Contos e Lendas: 03/2005

21.3.05

LIBRA - A BALANçA DA JUSTIçA
STELA BRITO
MITOS DA GRECIA E ROMA
MITOLOGIA E FOLCLORE




Libra não possui uma narrativa própria, mas tem seu conceito baseado na história da Astréia, protagonista do mito de Virgem. Além desta deusa ter sido transformada em constelação, a sua balança também o foi, deixando para a humanidade a lembrança da eqüidade, da lei e da justiça.


Durante a Idade de Ouro, quando a primavera era eterna e os homens viviam em harmonia com os deuses, Astréia, filha de Júpiter e Têmis, vivia na terra, entre os humanos, aconselhando-os e dando-lhes noções de leis e justiça. Nesta época, no mundo não haviam guerras, catástrofes ou crimes. A natureza era plena e oferecia alimento a todos os homens, que existiam em paz com os deuses.


Mas os homens tornaram-se gananciosos e passaram a negligenciar suas obrigações com os deuses, acreditando-se donos do próprio destino. Irritado com a prepotência dos mortais, Zeus determina um castigo: a Idade de Ouro estava acabada. A primavera seria limitada, a terra deveria ser tratada para produzir frutos e a juventude eterna não existiria mais.


Ao ver o comportamento dos humanos e os castigos que o deus dos deuses os impunha, Astréia se refugia nas montanhas, mas continua a disposição daqueles que quiserem procurá-la e ouvir seus sábios conselhos.


Mesmo com todos os castigos de Zeus, a punição da humanidade não terminara, os homens descobrem a guerra. Este período belicoso caminha para uma nova era, a Idade de Ferro, em que os homens não têm mais respeito pela honra, franqueza e lealdade, tendo as ações determinadas pela ambição e violência.


Ao ver em qual ponto as coisas estavam, Astréia, entristecida, resolve abandonar a Terra e deixar de conviver com os mortais. A deusa, então, refugia-se no céu na constelação de Virgem. Sua balança também é catasterizada na constelação de Libra, para lembrar aos homens que o mundo é regido por leis e que tudo deve ser ponderado - as ações devem ser pesadas em contraponto com as conseqüências.






21.3.05

O CASAL QUE SORRIA
PAULO COELHO
CONTOS E LENDAS





Eu era casado com Cecília Macdowell, e - num período em que havia decidido largar tudo que não me dava entusiasmo - fomos morar em Londres. Vivíamos no segundo andar de um pequeno apartamento em Palace Street, e tínhamos muita dificuldade em fazer amigos. Todo noite, porém, um casal jovem, saindo do pub ao lado, passava diante de nossa janela e acenava, gritando, para que descessemos.


Eu ficava preocupadíssimo com os vizinhos; jamais descia, fingindo que não era comigo. Mas o casal repetia sempre a gritaria, mesmo quando ninguém estava na janela.


Certa noite, desci e reclamei do barulho. Na mesma hora, o riso dos dois transformou-se em tristeza; pediram desculpas, e foram embora. Então, naquela noite me dei conta que, embora buscasse amigos, estava mais preocupado com "o que os vizinhos vão dizer".


Resolvi que na proxima vez eu os convidaria para subir e beber algo conosco. Fiquei uma semana inteira na janela, na hora que costumavam passar, mas não apareceram. Passei a frequentar o pub, na esperança de ve-los, mas o dono não os conhecia.


Coloquei um cartaz na janela, escrito "Chamem novamente". Tudo que consegui foi que um bando de bêbados, certa noite, começassem a gritar todos os palavrões possíveis, e a vizinha - com quem eu tanto me preocupara - terminasse reclamando com o proprietário.


Nunca mais os vi.









21.3.05

MITO INDIGENA DO SOL
STELA BRITO
MITOS DO BRASIL
MITOLOGIA E FOLCLORE





Antigamente, muito antigamente, no tempo em que vivia entre os Tucuna, o Sol era um moço forte e muito bonito.


Por ocasião da festa de Moça-Nova, o rapaz ajudava sua velha tia no preparo da tinta de urucu. Ia à mata e trazia uma madeira muito vermelha, chamada Muirapiranga.


Cortava a lenha para o fogo onde a velha fervia o urucu para pintar os Tucuna. A tia do moço era muito mal humorada, estava sempre a reclamar e a pedir mais lenha.


Um dia o Sol trouxe muita muirapiranga e a velha tia ainda resmungava insatisfeita. O rapaz resolveu então que acabaria com toda aquela trabalheira. Olhou para o fogo que ardia, soltando longe suas faíscas. Olhou para o urucu borbulhante, vermelho, quente.


Desejou beber aquele líquido e pediu permissão à tia que consentiu: - Bebe, bebe tudo e logo, disse zangada. Julgava e desejava que o moço morresse. Mas, à medida que ia bebendo a tintura quente, o rapaz ia ficando cada vez mais vermelho, tal qual o urucu e a muipiranga. Depois, subindo para o céu, intrometeu-se entre as nuvens e passou desde então a esquentar e iluminar o mundo.






17.3.05

ACAMAS
GEORGES HACQUARD
MITOS DA GRECIA E ROMA
MITOLOGIA E FOLCLORE




Ácamas era filho de Teseu, rei de Atenas, e de Fedra, sua mulher (ela própria, filha do rei de Creta, Minos).


Quando Teseu partiu em campanha com o seu amigo Pirítoo (em primeiro lugar para raptar Helena, ainda uma menina, que ele entregou à sua própria mãe Etra, e depois Perséfone, que ele tratou de arrancar aos Infernos), confiou o trono de Atenas aos seus filhos Ácamas e Demofonte.


Mas Castor e Pólux, irmãos de Helena, intervieram e, enquanto Teseu esteve prisioneiro nos Infernos, eles libertaram a sua irmã, capturaram Etra, expulsaram os filhos de Teseu e substituíram-nos no trono por Menesteu, descendente de Erecteu.


Ácamas e Demofonte retiraram-se, então, para a ilha de Ciros. Foi lá que seu pai, depois de libertado, os reencontrou e morreu.


Quando Helena, entretanto casada com Menelau, foi de novo raptada, mas desta vez por Páris, filho de Príamo, rei de Tróia, foi a Ácamas que Menelau apelou, no sentido de negociar com Tróia o regresso de Helena, para junto de seu marido.


A presença de Ácamas na corte de Tróia não passou despercebida aos olhos de uma das jovens princesas, "a mais bela das filhas de Príamo e de Hécuba", Laódice. Esta, profundamente apaixonada por Ácamas, confidencia os seus ardores à mulher do rei de Dárdano, em Tróade. A Rainha irá, então, sugerir ao seu marido convidar Acamas e Laódice para um banquete. A jovem, apresentada como uma cortesã de Príamo, é sentada ao lado do jovem grego e, ainda a noite não tinha terminado, já os dois se tinham unido, amorosamente. Desta união irá nascer Múnito, que a mãe de Teseu, Etra - ela tinha acompanhado Helena à corte de Príamo - terá por missão educar.


A embaixada de Ácamas não teve outro sucesso senão este. E a guerra de Tróia começou então. Ácamas participou nela, assim como o seu irmão Demofonte, na esperança de libertar a sua avó. Ácamas passa, mesmo, por ter sido um dos numerosos guerreiros que se esconderam no interior do cavalo de madeira.


Obtida a vitória, resgatadas Helena e Etra - esta última graças aos seus netos que a reconheceram no meio dos cativos dos Gregos - Ácamas regressa à Ática. À morte de Menesteu, irá recuperar o trono de Atenas, que ocupará com grande sabedoria. (As aventuras de Ácamas são, por vezes, atribuídas ao seu irmão, Demofonte.)






17.3.05

A CATADORA DE VIDRO
MARISA G
CONTOS E LENDAS





Uma família de cinco pessoas estava passeando um dia na praia.


As crianças estavam tomando banho de mar e fazendo castelos na areia, quando, ao longe, apareceu uma velhinha.


Seu cabelo grisalho esvoaçava ao vento e suas roupas eram sujas e esfarrapadas. Resmungava qualquer coisa, enquanto apanhava coisas da praia e as colocava em um saco.


Os pais chamaram as crianças e lhes disseram para ficar longe da velha.


Quando esta passou, curvando-se de vez em quando para apanhar coisas, sorriu para a família, mas seu cumprimento não foi correspondido.


Muitas semanas mais tarde, souberam que a velhinha dedicara a vida à cruzada de apanhar caquinhos de vidro da praia para que as crianças não cortassem os pés.






17.3.05

CANASTRA DE PAPIRO
DESCONHEÇO O AUTOR
MITOS DE ISRAEL
MITOLOGIA E FOLCLORE





A Aliança entre Yahveh e o povo hebreu fica selada do modo citado e nas tábuas de pedra que Moisés tomou no monte Sinaí, aparecerão gravadas, em forma de preceitos, as obrigações para com tão terrível deidade. E, assim, o primeiro mediador, e intérprete, da palavra divina foi escolhido entre os filhos dos mortais. O próprio nascimento de Moisés e as diversas circunstâncias que se sucedem então, talvez pressagiassem o seu posterior protagonismo.


No "Livro do Êxodo" é narrada a história de uma criatura que se livrou de perecer afogada porque não foi achada pelas hostes do Faraó egípcio, que tinha ordenado que todos os homens israelitas,recém-nascidos,fossem arrojados ao rio Nilo. No entanto, e curiosamente, foi uma filha do próprio Faraó quem salvou Moisés (nome que significa "das águas o tirei") de perecer afogado no rio. Eis aqui o relato dos fatos: "Um homem da casa de Levi foi tomar por mulher uma filha de Levi. Concebeu a mulher e deu à luz um filho; e vendo que era belo teve-o escondido durante três meses. Mas não podendo ocultá-lo já por mais tempo, tomou uma cestinha de papiro, calafetou-a com betume e pixe, metia nela o menino e pô-la entre os juncos, à beira do rio. A irmã do menino colocou-se ao longe para ver o que lhe passava.


Desceu a filha do Faraó para banhar-se no rio e, enquanto as suas donzelas passeavam pela beira do rio, viu a cestinha entre os juncos e enviou uma criada sua para que a trouxesse. Ao abri-la, viu que era um menino que chorava. Compadeceu-se dele e exclamou: "É um dos meninos hebreus". Então disse a irmã à filha do Faraó: "Queres que eu vá e chame uma aia entre as hebraicas para que te crie este menino? ". "Vai", respondeu-lhe a filha do Faraó. Foi, pois, a jovem e chamou a mãe do menino. E a filha do Faraó disse-lhe: "Toma este menino e cria-o que eu te pagarei". Tomou a mulher o menino e criou-o. O menino cresceu e ela levou-o então à filha do Faraó, que o teve por filho e lhe chamou Moisés, dizendo: "Das águas o tirei".


Alguns estudiosos da história e da mitologia notaram o paralelismo entre a história de Moisés (narrada no Livro de Êxodo) e a infância de um rei de Akad chamado Sargão (nome que significa "Senhor das Quatro partes do Mundo") que invadiu a Mesopotâmia durante a sua juventude e, quando era menino, a sua mãe tinha-se visto obrigada a depositá-lo numa cestinha trançada com juncos.






17.3.05

A REBELIÃO DOS HUMANOS
DESCONHEÇO O AUTOR
MITOS DOS INCAS
MITOLOGIA E FOLCLORE





Como em quase todos os mitos mais elaborados da criação do homem, o desagradecimento é o único pagamento à bondade infinita que recebe o bom deus das suas criaturas.


O Universo criado por Uira Cocha não podia ser menos, e não atende a sua chamada nenhum dos recém-nascidos.


O deus encontra-se sozinho e entristecido no sítio Cacha, com a triste realidade da desobediência dos seus filhos.


A evidência é irrefutável e a fórmula obrigatória para dar a entender quem manda sobre o mundo tem que vir em forma duma devastadora chuva de fogo, uma ação de castigo e de purificação, que serve tanto para recordar o poder do Ser Supremo como para levar os soberbos humanos ao bom caminho.


A chuva de fogo que sai das entranhas da terra através dos vulcões de Cacha faz alastrar oportunamente o temor entre os estúpidos humanos, evitando-lhes de assim que se tornem merecedores de mais e maiores castigos à sua cegueira, pois os homens, ao ver que a sua insensata e torpe conduta os levou à destruição do seu maravilhoso ambiente, viram que podiam ter perdido com ela a recém-criada vida vegetal e animal, pondo mesmo em perigo a sua própria e recente existência, e agora estão totalmente arrependidos das suas faltas para com o benfeitor deus Uira Cocha e rezam para pedir-lhe clemência, implorando- lhe também o seu perdão sem altivez, com sentida humildade.


O bom deus fica contente ao comprovar que se conseguiu aquele desejado regresso ao bom caminho das suas criaturas, e termina por dar-lhes a sua muito especial lição de modéstia, dado que puderam ver como o que receberam gratuitamente também pode perder-se pela simples vontade do deus criador. Já com os humanos agrupados ao seu redor, se dirige para um lugar que se chamará Cosco (o centro, a posterior Cuzco), onde estabelece o Inca Uira Cocha o seu primeiro reinado, mas dando a um ser humano, a um dos arrependidos homens, o comando da primeira cidade e o centro do primeiro império que existe sobre o planeta, e este primeiro chefe, o primeiro Inca diretamente designado pela divindade, é o legendário Allca Huisa, que será do mesmo modo o gerador da longa e poderosa estirpe dos incas.






17.3.05

LOKI, O TRAPACEIRO
DESCONHEÇO O AUTOR
MITOS DA ALEMANHA
MITOLOGIA E FOLCLORE





Os deuses nórdicos estavam com problemas no alto reino de Asgard. A casa onde moravam não tinha muros para protegê-la dos inimigos. Assim, quando um cavaleiro passou e ofereceu para construir um muro, eles escutaram com atenção.


"Será um grande muro", ele disse, "uma barreira para todos os inimigos. De hoje a dezoito meses, todas as suas preocupações se acabarão".


"E qual é seu preço?", perguntou Odin, o sábio.


"Nada menos que a deusa Freyja como esposa", respondeu o estrangeiro. "E o sol e a lua também".


Os deuses ficaram furiosos e quiseram expulsar de Asgard o homem que tinha ousado pensar que a bela Freyja poderia ser negociada Mas o esperto Loki disse:


"Se você puder construir o muro em seis meses, o negócio está fechado!. Aos outros deuses, sussurrou: "Em seis meses, ele só construirá meio muro, mas pelo menos essa parte será de graça." O homem olhou Freyja mais uma vez, enquanto ela chorava lágrimas de ouro, e concordou, se seu cavalo pudesse ajudá-lo.


Durante todo o inverno o estrangeiro trabalhou. Com ajuda de seu cavalo, ele conseguiu juntar pedras para um muro maciço em volta de Asgard. Quando o verão se aproximou, o desastre esperava pelos deuses. Pois, contra todos os prognósticos, o construtor tinha quase terminado o muro.


"Você se julga tão esperto, Loki", disse Odin. "Você nos meteu nisso; agora você tem que nos tirar disso. Não podemos deixar Freyja se casar com este estrangeiro, que pode ser um gigante disfarçado. E, sem o sol e a lua, a vida não valerá a pena. Faça alguma coisa!"


Loki pensou muito e disse: "Sem o cavalo o construtor não poderá trazer as pedras que faltam." Como Loki era capaz de se transformar, naquela noite ele se disfarçou em uma bela égua e atraiu para longe o cavalo do estrangeiro. Vendo que não poderia terminar o muro no prazo, o construtor ficou furioso. Seu disfarce caiu, revelando que ele era um gigante, um dos inimigos dos deuses.


Os deuses chamaram Thor, o mais forte deles. Com seu martelo, Miollnir, Thor pagou ao construtor seu salário: não com o sol nem com a lua, mas com um tremendo golpe na cabeça. Quanto a Loki, quando achou que seria seguro voltar a Asgard, ele chegou com um cavalo de oito patas, cujo nome era Sleipnir. Loki deu Sleipnir para Odin, dizendo: "Nenhum cavalo jamais poderá competir com este. Ele o levará através dos mares e do ar, e para a terra dos mortos e de lá de volta."


Como Loki prometeu, Sleipnir nunca falhou com seu novo senhor, Odin. Mas nem todos os descendentes de Loki são como Sleipnir. Loki é meio gigante e tem três filhos com uma giganta. O primeiro é Fenris-lobo, que no fim do mundo irá devorar Odin.


O segundo é a serpente Midgard, e a terceira é a senhora da morte, Hel, que festeja com a fome e se alegra com a doença.


Quando Odin viu que essas terríveis crianças estavam soltas no mundo, fez com que viessem até ele. A serpente ele jogou no oceano; ela era tão grande que circundou o mundo e mordeu seu próprio rabo. Hel, ele expulsou para Niflheim, a Terra dos Mortos, e lhe deu poder sobre tudo que morre de doença ou de velhice.


Mas o Fenris-lobo não era fácil de controlar. Só o deus Tyr era suficientemente corajoso para alimentá-lo, e até ele podia ver que o Fenris-lobo logo ficaria forte o bastante, para fazer muito mal. Assim, os deuses fizeram uma corrente muito forte e o prenderam com ela. Mas com uma patada ele partiu a corrente.


Eles tentaram outra vez com uma corrente ainda mais forte. E outra vez o lobo se soltou. Odin pediu ajuda aos anões, e eles fizeram o grilhão chamado Gleipnir. Macio como seda, Gleipnir era feito de ingredientes especiais: o som de um passo de gato; uma barba de mulher; as raízes de uma montanha; os tendões de um urso; a respiração de um peixe; e o cuspe de um pássaro. Os deuses levaram o Fenris-lobo para uma ilha deserta e o desafiaram a quebrar Gleipnir. Percebendo a armadilha, o lobo concordou em ser amarrado só se um dos deuses pusesse uma mão em sua boca, como sinal de boa fé. Assim, o bravo Tyr enfiou sua mão entre as mandíbulas do terrével lobo.


Eles amarraram o lobo com os grilhões macios mas, dessa vez, quando ele esperneou o grilhão apenas se apertou mais. Furioso, o Fenris-lobo fechou suas enormes mandíbulas e decepou a mão direita do deus Tyr.


Mesmo sabendo que chegaria o tempo em que o Fenris-lobo se libertaria e traria morte e destruição a todos eles, os deuses não o mataram.


"O que tem de ser, será", disseram.






17.3.05

NOSSAS PASSARELAS
DESCONHEÇO O AUTOR
CONTOS E LENDAS




Contou-nos um professor, que um dia desses deu carona a uma amiga e esta estava irradiando felicidade.


O motivo da sua alegria era o fato de haver vencido algo que a atormentava desde a infância: o medo de atravessar passarelas.


Moradora de uma cidade grande, vez ou outra precisava atravessar uma rua movimentada utilizando as passarelas destinadas aos pedestres.


Sempre que ia enfrentar esse terror, ela se agachava, se agarrava ao parapeito e seguia engatinhando como se fosse um bebê.


Naquele dia, em que conversava com o amigo, ela contou que, quando estava quase no meio do trajeto, começou a conversar consigo mesma sobre o tormento do medo.


Viu-se, ali, agarrada às muretas, se arrastando como se a passarela fosse desabar em minutos, e se questionou: "como pode uma mulher de quase 50 anos de idade estar rastejando desse jeito, enquanto crianças passam descontraídas e confiantes!?"


"Isso não faz sentido!"


E, buscando uma força interior que não imaginava possuir, levantou-se, respirou fundo, apoiou a mão suavemente sobre o parapeito, e seguiu.


Mas não foi só isso!


Desafiando o próprio medo ela ousou olhar para baixo, os carros que transitavam em alta velocidade.


Os primeiros momentos foram de luta íntima entre a confiança e a fobia, mas venceu o bom senso e ela chegou ao outro lado, irradiando felicidade.


Havia derrotado o monstro que a aterrorizou por longo tempo.


Muitos de nós temos nossas passarelas para enfrentar.


E elas se apresentam das mais variadas formas e nos mais inesperados momentos.


São as fobias e medos que nos infelicitam, que nos fazem rastejar, que nos impedem os passos na travessia dos obstáculos necessários ao nosso crescimento espiritual.


E muitas dessas passarelas são fruto da nossa imaginação, da nossa falta de fé, da nossa insegurança.


Importante que pensemos no objeto dos nossos medos com a seriedade que o assunto exige.


Existem perigos reais que provocam o medo racional, que aciona o instinto de conservação com o fim de preservar nossa integridade moral e física. Isso é perfeitamente natural.


Mas também existem perigos imaginários, que impedem nossa caminhada e nos deixam ilhados nos limites gerados pelo medo irracional, o medo sem sentido.


Quando, por exemplo, nos deparamos com uma ponte que está rachada, com vários indícios de que poderá desabar, evitar a travessia é decisão de bom senso. Esse medo é perfeitamente racional.


Mas quando a ponte está firme, sólida, não oferece risco algum, e ainda assim sentimos medo de atravessar, esse temor é sem sentido, sem razão de ser. É o medo irracional.


Por isso é importante que façamos uma análise consciente das nossas fobias, para que o medo irracional não nos impeça os passos na direção da felicidade que desejamos alcançar.


Vale a pena enfrentar nossas passarelas com disposição e coragem, para que possamos sentir a satisfação de chegar à outra margem da rua, do rio, dos obstáculos variados.


E atravessar essas passarelas pode significar simplesmente derrotar o medo de ser feliz, que por vezes nos distancia de um abraço de reconciliação, de perdão, de conquistar uma virtude qualquer...
<\FONT>






16.3.05

NOSSAS PASSARELAS
DESCONHEÇO O AUTOR
CONTOS E LENDAS




Contou-nos um professor, que um dia desses deu carona a uma amiga e esta estava irradiando felicidade.


O motivo da sua alegria era o fato de haver vencido algo que a atormentava desde a infância: o medo de atravessar passarelas.


Moradora de uma cidade grande, vez ou outra precisava atravessar uma rua movimentada utilizando as passarelas destinadas aos pedestres.


Sempre que ia enfrentar esse terror, ela se agachava, se agarrava ao parapeito e seguia engatinhando como se fosse um bebê.


Naquele dia, em que conversava com o amigo, ela contou que, quando estava quase no meio do trajeto, começou a conversar consigo mesma sobre o tormento do medo.


Viu-se, ali, agarrada às muretas, se arrastando como se a passarela fosse desabar em minutos, e se questionou: "como pode uma mulher de quase 50 anos de idade estar rastejando desse jeito, enquanto crianças passam descontraídas e confiantes!?"


"Isso não faz sentido!"


E, buscando uma força interior que não imaginava possuir, levantou-se, respirou fundo, apoiou a mão suavemente sobre o parapeito, e seguiu.


Mas não foi só isso!


Desafiando o próprio medo ela ousou olhar para baixo, os carros que transitavam em alta velocidade.


Os primeiros momentos foram de luta íntima entre a confiança e a fobia, mas venceu o bom senso e ela chegou ao outro lado, irradiando felicidade.


Havia derrotado o monstro que a aterrorizou por longo tempo.


Muitos de nós temos nossas passarelas para enfrentar.


E elas se apresentam das mais variadas formas e nos mais inesperados momentos.


São as fobias e medos que nos infelicitam, que nos fazem rastejar, que nos impedem os passos na travessia dos obstáculos necessários ao nosso crescimento espiritual.


E muitas dessas passarelas são fruto da nossa imaginação, da nossa falta de fé, da nossa insegurança.


Importante que pensemos no objeto dos nossos medos com a seriedade que o assunto exige.


Existem perigos reais que provocam o medo racional, que aciona o instinto de conservação com o fim de preservar nossa integridade moral e física. Isso é perfeitamente natural.


Mas também existem perigos imaginários, que impedem nossa caminhada e nos deixam ilhados nos limites gerados pelo medo irracional, o medo sem sentido.


Quando, por exemplo, nos deparamos com uma ponte que está rachada, com vários indícios de que poderá desabar, evitar a travessia é decisão de bom senso. Esse medo é perfeitamente racional.


Mas quando a ponte está firme, sólida, não oferece risco algum, e ainda assim sentimos medo de atravessar, esse temor é sem sentido, sem razão de ser. É o medo irracional.


Por isso é importante que façamos uma análise consciente das nossas fobias, para que o medo irracional não nos impeça os passos na direção da felicidade que desejamos alcançar.


Vale a pena enfrentar nossas passarelas com disposição e coragem, para que possamos sentir a satisfação de chegar à outra margem da rua, do rio, dos obstáculos variados.


E atravessar essas passarelas pode significar simplesmente derrotar o medo de ser feliz, que por vezes nos distancia de um abraço de reconciliação, de perdão, de conquistar uma virtude qualquer...
<\FONT>






16.3.05


A FLOR DA PAIXÃO
ANDRÉ LUIZ AQUINO
CONTOS E LENDAS





Hoje quero falar de maracujá porque ontem saboreando aos poucos uma torta da tal fruta lembrei-me do nome sugestivo que ela tem em outras línguas: passion fruit em inglês, Fruit de la Passion em francês e Passionsfrucht em alemão.


Vertendo ao pé da letra para o nosso idioma, o significado da tradução é "Fruta da Paixão", o que me deixou muito intrigado e me faz fantasiar ardentemente com os supostos super poderes dessa frutescência sobre os meus mais profundos sentimentos.


Mas meus anseios logo foram desfeitos após uma pesquisa mais aprofundada sobre o assunto, no entanto a fruta da paixão tem esse nome por um motivo igualmente nobre: a paixão de Cristo.


A palavra maracujá é de origem tupi e significa alimento em forma de cuia, os índios já a conheciam muito antes dos colonizadores chegarem à pátria amada idolatrada salve, salve e os jesuítas foram os responsáveis pelo seu descobrimento e catalogação, bem como a divulgação do seu sabor e propriedades calmantes.


Todavia ainda não haviam vislumbrado o que o maracujá, a fruta da paixão, tem de mais belo; sua flor.


Missionários espanhóis do século XVI viram a flor do maracujá e ficaram em êxtase, acharam que sua estrutura representava a Paixão de Cristo. As cinco pétalas e cinco sépalas representavam os 10 Apóstolos, as cinco anteras simbolizavam as cinco Chagas de Cristo, os três estigmas faziam referência aos três pregos na cruz, e os filamentos a Coroa de espinhos....as flores seriam manchadas de roxo em virtude do sangue de Cristo.


Não é só o Louva-Deus de todos os seres viventes que louvam a Deus, mesmo aqueles que pensam estar vivendo em pecado ou não também são filhos de Deus....Deus pra mim é um pai severo, mas que não castiga com as mãos, castiga com as palavras duras...e a sua voz e o mesmo som da minha consciência me condenando ou não.


As sementes do maracujá foram então enviadas de presente ao Papa Paulo V (1605-1621), que mandou cultivá-las com grande carinho em Roma e divulgar que ela representava uma revelação divina.


Ao ver a flor do maracujá o Papa também ficou em extasiado e então a batizou de "Fruta da paixão" fazendo uma alusão direta ao calvário de Jesus Cristo...depois disso o maracujá já tem até outro sabor na minha boca.


A flor do maracujá é mesmo mágica, foi cantada em verso e prosa ao redor do mundo, quando a vi pela primeira vez tive uma sensação de tristeza e alegria ao mesmo tempo, algo que me provou que sentimentos opostos podem sim conviver num mesmo corpo.






16.3.05

O ARTISTA
DESCONHEÇO O AUTOR
CONTOS E LENDAS





Depôs de ter pintado seu quadro imortal intitulado A Última Ceia: Leonardo da Vinci pediu a opinião de um amigo sobre aquele seu trabalho.


O amigo fez inúmeros elogios à obra-prima, dando destaque ao cálice de vinho na mão do Senhor. Naquele exato momento, Leonardo cobriu o cálice com tinta. Dizem que ele fez o seguinte comentário:


Nada deve tirar a atenção de alguém que esteja contemplando o Senhor.






16.3.05

FAZENDO ACERTOS
RON MEHL
CONTOS E LENDAS





Um velho capitão do mar, chamado Eleazar Hall, morava em Bedford, Massachusetts, durante a época das grandes embarcações movidas a vela. Ele era famoso, admirado e respeitado como o capitão mais bem-sucedido da época. Trabalhava muito e viajava por longos períodos. Foi o capitão que perdeu o menor número de homens e pescou mais peixes do que qualquer outro.


Sempre perguntavam ao capitão Hall sobre sua fantástica habilidade de viajar tanto tempo sem nenhum instrumento de navegação. Certa vez, ele partiu numa viagem de dois anos, sem voltar para casa, que era seu ponto de referência.


Eleazar respondia simplesmente:


Ah! Eu subo ao convés e presto atenção ao vento e aos cabos e cordas da embarcação. Sinto a direção da água, olho para as estrelas e estabeleço minha rota.


Bem, os tempos mudaram em Bedford. Grandes empresas seguradoras lá se instalaram, e seus proprietários disseram que não fariam seguro de navios se os capitães não tivessem um navegador a bordo devidamente treinado e autorizado. As pessoas temiam dar essa notícia a Eleazar. Mas, para surpresa de todos, ele disse:


Se eu for obrigado, farei os cursos de navegação que forem necessários, Eleazar diplomou-se com louvor e, por sentir muitas saudades do mar, partiu imediatamente numa longa viagem. No dia de sua volta, a cidade inteira lhe fez esta pergunta:


Eleazar, o que você achou de navegar com todos aqueles mapas e cálculos?


Eleazar endireitou o corpo e deu um longo suspiro.


Ah! ele respondeu , foi simples. Sempre que eu queria saber a posição do navio, ia até minha cabina, pegava os mapas e as tabelas, fazia cálculos e estabelecia minha rota de viagem com precisão científica. Depois, eu subia ao convés e prestava atenção ao vento e aos cabos e cordas da embarcação, sentia a direção da água, olhava para as estrelas e corrigia os erros que tinha cometido ao fazer os cálculos.


Quando ouvi esta história, eu orei: Senhor, quero conhecer-te desta maneira. Quero subir ao convés prestar atenção à tua mansa voz em meu coração, refletir sobre tua Palavra eterna e, depois, fazer acertos em todos aqueles planos maravilhosos, lógicos e científicos que tracei para mim.






16.3.05

SHINTO
DESCONHECO O AUTOR
MITOS DO JAPÃO
MITOLOGIA E FOLCLORE





O xintoismo foi o primeiro estádio religioso do Japão, a primeira explicação mitológica que os humanos querem dar-se dos fenômenos e poderes que se afastam da compreensão, desde o ciclo do dia e a noite até à doença e a morte, passando pela sorte dos cultivos e o gado e pelo comportamento das forças atmosféricas.


Esta religião da natureza, na que não há dogma nem existem diferenças entre os deuses, os humanos, os animais, as plantas e a matéria inanimada, é uma doutrina de meditação, de conhecimento da unidade universal, que vai unida inseparavelmente à total aceitação da ordem reinante, à assunção da circunstância social e familiar.


O Shintô proclama a necessidade da pureza e a exigência da sinceridade. A pureza supõe a eliminação da contaminação pelo sangue, pela morte, pelos alimentos impuros e se consegue através dos ritos purificadores do imi (abstinência), o misogi (banho frio) e o harai (o rito oficiado), que alcança o seu máximo nas festas semestrais do 30 de Junho e do 31 de Dezembro, nos dias do O-harae (Grande purificação).


O Shintô (Shin, deuses; tô, caminho = caminho de deuses) foi colhido numa coleção de textos (shinten); finalmente no século VII, numa versão depurada que se transmitiu oralmente até princípios do VIII, quando a imperatriz Gemmyo fez com que Yasumaro recolhesse da memória de Hieda o conteúdo do relato e o escrevesse, dando ao conjunto o nome de Kojiki (Crônica dos tempos antigos) em três livros, mais uma história nacional, o Nihongi, ou Nihom Shoki (Crônica do Japão). Esta doutrina sintoísta renovada, por propugnar a obediência à ordem, ao imperador, terminou por ser a doutrina oficial e a inimiga do budismo no período de recuperação da autoridade imperial, de 1868 a 1872, passando depois a ser uma instituição à qual se deve uma observação e um respeito mais nacionalista do que religioso.






16.3.05

ARVORES ENCANTADAS
DESCONHEÇO O AUTOR
MITOS DO BRASIL
MITOLOGIA E FOLCLORE





Mito de Alagoas.


Surgem à beira das estradas e caminhos desertos. Geralmente encontradas por caçadores que aparecem e desaparecem.






16.3.05

O ZEN
DESCONHEÇO O AUTOR
MITOS DO JAPÃO
MITOLOGIA E FOLCLORE



Uma das escolas budistas deu lugar a uma doutrina plenamente japonesa (o zen) a partir de uma idéia chinesa (o chan) que procura a identificação do indivíduo com o espírito universal. Mas o zen chegou a tomar forma própria nas suas diversas vertentes ou seitas, nas quais prevalecia quer a experiência mística, quer a reflexão.

O zen, a meditação pura, aproximou-se muito mais do que nenhuma outra forma do budismo ao espírito do seu fundador, embora também se diferenciasse do seu tratamento ascético, de maneira que converteu-se em breve numa forma de tentar encontrar, só pela pretendida intuição, o controlo da matéria e o movimento.

O zen trata de alcançar o conhecimento dos mistérios através de um misticismo libertador, de uma revelação ou encontro com o mistério, de uma meditação sem lógica, mas com fé, que é simplesmente a fuga do racionalismo e o abandono de qualquer tentativa de explicação teológica ou mitológica do Universo.

Por essa simplicidade da dedicação a uma única idéia, o exercício individual da introspecção, do silêncio e a falta de necessidade de explicar-se ou explicar aos outros,o zen arraigou rapidamente entre os guerreiros,entre os samurai, convertendo-se rapidamente numa religião que era só um instrumento, um meio auxiliar,que tratava de levar os seus fiéis ao triunfo individual.

O zen concretizou-se numa série de práticas que tinha que realizar numa sucessão inseparável, regras de compreensão muito fácil e sem exigências intelectuais, para tentar alcançar a sua meta em quatro passagens consecutivas: situar-se numa única idéia, fazendo possível a concentração espiritual; fazer a reflexão na paz do espírito; conhecer o prazer da serenidade; depurar a concentração de qualquer sentimento, para conseguir o objetivo final da serenidade perfeita e pura, alcançando o indivíduo o controle instantâneo e total do poder cósmico, a unidade com a realidade universal.






16.3.05

AFRODITE
DESCONHEÇO O AUTOR
MITOS DA GRECIA E ROMA
MITOLOGIA E FOLCLORE




É a deusa por excelência do Olimpo, filha de Urano (da espuma que surgiu do que um dia foram atributos viris do deus, após a amputação sofrida nas mãos de Cronos) ou filha de Zeus e Dione, noutro mito anterior e menos sangrento do que o primeiro.

Nascida da espuma do mar (aphros). Cronos castrou o pai e atirou seus órgãos genitais no mar. Deusa da Beleza e das Paixões Sexuais, que a todos seduz,humanos ou mortais; deusa que ama a alegria, que ri docemente ou em tom de zombaria de todos que se deixam conquistar por seus artifícios; a deusairresistível, que priva até os mais sábios de toda sua perspicácia.

Por vezes, costuma ser mostrada como traiçoeira e má, exercendo sobre os homens um poder destrutivo e mortal. Zeus exige que Afrodite case e arruma um marido, Hefesto, deus-ferreiro, o mais feio dos imortais. Afrodite pode ser considerada a deusa dos infiéis: teve vários casos. Com Ares, o deus da guerra, teve Harmonia e Eros. Com Dionísio, teve: Hermes, Hermafrodito e Príapo. Até os mortais não escaparam, com Anquises, teve: Enéias, e Adônis, um belo semi-deus.

Foi uma das causadoras da Guerra de Tróia. Cada uma das três deusas ofereceu algo em troca para conseguir a vitória no concurso de beleza. Afrodite oferece à Páris a mulher humana mais linda do mundo. Páris declarou Afrodite como a mais bela e escolheu como prêmio, Helena, a esposa do rei grego Menelau. O rapto de Helena por Páris foi à causa da Guerra de Tróia.

- Planta: murta, anêmona, benjoim, candelária, crocos, margarida, jacinto, mandrágora, manjerona, salsa, raiz de íris, pervinca, rosa, violeta.

- Animal: pomba, pardal e o cisne.






8.3.05

QUAL O MELHOR EXEMPLO
CONTOS E LENDAS
 
 
Perguntaram a Dov Beer de Mezeritch:
 
- Qual o melhor exemplo a seguir? O dos homens piedosos, que dedicam sua vida a Deus sem perguntar por que? OU o dos homens cultos, que procuram entender a vontade do Altíssimo?
 
- O melhor exemplo é a criança - respondeu Dov Beer.
 
- A criança não sabe nada. Ainda não aprendeu o que é a realidade! - foi o comentário geral.
 
- Voces estão muito enganados, porque ela possui quatro qualidades que nunca devíamos nos esquecer. Está sempre alegre sem razão. Está sempre ocupada.  Quando deseja qualquer coisa, sabe exigi-la com insistência e determinação. Finalmente, consegue parar de chorar muito rápido. 

 






7.3.05

PAULO COELHO
CONTOS E LENDAS
 
 
Desci do trem numa tarde de fevereiro de 2001, e  encontrei Katsura, uma japonesa de 29 anos.
 
- Seja bem-vindo ao caminho de Kumano.
 
Olhei para o lado de fora da estação, para o sol poente que batia diretamente no meu rosto. O que era o caminho de Kumano? Durante a viagem, tinha procurado saber como é que aquele lugar remoto estava incluído no programa de minha visita oficial, organizada pela Japan Foundation.  A intérprete me disse que uma amiga minha, a poeta Madoka Mayuzumi, fizera questão que eu visitasse o lugar, mesmo que tivesse apenas cinco dias, e precisasse viajar de carro a maior parte do tempo. Madoka tinha feito a pé o Caminho de Santiago em 1999, e achava que esta era a maneira de agradecer-me.
 
Ainda no trem, minha interprete comentou: "o pessoal em Kumano é muito estranho". Perguntei o que queria dizer com isso, e ela limitou sua resposta a uma palavra. "Religiosidade." De minha parte, resolvi não insistir: muitas vezes conseguimos estragar uma boa peregrinação porque lemos todos os folhetos, os livros, as indicações na Internet, os comentários de amigos, e já chegamos no lugar sabendo tudo que precisamos conhecer, sem deixar espaço para o mais importante da viagem - o inesperado.
 
- Vamos até a pedra - disse Katsura.
 
Caminhamos alguns metros até um pequeno obelisco, com inscrições em duas faces, encravado no meio de uma esquina - e disputando o espaço com pedestres, uma loja de conveniências, carros, e motocicletas que passavam. A partir dali, o caminho de Kumano se dividia em dois.
 
- Se você seguir para a esquerda, irá fazer a peregrinação pelo caminho que o imperador usava antigamente. Se seguir pela direita, fará o caminho das pessoas comuns comentou Katsura.
 
- Talvez o caminho do imperador seja mais bonito, mas com certeza o caminho das pessoas comuns e mais animado.
 
Ela pareceu ficar contente com a resposta. Entramos no carro, nos dirigimos para as montanhas cobertas de névoa. Enquanto conduzia, Katsura explicava um pouco sobre o lugar:  Kumano é uma espécie de península cheia de colinas, florestas e vales, onde várias religiões conviviam pacificamente. As predominantes eram o budismo e o xintoísmo (religião nacional do Japão, anterior à influência de Buda, e que consiste na adoração das forçaS da natureza), mas ali podia ser encontrado todo tipo de fé e de manifestação espiritual.
 
- Quantos quilômetros de peregrinação? - eu quis saber.
 
Ela pareceu não entender. Pedi que a interprete traduzisse em japonês, mas mesmo assim Katsura parecia perplexa com a minha pergunta.
 
- Depende de onde você saiu - disse finalmente.
 
- Claro. Mas no caso do Caminho de Santiago, por exemplo, se você sair de Navarra são aproximadamente 700 kms. E aqui?
 
- Aqui, as peregrinações começam quando você deixa a sua casa, e terminam quando você volta para ela. Neste caso, como você mora no Brasil, deve saber a distância.
 
Eu não sabia, mas a resposta fazia sentido. A peregrinação é uma etapa de uma viagem; lembrei-me que depois de percorrer o caminho de Santiago, na Espanha, só fui realmente entender o que me acontecera quando passei quatro meses em Madrid, antes de voltar para casa.
 
- A gente vê as coisas, e não compreende de imediato - continuou Katsura. - É preciso deixar em casa o homem que você está acostumado a ser; ele fica lá, e apenas a parte boa continua a ser alimentada pela energia da Deusa, que é mãe generosa. A parte que lhe prejudica termina morrendo por falta de alimento, já que o demônio está muito ocupado com outras pessoas, e não tem tempo de ficar cuidando de alguém cuja alma não está ali.
 
Subimos por quase duas horas um pequeno caminho sinuoso na montanha, até que a furgoneta parou numa espécie de albergue. Antes que eu entrasse, Katsura comentou:
 
- Aqui vive uma mulher que não sabemos quantos anos tem, por isso a chamamos de Demônio Feminino. Vou descer até a aldeia próxima para chamar um lenhador que irá lhe explicar como deve ser feito o caminho.
 
A noite já tinha começado a descer, Katsura desapareceu na bruma, e eu fiquei ali, esperando que o Demônio Feminino abrisse a porta.






7.3.05

CABEÇA DE CUIA
DESCONHEÇO O AUTOR
MITOS DO BRASIL
MITOLOGIA E FOLCLORE
 
 
É um ser alto, magro, de cabeleira farta que lhe cai sobre a testa e que sacode quando nada nos rios da região do Maranhão e do Piauí.
 
Faz suas viagens durante as enchentes do rio Paraíba.
 
De sete em sete anos sai a procura de uma moça, que tem que se chamar Maria; às vezes, porém, devora crianças que estejam nadando no rio.
 
Cabeça de Cuia era um rapaz que não obedecia sua mãe e a maltratava e terminou por deixar a casa da família.
 
Sofreu, então, uma maldição da mãe e foi condenado a viver durante 49 anos nas águas do rio Paraíba.
 
Somente depois de comer 7 Marias é que poderá voltar ao seu estado normal.
 
A lenda diz que sua mãe viverá enquanto ele estiver nas águas do rio.






7.3.05

BUDA
DESCONHEÇO O AUTOR
MITOS DA INDIA
MITOLOGIA E FOLCLORE
 
 
BUDA, como uma encarnação de Vishnu, é um exemplo da capacidade que tem o hinduísmo de absorver elementos religiosos diferentes. Dizem os hindus que o avatar Buda apareceu fundamentalmente para ensinar o mundo a ter compaixão pelos animais.






7.3.05

PAULO COELHO
CONTOS E LENDAS
 
 
Em Madrid vive Norma, uma brasileira muito especial.  Os espanhóis a chamam de "a vovó roqueira": ela tem mais de sessenta anos, trabalha em diversos lugares ao mesmo tempo, está sempre inventando promoções, festas, concertos de musica.
 
Certa vez, lá pelas quatro da manhã - quando eu já não agüentava mais de cansaço -  perguntei a Norma de onde tirava tanta energia.
 
- Eu tenho um calendário magico. Se quiser, posso te mostrar.   
 
Na tarde seguinte, fui até sua casa. Ela pegou uma antiga folhinha, toda rabiscada.
 
- Bem, hoje é a  descoberta da vacina contra a pólio -disse. -Vamos comemorar, porque a vida é bela.
 
Norma havia copiado, em cada um dos dias do ano, alguma coisa boa que havia acontecido naquela data.  Para ela, a vida era sempre um motivo de alegria.






4.3.05

PAULO COELHO
CONTOS E LENDAS
 
 
Poucos aceitam o fardo da própria vitória; a maioria desiste dos sonhos quando eles se tornam possíveis.






4.3.05

BOA DEUSA
GEORGE HACQUARD
MITOS DA GRECIA E ROMA
MITOLOGIA E FOLCLORE
 
 
Os Romanos, ou pelo menos as Romanas, adoravam uma divindade da fecundidade com o nome de Boa Deusa (Bona Dea), cujo santuário se encontrava no monte Aventino.
 
A Boa Deusa foi assimilada à Fauna (cujo nome significa favorável), apresentada por alguns como a filha do rei Fauno (e a lenda conta que depois de a ter embriagado, ele tê-la-ia violado, sob a forma de uma serpente) e, por outros, como a irmã e a esposa do mesmo rei (uma senhora de hábitos reservados que um dia se teria tentado com um pichei de vinho, sendo depois açoitada até à morte, por seu marido).
 
Uma certa tradição conta que Hércules se teria apaixonado por Fauna e a teria tornado mãe de Latino, futuro rei do Lácio.






3.3.05

DESCONHEÇO O AUTOR
CONTOS E LENDAS
 
 
Nos tempos das fadas e bruxas, um moço achou em seu caminho uma pedra que emitia um brilho diferente de todas as que ele já conhecera.
 
Impressionado, decidiu levá-la para casa.
 
Era uma pedra do tamanho de um limão e pertencia a uma fada, que a perdera por aqueles caminhos, em seu passeio matinal.
 
Era a Pedra da Felicidade. Possuía o poder de transformar desejos em realidade.
 
A fada, ao se dar conta de que havia perdido a pedra, consultou sua fonte de adivinhação e viu o que havia ocorrido.
 
Avaliou o poder mágico da pedra e, como a pessoa que a havia encontrado era um jovem de família pobre e sofredora, concluiu que a pedra poderia ficar em poder dele, despreocupando-se quanto à sua recuperação. Decidiu ajudá-lo.
 
Apareceu ao moço em sonho e disse-lhe que a pedra tinha poderes para atender a três pedidos um bem material, uma alegria e uma caridade.
 
Mas que esses benefícios somente poderiam ser utilizados em favor de outras pessoas. Para atingir o intento, cabia-lhe pensar no pedido e apertar a pedra entre as mãos.
 
O moço acordou desapontado.
 
Não gostou de saber que os poderes da pedra somente poderiam ser revertidos em proveito dos outros.
 
Queria que fossem para ele.
 
Tentou pedir alguma coisa para si, apertando a pedra entre as mãos, sem êxito.
 
Assim, resolveu guardá-la, sem interesse em fazer uso dela.
 
Os anos se passaram e este moço tornou-se bem velhinho.
 
Certo dia, rememorando seu passado concluiu que havia levado uma vida infeliz, com muitas dificuldades, privações e dissabores.
 
Tivera poucos amigos, porém, reconhecia ter sido muito egoísta. Jamais quisera o bem para os outros. Antes, desejava que todos sofressem tanto quanto ele.
 
Reviu a pedra que guardara consigo durante quase toda sua existência; lembrou-se do sonho e dos prováveis poderes da pedra. Decidiu usá-la, mesmo sendo em proveito dos outros.
 
Assim, realizou o desejo de uma jovem, disponibilizando-lhe um bem material.
 
Proporcionou uma grande alegria a uma mãe revelando o paradeiro de uma filha há anos desaparecida e, por último, diante de um doente, condoeu-se de suas feridas, ofertando-lhe a cura.
 
Ao realizar o terceiro benefício, aconteceu o inesperado a pedra transformou-se numa nuvem de fumaça e, em meio a esta nuvem, a fada - vista no sonho que tivera logo ao achar a pedra - surgiu, dizendo:
 
- Usaste a Pedra da Felicidade. O que me pedires, para ti, eu farei.
 
Antes, devias fazer o bem aos outros, para mereceres o atendimento de teu desejo.
 
Por que demoraste tanto tempo para usá-la?
 
O homem ficou muito triste ao entender o que se passara.
 
Tivera em suas mãos, desde sua juventude, a oportunidade de construir uma vida plena de felicidade, mas, fechado em seu desamor jamais pensara que fazendo o bem aos outros colheria o bem para si mesmo.
 
Lamentando o seu passado de dor e seu erro em desprezar os outros, pediu comovido e arrependido
 
- Dá-me, tão somente, a felicidade de esquecer o meu passado egoísta.