, mas a jovem insistiu tanto que ela acabou concordando. Partiu, então, a jovem, transformada numa ave feia e desajeitada. Percorreu toda a região por várias vezes e nada de avistar o príncipe, que àquela altura, já estava bem longe.

Desolada, a ave - que era o urutau - procurou a bruxa e pediu para voltar à forma humana. Esta, porém nada pode fazer e a pobre teve que se conformar com seu destino de ave feia e triste. É por isso que, quando a lua aparece, o urutau solta aquele grito triste que parece dizer "foi, foi, foi", lembrando o príncipe que fugira da moça feia.

O uratau é um pássaro solitário e de hábitos noturnos que dificilmente se deixa ver. Pousado na ponta de um galho seco,dar nenhum tipo de sinal de vida. O feiticeiro da tribo alegou que Nheambiú perdera a fala para sempre, a não ser que uma grande dor a fizesse voltar a ser o que era antes. Então a jovem recebeu todos os tipos de notícias tristes, a morte de seu pais e amigos, mas ela não dava nenhum sinal, até que o pajé falou "Cuimbaé acaba de ser morto".

No mesmo momento a moça, lamentando repetidas vezes, tomou vida e desapareceu dentro da mata. Todos que ali estavam transformaram-se em árvores fitando a lua e estremecendo a calada da noite, emite seu canto tenebroso assemelhado a um lamento humano. Por este motivo, o povo também o chama de "mãe-da-lua". Seu grito talvez seja o mais assustador de todos, entre as aves. "Meu filho foi, foi, foi..." - interpreta o povo. Por causa de seu grito, o uratau é muitas vezes associado a maus presságios, mas segundo a mitologia tupi-guarani, é uma ave benfazeja.

Segundo a lenda, uma moça guarani chamada Nheambiú, apaixonou-se profundamente por um bravo guerreiro tupi chamado Cuimbaé, que caíra prisioneiro dos guaranis. Nheambiú pediu a seus pais que consentissem o casamento com Cuimbaé. Todos os insistentes pedidos foram negados, com a alegação que os tupis eram inimigos mortais da nação guarani. Não podendo mais suportar o sofrimento, Nheambiú saiu da taba. O cacique mobilizou seus guerreiros na procura da filha e, após uma longa busca, a jovem índia foi encontrada no coração da floresta, paralisada e muda, tal qual uma estátua de pedra, sem secas, enquanto que Nheambiú tomou a forma de um uratau e ficou voando, noite após noite, pelos galhos daquelas árvores amigas, chorando a perda de seu grande amor.

Em seu Dicionário do Folclore Brasileiro, Câmara Cascudo testemunha que essa ave noturna, de canto agourento, "melancólico e estranho, lembrando uma gargalhada de dor", cercou-se de "misterioso prestigio assombrador".

Coutinho escreve que as penas dessa sinistra ave são um poderoso "amuleto de preservação da castidade feminina". A mesma informação é dada por Câmara Cascudo e Orico, que evocam o testemunho de José Veríssimo, 40, que afirma ser a pele da ave, seca ao sol, que serve de breve contra a luxúria, "curando" as donzelas das tentações do sexo. Bastava que se varresse o chão, a rede ou cama onde a jovem deitasse, para que fosse afastado dali o que pudesse despertar desejos carnais.

O mesmo caráter agourento é atribuído a outra esta espécie de coruja, a "Rasga-Mortalha", esta última - esclarece Câmara Cascudo - tem esse nome em virtude do som que produz o atrito de suas asas, que faz lembrar um pano sendo rasgado.







13.9.05

SOSSEGO DECORADO
DESCONHEÇO O AUTOR
CONTOS E LENDAS




Certa vez, no meio de atividades que eu tinha, loucamente, deixado que se fizessem consumidoras, fui a Atlantic City. Da minha janela poderia olhar diretamente para o mar, que se atirava suavemente sobre as macias praias arenosas. Era uma cena repousante de se contemplar.

O dia estava muito cinzento e nublado. Imperturbavelmente, o mar rolava em direção à praia, com seu rugido profundo, com seu incessante mas perfeito ritmo. Espuma clara borbulhava na crista de suas ondas.

Na praia, e subindo bem alto para o céu azul, depois deslizando com o vento, para baixo, com graça inefável, gaivotas gritavam e mergulhavam.

Tudo naquela cena era gracioso, belo, e conduzia à serenidade. Sua tranqüilidade benigna deitava sobre mim um bálsamo salutar e repousante. Fechei os olhos, e descobri que ainda podia visualizar a cena, tal como a tinha contemplado. Ali estava, tão bem delineado como eu a tinha realmente visto com meus olhos. Ocorreu-me que a razão de poder eu "vê-la" com os olhos fechados, era ter a memória absorvido a paisagem, e estar capacitada para reproduzi-la em pormenores.

Por que, então - raciocinei - não poderia eu reviver uma e muitas vezes aquela cena de tranqüila beleza, mesmo que meu corpo estivesse ausente daquele lugar?

Comecei, deliberadamente, a exercitar a visão de tranqüilas cenas de beleza, que realmente completara.

Às vezes, em meio de trabalho ativo, achei de proveito parar por um minuto ou dois e trazer à memória cenas armazenadas ali, cenas que me haviam impressionado pela sua beleza, e experimentar, mais uma vez, seu notável poder de tranqüilizar, de acalmar, de afrouxar a tensão.

Por exemplo, descobri que quando o sono vem com dificuldade, eu posso, realmente, atrair a sonolência visualizando, com a memória, cenas de tranqüilidade e paz. Deitando com os músculos bem frouxos em minha cama, exercito voltar com a memória para trás, o mais recuadamente possível, e recordar uma por uma as experiências verdadeiramente repousantes de minha vida, tal como a ocasião em que fixei meus olhos no Monte Branco, quando a vasta montanha aparecia banhada em luar. Ou a radiante manhã, beijada de sol, quando nosso grande navio branco lançou âncora nas águas incrivelmente azuis da Praia de Waikiki, no Havaí. Ou naquela tarde mística em que observei, pela primeira vez, as sombras violáceas encherem o Grand Canyon, tornando-o transbordante de silêncio. Ou observando o sol a atravessar velhos bordos sobre um gramado verde, numa tarde de verão, em minha casa de campo.

Atravessando aquelas maravilhosas cenas de beleza e de paz através do poder da memória para recriá-las, a paz de Deus domina-me e eu vou descambando para um sono profundo e pacífico.

Assim, de vez em quando, deixe à parte seus cuidados e os problemas do dia, e percorra com a memória os lugares e as cenas mais belas que já viu ou testemunhou. Isso o aquietará, e, enquanto você se entrega ao poder benigno da visualização tranqüila, encontrará repouso e afrouxamento da tensão.







1.9.05

TANTRA E YOGA
OSHO
CONTOS E LENDAS



É possível encontrar uma síntese entre Yoga e Tantra?

Não, é absolutamente impossível. Isso é tão impossível como se você tentasse encontrar uma síntese entre homem e mulher. Então qual será a síntese? Um terceiro sexo, uma pessoa impotente, será a síntese e isso não será nem homem nem mulher. Sem raízes, esse homem não estará em lugar algum.

Tantra é absolutamente oposto, diametralmente oposto à Yoga. Você não pode fazer qualquer síntese, e jamais tente tal coisa pois você ficará cada vez mais confuso. Um é bastante para lhe confundir; dois será demais! E eles levam a direções diferentes. Eles atingem o mesmo cume; alcançam o mesmo pico - síntese está lá no topo, no clímax - mas no vale, onde a jornada tem início, eles são absolutamente diferentes. Um vai para o Oriente, o outro para o Ocidente. Eles dizem adeus ao outro; eles dão às costas um ao outro. Eles são como homem e mulher - psicologias diferentes, belos em suas diferenças.

Se você fizer uma síntese, isso se torna feio. Uma mulher tem que ser uma mulher... uma mulher tal que ela se torna uma polaridade ao homem. Em suas polaridades eles são belos pois na polaridade deles eles são atraídos um pelo outro. Na polaridade deles eles são complementares, mas você não pode sintetizar. Síntese será bem pobre, síntese será apenas débil. Não haverá nenhuma tensão nisso.

No pico eles se encontram, e esse encontro é orgasmo Onde homem e mulher se encontram, quando seus corpos dissolvem-se, quando eles não são duas coisas, quando yin e yang são um, isso se torna um ciclo de energia. Por um momento, no cume da bio-energia, eles se encontram e depois caem de novo.

O mesmo acontece com Tantra e Yoga. Tantra é feminino, Yoga é masculino. Tantra é rendição, Yoga é vontade. Tantra é passividade, Yoga é esforço...tremendo esforço. Tantra é passivo, Yoga é Ativo. Tantra é como a terra, Yoga é como o céu. Eles se encontram, mas não há nenhuma síntese. Eles se encontram no topo, mas no vale onde a jornada começa, onde vocês todos estão, você tem que escolher o caminho.

Caminhos não podem ser sintetizados. E as pessoas que tentam fazer isso, confundem a humanidade. Eles confundem muito profundamente e eles não são uma ajuda; são bem prejudiciais. Caminhos não podem ser sintetizados, só o final. Um caminho tem que ser separado de outro caminho... perfeitamente separado.

Tantra não tem nenhum conceito de pecado, de nenhuma culpa. Mova-se para o sexo. Apenas permaneça alerta, observando o que está acontecendo. Esteja alerta, ciente do que está acontecendo. Mas não tente controlar, não tente conter-se; permita o fluxo. Mova-se para a mulher; deixe que a mulher mova-se para você. Deixe-os ficar como um círculo e você permanece um observador. Através desse observar e relaxar, Tantra realiza uma transcendência. Sexo desaparece. Essa é uma maneira de ir além da natureza pois ir além do sexo é ir além da natureza.

Yoga diz para não desperdiçar energia: desvie-se do sexo completamente. Não há necessidade de ir para o sexo: você pode simplesmente desviar-se disso. Conserve energia, e não se deixe enganar pela natureza. Lute com a natureza, torne-se uma força de vontade; torne-se um ser controlado, não flutuando por aí.

Todos os métodos da Yoga são para lhe tornar capaz para que não haja nenhuma necessidade de relaxar na natureza, nenhuma necessidade de deixar a natureza ter seu próprio caminho. Você se torna um mestre e você move-se por si mesmo contra a natureza, lutando com a natureza. É um caminho do guerreiro - o guerreiro impecável que luta continuamente, e transcende através da luta.

Estes são totalmente diferentes. Eles conduzem a mesma meta: escolha uma; não tente sintetizar. Como você pode sintetizar? Se você for através do sexo, Yoga é abandonada. Como você pode sintetizar? Se você largar o sexo, Tantra é abandonado. Como você pode sintetizar? Mas lembre-se, eles conduzem ao mesmo objetivo: transcendência é o objetivo. Isso depende de você - de seu tipo.

É você do tipo guerreiro, um homem que luta continuamente? Então Yoga é o seu caminho. Se você não for do tipo guerreiro, se você for passivo - de uma maneira sutil feminino, você não gostaria de lutar com ninguém, realmente não-violento - assim Tantra é o caminho, e devido a que ambos levam a mesma meta, não há nenhuma necessidade de sintetizar.

Sintetizadores, para mim, estão quase sempre errados.

Não se importe com sínteses. Você simplesmente escolhe seu caminho e se agarra a isso. E não se deixe seduzir pelos outros que ficarão lhe chamando para vir para o caminho deles.

A única coisa com que se preocupar é sentir seu tipo e escolher. Não sou contra coisa alguma; sou a favor de tudo. O que quer que você escolha, posso lhe ajudar desse jeito. Porém, nenhuma síntese. Não tente pela síntese.

Yoga: The Alpha and Omega

O que você pode dizer é, em resumo, sua atitude para com todos os muitos diferentes caminhos?

Estou ensinando uma síntese.

Meu sentimento é que o homem que tem estado somente experimentando a Yoga irá permanecer parcial, irá crescer somente em parte... como se a mão de um homem tivesse ficado grande demais e o corpo inteiro ficasse pequeno. Ele irá ser um monstro a menos que ele possa experimentar também com Tantra, pois Tantra é complementar à Yoga.

Lembre-se, esse é um dos meus insights básicos: na vida não existem contradições. Todas as contradições são complementares. Noite é complemento do dia, assim é o verão para com o inverno, assim é a morte para com a vida. Eles não são contra um ao outro. Não há nada contra coisa alguma, pois só existe uma energia; é uma existência. Minha mão esquerda e minha mão direita não estão uma contra a outra, elas são complementares. Opostos são exatamente como as asas de um pássaro, duas asas: elas parecem opostas uma a outra contudo elas apóiam uma a outra. O pássaro não pode voar com uma asa.

Tantra e Tao precisam ser experimentados juntos.

Yoga agora tem um grande insight para a disciplina, e Tao tem um grande insight para a espontaneidade. Eles são opostos na superfície, mas a menos que sua disciplina lhe faça mais espontâneo e a menos que sua espontaneidade lhe torne mais disciplinado, você não estará completo. Yoga é controle, Tantra é descontrole; e ambos são necessários.

Um homem precisa ser tão capaz de ordem que se surgir a necessidade ele possa funcionar em total ordem. Ordem porém, não deve se tornar uma fixação; senão ele se tornará um robô. Ele deve ser capaz de sair do seu sistema, de sua disciplina, sempre que for necessário, e ele pode ser espontâneo, flutuando num deixar ir. Que ele possa conseguir somente através do tantra, de nenhum outro lugar mais.

Estou trazendo todos os opostos para a vida de meus sannyasins como complementos.

Os ioguis estarão contra mim porque eles não podem ver como sexo e amor podem ser uma parte na vida de um buscador. Eles estão com receio. Eles estão com medo do sexo pois o sexo é a coisa mais espontânea na sua vida. Isso precisa ser controlado. Eles sabem que o sexo uma vez controlado, tudo mais fica controlado, desse modo o ataque básico deles é sobre o sexo.

Tantra diz que se seu sexo não for espontâneo toda sua vida se tornará semelhante a um robô. Ela tem que ser livre. Ambos estão certos, e ambos estão certos juntos! - essa é minha abordagem. Parecerá absurdo porque minha abordagem é bem ilógica. Lógica irá sempre insistir: Seja ou um iogui ou um Tântrico. Eu acredito na vida; não creio na lógica; e vida é ambos juntos.

Uma grande disciplina é necessário na vida, pois você tem que viver num mundo com tantas pessoas. Você tem que viver com disciplina; senão a vida se tornaria um caos. A vida ficaria impossível se você não pudesse viver com uma disciplina. Mas se você só vive com disciplina e esquece da espontaneidade e você se torna a disciplina e você não é capaz de sair fora disso, assim novamente a vida é perdida. Você tornou-se uma máquina. Agora, estas são as duas alternativas que estiveram disponíveis para o homem até agora: ou se torne um caos - que não é bom - ou se torne uma máquina. Que também não é bom.

Eu quero que você fique alerta, cônscio, atento, disciplinado, e ainda capaz de espontaneidade. Quando você estiver trabalhando, seja disciplinado. Mas trabalho não é tudo. Quando você estiver brincando, esqueça toda a disciplina.

Eu costumava ficar numa casa em Calcutá com um juiz da suprema corte. A esposa dele me disse, "Meu marido só escuta a você. Você é a única pessoa que pode trazer algo para a vida dele. Toda nossa família está cansada dessa atitude dele. Ele permanece o magistrado mesmo em casa". Ela disse, "Mesmo na cama ele permanece o juiz da suprema corte. Ele espera que eu o chame de, 'Meu Senhor'. Ele nunca é espontâneo, e em tudo ele cria regras e leis. As crianças estão cansadas. Quando ele entra em casa toda a casa cai no silêncio, toda alegria desaparece. Todos ficamos esperando que ele vá para a corte".

Agora, eu conheço esse homem: ele é um bom juiz, um magistrado muito consciencioso, muito sincero, honesto - e estas são boas qualidades - ele contudo tornou-se uma máquina. Se ele chega em casa e permanece o magistrado, isso não é bom. A pessoa tem que relaxar também. A pessoa precisa brincar com as crianças, mas ele não pode brincar com as crianças; isso seria se rebaixar demais. Mesmo com sua esposa ele permanece no alto pedestal, distante; ele ainda permanece o magistrado.

Isto é o que aconteceu com os seguidores da Yoga: eles não podem ser brincalhões, eles não podem desfrutar de coisa alguma, eles não podem participar na celebração... pois eles não podem relaxar.

Somente Tantra cria o caos. Só o Tantra lhe torna muito, muito egoísta. Você não se importa com ninguém. Você esquece que é uma parte de um imenso todo, que você pertence a uma sociedade, que você pertence a existência e você está comprometido com essa existência; sem isso você não estará em lugar algum. Você tem que preencher algumas exigências do lado da existência, do lado da sociedade. Se você se tornar completamente caótico, então você não pode existir. Assim ninguém pode existir.

Portanto, precisa haver um grande entendimento entre caos e mecanicidade. Exatamente no meio há um ponto onde eu gostaria que meus sannyasins estivessem, exatamente no meio; capaz de ir para ambos os extremos quando necessário, e sempre capaz de afastar-se daí. Eu ensino fluidez, eu ensino essa liquidez.

Não ensino padrões de vida fixos, gestalts mortas. Ensino sínteses para crescimento na vida, padrões de crescimento, gestalts de crescimento, e sempre capaz de compreender o outro, o oposto. Assim a vida é bela.

A gente só pode conhecer a verdade quando a gente for capaz de transformar os opostos em complementos. Só assim nossa vida é simétrica. Há um equilíbrio; ambos positivo e negativo ficam igualmente equilibrados. Esse equilíbrio é transcendência. Nesse equilíbrio a pessoa conhece o além, a pessoa se abre para o além. A flor dourada viceja.






1.9.05

ARES OU MARTE
DESCONHEÇO O AUTOR
MITOS DA GRECIA E ROMA
MITOLOGIA E FOLCLORE



Deus da guerra, filho de Zeus e de Hera. Deleitava-se com a guerra pelo sei lado mais brutal, qual seja a carnificina e o derramamento de sangue.

Inimigo da serena luz solar e da calmaria atmosférica, ávido de desordem e de luta. Ares era detestado pelos outros deuses, o próprio Zeus o odiava.

Tinha como companheiros nas lutas Éris, a discórdia; Deimos e Fobos, o espanto e o terror, e Ênio, a deusa da carnificina na guerra.

Amou Afrodite, da qual teve Harmonia, Eros, Anteros, Deimos e Fobos.

Deus da guerra e filho de Zeus, rei dos deuses, e sua esposa, Hera. Os romanos o identificaram com Marte, também um deus da guerra. Ares, sanguinário e agressivo, personificava a natureza brutal da guerra.

Era impopular tanto com os deuses quanto com os humanos. Entre as divindades associadas com Ares estavam sua mulher Afrodite, deusa do amor, e divindades menos importantes, como Deimos (o Temor) e Fobos (o Tumulto), que o acompanhavam em batalha.

Embora Ares fosse bélico e feroz, não era invencível, mesmo contra os mortais. A adoração de Ares, que se acredita ter origem na Trácia, não se estendia à toda a antiga Grécia, e onde existiu, não tinha importância social ou moral. Ares era uma divindade ancestral de Tebas e tinha um templo em Atenas, aos pés do Areopago, ou Colina de Ares.

Filho de Zeus e de Hera, de quem terá herdado o carácter intratável (segundo seu pai), Ares nasceu na Trácia, o país das laranjas, dos cavalos e dos guerreiros. Ele pertence à geração dos doze grandes deuses do Olimpo, sendo venerado como o deus da guerra e da luta. A sua força física invulgar correspondia à sua fúria sanguinária. (Relacionamos o seu nome com a raiz grega arque significa: destruir.)

Ares era completamente obcecado pela luta. Deleitava-se a percorrer com a sua quadriga os campos de batalha, coberto com uma armadura de bronze e munido com uma enorme lança, espalhando o terror. Habitualmente era acompanhado por Éris, a Discórdia, e pelas sombras Kéros, sequiosas de sangue fresco.

Todo o Olimpo se afastava dele e o seu próprio pai não lhe escondia a sua antipatia. Curiosamente, o seu maior inimigo, como ele filha de Zeus, era Atena, deusa da razão, com quem entrava frequentemente em conflito. Ela dominava-o e atormentava-o facilmente, pois a violência de Ares era tão primária nas suas manifestações, tão pouco subtil, que o colocava assiduamente em situações humilhantes. Recordemos, a propósito, a sua captura pelos dois gigantes Aloídas, que o prenderam durante treze meses num vaso de bronze, até que Hermes o veio libertar. Mas a pior de todas as suas humilhações foi-lhe infligida por Hefesto.

Hefesto era casado com Afrodite, que o traiu exactamente com o deus da guerra. Ora, para evitar que o sol, ao despertar, revelasse o seu segredo, Ares colocou como sentinela o seu favorito Alectrião. Mas, certa manhã, este adormeceu, e então Hélio descobriu o casal e avisou Hefesto. Furioso, o deus do fogo e da metalurgia lançou sobre os amantes uma rede invisível, a fim de os aprisionar. Depois convocou todas as divindades do Olimpo, para que elas assistissem ao despertar dos culpados e ao seu embaraço. Mais tarde, Ares, por vingança, transformou o seu favorito num galo que, a partir desse dia, vigiaria e anunciaria, pontualmente, o nascer do sol.

Afrodite foi, sem dúvida, o seu grande e único amor entre as imortais, a ponto de Ares se comportar como um amante possessivo e ciumento, desembaraçando-se ardilosamente dos seus rivais, como Adónis, a quem ele inspirou a paixão pela aventura, conduzindo-o assim à morte. Desta união ilícita nasceram diversas crianças (destacamos, entre outras, a Harmonia e o malicioso Eros, mas também o povo guerreiro das Amazonas, descendente de Ares, é apresentado, por vezes, como nascido de Afrodite). Apesar disto, Ares contraiu outras uniões, mas a sua posteridade não conheceu uma sorte invejável. Os filhos nascidos destes amofes são, todos eles, apresentados como seres sem grande importância, seres violentos e salteadores.

Flégias, por exemplo, incendiou por vingança o templo de Delfos, sendo morto por Apolo. Diomedes, que alimentava os seus cavalos com carne humana, acabou, ele próprio, por servir de repasto a estes animais. E o obstinado Meleagro só conheceu uma vida de provações e dificuldades. E, finalmente, a infortunada Alcipe foi violentada por um filho de Posídon, que Ares posteriormente matou. Mas Posídon procurou vingar-se, conduzindo-o perante o tribunal dos deuses, que se reuniu no próprio sítio do crime, numa colina de Atenas. Apesar de tudo, o assassino beneficiou de circunstâncias atenuantes, não sendo por isso sacrificado. E a colina onde se realizou o julgamento recebeu o nome de colina de Ares, o Areópago, servindo doravante de sede dos processos de carácter religioso.

Ares (os Romanos deram-lhe o nome de Marte) foi representado pelos escultores e pintores de todos os tempos (Roma, museu Borghèse e Paris, Louvre). Citemos, entre aqueles que o associaram a Afrodite (Vénus): Piero di Cosimo (Berlim), Botticelli (Londres), Mignard (Avigon), Le Brun (Louvre), Poussin (Louvre), Véronèse (Turim), Boucher (Londres); e entre aqueles que o pintaram na companhia de Atena (Minerva): Véronèse (Berlim), David (Londres), etc. Velásquez consagrou-lhe uma tela célebre (Madrid, museu do Prado).

O seu nome é conotado com a raiz mar, que evoca a força geradora - foi, inicialmente, para os Romanos, um deus agrário. Ele era especialmente adorado na Primavera (no mês de Março) e muito particularmente pela juventude.

Os seus atributos guerreiros só vieram mais tarde e acabaram por suplantar os anteriores, que foram transferidos para Libero. Marte é o deus dos exércitos (que manobram no campo de Marte, à volta das muralhas de Roma), travando batalhas ao lado dos seus fiéis, geralmente escoltado pela deusa Belona (sua irmã, sua esposa ou sua filha?).

O seu culto teve, em Roma, uma importância comparável ao culto de Júpiter. Com efeito, o Romano, camponês e soldado, reconhecia em Marte o seu protector imediato. Além disso, Marte era associado à história de Roma, nas suas origens: apaixonado pela vestal Reia Sílvia, ele visitara-a no bosque sagrado onde seu tio, o rei de Alba, a tinha aprisionado. Deste encontro amoroso nasceram Rómulo e Remo, os dois gêmeos que teriam sido alimentados por uma loba, animal consagrado a Marte.

Filho de Juno (Ovídio conta que a deusa o concebeu não como resultado dos seus amores com Júpiter, mas através de uma flor fecundante), Marte foi rapidamente identificado, pela lenda, ao deus grego da guerra, Ares.

O dia de Marte (Martís dies) é a terça-feira.






1.9.05

LLYR, THLEER, LIR, MANANNAN MAC LIR OU MANNAN-AWN MALIKLIR
J R ANDRADA
MITOS DA IRLANDA E DO PAIS DE GALES
MITOLOGIA E FOLCLORE



Deus do oceano e água.

O Velho Homem do Mar.

Deus do oceano, navegantes, das tempestades, fertilidade, artes, renascimento.






1.9.05

SENDO AMAVEL
DESCONHEÇO O AUTOR
CONTOS E LENDAS



Em uma noite de tempestade, muitos anos atrás, um homem e sua esposa entraram em um pequeno hotel para fugir da chuva.

- Você poderia nos arranjar um quarto? O marido perguntou.

O atendente, um homem jovem e gentil com um largo sorriso, olhou o casal e explicou que estavam acontecendo três convenções na cidade.

- Todos os nossos quartos estão ocupados. Disse o balconista. - Mas eu não posso deixar o simpático casal na chuva à essa hora da noite. Se estiverem dispostos a dormir em meu quarto... Não é exatamente uma suite, mas será o suficiente para deixar-lhes confortáveis durante a noite.

Quando o casal recusou, o jovem insistiu,

- Não se importem comigo. Eu consigo me ajeitar

Assim o casal acabou concordando.

Ao pagar a conta na manhã seguinte, o homem disse ao jovem atendente,

- Você é o tipo de gerente que deveria cuidar do melhor hotel do país. Talvez algum dia eu construa um para você.

O atendente deu-lhes uma piscadela e sorriu. Os três deram uma boa gargalhada. Enquanto se afastavam, o casal comentou entre si que encontrar pessoas tão amigáveis e úteis não é fácil.

Dois anos se passaram. O atendente tinha-se esquecido do incidente quando recebeu uma carta daquele homem. Lembrava daquela noite de tempestade e incluía uma passagem de ida e volta para New York, pedindo que o jovem lhes fizesse uma visita.

O homem o recebeu em New York e conduziu-se lhe à um ponto da quinta avenida. Apontou então um novo e grande edifício, um palácio de pedras avermelhadas, com torres apontando para o céu.

- Aquele, - disse o homem, - é o hotel que eu só construí para que você seja o gerente.

- Você deve estar brincando. Respondeu o jovem.

- Posso garantir-lhe que não estou. O homem respondeu abrindo um sorriso.

O nome do homem era William Waldorf Astor, e a estrutura magnífica era o original The Waldorf-Astoria Hotel, hoje um dos hoteis mais luxuosos do mundo.

Aquele atendente que se tornou seu primeiro gerente era George C. Boldt.

Aquele atendente jamais imaginou que uma atitude tão simples como a de cumprir bem e amavelmente o seu papel, lhe levaria a se tornar o gerente de um dos mais fascinantes hotéis do mundo